Quarta-feira, Maio 31, 2006

DO MILAGRE DO MERCURIO CROMO

Uma das cenas que considero inesquecíveis na minha vida de socorrista deu-se no PS de Guaçui, no Espírito Santo.
Estávamos no começo de uma tarde quente de sexta feira quando a ambulância que faz os atendimentos de urgência e emergência dentro do município foi solicitada para atender a um chamado próximo a Rodoviária.
Ao retornar ao PS, trazia um cidadão totalmente embriagado, com escoriações na face.
Esse fato se deu no início dos anos 90, portanto o mercúrio cromo ainda era utilizado em alguns lugares e, no PS ainda o utilizávamos como auxiliar na assepsia de ferimentos.
A auxiliar de enfermagem, ao fazer a limpeza da ferida, foi surpreendida por uma cabeçada do doente.
O resultado desse incidente foi a abertura do frasco, desses grandes com mais ou menos meio litro de mercúrio que, ao ser destampado, deixou cair sobre o pobre bêbado a quase totalidade de seu conteúdo.
Deixamos o “avermelhado” bêbado em observação, mas, com o decorrer do dia, e a chegada de urgências mais óbvias, fomos obrigados a remover o paciente para casa.
Pois bem, ao retornar ao Pronto Socorro, o motorista Cleber nos contou da dificuldade de encontrar o local onde habitava nosso amigo.
A informação que colhera, ao trazer o doente, é que o mesmo residia em Celina, distrito do Município de Alegre, que se acha a dez quilômetros de distância de Guaçui.
Ao chegar a Celina, e tentar encontrar a casa do bêbado, Cleber me disse da dificuldade da procura, os habitantes do local se referiam ao fato de “não conhecerem esse cidadão, inclusive por nunca terem visto um homem tão vermelho assim, na vida”.
Quando já estava desistindo, Cleber ficou sabendo por meio de um vizinho do alcoólatra, que este morava numa trilha de terra perto do distrito.
Devido à dificuldade de tráfego naquela estrada vicinal, Cleber deixou-o no começo da trilha e retornou ao PS.
Tudo bem se a história terminasse aqui, mas não.
Passados um ou dois meses, eis que o cidadão passa em frente ao Pronto Socorro, mas extremamente modificado.
A roupa comum tinha dado lugar a um paletó e gravata. No lugar da garrafa de cachaça, o cidadão trazia uma Bíblia.
Ao ser indagado do porque daquela mudança tão brusca, Cleber obteve uma resposta insólita:
- O Senhor não sabe o que aconteceu comigo!
Eu estava bebendo com uns amigos aqui em Guaçui quando, de repente, o diabo me levou, deu uma volta comigo, me marcou para a morte me pintando todo de vermelho e me jogou na estradinha lá perto de casa.
Quando acordei, seu moço, eu jurei pra mim mesmo que eu ia me arrepender dos meus pecados, ia entrar numa Igreja e nunca mais ia beber na minha vida!

Soneto em redondilha

Pode ir embora safado;
Isto aqui não te pertence
Cada vez que olho pro lado
O seu olhar não convence

Leva pra longe, danado,
É esse seu jeito non sense
Deveria ter cuidado
Embora você não pense

Cada dia mais distante...
Há mais gente descontente,
Um bocado mais adiante

Cada qual no seu batente
Homens sem temer rompante
Urgindo se sentir gente!

DO SOCIALISMO DE RESULTADOS

Uma coisa necessita ser analisada neste período pré-eleitoral.
Temos um grande vencedor se consolidando a cada dia, e um grande derrotado, se não for feito algo com urgência.
Paradoxalmente os dois sempre andaram juntos e, durante um bom tempo se confundiam de forma quase que monocromática.
O vencedor, Lula, a cada dia se apercebe disso e busca para ter as condições mínimas para governar, o apoio em outras siglas que não somente o PT, esse sim, o provável derrotado nessa eleição.
O PT paga o preço por seus erros contínuos, desde o início das denúncias contra o caixa 2, atabalhoadamente feito.
A mea culpa e a prometida limpeza ética, ficaram a meio caminho; a partir do momento em que, todos nós sabemos que não houve mensalão e sim um caixa dois; mas, com a falta de combatividade e reação mais sólida do partido, para a população, com a ajuda da Mídia, restou a certeza da existência da corrupção.
A mentirosa afirmativa de que “estávamos frente ao maior esquema de corrupção da história” foi a “verdade” que se solidificou para a opinião pública.
Lula saiu dessa crise praticamente ileso, mas o PT não. Esse ficou com a marca da corrupção nas costas e, como a virgem que é pega em flagrante se torna mais visada que a prostituta usual, ao PT restou esse estigma.
Erros de estratégia a parte, temos um caminho longo a percorrer até a recuperação da sigla ou, pelo menos que a surpresa provocada associada à ira dos outros partidos e grupos, seja dirimida.
Pois bem, com tal fato esclarecido, temos um grande problema pela frente: Lula está agindo, e só lhe resta agir assim, com total independência em relação ao Partido.
Hoje ele é muito mais representativo que o PT e disso não tenhamos dúvida.
Não só Lula se apercebeu disso, mas o PMDB e setores mais progressistas do PSDB também, e sabem tanto quanto o Presidente, que para manter a governabilidade pelos quatro anos que virão, deverá haver, pelo menos informalmente, uma aliança em torno de um projeto.
A aproximação entre Lula e Serra, Quércia, Aécio e outros líderes oposicionistas deve ser vista com os olhos de quem se apercebe da sabedoria desta decisão.
O afastamento de FHC e Aécio e Serra, e do PFL do PSDB é sintomaticamente uma alusão a esta verdade que se apresenta límpida e clara.
Não podemos e nem temos cacife para julgar qualquer ato de Lula neste instante, já que por nossa culpa, definharemos nas próximas eleições; mas, sobreviveremos.
Nosso restabelecimento moral e ético depende somente de nossas atitudes de agora para frente.
O SOCIALISMO necessita dessas alianças para continuar a ser instituído no Brasil e para isso, necessitamos dessa espécie de “Socialismo de resultados”.
Nesse país de instabilidade partidária, e de falta de clareza com relação aos ideais de cada partido e mesmo falta de coerência, podemos imaginar, nesse período, numa possibilidade de amadurecimento partidário.
A formação de blocos entre os partidos, com um grupo socialista típico, formado pelo PSOL e setores mais à esquerda de alguns partidos, outro grupo desse “socialismo de resultados” e um terceiro grupo formado pelo PFL e congêneres, nos dá a nítida impressão de que o país estará amadurecendo.
Ao PT, caberá um papel importante, mas não fundamental nesse novo mandato de Lula, cuja base aliada deverá ser ampliada dentro de uma linha mais ideológica do que com os PLs, PTBs, PPs e “aparentados”.
Com a minimização do poder de FHC e de outros dentro do PSDB, este também deverá se afastar do PFL e, talvez no que pensávamos ser impossível, se aproximar cada vez mais do PT e do grupo socialista do PMDB.
Esse quadro é o que pressinto; posso me enganar, mas creio que esta nova realidade partidária do país trará muitas surpresas.
O que sei é que Lula se aproxima, e não lhe resta outra alternativa, dos grupos mais afinados com o PT, dentro do PMDB e do PSDB.
Quem viver, verá!

SONETO

Gosto amargo de tantos preconceitos
Espera inútil, trazes o não ser.
Rastros de sangue vão tragando o peito.
As esperanças matas, sem saber.

Levas o vago gesto, apodrecer.
De complexos caminhos, imperfeitos;
Onde pisas, destróis sem perceber,
As cargas que carregas, tão sem jeito.

Liberdade, palavra sem sentido.
Cabes nesse deserto que professas
Kilovats a esmo nos ouvidos.

Martelas repetidos sons, tropeças.
Invertes as verdades consumidas
Nesta vazia noite, que confessas...

PARA ONDE IRÁ FHC?



Pára com isso, Serra!
Do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em conversa recente com um amigo do peito:

- O Serra tem de parar de falar mal de mim. Eu botei o Alckmin para perder essa eleição e o Serra foi preservado para ser candidato em 2010.





Essa conversa apresenta a seguinte conotação: com a aproximação das eleições e a clara reeleição de Lula à vista, setores do PSDB, capitaneados por José Serra e Aécio Neves, se afastam mais e mais daqueles que poderiam, de uma forma ou de outra, prejudicar a possibilidade de herdarem, com a impossibilidade de um terceiro mandato consecutivo, o apoio de Lula ou, pelo menos, uma oposição mais suave deste.
Devemos nos lembrar que Fernando Henrique Cardoso, certo da derrocada de Lula no ano passado, começou a agredi-lo de forma pessoal e antiética, o que gerou descontentamento e mágoa no Presidente, sentimentos que o mesmo não alimenta nem para com Serra e muito menos para com Aécio.
O que quer dizer isso?
Lula caminha célere para ser o grande vencedor dessa eleição, independentemente do PT ou de qualquer aliança. Sua busca, agora é para a governabilidade no segundo mandato.
E, tanto Serra quanto Aécio vislumbram essa possibilidade como um fator real de poder ter, senão o apoio, mas uma posição mais simpática de Lula com relação a uma candidatura deles.
Os entraves naturais a essa situação estão sendo retirados pouco a pouco. O primeiro deles, obviamente é o PFL e nisso, o próprio PFL tem colaborado para que ocorra.
Os comentários suicidas de César Maia, entre outros, têm demonstrado isso.
Outro fator importante é o afastamento de setores tucanos que confundiram adversários com inimigos, e FHC, atingido pela mosca azul e pelo sentimento de vingança contra o “analfabeto que superou o professor”, no seu sentimento mesquinho de uma inveja atroz, detectada várias vezes em declarações anteriores, esbaldou-se de tanto melado e falou demais.
A prudência de Serra e de Aécio, demonstram o quanto estes estão mais maduros e, percebendo desde o início que Lula era bem mais forte do que se apregoava, ficaram a maior parte da crise calados ou, no máximo, deram suaves alfinetadas.
Este episódio abre a sepultura política de FHC, vítima de sua soberba e de sua inveja, abandonado por tudo e por todos e definitivamente legado ao esgoto da história.
Quem sabe, para seu consolo, possa ser chamado a se filiar no PTB de Bob Jéferson ou no PPS de Bob Freire, pois, acredito que nem o PFL de Toninho Malvadeza vai aceitar esse espólio!

Terça-feira, Maio 30, 2006

DAS TERRAS MAL DIVIDIDAS

Seu moço me dê licença
Preu contar pras excelença
Um pouco dessa vivença
Que com muita experiença
Acumulei nessa vida
Vida ao sol bem mais curtida
Dessas hora bem vivida
Das ida e das despedida.
Aprendi com o roçado
Que mesmo sem ter pecado
A mão de Deus num perdoa
Quem num sabe curtivá
As hora toda que passo
Nessa terra a acariciar
Me serve como o compasso,
Me dando a lição mais boa
Das que pude perceber
Que num basta sabê lê
É percizo aprender a amar
O suó das minhas mão
O calo vem por herança
O valor de um coração
Só o amor como lembrança
A firmeza da esperança
E um poquim de gratidão
Satisfais bem mais ao home.
Das coisa que a terra come
Das vida que ela consome
Nois vamo ser seu adubo
Os pobres, os rico, tudo
Num vamo passar sem isso
Mesmo com os compromisso
Quitados ou por quitar
A vida tem seus pedágio
Que nois tudo vão pagar
Mesmo os cabra dos mais ágil
Disso num póde escapar.
Apois bem seje modesto
Que no final nem o resto
Das empáfia mais medonha
Nem das maldade que sonha,
O mais rico coroné.
Nada disso dá certeza
Da colheita da tristeza
Prantada , pur safadeza
Nesse mundo de meu Deus.
Nem os cristão nem ateus
Podem saber do dispois
Antonce vem, ora pois
O caminho percorrido
Deve de ser dividido
Pulos home que trabáia
Nois num suporta a cangáia
Num semo burro de báia.
Per favô, num atrapáia
Os cabra trabaiadô
Dê um trocico de chão
Se pegá desses ladrão
Sobra terra e dessas boa
Que é pau de fazê canoa
Que dá pru sujeito vivê
E criá us seus fiínho
Cum tanto amô e carinho
Tal e quar Cristo mandô
Apois repare sinhô
Que nois tudo é brasilero
Fío do mesmo pulêro
Adonde o galo cantô .
Hora premera da vida
Da nossa vida sufrida
Feita de munta corage
De sangue dos inocente
Arrepare nossa gente
No meio das paisage
Bataiando só a só
Nois num perciza de dó
Nem qué sua proteção
Isso nois num qué mais não
Nois perciza é de justiça
Nois num quer mais sê carniça
Prus hôme pudê jantá
Na fome descomuná
Dos abutre mais faminto
que véve nas capitár
sugando o sangue sem cor
dos home branco e retinto
que vevem nesse recinto
pra móde nus exprorá.
Trabaiamo a vida entera
Sem ter medo das porquera
Que, por medo ou por bestera
Os home que fais jorná
Tenta fazê de nois tudo,
Pior que os marginá.
Repare bem seu dotô
Apois quem sempe exprorô
Os pobre dos lavradô,
Róba de todos sem pena,
E dispois lá vem a pena
Desses home das nutiça,
Dizeno que as puliça
Divia nos martratá,
Que Deus perdoe esses cabra
Que as cabeça deles abra
Pru mode compreendê
Qui nois num semo bandido
Que nois só fumo banido,
Sem dereito a recramá,
Que nois ta quereno tê
É sumentes pra vivê
Um tiquinho dessa terra,
A terra adonde se encerra
Nosso peito varonil
Do nosso amado Brasil!

DO NASCIMENTO DE UM POLÍTICO

Lembo chama ACM de 'senhor de engenho'
Lideranças do PSDB e do PFL ruminam em segredo a suspeita de que o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, perdeu o controle sobre a própria língua. Em sabatina promovida pela Folha, nesta terça-feira, a língua de Lembo voltou a dar demonstrações de rara independência. Ela atacou pefelistas e tucanos e, em dado instante, insurgiu-se contra integrantes da platéia, reunida no Teatro Folha, no Shopping Higienópolis.

Lembo, 71 anos, esforçou-se para demonstrar que, em verdade, a língua segue o seu comando: “Os políticos costumam ser muito pouco claros no seu pensamento. Como eu estou velho, eu falo tudo que penso. Eu estou absolutamente lúcido e acho que a única coisa que posso fazer, politicamente, é ser lúcido e claro". A língua, porém, prevaleceu sobre o político durante toda a sabatina.
Referindo-se uma vez mais à falta de solidariedade do tucanato no auge da crise de segurança que teve de arrostar, a língua de Lembo voltou a ironizar o distanciamento estratégico de Geraldo Alckmin, Fernando Henrique Cardoso e José Serra: “Eu diria que, como toda ave, às vezes o tucano voa fora de hora". A despeito das críticas, a língua disse que votará em Alckmin para presidente e em Serra para governador de São Paulo.

Abespinhada com o fato de Antônio Carlos Magalhães, morubixaba da pefelândia baiana, ter dito que Lembo tem “cara de burro”, a língua tomou as dores de seu dono. Disse que ACM é um dos legítimos representantes do extrato que qualificou de “minoria branca”. Comparou-o a um “um senhor de engenho”. "O nosso senador é um homem de agressividade contínua. Felizmente, não tenho nada com ele".

Inquirida acerca da imagem de “esquerda” que seu linguajar vem imprimindo na testa de Lembo, a língua do governador disse ter enorme simpatia pela senadora Heloisa Helena, presidenciável do PSOL. Mas insinuou que o hábito da senadora de vestir-se ao estilo bicho-grilo a impede de aderir à causa: "Até por indumentária, seria injusto se eu fosse para o PSOL", disse a língua.A língua de Lembo exaltou-se com integrantes da platéia quando questionada sobre a suspeita de que a polícia paulista tenha executado supostos integrantes do PCC. "Não houve execuções. A polícia é equilibrada e racional", disse ela, arrancando risos da audiência. Dirigindo-se a um expectador, a língua desferiu, ferina: "E você, que está rindo, não tem coragem de ser polícia. No dia do pânico você estava dentro de sua casa".




Realmente, estamos vendo o nascimento de um belo político.
Cláudio Lembo, no ocaso de sua vida, aparece com a dignidade e honra de um jovem guerreiro, para surpresa de todos.
Esse homem que, durante toda a vida política parecia totalmente apagado, sendo comparável a um vagão arrastado pelas locomotivas de seu partido político ligado, muitas vezes, ao que mais podre há nesse país, as oligarquias nordestinas e ao coronelismo sanguinário e cruel.
Aparece-nos como um homem digno, com um discurso à altura de grandes libertários como Teotônio Vilela, entre outros.
Surpreendente a cada intervenção que faz, o Governador Cláudio se demonstra muito melhor em todos os níveis do que seu antecessor; covarde e sem ação, um joguete nas mãos dessas oligarquias que Lembo denuncia e ataca.
A maturidade de um homem pode dar-lhe a liberdade que traz a dignidade. É muito bom amadurecer e envelhecer.
A coragem que faltara ao jovem e ao adulto, se demonstra no velho, no idoso.
O fato de termos essas características aflorando nesse homem de 71 anos, nos dá esperanças com relação ao ser humano; nunca é tarde para se restituir ou adquirir a sensatez e a dignificante liberdade ou a libertária dignidade.
Nós outros, que lutamos por um mundo com maior cidadania e igualdade , com respeito pelas diferenças e amor ao próximo, te recebemos com os braços abertos.
Com os mesmos braços que receberam, noutra época, o Senador Teotônio, a luta pela verdadeira democracia nesse país, cada vez mais se sente orgulhosa de te ter como aliado.
Não permita mais que esses senhores de engenho e esses crápulas dessa bem detectada minoria branca que agora se sentindo ofendida; pois a carapuça que lhes cabe é pesada e vergonhosa, te desviem do caminho, companheiro.
Seu discurso não é de direita e nem de esquerda, é o pela justiça e pela dignificação do ser humano.
Governador Cláudio Lembo, a velhice te deu a lucidez e a franqueza, não as perca.
Mantenha-as com todo o afinco que puder, não cedas às pressões desses crápulas que sempre te usaram, perdoe minha franqueza.

DA POMPA E CIRCUNSTÂNCIA OU DO JANTAR TUCANO

Jantar de R$ 3.000 tenta arrecadar recursos para a campanha de Alckmin Os tucanos paulistas se reúnem hoje, a partir das 19h, em mais um jantar de apoio à candidatura do ex-governo Geraldo Alckmin, no Oggy Gallery, nos Jardins. Com convites a R$ 3.000, o jantar deve arrecadar recursos para a pré-campanha de Alckmin.O ex-prefeito de São Paulo José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo, é esperado no evento. Ele não confirmou presença.O jantar havia sido cancelado por conta da onda de violência que atingiu a capital na semana retrasada. O convite custa R$ 3 mil e foram vendidos cerca de 300 convites. O evento é organizado pelo diretório estadual do PSDB em São Paulo. Hoje à tarde, tucanos e pefelistas se reúnem no conselho político criado para aparar arestas na campanha de Alckmin, na capital federal. Entre os itens da pauta do encontro do conselho político está a formalização da aliança PSDB-PFL, prevista para quarta-feira.




Honestamente, eu não quero parecer vingativo, mas tem coisas que acontecem que o dedo coça e não tem jeito. Lá estou eu de novo a escrever...
Lembro-me bem quando o PT fez um jantar cuja doação mínima era de mil reais para arrecadação de dinheiro.
Isso levou o Senador Arthur Virgílio a crises convulsivas dentro do Senado Federal, colocando em dúvida todos aqueles que participaram de tal jantar.
Alegando que as contribuições seriam uma forma de corrupção, já que quem doasse teria “benesses do Governo”.
Agora o PSDB me vem com o mesmo tipo de expediente para a mesma arrecadação de dinheiro.
Percebo que o Senhor Senador falava por conhecimento profundo de causa já que, no seu partido, provavelmente, tais jantares prestam a finalidades outras.
Pelo que ocorre na minha casa, por pressuposto devo imaginar o que ocorre na de outrem, pensava assim o Senador Virgílio.
Partindo desse pressuposto, entendo agora o piti dado, como de costume pelo emplumado amazonense.
Agora, voltando ao Jantar, me ponho a imaginar como transcorrera tal evento.
Com a cobertura “jornalística” de Caras e televisiva de Amaury Jr., O Repórter, temos a abertura do evento, na Daslu, presidido pela “Dama da televisão brasileira” Dona Hebe Camargo!
Vestindo um legitimo “De merdè” da famosa coleção de Dona Lu Alckmin, a primeira dama mais elegante do Brasil; Hebe, com uma “gracinha” de sorriso chama a “gracinha” da Cristiane Torloni para coadjuvá-la na apresentação dos convidados e do fino buffet.
No menu temos Patê de Chuchu avec foie gras de entrée. Como prato principal, teremos Chuchu avec descargot ou Chuchu aux molho de trutas e maracutaionese, podendo ter, como opção, guisée de Tucano aux trambiqué; ou, quem sabe, tucano avec chuchu aux Robalo’s pavê.
Durante o jantar, teremos um show com Chiclete com Banana e Daniela Mercury, para encanto de todos os ouvidos dos nobres “vagabundos” convidados.
De sobremesa, teremos uma inesquecível mousse de abobrinhas avec chuchu.
Isso tudo associado a um magistral discurso de Don Fernando Henrique Cardoso, sobre os métodos mais eficientes para cozinha Lula ao molho pardo.
Métodos esses um tanto quanto ineficazes na prática, mas explanados à moda Dalilesca de FHC, num dadaísmo neoliberobesteirolês.
Após esse “Grande Encontro”, todos devidamente empolgados com a candidatura Tucanesa, entoarão para encerrar o conhecido hino do Íbis futebol clube e irão se encontrar à beira da piscina, onde jogarão uma moeda, solicitando um desejo.
E, para encerrar, num delicioso happy hour, todos juntos tomarão um PRIMEIRO ENGOV, JÁ QUE O SEGUNDO SERÁ FORNECIDO, GRACIOSAMENTE DEPOIS DAS ELEIÇÕES DE OUTUBRO.

DA ZONA E DA RURAL

Lembrando-me do Prefeito Francisco, já citado aqui antes em dois episódios inesquecíveis, tenho mais uma “das suas” para contar.
Contam à boca pequena, quase que sussurrante que nosso querido prefeito, nos idos dos anos 70, filiado à Arena, Arena 1 para ser mais exato, herdeira da UDN mineira, tinha muitos contatos importantes lá pros lados de Muriaé.
Uma coisa que merece ser citada é que em Muriaé, cidade conservadora da Zona da Mata mineira, a UDN tinha o apelido de “Goteira” , ao contrário do PSD, famoso como “poaia”.
Poaia é uma planta que nasce em qualquer canto e é difícil de ser extinta; dando um caráter mais “popular” ao partido.
Francisco, como udenista que se prezasse, defendia a tradição, a família e a propriedade, ancestral político de um certo ex-Governador paulista, famoso por seus laços com a Opus Dei, aliás, aparentada com o Integralismo de Plínio Salgado ou, melhor ainda, com uns movimentos europeus, mas é bom ficar por aqui, senão de tanto divagar a história vai ser esquecida.
Voltemos a ela, pois.
Como já dito antes, Francisco, apesar de seus laços com a TFP, tinha uma paixão irresistível pelas meninas da dura vida fácil, principalmente as mais novinhas.
Haveria um encontro de personalidades ligadas à UDN mineira, em Juiz de Fora e nosso amigo foi chamado para representar sua cidade.
Esse encontro iria contar com a presença de, entre outros, Magalhães Pinto, ex-Governador e homem forte do Governo Mineiro.
Isso deixara Francisco muito orgulhoso e, todo pimpão e serelepe, preparou-se para a viagem.
O seu Opala Diplomata estava reluzindo, brilhando mesmo, ofuscando os outros automóveis da pacata cidade.
Ao chegar a Juiz de Fora, se hospedou num dos melhores hotéis da cidade, com toda pompa e circunstância.
Na primeira reunião, iriam tratar de financiamento para a compra de tratores para as Prefeituras, obviamente superfaturados, num prenúncio da “máfia das sanguessugas à moda setentista”.
Nesse encontro, os prefeitos iriam ter que dar uma idéia da “necessidade” das micro regiões para a transferência de tratores, respeitando a necessidade de cada um.
Haveria, portanto, uma distribuição de maquinário de acordo com as necessidades das zonas rurais de cada município.
Francisco, aéreo, sem prestar muita atenção ao que se discutia naquele momento, pensando nas delícias do almoço que adivinhava ser servido naquele hotel de grã fino, ao ser inquirido tomou um susto.
E um susto maior ainda causou ao seu interlocutor.
A pergunta, simples, foi a seguinte:
“-Francisco, como está a situação da zona na sua cidade?”
Ao que, sem titubear, respondeu:”.
“-Boa, tem uma moreninha linda, deliciosa que a Clarice trouxe lá do Rio que parece ser uma princesa!”
Ao que, o Secretário de Obras do Governo, assustado e tentando corrigir o ato falho, tenta esclarecer:
-Francisco, eu estou falando da Rural!
No que este responde, sem pestanejar:
- A Rural deixei no sítio, eu vim com o meu Opala, mas ela está com os pneus meio carecas, vou ter que procurar aqui em Juiz de Fora, por que na minha cidade não encontrei pneus bons para ela não.
ABAIXA O PANO DEPRESSA!

SE A CANOA NÃO VIRASSE...

Da Folha de S.Paulo, hoje:

"Temendo um arrastão em seu território, o PSDB desenhou uma mudança na estratégia do pré-candidato Geraldo Alckmin à Presidência da República. Em vez da investida no Nordeste, Alckmin deverá se dedicar mais ao Sul e ao Sudeste -região onde conta com situação mais confortável- para impedir a ocupação petista.
O medo dos tucanos é que, no afã de ganhar visibilidade nacional, Alckmin deixe São Paulo desguarnecido, permitindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhe fôlego suficiente para levar a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes ao segundo turno.
Além disso, os tucanos se preocupam com a performance do candidato no Rio e Minas Gerais. No Rio, onde, pelos números de hoje, os candidatos do PFL e PSDB não chegariam ao segundo turno, Alckmin ainda busca o palanque mais sólido para a disputa.
Em Minas, a intenção é explorar mais o capital eleitoral do governador tucano Aécio Neves (MG). Assim como o governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), Aécio será convidado a integrar o conselho político da campanha de Alckmin."




A análise desta notícia deve ser feita da seguinte forma:
A possibilidade de reverter o quadro desolador da candidatura de Geraldo no Norte e Nordeste se mostrou totalmente nula.
E, antes que a sua ausência possa dar maior força às candidaturas contrárias ao PSDB, principalmente em São Paulo, é melhor parar de comer buchada de bode, acarajé, sarapatel; parar de fazer “promessa” para Padim Ciço, passear pelas ruas e praias nordestinas, mostrando seu “bronze” de garotão sarado e retornar à casa paulista para tentar impedir o barco tucano de fazer água.
Falando nisso, vou roubar um pouco da sua atenção para descrever essa canoa.
A canoa foi feita, sob a encomenda da alta cúpula do gran tucanato paulistano, por um estaleiro paulistano escolhendo para capitão, o piracicabano Geraldo, que se apresentou, voluntariamente para ser o capitão da embarcação.
Pois bem, como sabemos que a capital paulista não é um dos locais mais indicados para a indústria naval começando pelo simples fato de não possuir mar; foi chamada a alta cúpula do PFL nordestino associada com o PFL carioca, de César Maia para, costurando uma aliança tentar salvar o barco.
Esse pessoal do PFL tem muito mais conhecimento de fabricação de barcos, porém, como a experiência básica é na construção de jangadas, houve uma grande discrepância, entre o tamanho da canoa desejada e a fabricação da jangada pefelista.
Começou, então, uma grande discussão entre os vários engenheiros, construtores, operários, comandantes e até marinheiros.
Tucano é bicho terrestre e, sem perceber, entre trocas de bicadas e pescoções, começou a fazer várias perfurações na própria canoa.
Essa, inevitavelmente atingida e de forma brutal, começou a fazer água.
E por todos os lados.
Pois bem, o capitão Geraldo, mais perdido que cego em tiroteio foi chamado às pressas para tapar o buraco de bombordo.
Quando, de repente, começa a vazar em estibordo, na proa, na popa, em todos os lugares da canoa, havia furos e mais furos.
Nessa altura do campeonato, os construtores do barco reclamam em alto e bom som:
- Em que maldita canoa furada fomos entrar!
O capitão Alckmin, vive repetindo que as coisas vão mudar, vão mudar...
Mas se a canoa não furar eu chego lá será mudado, em pouco tempo por: ABANDONAR BARCO! E, nessa situação, os ratinhos vão deixar o capitão a ver navios; ou melhor, a ver o Lula Gigante, passando, célere, rumo à reeleição!

A MUSA DO VERÃO

Uma análise das pesquisas eleitorais para a presidência da república me permite fazer uma análise sobre as tendências de votos, principalmente em relação aos “redutos” de cada candidato ou partido.
Em primeiro lugar, uma coisa que é notória deve ser vista como ponto de partida para essa análise.
Temos um terço do eleitorado fiel a Lula, que vota e sempre votou e votará em Lula; temos outro terço que nunca votaria em Lula e um terço que irá decidir a eleição, qualquer eleição onde Lula participa ou participará.
Comecemos pela rejeição de Lula, essa se mantém dentro da previsão dos 30 e poucos por cento que nunca votariam nem votaram nele.
Poderia se imaginar que Alckmin deveria crescer absurdamente dentro dessa faixa de eleitorado, mas, por rejeição cumulativa, ou por incapacidade de convencimento ou por um passado de ineficiência deflagrado na crise de autoridade em São Paulo, este não consegue nem preencher esse espaço “vazio”.
Outro aspecto que chama a atenção, é o fato do voto da “intelectualidade” de Ipanema ou do Baixo Leblon, ter se virado em grupo para a candidatura de Heloisa Helena. E isso faz com que ela tenha a percentagem de votos esperada pela representatividade deste grupo, conhecido pela visão “esquerdista” sem conhecimento de causa.
Não quero fazer e nem devo fazer críticas, mas a Senadora herdou esses votos e só. Não conseguiu sequer “tocar” o coração e nem a alma do proletariado, em nome de quem pretende falar.
Já Roberto Freire e Cristovam Buarque mantêm a inexpressividade absoluta com que adentraram a corrida presidencial, como se fossem as Minardis do passado.
Nem por milagre podem alçar vôos maiores que 2 por cento do eleitorado, somados...
Enéas está sendo substituído pelo voto nulo, provável vice-campeão dessa eleição.
Esse fenômeno da grande expressão desse anticandidato, o nulo, demonstra nem tanto a insatisfação com Lula, mas sim, e com muito mais vigor, a insatisfação dos anti-Lulas com relação a Alckmin.
Lula conseguiu manter, basicamente os votos que obteve nas últimas eleições e, principalmente dos mesmos extratos que o elegeram, os proletários cansados de tantas promessas que buscavam a esperança associados aos votos dos que sempre votariam e votam nele, podendo atingir entre 45 a 55 por cento do eleitorado.
A perda de votos de Lula se deu, basicamente, no eleitorado das elites “esquerdistas” e nos em alguns votos “herdados” no segundo turno; como era de se esperar.
O principal fenômeno que antevejo, nessa eleição, é a grande rejeição, mesmo entre os anti-lulistas, da candidatura de Alckmin e de José Jorge, incapazes de dar ânimo ao mais fanático dos cabos eleitorais tucanos.
Agora, a candidatura de Garotinho, ao se esvair, vai distribuir votos entre Lula e Alckmin, proporcionalmente ao restante dos grupos pesquisados.
Já Heloísa Helena é a minha candidata preferida à Musa do Verão carioca.
Nesse quesito ela é imbatível!!!

Segunda-feira, Maio 29, 2006

CRÔNICAS - DA TOLERÂNCIA E DA DISCRIMINAÇÃO

Muriaé tem uma feira livre que ocorre, todos os sábados, próximo à casa de meu pai, na beira rio.

Essa feira é extremamente movimentada, e tem de tudo se preza; desde garrafadas até queijo, passando por verduras, frutas, lingüiça, geléia de mocotó com vários sabores. Enfim, é uma maravilha.

Num desses sábados, há uns meses atrás, aconteceu um fato insólito.

Zé do Burro é um dos feirantes mais assíduos e conhecidos da cidade, participando há muitos anos ininterruptamente.

Tem um jumentinho que é extremamente pacífico, pacífico e passivo, como veremos adiante.

A barraca do Zé é muito freqüentada por apresentar verduras fresquinhas, cuidadas sem agrotóxicos, tipo orgânicas mesmo.

Além da alface, do repolho e da mostarda, Zé traz as frutas da ocasião, colhidas no seu sítio.

As suas laranjas, mexericas, abacates, acerolas, entre outras são, realmente deliciosas.

Acontece que a Prefeitura, num esforço para aumentar a oferta de hortifrutigranjeiros, resolveu ampliar o número de licenças concedidas a outros feirantes.

Entre esses beneficiários, estava Ronaldo, filho da dona Zefa, lá de Itamuri, distrito de Muriaé.

Esse fatídico sábado era a estréia de Ronaldo como feirante, sua primeira e ansiosamente esperada vez.

Emocionado, ele saiu de Itamuri, de charrete com seu belo cavalo, o “Dengoso”, cavalo bonito, forte, um campolina de fazer inveja a muita gente.

Ele já tinha enjeitado mais de mil reais no animal, e tinha muito orgulho do bicho.

Arrumou o cavalo, atrelou o bicho à charrete e carregou-a com as mercadorias que iria vender.

As abóboras e as espigas de milho verde quase não cabiam, de tão grandes e bonitas estavam.

Pois bem, ao chegar à feira, e procurar o local que lhe fora destinado pela prefeitura, deu o azar de passar perto do Zé do Burro.

Não é que Dengoso, não sei por que cargas d’água, ao se deparar com o jumentinho quieto, pacífico, se apaixonou?

Um cavalo campolina apaixonado é um perigo, ainda mais se correspondido.

O animal sem dar a mínima para o fato de estar atrelado, resolveu, bem na hora do rush, com a feira apinhada de gente, “namorar” o pobre do jumento.

Entre relinchos e mais relinchos, com as patas dianteiras levantadas e as “armas” em riste, Dengoso partiu para cima do jumentinho que, passivamente acolheu o enamorado colega.

Zé do Burro ao presenciar a cena, sacando do chicote que, raras vezes usava com o jumentinho, começou a bater, desesperadamente no pobre Dengoso.

Batia e praguejava, xingando o pobre amante de todos os nomes possíveis e imagináveis, para susto duplo das senhoras e crianças que presenciavam a cena.

Susto inicialmente causado pelo Dengoso que, sem nenhum pudor, “cobria” o pobre jumento, numa aula ao ar livre de erotismo, mas de um homossexualismo estranho e nem um pouco romântico.

Depois os palavrões e chicotadas soltos a esmo, sem nenhum controle...

Ronaldo, ao ver seu animal sendo atingido, resolveu “tomar as dores” do bicho e aí o trem desgovernou de vez.

Zé chicoteava Dengoso e Ronaldo que, por sua vez, batia no pobre jumento e em Zé.

A polícia militar teve que intervir e levou a todos, inclusive os “amantes” para a delegacia.

Obviamente os animais ficaram de fora, ou pelo menos os quadrúpedes, quanto aos bípedes, ao darem suas explicações ao delegado travaram um intenso e confuso diálogo

Deste não tive muitas notícias, a não ser do começo da argumentação de Zé do burro que saiu-se com essa pérola:

-Doutor, eu trabalho mais meu jumento, nessa feira há muitos anos, e nunca tive problema. Mas, agora vou ter que sacrificar meu jumentinho doutor.

Esse cavalo safado desse moço desmoralizou o pobre bichinho doutor.

Agora como é que eu vou poder trabalhar com esse bicho, todo mundo vai chamar o pobrezinho de veado!

Moral da história – até com relação ao reino animal o preconceito existe!

Zé voltou à feira e com o seu jumentinho mostrando que, a tolerância deve sempre prevalecer.

Ronaldo agora, só vai à feira com um outro cavalo seu, o Pneu, devidamente castrado...

CACHORRO QUE NÃO CONSEGUE MORDER LULA, MORDE O PRÓPRIO RABO!

Lua-de-mel
PSDB e PFL se amam. No seu "ex-blog" enviado aos leitores por e-mail, o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), provoca Aécio Neves (PSDB), governador de Minas:

"MINAS GERAIS: INSUFICIÊNCIA FINANCEIRA/DÉFICIT DE 2 BILHÕES E 900 MILHÕES DE REAIS! DEPOIS DE TRÊS ANOS GOVERNO AINDA NÃO CONSEGUIU REDUZIR O DESEQUILÍBRIO FINANCEIRO QUE RECEBEU!

Diário Oficial do Estado de Minas Gerais mostra que a posição do Caixa do Tesouro de MG em 31.12.2005 indicava uma insuficiência financeira de 1,6 bilhões de reais e um DÉFICIT consolidado de 2,9 bi reais somando os restos a pagar que naquela data ainda não haviam sido processados!"





Decididamente, a cada dia que passa, chego à conclusão que é totalmente desnecessário “bater” nessa dupla PSDB/PFL.
Estou cada vez mais embarcando na onda Lulinha Paz e Amor.
O nível de agressões mútuas entre os “expoentes” dessas duas siglas me conduz a uma inevitável conclusão:
Ambos estão disputando um tipo de campeonato – após o lançamento da candidatura do insosso Alckmin pelo PSDB, o PFL contra atacou com o lançamento do não menos sem sal, José (quem?) Jorge.
A avidez com que César Maia tem atacado a todos e sendo revidado pelos mesmos, me dá uma dimensão da capacidade autofágica dessa turma.
Entendo agora a desesperada tentativa de “sangrar” Lula, isso é hábito.
Quem devora o próprio rabo, o que não faria se Lula tivesse o “rabo preso”?
Há necessidade da distribuição de vacina anti-rábica nessa oposição; e urgente!
Com a aproximação das eleições, e a canoa virada, eles nem se preocupam mais em mostrar os rombos e os furos desta. Expõem-se com uma fúria que me faz pensar na ruptura pós eleitoral.
E isso se transforma num delírio raras vezes visto na política nacional.
Serra e Aécio não dão nem darão suporte ao Alckmin, principalmente depois do que ocorreu em São Paulo.
A presença dele em qualquer palanque terá um efeito devastador, Alckmin se transformou de repente, no que nos meus tempos de estudante chamávamos de “desmancha roda”, o sujeito que, quando se aproxima, esvazia o grupo, fazendo cada um ir por um lado diferente.
O famoso persona non grata do PSDB, deve-se consolar com FHC, cada vez mais por baixo dentro do próprio partido.
A presença de Jose Jorge no lugar de Agripino, pelo menos nos poupará de ter que agüentar aquela voz irritante de taquara rachada.
Lula tem razão em reeditar o Paz e Amor, nem precisa tanto, somente ficar observando as confusões causadas pelos próprios adversários que, na incapacidade de terem um melhor resultado, começam a procurar um boi de piranha,
O sonho de todos era ter um Lula.
Mas esse é nosso!
César Maia, na ausência de ter o que falar, começa a atirar para Aécio que, finge que vai, mas não vai, tal qual o Serra que, no fundo, está vibrando com as deficiências de Alckmin, que reclama estar sozinho e bate no PFL, que bate no Tasso que, por sua vez, bate no PFL.
Serra está torcendo para que Alckmin não apareça no seu palanque, principalmente pelo fato de, se posarem juntos, atrás ficará o néon piscando: PCC! PCC! Ou então: FEBEM! FEBEM!
Já o descontrolado Maia, aprendiz de Brizola, com mira menos esmerada, mas com poder de fogo parecido, tenta lucrar com o caos.
Desse samba do crioulo doido, fica uma lição:
Cachorro que não consegue morder Lula morde o próprio rabo. E que rabão!!!!

Domingo, Maio 28, 2006

VESTIDO VERMELHO E CURTO.

A noite traria de novo aquilo, aquela sensação de total insegurança, um misto de angústia e solidão.

A vida fora muito difícil, mas nada justificava aquele medo e aqueles pesadelos, terrores noturnos que faziam cada segundo se tornar uma incômoda eternidade.

Na idade do lobo, se transformara novamente em criança, cada noite era uma ânsia gigantesca, uma tenebrosa experiência com transpirações estranhas e tudo exalando um cheiro de fim, de ocaso, de vazio,

Nada mais poderia impedi-lo de viver, já tinha tido tantas e tanta decepções e vazios que nada parecia vencê-lo, mas aquilo parecia demais.

Os olhos ficavam fixos no teto, e cada vez que um carro passava na rua, os faróis iluminando o teto, pareciam lampejos de um tempo jamais esquecido.

As sensações de perda, do oco, do nada se aglomeravam e geravam um desesperador sentimento atroz.

Suas andanças pelo mundo, suas noites solitárias nos hotéis e pensões da vida de um “representante comercial” novo nome para caixeiro viajante.

Nome bonito como os paletós inexoráveis, devidamente lavados e passados nos mesmos hotéis onde dormia.

A solidão por companheira.

Claro que havia as prostitutas, mas isso não o tentava, sexo é bom, mas tem que ter o amor por base, pelo menos a atração física.

E os orgasmos fingidos e pagos regiamente o diminuiriam, o tornariam não o agente, mas sim a vítima, o prostituído.

Mas acostumara-se com essa solidão. Fiel e eterna companheira.

Podia ter-se casado, mas não, a solidão fora sua esposa e a mãe de cada uma das suas rugas e de cada fio branco de cabelo.

O amor, na verdade, não servia para ele e, talvez mais que o próprio amor, a palavra família era muito confusa.

Não se adaptaria a vozes e correria de crianças pela casa, nem podia imaginar-se em tal situação.

Era por demais egoísta para poder dividir seu espaço com mais alguém e, depois de certo tempo, sua independência seria totalmente aniquilada.

Sabia disso e isso lhe era de tal forma insuportável que, melhor nem pensar.

Fora sua a opção pela solidão, mas, de algum tempo para cá, essa o apavorava.

Como é que, beirando os 50 anos, idade em que deveria ser mais forte que sempre, esses pavores poderiam estar tão firmemente arraigados?

A timidez piorara, agora dera para gaguejar, essa tartamudez o surpreendia.

Velho, gago e medroso.

Que final de vida se desenhava!

Faltava voltar a ter as enureses, ai sim, a sua decadência seria completa.

Procura um psicólogo, talvez, quem sabe.

Um psiquiatra talvez fosse melhor.

Ouvira falar na andropausa, parecia esse o caso.

Mas, que nada!

A solução era parar de palhaçada e retornar à vida.

O dia nascia, e a vida renascida melhorava tudo, menos a gagueira, recomeçava a trabalhar.

Mas quando se aproximava a noite, ressurgiam os medos e se repetia tudo.

Começara a beber, isso talvez ajudasse.

No começo sim, o álcool fora um bom companheiro.

A embriaguez dava alento e, ainda por cima, desinibia-o.

Começara a freqüentar boates e prostíbulos.

Tornara-se um pândego, e foi perdendo os medos e as angústias.

Mas cada vez mais necessitava do álcool como suporte, cada vez mais e cada vez maior quantidade.

Um homem de 50 anos não tem tantos atrativos, mas o paletó, a gravata e uma pasta dessas de executivo associadas a esse homem, produz um encanto impar.

E foi assim, naquela noite.

Belas pernas, morena, deliciosamente escondida parcamente num vestido vermelho, curto, pernas torneadas, coxas deliciosas, rebolado divino, vestido vermelho, curto, curtíssimo.

O tempo também era curto e curto o punhal, o vestido vermelho, agora mais do que nunca, vermelho.

A vida restara mais curta que o vestido e que o punhal.

O paletó e a gravata manchados de sangue.

Na pasta algumas amostras de pano, pano vermelho, do mesmo tecido do vestido, não dava nem para fazer um vestido, mesmo curto como o da moça que, chateada, saiu do hotel praguejando.

TRAVESSEIRO DE PEDRA

Mendigo atrapalha campanha de Serra em Araçatuba
Assessores deram R$ 1,00 para afastar o mendigo, que insistia em cumprimentar o político
Chico Siqueira

ARAÇATUBA, SP - O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, está em campanha neste Sábado na cidade de Araçatuba. O ex-prefeito de São Paulo chegou por volta das 12h30 no Calçadão comercial da cidade do interior paulista. Após a caminhada, o candidato se reúne com prefeitos e lideranças políticas da região. Na caminhada de Serra pelo Calçadão, a assessoria do candidato retirou do caminho um mendigo que insistia em cumprimentá-lo. Para evitar o assédio assessores de Serra deram R$ 1,00 para o mendigo, que se afastou satisfeito com o dinheiro.


Mario nascera na cidade de Aimorés, Minas Gerais; tivera uma infância e adolescência difícil como todo mundo que vivia na zona rural.
Na época da colheita do café ainda tinha trabalho mas, passada a safra, a situação voltara ao desespero de sempre.
A fome era muita, a esperança; ah! Essa era pouca, ou melhor, quase nenhuma.
Um tio seu fora para São Paulo, e o chamara para ir também.
No começo relutou muito mas, depois de uma safra muito difícil onde o preço do café tinha despencado, senão me engano, na época do plano cruzado, não teve outra alternativa.
Ir para São Paulo era o destino de muitos iguais a ele, Mario. E a capital paulista tinha emprego, tinha comida, tinha futuro.
Qual nada; até que nos primeiros anos, a situação ainda estava mais ou menos. Mas depois que o xará dele assumiu o poder, a coisa foi de mal a pior.
Como o Estado entrou em declínio econômico, foi da pobreza à miséria, da periferia às ruas.
Com a Martha ainda obteve uma pequena melhora, um pouco de esperança, com a possibilidade de se alimentar e poder ir para um dos abrigos na cidade.
Mas, depois que ela perdeu a eleição e um outro assumiu a prefeitura, a coisa acabou de vez.
O viaduto que servia de abrigo para as noites de frio, fora modificado, tendo sido colocado uma rampa que impedia o repouso do pobre.
Sem local para dormir, se mudou para Araçatuba, no interior do Estado.
Ali, a situação estava um pouco melhor; pelo menos podia continuar mendigando, o que lhe dava, não posso dizer prazer, mas um certo conforto.
Vivia disso, e sobrevivia disso.
Era complicado para os outros entenderem, mas não era de todo infeliz.
Ouviu falar numa tal de bolsa família e, como tinha dois filhos que moravam com a mãe numa favelinha lá pros lados de Osasco, pensou em procurar saber como fazia para conseguir a bolsa família.

Pois bem, naquele dia, lá pro final de maio, soube que um político influente ia vir até Araçatuba para fazer campanha.
Bem, devia ser aquele moço nordestino, o tal da bolsa família.
Resolveu chegar perto dele para pedir a bolsa família pra mulher e pros meninos.
Mas, ao se aproximar, nem deixaram falar com o homem.
Deram pra ele um real e mandaram-no sumir.
Um real é pouco, muito pouco, mas pelo menos aquele moço careca que ele viu de costas, não tinha expulsado ele do viaduto, nem tinha feito a covardia de mandar fazer rampa no lugar da cama onde ele dormia, mesmo sobre um travesseiro de pedra.

LENORA

Tem coisas que ninguém explica, e aquela era uma delas. Como é que eu tinha dormido ali?

Não me lembro de nada vezes nada. Só sei que tinha saído de casa para ir até o cinema.

Do cinema me recordo um pouco, acho que o filme, espera aí. Filme, mas qual filme?

O telefone tocara; bem, disso eu me recordo telefone maldito, sempre tocando nas horas mais estranhas e incômodas;

Ela estava dormindo do meu lado, ela e o telefone.

Mas daí em diante, o vazio, não total porque tinha o cinema e o filme.

Desses dois e mais nada.

A cabeça girava e eu estava ali.

Na casa, bem naquela casa.

O amor tinha sido antes e distante.

Naquele instante ficara o vazio.

Somente o vazio do que não fora, aborto total.

Gigantesca roda da vida dando voltas e mais voltas.

Mariana estava longe, perdida em seus casarios.

Mas retornara em Mariana, moça bonita e tresloucada.

Casamento marcado, alianças compradas e o vazio. A morte do amor, segundo ela, foi difícil entender, aceitar e nem perdoei bem ainda.

Recebi outro beijo, desejo à flor da pele e Renata, é renée, renascida, renata.

Esperanças e Renata são sinônimos.

Mas o telefonema e essa cama desarrumada me confundiram.

Nessa confusão, quem sou o que sou, e o que significa isso tudo?

Bêbado não estava, nem beber estava bebendo, somente fumava fumaça e fumaça, tosse e cansaço. Mas álcool, nada.

E como chegara até esse quarto?

De repente, o barulho do chuveiro me alertou.

Não estava sozinho e nem poderia estar, que imbecilidade!

A vaca devia estar se lavando, tomando um daqueles banhos demorados que tanto me irritavam.

Vaca, piranha, pilantra, safada. Mariana!

Mas o cheiro não era familiar, era um daqueles perfumes estranhos que não conseguia identificar.

Coisa nova, perfume novo, cama antiga, desilusões idem.

O relógio de sempre, marcava 8 horas da manhã. E o meu trabalho?

Caramba, essa vadia me fez perder a hora, tudo bem, me arrumo e vou embora.

Procuro minha roupa, cadê roupa?

No chão, por baixo da cama, sobre a poltrona da sala, nada de roupa.

Não, eu não viera nu para cá, ninguém vai ao cinema nem sai de casa nu.

Isso estava muito confuso.

O celular toca, vou atender, Renata.

Fala-me de coisas que não consegui captar direito, algo assim como espera para jantar, minha ausência, essas coisas.

Onde estivera?

Francamente respondo que não sabia, acho que tinha ido ao cinema, mas acho.

Qual filme? A resposta vaga deixou um tchau como fim de papo e, talvez, fim de romance.

Mas, fazer o quê?

O chuveiro continuava aberto, tento levantar, a cabeça roda. Ressaca sem ter bebido.

Noite comprida, dia também. As recordações giram junto com a cabeça.

Realmente Mariana tinha sido meu grande amor, mas, que vá para o inferno!

Tenho vontade de xingar a vagabunda e começo a gritar. Ou pelo menos, é o que penso fazer. A voz sai baixinha, lenta, como um gemido seco, contido.

Recordo-me das noites em vão, esperando Mariana, compensada pelas noites maravilhosas em claro.

Noites regadas a muitos e raros prazeres.

Dane-se, isso passou, acabou...

O chuveiro foi desligado.

O barulho cessa, mas o coração dispara taquicárdico.

Sabe-se lá o que se fazer nesse instante.

Sinto o gosto estranho de ferro e de estanho, trincando os dentes e arranhando a garganta.

A porta está se abrindo, Mariana, sua cadela, vou acabar contigo!

Quando a vejo nua, começo a entender o que vivera.

Quão forte fora esse sentimento. Amor regado a rancor e ódio,

Gosto violento de tristeza e desamparo misturado com o prazer inesquecível.

Mas, ao vê-la, de súbito a força perdida ressurge e, num átimo me atiro contra a porta, abro-a e saio correndo.

Na portaria do prédio, confusão e voz de prisão.

Nada entendo, não compreendo o porquê.

Homicídio. Mas de quem e como?

As mãos algemadas são arrastadas e, sem resistência, sou levado de volta ao quarto.

Agora percebo a cena terrível. O quarto todo revirado, o corpo ensangüentado na cama, a cabeça inerte pendendo para o meu lado.

Os olhos de Mariana abertos, e o vazio no olhar.

Vejo minhas mãos, agora reparo no sangue, nas marcas de sangue na minha roupa.

E aquela sensação estranha me acompanhando, rumo ao cárcere.

Onde a voz de Lenora repete num cruel solilóquio: “never more, never more”...

ESQUIZOFRENIA

O medo a acompanhava desde menina, medo cruel e tenaz, medo de tudo e de todos.
A voz não a largava nunca, voz intensa e repetitiva, uma voz que, desde seus tempos de adolescente nunca se calava.
A mãe já tinha levado-a a todas as benzedeiras, pais de santo, pastores, enfim a todos os que eram indicados pelos vizinhos e amigos.
Nada adiantava nada; o doutor tinha passado uns remédios, mas também sem efeito.
O efeito máximo que consguia com os medicamentos, era dormir, mas os sonhos repetiam todos os fantasmas do dia.
Nada mais podia fazer. O simples fato de andar já a estava deixando em pânico.
Um caso de possessão demoníaca, por certo, dizia a tia religiosa, o caso mais claro que tinha visto na vida.
As excomunhões se repetiram, a voz parara, mas, agora, não era somente uma, era uma legião de demônios que tomavam conta da pobre endemoniada.
A tia, vendo que as coisas estavam mudando, apavorada com a legião de demônios que, a partir daquele momento, tomaram conta da pobre sobrinha, resolveu consultar um conhecido, autoridade máxima em assuntos de possessão, respeitado até por outras designações religiosas.
A vinda dessa autoridade mexeu com todos na pequena cidade, a ponto de virem pessoas até das cidades vizinhas para presenciar o milagre do pastor.
Esse, ao perceber que o caso era muito complicado até para ele, principalmente pelo fato de que, a menina, ao falar grunhia e gemia incorporando outras vozes e idiomas diversos, incompreensíveis mesmo, além de resistir a qualquer intervenção dele. Então, diante da sensação de impotência, resolveu consultar outra autoridade no assunto.
Essa "autoridade" era um verdadeiro estelionatário, vivia da fama adquirida por “espetáculos” pré montados com "artistas” regiamente pagos para suportarem os tapas e tabefes soltos à revelia.
Vivia da fama adquirida por esses “milagres” e mantida pela divulgação bem feita, principalmente nas cidades menores.
O pastor, de boa fé, obviamente, contactou esse trambiqueiro que, a peso de ouro, se dispôs a ir para “curar” a pobre adolescente.
Ao vê-la, uma coisa o assustou, os trejeitos da menina eram os mesmos de Amélia, o amor de sua adolescência, e a sua primeira vítima.
Do amor impossível ao estupro e desse ao assassinato foi um pulo.
Amor frustrado, o corpo jogado no rio, encontrado poucos dias depois, ninguém suspeitou nem suspeitaria dele, menino tímido e quieto, incapaz de “fazer mal a uma mosca”.
Entretanto, o tempo passara e Melinha tinha sido esquecida e ocultada num canto qualquer de um passado longínquo.
Mas o andar manso da menina e, principalmente o nome dessa o fez ressuscitar essa lembrança;
Amélia esquecia de dizer seu nome, mas agora que tenho a imagem de tudo que aconteceu viva na memória, não posso mais ocultá-lo.
A pobre menina estava exausta, vítima tanto dos demônios quanto dos exorcistas.
Nenhuma lucidez restava mais naquela mente conturbada, doente, sem compreensão e ajuda a não ser o misto de agressões verbais e físicas.
Porém, os olhos parados e resignados, ao verem o milagreiro se transtornaram e um gemido formidável ecoou pelo vilarejo.
Com fúria, passou a xingar e ofender o exorcista, aos gritos de: Assassino! Assassino!!!
Este ficou assustado com tal manifestação associada com a lembrança do passado, recém acordada por uma associação estranha entre aquela Amelinha e a sua, o deixou em alerta.
O que queria dizer isso?
Quando a menina, não sei se por acaso ou se por uma força estranha, entre dentes disse-lhe “Amélia, Amélia”, esse se postou de joelhos e numa atitude surpreendente, beijou-lhe os pés e pediu perdão.
Todos ficaram assustados com a cena, o exorcista havia se rendido ao demônio?
Beijara-lhe os pés e pedia-lhe perdão, o que queria dizer isso tudo!?
Num átimo, para desespero de todos, a menina pulou sobre ele e agarrou-o pelo pescoço.
Não iria mais tirar suas mãos, até que, numa atitude insólita, sua mãe, a mesma mãe que amava-a tanto, pegando no machado que pendia na cozinha, desferiu golpes a esmo.
De imediato, os dois corpos quedaram-se sobre o chão ensangüentado.
Juram que viram os dois abraçados, com as bocas, coincidentemente postadas uma na outra, num enigmático beijo.

O PT e as cidades pequenas.


Nasci numa cidade de mais ou menos cem mil habitantes, na Zona da Mata mineira, Muriaé, onde passei meus primeiros quinze anos, acompanhando, sorrateiramente, o que estava acontecendo no caldeirão político brasileiro, graças ao fato de ter nascido em uma família italiana, vinda da Calábria, onde fora vítima das mesmas discriminações que o nosso nordestino sempre sofreu no Brasil.
Pelo outro lado, filho de um professor vindo de uma pequena cidade próxima de Muriaé, filho de um mecânico e de família humilde que, nos dizeres das oligarquias muriaenses era “lambari de enxurrada”; precocemente levado à direção de um indesejável colégio estadual.
Digo indesejado pelo fato de que a Educação era, em Muriaé, dominada pela Igreja, tanto no Colégio Santa Marcelina, ligado às Irmãs Marcelinas, quanto no Colégio São Paulo, ligado a Igreja Católica.
Essas origens me permitiram ter uma visão mais crítica da realidade dos discriminados e, o ensinamento de que, somente pela Educação poderia reverter esse quadro.
Ao mudar-me para o Rio, estudei durante um ano num colégio de classe média alta, na Tijuca, bairro típico da classe média carioca.
Depois, fiz minha faculdade na UFRJ, em pleno caldeirão das tentativas de redemocratização.
Após o termino da faculdade, fui para uma cidadezinha no interior de Minas próxima ao Espírito Santo, onde resido até hoje.
Isso me dá a possibilidade de avaliar o Partido dos Trabalhadores, nas três realidades diversas.
Na cidade de porte médio, na cidade grande e nos grotões desse país.
Uma coisa que pude observar nesse período é que, mais difícil do que ser petista é ser aceito pelos grupos que monopolizam o partido nesses locais.
O PT se porta como um partido exclusivista e cartorial tendo, em muitas das vezes, caráter personalista, sendo tão contraditório quanto qualquer outro partido.
Tentei, em Espera Feliz, sem sucesso, me filiar ao PT local, numa forma de poder ajudar a tentar que o partido elegesse seu primeiro vereador na história da municipalidade; em vão.
Todas as vezes que me aproximava do Partido, a promessa de “vamos mandar a ficha de filiação”, morria no vazio.
O partido, na cidade está ligado ao sindicato dos trabalhadores rurais e, em alguns momentos, serviu de base de apoio de outros partidos, mas, ao contrário de Lula que venceu e vencerá com mais de setenta por cento dos votos, o PT nunca chegou a míseros dez por cento do eleitorado; nunca elegendo, portanto nenhum vereador nos seus quase trinta anos de história.
Noutro município, Guaçui, apesar de ter dentro dos quadros, um dos maiores expoentes do sindicalismo capixaba; João Jose Sana o partido tampouco representa força política.
Rita, minha esposa, ao presenciar e cobrar de João coser, atual prefeito de Vitória, porque este apoiava um candidato das oligarquias locais, percebeu que o mesmo foi ludibriado pelas lideranças locais, COMPROMETIDAS COM ESSA MESMA OLIGARQUIA, utilizando-se do partido como se fora um partideco de aluguel qualquer.
Isso gerou a sua debandada para o PCdoB, que presidiu por alguns anos e, junto com ela, de vários companheiros.
Nas últimas eleições, o PT lançou candidatura própria numa cidade próxima, tendo como principal articulador, político ligado ao GRUPO DE JOSE CARLOS GRATZ, inclusive denunciado e condenado.
Esse é o PT das pequenas cidades. Um partido como qualquer outro, com o agravante de, quando não coopta, exclui e, excluindo ou cooptando, se torna dos grandes partidos nacionais, talvez o de menor expressão nesses grotões.
Mudar essa realidade se torna urgente e necessária, vital mesmo, para que possa ter a expressão de um PMDB nas pequenas cidades.
E isso se torna a pedra fundamental para o verdadeiro nascimento de um Partido mais representativo e mais abrangente.
Suas origens se estabeleceram nas cidades de médio e grande porte e conquistar, definitivamente, as cidades pequenas, é condição essencial para a implantação universal do SOCIALISMO, em todas as suas instâncias.
Enquanto isso não ocorrer, corremos o risco de tocarmos o coração, mas não conquistarmos a alma do brasileiro.
Coisa que, com perfeição, Lula conseguiu.

CRÔNICA - DUAS VOLTAS

Na pequena Mirai de Ataulfo Alves e de Marcos Coutinho Loures, moram ainda muitos parentes meus, inclusive primos, tios, tias; parentes enfim, pelo lado de meu pai.
Entre esses meus primos, dois protagonizaram essa história que passo a narrar agora.
Declino-me de dizer o nome dos personagens por questões meio que óbvias e, à moda antiga colocarei somente as iniciais dos nomes dos nossos amigos.
P... Era um rapaz muito bem apessoado, loquaz, namorador; um tipo bem agradável e muito solicitado por todos, da pequena Mirai. Porém, tinha um hábito terrível, bebia muito e, quando estava embriagado, cismava de aprontar alguma.
Volta e meia as placas de sinalização amanheciam jogadas na rua, algumas portas das casas, abertas, outros portões escancarados; etc...
Tal fato deixava em polvorosa, os pacatos miraienses; era um tal de carro entrando na contramão, de cachorros e gatos fugindo pelas ruas, bêbados entrando nas varandas das casas, um verdadeiro pandemônio.
Pois bem, o delegado da cidade, já sabendo quem aprontava aquilo, mas sem poder provar, admoestava nosso travesso e ameaçava-o de prisão a cada final de semana.
Sóbrio, P... era o sinônimo da candura; cordato, não criva qualquer tipo de problema, muito pelo contrário. Ajudava na hora da missa, tratava a todos com solicitude e presteza; mas, se bebesse...
Um dia, no sábado à noite, P... Resolveu beber além da conta e, como havia comprado um Fusca usado, e a rua já estava praticamente vazia, pois já se passava das 2 horas da manhã, decidiu entrar com o carro dentro da Praça principal da cidade.
Para seu azar, esquecera-se que o delegado morava defronte à Praça e, ouvindo aquela balbúrdia do carro passando por cima dos canteiros, tirando fininho dos bancos, se levantou e ao abrir a janela, se deparou com o espetáculo.
Ligou para a delegacia, onde estavam de plantão dois soldados e o carcereiro J..., PRIMO EM PRIMEIRO GRAU de P....
Ao chegarem à Praça, foi o mesmo que pegar um gambá depois de embriagado e satisfeito.
P... rendeu-se sem esboçar nenhuma reação.
O delegado, feliz por ter conseguido colocar as mãos no Pedro Malasarte Miraiense, deu-lhe voz de prisão e, com um sorriso estampado no rosto, deu a ordem ao carcereiro: - J... , prenda esse vagabundo e dê DUAS VOLTAS NA CHAVE, DUAS VOLTAS, HEIN...
J... sabendo do temperamento bonachão do primo e que, assim que a carraspana passasse, ele voltaria a ser o bom rapaz de sempre; e conhecendo bem o delegado, percebendo que esse, embora justo já estivesse com a paciência esgotada com P...; pensou, pensou e:
Cumprindo as ordens do delegado, realmente deu duas voltas na chave:
UMA PARA FRENTE E A OUTRA PARA TRÁS!

Sábado, Maio 27, 2006

DE FAMÍLIA E DE FAMÍLIAS

Naquela mesma cidade pequena de Minas, onde o Prefeito Francisco tinha tido uma votação expressiva, mesmo das beatas e dos senhores conservadores do local, como eu já citei, havia um prostíbulo famoso, com meninas muito bonitas e de variadas “espécies”.
Clarice era mestra no metièr e sabia que, a melhor forma de manter a freguesia era a variedade.
A cada mês “trocava” as meninas com outras profissionais da difícil arte de amar, por meio de umas relações comerciais que tinha com várias casas em Juiz de Fora e Rio de Janeiro.
Uma nova “estréia” era patrocinada por um dos coronéis da cidade, ou das cidades vizinhas; regada à música, dança e muita alegria.
Pois bem, Francisco, como já havíamos dito, era um dos maiores freqüentadores de tal casa de diversão sabendo, inclusive, quando haveria ou se haveria uma nova “inauguração”.
Quando viajava, principalmente em caráter oficial, pois sabia que as despesas iriam ser bancadas pela municipalidade, Francisco costumava levar consigo uma ou duas das “meninas”, para se divertir e causar inveja aos outros prefeitos das cidades próximas.
Tal variedade de “acompanhantes” dava a Francisco certo ar de virilidade do qual ele tinha muito orgulho.
Mas a verdade é que, nosso amigo e sua amada esposa tinham um casamento feliz.
Pode parecer paradoxal, mas, para a pequena burguesia local, o fato de terem um casal de filhos, irem com freqüência à missa, estarem juntos nas festas da padroeira, no carnaval e em todos os casamentos e aniversários da “high society” do local, os tornava um casal “exemplo”.
E esse aspecto “família” era de fundamental importância para Francisco.
Pois bem, como os mais antigos se recordam na década de 70 a Coca Cola litro ainda era uma raridade.
Mas, tínhamos uma de 750 ml, se não me engano que era chamada de “Coca Família” lembram-se?
Mas, voltando à vaca fria, numa dessas viagens, Francisco levou consigo duas “menininhas” das mais bonitas que tinha aparecido no lugar.
A viagem era longa, se não me engano para Belo Horizonte e, como tinham saído de manhã, Francisco estava com fome e, parando em um restaurante à beira da estrada, foram almoçar.
Francisco fez seu pedido e as meninas também.
Nesse interem, Francisco e o motorista confabulavam sobre outro assunto quando o garçom perguntou o que as meninas iriam beber.
-Coca Cola, responderam.
O garçom solícito pergunta então: FAMÍLIA?
No que nosso herói de súbito, pegando o bonde andando responde revoltado:
-FAMÍLIA O QUE?! ESSAS SÃO LÁ DO PROSTÍBULO DA CLARICE SIM SENHOR! E COM MUITA HONRA!!!!

O HOMEM DE BRASÍLIA


Havia um prefeito na zona da mata mineira, lá pelos idos dos anos 70 de características inusitadas.
Político à antiga, tinha entre suas características mais comuns, certa ingenuidade e uma absoluta matreirice associadas com uma singular singeleza.
Contam que, no auge do Opala, como um dos carros mais bonitos e de maior status nesse país, principalmente no Diplomata, símbolo de ostentação nos meios quase rurais desse país, nosso herói comprou um desses carros.
Era o orgulho do Prefeito, todo azul, com listras brancas laterais, era lindo de se ver.
Por dentro, colocara um ar condicionado, que o fazia mais e mais se sobressair sobre as dezenas de fuscas, Variants, Dkws e Corcéis que circulavam pelas ruas esburacadas ou sem calçamento do lugarejo.
Nosso prefeito a quem vou chamar de Francisco, tinha um amor muito grande pelo automóvel, quase tanto quanto pelas “meninas” da Clarice, velha cafetina de histórias generosas e muitas vezes cômicas.
Dona de vasto repertório de intrigas e confissões, sua agenda era quase que tão temida quanto à de uma coleguinha sua famosa, lá de Brasília.
Falando em Brasília, voltemos ao fato antes que os devaneios me façam perder o fio do novelo, ou da novela...
Um dia, Francisco foi chamado para uma reunião com o Governador de Minas, Francelino Pereira, se não me engano.
Esse fato deixou nosso amigo em polvorosa. Um Governador de Estado convocá-lo para uma reunião! Era um fato de maior importância, talvez o de maior relevância naquele recém nato município.
Se arrumou, mandou comprar um Terno na Ducal, loja famosa do Rio de Janeiro, se aprontou todo, mandou a patroa comprar um vidro de Vitess, se perfumou todo, recendendo ao perfume até os cabelos.
Muito bem vestido para os padrões da municipalidade, pegou o seu Opala e mandou o motorista da ambulância, velho correligionário que, na ausência de um motorista oficial da prefeitura, se colocou à disposição de Francisco para levá-lo à Belo Horizonte.
Viagem longa, cansativa, mais de 400 quilômetros, muitos deles em estrada de terra.
“Vou pedir ao Francelino para asfaltar essas estradas” pensava nosso amigo, já se sentindo dono de uma amizade mais estreita com o Governador Mineiro.
O correligionário da Arena não ia lhe negar o pedido.
Mas, voltando ao caso, eis que chegam a Belo Horizonte, cidade grande que assustava o simplório político.
No Palácio da Alvorada, ao dar entrada, teve que deixar seus documentos, o que irritou-o sobremaneira. Mas, cada roca com seu fuso, cada povo com seu uso, pensou e obedeceu mesmo a contragosto.
Ao se sentar, defronte a uma moça bonita que o pediu para esperar um pouco, começou a sentir que sua presença era aguardada, mas não tão ansiosamente como pensara de início.
Depois de quase duas horas esperando, vê chegar um homem, todo engravatado, com uma aparência muito elegante e ares de superioridade.
Esse novo personagem, ao entrar, cumprimenta informalmente a secretária, como se já a conhecesse há tempos.
Nisso, percebe quando a mesma, pelo telefone conversa com o Governador:
-Sr. Governador, o homem de Brasília chegou.
Ah, isso fora demais. Ao que, prontamente, sem titubear, Francisco se ergue revoltado e desfere essa:
- Se ele veio de Brasília, fala pro Francelino que o Francisco que veio de Opala está aqui, num vou deixar que um camarada, só por que veio com um carrinho desses possa achar que é melhor que eu. EU VIM DE OPALA MOÇA!

ARCA DE NOÉ

Falando em Padre Nonato, me vem outra história ocorrida com este inesquecível amigo.
Como já disse anteriormente, Padre Nonato era um mulato obeso, não muito alto, com voz alta e firme, humor raro e caráter idem.
Carioca da Gamboa, acostumado ao jeito moleque do Rio, principalmente do “malandro carioca”, hoje praticamente extinto, na sua forma pura e original; sendo substituído pelos “malandros” com gravata e capital, como dizia Chico Buarque; Padre Nonato amava sua cidade natal.
Os ares de Minas tinham dado um ar mais maroto e desconfiado ao nosso personagem, mas não tinham conseguido destruir a maravilha carioca que transbordava, vem em quando, em algumas atitudes e palavras suas.
O hábito de usar a batina em qualquer situação, velho uniforme de todos os dias, mesmo nos mais quentes, dava ao Padre um aspecto interessante.
Gordo, mulato, de batina negra, andando pelas ruas no tórrido R io de Janeiro em Janeiro, chamava logo a atenção.
Pois bem, nesse clima e com esse quadro de exasperar só de imaginarmos, Padre Nonato fora à Cidade Maravilhosa rever os amigos, que um dia...
E nessa viagem, ocorreu um fato insólito que gerou muitas gargalhadas em quem testemunhou tal episódio.
Centro do Rio, Avenida Rio Branco, Padre Nonato faz sinal para um ônibus.
O ônibus pára, o padre sobe no coletivo...
Até aí tudo transcorre dentro da tranqüilidade esperada.
Porém, eis que um gaiato, de dentro do ônibus sai com essa:
-Hei, está subindo um URUBU no ônibus.
Ao que o padre, sem titubear responde em voz alta:
- É a arca de Noé está cheia agora, tem o URUBU e tem o VEADO FALANTE!....

CRÔNICAS - COMO UM PADRE

Me recordado do Padre Raimundo Nonato, já citado anteriormente, tenho uma de suas mais deliciosas histórias me aflorando, coçando meus dedos e querendo nascer; antes que seja à fórceps, vamos dar vazão a essa narrativa.
Visconde do Rio Branco, como toda pequena cidade de Minas, contava com uma forte oligarquia rural e, como não podia deixar de ser, essa oligarquia detinha o poder político e econômico.
Os “Comendadores, Capitães e Coronéis” eram expressões dessa realidade.
Havia, nos anos 60, um desses “Comendadores” que, estava para Visconde do Rio Branco como quase um senhor feudal.
Homem de riqueza bastante generosa e de empáfia semelhante.
Com seu chapéu de couro, cobrindo quase um metro e noventa de força bruta e revólver ligeiro, esse cidadão atemorizava, só pelo aspecto físico, quem quer que se aproximasse.
Padre Nonato, dono de um senso de humor ímpar, mas de um sentimento de justiça maior e, não suportando o caráter prepotente do nosso ‘Comendador”, mantinha relações, por vezes conflitantes, com o mesmo.
Nos seus sermões, como libertário que era, pregava a justiça social e revelava seu caráter judicioso ao tratar, equilitariamente tanto os pobres como os abastados.
Isso irritava o Comendador; mas o bom humor do Padre, muitas vezes inibia seu desafeto.
No fundo, o Comendador admirava Padre Nonato, mas não podia confessar isso, sob pena de ter sua posição abalada, como um dos “padrinhos” e “benfeitores” da Sociedade local.
Num desses períodos de trégua, o Comendador convidou ao nosso herói para um almoço em sua fazenda.
Nonato aceitou prontamente e, ao chegar à propriedade do homem rico, foi surpreendido com um verdadeiro banquete.
Banquete para mineiro é banquete mesmo, regado a cachacinha e sucos vários, trazendo leitão a pururuca, tutu, torresmo, arroz branco, feijão tropeiro, mandioca frita, chouriço, lingüiça, entre outras coisas.
Na sobremesa, goiabada com queijo, doce de leite, doce de figo em caldas, essas maravilhas todas que trazem um prazer aos olhos, ao olfato e ao paladar.
Pois bem, ao terminar a refeição farta, o Comendador bate na barriga, arrota e solta um provocativo:
-Hoje comi muito, como há muito não comia, COMI VERDADEIRAMENTE COMO UM PADRE!
Ao que Padre Nonato, calmamente retrucou:
-É, Comendador, quer dizer que, pela primeira vez na vida o SENHOR COMEU COM EDUCAÇÃO!
CAI O PANO....

DAS FINALIDADES E DOS MEIOS

Quando vejo Heloisa Helena e o PSTU, tento entender as atitudes desses com relação ao Governo Lula.
Pode parecer estranho, mas não consigo entender somente como se fosse uma forma rancorosa de alguém que fosse traído ou se sentisse traído.
Há, além disso, um aspecto que me aprece mais importante que a mera traição ou a sensação desta.
Há uma diferença fundamental a nível de filosofia e de métodos para o estabelecimento de uma finalidade em comum: O SOCIALISMO.
Verdadeiramente, acredito na boa fé da maioria dos componentes do PSOL e do PSTU.
Eu seria primário e, como não dizer, leviano se pensasse que a ação desses, somente pelo fato de ser diferente da nossa, significasse ausência ou vício de caráter.
Os contrários devem conviver e, honestamente, acredito que temos objetivos bem claros e coincidentes: o bem comum e a igualdade social.
Obviamente, dentre desses partidos, como em todos, há os aproveitadores de ocasião, os vendedores de ilusão e os mau carateres que se utilizam da política não como meio de melhoria social, mas, ao contrário, de veículo para servir a finalidades individuais.
O fato de ter sido utilizado o capitalismo como forma de melhoria social, a partir da educação universalizada, do barateamento dos meios de produção do proletariado e proteção desse, com a diminuição dos juros da economia familiar; da melhoria do acesso universitário, como meio de transformação social, se utilizando do potencial individual para, no conjunto, permitir a ascensão coletiva, é o fator primordial do tipo de mudança que está ocorrendo.
As finalidades se equiparam às sonhadas pelos socialistas e comunistas de primeira hora que partiam do pressuposto da destruição pura e simples da burguesia e da distribuição de riquezas sem observar características individuais, que acarretaram, em última instância, numa forma de “burguesia” do poder.
Essa forma “romântica” dos primórdios gerou, em última análise, na burocratização do poder, na dominação política sem observação do contraditório, nos partidos únicos e monopolizadores, na desvalorização das individualidades o que gerou a incapacidade do coletivo.
A queda do comunismo, no mundo, se deveu a esses principais motivos.
Deve-se valorizar o conhecimento em prol da sociedade; obviamente, como a sustentação e apoio aos deficientes tanto físico quanto mentalmente.
Um deficiente visual grave não pode ser um controlador de vôos. Assim como um deficiente mental não pode ser colocado no mesmo nível de um administrador capaz.
Essas diferenças devem e Têm que ser respeitadas.
Somente a possibilidade de evolução dentro da atividade profissional com suas benesses naturais, estimula o crescimento do indivíduo e isso, coletivamente, reflete na melhoria da sociedade como um todo.
A pura e simples divisão de bens, a destruição da burguesia e das oligarquias, sem que isso seja acompanhado pelo desenvolvimento de um proletariado capaz de se auto determinar e competir de igual para igual com essa burguesia é, em si, catastrófica.
Não adianta me dar um automóvel se eu não sei dirigir, sendo necessário o aprendizado para que eu possa aspirar àquele bem.
Ao repararmos as ações do Governo Lula, vemos que a preocupação deste é O SOCIALISMO sendo produto da tentativa de equalizar as oportunidades e salvaguardar os miseráveis; capacitando o proletariado para sua ascensão tanto individual quanto coletivamente.
Essa política que me parece a mais correta diverge dos princípios do PSOL e do PSTU; arcaicos na opção pelos meios com os quais querem o mesmo SOCIALISMO.
O capital, por si só NÃO é MALÉFICO. Quando produtivo, se multiplica e gera, com os impostos recolhidos, maiores e melhores condições para a evolução da sociedade como um todo.
O aumento de arrecadação de impostos é produto, também, de uma circulação maior do dinheiro.
E somente a capacitação do maior número de pessoas, gerará a melhor distribuição de renda.
Essa não é a ótica desses outros partidos.
A moratória pura e simples pode levar e leva, na maioria das vezes, no esvaziamento daquele país, gerando desemprego, menor circulação de dinheiro e, por último, no aumento da desigualdade social.
Exemplo extremo disto é o Camboja, país que teve seus índices sociais próximos ao da pré-história.
Não é aumentar o bolo para dividir depois, muito pelo contrário; é aumentar o bolo para GERAR, através da aplicação dos impostos, em melhores condições para a evolução do proletariado.
Essa percepção é a que, traduzindo em miúdos, é melhor ensinar a pescar do que simplesmente dar o peixe; sem esquecer de dar o peixe aos que morrem de fome para, depois, quando mais independentes, ensinar a pescar.
A visão arcaica de que é preciso dividir sem preparar o povo para pescar gera, ao contrário, num aumento cruel da fome e da miséria, criando uma dependência “preguiçosa” entre poder e povo; paradoxalmente igual ao feudalismo e ao coronelismo que tanto a gente quanto o PSOL e o PSTU, combatemos.

Sexta-feira, Maio 26, 2006

SONETO

Não posso mais falar, e nem pretendo
Saber desses desejos incontidos
Viver nesses espaços compreendidos
Entre o que houvera sido, vou vivendo


Nas marcas desses dias já perdidos
Do tempo, se esvaindo, mesmo tendo
Quem nada mais podia, nem alento
Singrando velhos mundos conhecidos.


O medo me transforma noutro canto
Num último senão já descoberto
No distanciar tonto, nada perto


Trafegando por mares entretanto
Pelo meu peito aberto a teu encanto
Pelo meu sonho morto a descoberto!

LEONEL SERTANEJO

João Polino tem uma característica de personalidade muito interessante;
Hay gobierno, soy contra. Qualquer que seja esse, mesmo o eleito com seu voto.
A capacidade de radicalizar-se contra tudo e contra todos que é vista em alguns políticos nossos, de tal forma está entranhada em João que isso se torna, muitas vezes hilário.
Na pequena cidade onde morava, João era de uma atuação efetiva, mas totalmente contraditória.
Nas eleições para a prefeitura do local, João se esmerava em discutir contra os que não apoiavam o seu candidato, chegando a discutir e praguejar contra todos, amaldiçoando mesmo os filhos se esses, porventura votassem ou fizessem campanha para outro candidato.
Nas cidades pequenas, muitas vezes um cargo qualquer, da faxineira da escola até a direção dessa, passam pela mão do prefeito de plantão, essa dura realidade tem que ser modificada, mas demonstra o grau de subserviência a que têm que se submeter para conseguir ou manter seus empregos.
Pois bem, se a “vítima” de João fosse um candidato que ganhasse as eleições, esse fazia tanta balbúrdia que, mesmo que um parente seu tivesse apoiado o candidato vencedor, provavelmente a situação para o pobre ficava difícil de se sustentar.
Mas, se o candidato de João ganhasse, ainda assim estava complicado, pois passando alguns meses, lá estava João se transferindo para o outro lado; e quem era endeusado, de uma hora para outra estava “ardendo no inferno político” do inventivo e contraditório Leonel sertanejo.
Com a última eleição para presidente não foi diferente não, se João foi Lulista de primeira hora, da noite para o dia, Lula ficou sendo culpado pela Greve de Ônibus em Vitória, pela invasão do Iraque e até pela torção no tornozelo do velho João.
A última agora é a paixão de João por certa candidata alagoana; é pensando bem faz sentido...
O que temo é que, se um dia ganhar a eleição, vai começar a achar tantos defeitos na moça que, no mínimo ela vai dar as audiências de praxe, nas palavras de João, somente de calcinha e sutiã...

DOS NOSSO PECADOS

O treinador da equipe de tênis do Iraque e dois tenistas foram assassinados a tiros nesta quinta-feira em Bagdá, anunciou o Comitê Olímpico Iraquiano (COI). De acordo com testemunhas, os três homens foram assassinados porque usavam shorts. "Homens armados assassinaram o treinador Ahmed Rashid e dois tenistas, Nasser Ali Hatem e Wissam Adel Odah, na tarde desta quinta-feira no distrito de Saidiya (Bagdá)", disse Amer Jabar, secretário-geral do COI. Poucos dias antes do crime, um grupo militante sunita havia feito uma advertência e proibira o uso dos shorts. No dia 25 de fevereiro, o ex-campeão de boxe iraquiano Jasseb Rahma foi assassinado a tiros diante da família na cidade de Basra.
da France Presse, em Bagdá



É essa a realidade de um povo entregue ao descontrole absoluto, um povo em evidente situação de desgoverno, de indefinições, refém de vários grupos guerrilheiros, vindos de todos os lados, interna e externamente, colocado sob o signo do caos.
Pode nos parecer estranho e, até insano , o motivo desses assassinatos, mas devemos analisar alguns fatos antes de pré-julgarmos.
A violência iraquiana é fruto de vários “choques”: religiosos, culturais, econômicos, de governos e desgovernos tantos quanto forem os grupos existentes; isso sob o massacre diário de um exército estrangeiro sem nenhum vínculo com o seu povo.
Essa dominação externa e interna dá a dimensão do quanto é grave e insana qualquer tentativa de se intervir no equilíbrio, mesmo que possa nos parecer cruel, de um povo.
As ações desastradas do Império Americano sobre o povo iraquiano, primeiramente levando ao poder um sunita por medo dos xiitas, para depois derrubá-lo com o apoio dos xiitas, aos quais tenta inibir, de todas as formas, no vizinho Irã, demonstram onde o tresloucado presidente americano foi se meter.
A cada ação do Exército americano, aumentam os rancores e os ódios fomentados por um desequilíbrio absoluto.
Não se pode imaginar em um final para essa Guerra, a não ser a Guerra Civil sangrenta e catastrófica que virá após a inevitável retirada das tropas americanas do Iraque.
Essa medida causará uma terrível carnificina que, ao contrário do que possamos pensar, reequilibrará as diversas forças iraquianas.
Sua multicultura e seus traços extremistas são visíveis a todos, menos ao Governo Americano, cujo pensamento e é o mais representativo do povo norte-americano, torna Deus norte americano e seu povo, os Cavaleiros andantes contemporâneos.
Seria bom se Cervantes fosse mais conhecido por lá ou, pelo menos mais lido e compreendido.
“O que é bom para os Estados Unidos é bom para a humanidade”, essa afirmativa, além de bisonha é criminosa.
O desrespeito aos povos tem efeito tão devastador quanto o desrespeito ao equilíbrio de qualquer ecossistema, sendo que as reações humanas são devastadoras e mais imediatas.
As identidades entre os povos ocidentais e os radicais do Oriente são, por completo, desconhecidas pelos donos do poder e contraditórias.
Um assassinato por causa de um short é tão estranho a nós, como o desrespeito com que tratamos a natureza espanta os nossos indígenas menos aculturados.
Agora, se traçarmos um paralelo entre essa realidade e a nossa, não temos muito do que nos orgulharmos não.
Recordo-me o assassinato, na cadeira elétrica de um dos maiores defensores da dignidade humana, nos EUA, mostrando pelas mãos do abjeto Governador da Califórnia, que o perdão é simplesmente figura de retórica para o “cristianismo” norte-americano.
Outras vezes me vêm à lembrança as imagens dos prisioneiros iraquianos, humilhados de forma animalesca pelos mesmos “senhores” de Cristo.
Os massacres dos indígenas na colonização do solo americano, além da imagem do terrorista enjaulado para exposição pública patrocinada pelo criminoso ex-presidente peruano.
A imagem do assassino em série chileno, com a indecente ajuda do seu médico, saindo “doente” e andando para asco de quem ama a liberdade e a verdade.
Outra coisa que me traz essa realidade iraquiana é o aplauso de parte de nós, brasileiros, aos assassinatos em série, as chacinas sem julgamento, ou a revelia cometidas nesse país.
Seja no Carandiru,, nas ruas paulistas, em Vigário Geral, na Candelária, em Carajás, todos os dias, em nossa História.
Até que ponto o assassinato causado em nome de Deus, de shorts tem e quais são as diferenças para esses nossos pecados?

COMO DOIS ANIMAIS - EM HOMENAGEM A ALCEU VALENÇA

Havia naquela pequena cidade, como em praticamente todas as que conheci o “doidinho” que fazia o medo da criançada e, por inofensivo o riso dos adolescentes e a “limpeza” de alguns pecados das mulheres e homens do local.
A população sustentava e protegia o seu “cãozinho” inofensivo, do frio e da fome.
Mas aquele tinha uma particularidade interessante, era muito bonito.
Tinha uns olhos azuis que fascinavam, às escondidas é claro, as mocinhas do lugar.
Os seus cabelos cacheados e ondulados também chamavam a atenção delas, mas, a debilidade mental protegia o pobre rapaz das “gulosas” moçoilas.
Menos de Marcinha, essa não, essa nunca respeitara a inocência e ingenuidade do pobrezinho.
O sexo é inerente, instintivo mesmo, e a resposta aos estímulos eram imediatas.
Nos jogos de sedução e prazer, muitas vezes jogados nas matas e nos cantos escondidos da cidade, o nosso herói era extremamente eficiente.
Pois bem, Márcia mudou-se com a família para outra cidade, e por lá ficou um bom par de anos, estudou, formou-se e, casada, voltou para a pequena cidade onde nascera.
Seu marido era homem de posses regulares, mas, que em relação aos moradores do pequeno lugarejo, poderia se considerar quase que “rico”. E, ao se preparar para a mudança, resolveu comprar uns alqueires de terra próximos a sede do município.
Nessas alturas, Márcia já tinha e esquecido das brincadeiras de adolescente e imaginava até que o doidinho já houvera morrido, também isso não tinha a menor importância; a moça crescera, amadurecera e essa página do passado já tinha sido cremada da memória, como se fora um sonho longínquo.
Reparara ao chegar à cidade, que quase tudo estava como deixara, suas amigas de juventude estavam quase todas casadas; as casas estavam nos mesmos lugares, só que mais envelhecidas, o barzinho da praça tinha fechado e, no seu lugar aparecera um trailer, onde os jovens se reuniam para namorar, conversar, essas coisas corriqueiras.
Mas uma coisa lhe chamou a atenção, na pequena cidade não havia mendigos à sua época e, agora, tinha encontrado um dormindo na rua, com aquele cheiro inerente do homem, que a água e os perfumes disfarçam.
Seu marido comentava, com tristeza, a que ponto a miséria e a bebida poderiam levar um ser humano, exposto como se fosse uma ferida aberta, uma vergonhosa chaga.
Entretanto, mal poderia imaginar que, aquele homem bêbado, de olhos baços e cabelos embranquecidos, desdentado poderia lhe ser familiar.
O tempo havia mutilado a beleza do lunático, deixando as marcas indeléveis da pobreza e dos maus tratos no pobre rapaz.
Andava, como sempre, solto nas ruas, mas, como perdera o encanto da juventude, estava cada vez mais abandonado por todos, fadado a amanhecer morto de fome ou de frio nas ruas do vilarejo.
A bebida por companheira, e para isso sempre tem alguém que colabore, tomara o lugar da comida, a tosse denunciava a tuberculose que minava aos poucos o corpo, não deixando muito, restando somente a podridão em vida, daquela vida sem brilho, sem nexo.
A vida transcorria serena e suave na cidadezinha, com seu noticiário diário dado e ampliado pelas fofoqueiras de sempre, os homens trabalhando, as crianças estudando e brincando nas ruas calçadas com “pé-de moleque”, ou ensaibradas à espera da chuva.
Mas aquele dia seria diferente dos outros.
A Igreja promovera uma quermesse para arrecadação de dinheiro para a compra de novos bancos, já que os velhos estavam destruindo-se com o tempo e os cupins.
O marido de Márcia, para orgulho dessa, era um dos mais animados arrematadores do leilão improvisado.
Todas as suas amigas tinham ficado com inveja dela quando conheceram o belo rapaz; educado e gentil. O tipo de homem que era o principal sonho de consumo das moçoilas do local
E, ainda por cima, rico, muito rico...
Nesse ínterim, eis que surge o bêbado descrito anteriormente e, para espanto de todos, segura Márcia pelo braço e a beija violentamente.
O espanto se tornou geral, já que o nosso doidinho sempre fora pacato, manso, sem sinais de agressividade ou de qualquer tara.
Márcia olhou assustada, a princípio com nojo como era de esperar; mas, de repente, como num lampejo, num átimo, reconheceu no bêbado, o amante de outrora.
E, para terror de todos, se deixou levar, com os olhos fechados e a boca entreaberta, as mãos viajando, o corpo tremendo e, numa entrega sem par, sem reparar em nada e em ninguém, para escândalo de todos, se amaram ali mesmo.
Num encontro inesquecível, a onça renascera e, junto com o cão vagabundo se “amaram na praça como os animais”.

SOBRE 2010.

Partidários tradicionais do tucano Geraldo Alckmin (PSDB) ruminam, em reserva, a suspeita de que José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) estejam conspirando contra o êxito da candidatura presidencial do PSDB. Acham que, de olho em 2010, os dois estão privilegiando seus projetos pessoais em detrimento do interesse partidário.

O blog ouviu dois tucanos conhecidos por desfrutar da intimidade do presidenciável Alckmin. Um deles é deputado federal. O outro é deputado estadual. Ambos desconfiam da sinceridade do apoio de Serra e Aécio. Suspeitam que o ex-prefeito paulistano e o governador mineiro não deglutiram o fato de Alckmin ter prevalecido sobre eles na disputa pela vaga de candidato tucano à presidência.

Na avaliação dos aliados de Alckmin, Serra e Aécio apostam na reeleição de Lula. O discurso pró-Alckmin, que ostentam em público, seria mera fachada. Nos bastidores, os dois estariam bombardeando o companheiro de partido. Um dos deputados ouvidos pelo repórter chegou mesmo a insinuar que Aécio cultivaria uma política de boa vizinhança com Lula e com o PT.



Esse comentário postado no Blog do Josias é como a descoberta da pólvora.
Todos dentro e fora do PSDB sabem que a associação catastrófica de uma candidatura insossa como a de Alckmin, com o carisma e o excelente governo de Lula, em quase todos os parâmetros bem melhor do que os antecessores traz um caráter de adiamento dos sonhos de poder de qualquer um, repito, qualquer um que tente derruba-lo.
Tanto Serra quanto Aécio são “raposas” velhas e perceberam a canoa furada onde iam entrar, deixando o caminho livre para o inexpressivo Alckmin selar seu destino, obviamente com uma derrota acachapante.
Serra e Aécio têm projetos pessoais paralelos podendo, inclusive se candidatarem por partidos diferentes em 2010 e creio que isso ocorrerá.
Bastando, para isso que Newton Cardoso perca o poderio sobre o PMDB mineiro o que, em minha opinião ocorrerá.
Do lado do Governo, a candidatura que mais se solidifica é a de Ciro Gomes, que poderá vir de vice de Lula, mas, a princípio talvez como Ministro possa ter mais liberdade de ação.
Heloísa Helena pode ter cometido um erro histórico com relação ao seu partido “particular”, e que ninguém tenha dúvida de que o PSOL é Heloisa Helena, assim como o PRONA é o Enéas.
A retirada da alagoana de seu melhor cabo eleitoral, o plenário, com a sua perda de mandato por, pelo menos 4 anos, trará muitas dificuldades para que possa fazer do PSOL algo diferente do PRONA.
PPS e PDT continuarão talvez, com perdas importantes como partidos nanicos e inexpressivos.
Já o PFL terá um emagrecimento acentuado, com o envelhecimento dos velhos coronéis e a crescente independência dos seus “afilhados” com relação aos “padrinhos”.
O PMDB poderá se tornar um partido de maior poderio ainda, principalmente com a “aquisição” de Aécio Neves.
O PSDB passará por uma pesada reformulação, talvez, retornando às suas origens menos conservadoras e mais à esquerda, isso é, se quiser continuar a tentar voltar ao poder.
Alckmin poderá ou ser vereador ou, quem sabe, retornar a prefeitura de sua cidade natal ou, num “prêmio” pelo “sacrifício” um cargo num possível mandato de Serra; mas que, Pelo amor de Deus, não seja o de Secretário da Segurança Pública!

DO BOATO AO PÂNICO - ORSON WELLES AINDA CRIARIA O CAOS!



Temos observado, nesses dias difíceis de violência desmedida em Sampa, a capacidade da mídia em transformar o medo em pânico.
Um simples bilhete anônimo apareceu em Vitória, capital capixaba, dando conta de que no dia 25 de maio haveria uma série de atentados e solicitava o fechamento do comércio.
Isso foi divulgado pela mídia local, e o resultado foi catastrófico.
As escolas fecharam suas portas, o comércio idem; um verdadeiro pânico tomou conta da cidade, a ponto de um campeonato que ocorria num dos maiores ginásios esportivos da cidade ter sido suspenso durante sua realização. Isso levou os estudantes para as ruas, à espera de seus responsáveis para o retorno às casas.
Neste caso, como em todos outros, a mídia, a troco de audiência, esquecendo-se da credibilidade, precipitadamente, antes de qualquer checagem dispara a notícia, criando uma situação próxima ao pânico.
É papel da imprensa a divulgação de fatos, mas, até que ponto ela não está sendo utilizada ou poderá ser utilizada em alta escala para a criação de uma instabilidade, extremamente benéfica para que o crime organizado aumente seu poder de fogo?
Muitas coisas têm ocorrido e contribuído também para o descrédito da nossa imprensa, tanto escrita, televisada e difundida via ondas de rádio ou pela NET.
Isso tudo tem suas origens na necessidade de velocidade e da divulgação de “furos” de reportagem, que muitas vezes se transformam em gigantescas “barrigas”.
Por incrível que pareça, estamos à beira da reedição do caso de Orson Welles, isso nos meados do século passado!
O país está à mercê de grupos criminosos bem articulados, com uma inteligência ativa e que cada vez mais se utiliza dos meios de comunicação e de divulgação tanto pessoal quanto em massa.
Cabe à imprensa o retornar ao bom senso e, principalmente à responsabilidade que se exige dela.
O caso do Espírito Santo é exemplar e denota o quanto é Grave a situação real e potencialmente podendo ser multiplicada em progressão geométrica, criando o caos.
Somos bombardeados, todos os dias por notícias que, se forem analisadas demonstram muitas vezes uma contradição que apavora.
“Só sei que nada sei” já era uma verdade na Grécia antiga, e a cada dia se torna mais real, tal a profusão e confusão criada pelo afã de publicar em “primeira mão” qualquer coisa, desde o divórcio ou o casamento da atriz de plantão até uma informação de tal vulto que imobiliza uma cidade inteira.
O fato da Veja ter tido, há dias sua integridade jornalística colocada, e com razão, em dúvida, denota isso tudo que constato e afirmo.
Não se pode tratar o consumidor da informação dessa forma, ele é o fim e não o meio para que o jornalismo tenha efeito e justifique a sua existência.
Nas páginas da Internet já bastam os vírus do dia a dia, temos tido muitos “vírus” nesse setor, muitos anônimos, mas, infelizmente a maioria, na sede de ser conhecido como “bom repórter”, assinados!
Além do podre analítico que anda por baixo:
Veja essa notícia e analise:
César Maia diz que pesquisas são favoráveis a Alckminda Folha On-linegarantir o segundo turno. "Se tentar esgrimir --para valer-- programas ou se deixar entrar a comparação entre governos como agenda, aí então se joga pela janela uma eleição", diz o prefeito.

Essa notícia, numa análise simples denota outra que não foi observada; quando Maia afirma que se tentar esgrimir, para valer, programas ou comparação como agenda a eleição está perdida, ou seja, a manchete deveria ser outra:
“César reconhece que o Governo Lula é melhor que o anterior”.
Ou não foi isso que ficou explicitado na afirmativa do prefeito?
Temos, nesse caso, além de uma demonstração clara de poder de análise outro fato interessante: na busca por “furos” ou afirmativas bombásticas, o repórter perdeu uma boa oportunidade.
De outra forma, a imprensa está carecendo de um órgão próprio e regulador, independente, sem nenhum caráter opressor ou censor, de auto - regulamentação e de transparência.
Algo assim com a OAB ou o Conselho Federal de Medicina ou o CREA.

CRÔNICA - OS OLHOS E O SORRISO

Trazia um sorriso indefectível, quase sempre acompanhado de um olhar a esmo, perdido, sem nexo ou horizonte.

Quase não falava e não mexia com ninguém, mas o simples fato de olhar “daquele jeito” assustava as pessoas.

Menino criado solto pelas vielas sem calçamento do pequeno distrito de Alegre, no Espírito Santo, comia às vezes, quando lhe dessem alguma coisa, qualquer coisa.

Muitas vezes o prato de comida era acompanhado por impropérios, outras vezes a negativa era acompanhada por pedradas, copos de água fervendo e outras coisas mais.

O menino foi crescendo assim, dormindo com os bois nos estábulos ou num canto qualquer a esmo.

Nos tempos de frio, e olhe que aquele lugar era frio, muitas vezes os seus pedidos por comida ou água eram respondidos com jarros de água fria, o que foi lhe dando uma resistência espantosa.

Agüentava bem o frio, passava os invernos mais recolhido, qual fosse um bicho meio que hibernando meio que vivendo.

Os dentes perdidos na falta de assistência e pelas pedradas disparadas pelos meninos do distrito, foram deixando vazios naquele sorriso que davam mais e mais a impressão de debilidade mental, mas de uma enigmática e tenebrosa face que associava esse sorriso com o olhar, olhar para nunca, para ontem.

Como em todo lugar pequeno, tínhamos ali também, os gaiatos de sempre. E a brincadeira predileta que o ócio criava era a de deixar um aos outros, embriagados.

Com ele não podia ser diferente, o álcool era gostoso, a embriaguez mais ainda, e a anestesia fazia bem ao nosso rapaz.

Embriagado, as coisas pioravam de vez.

As poucas “boas almas” do vilarejo viraram-lhe a cara, numa sucessão de impropérios e negativas que foi definhando o rapaz.

Mas o sorriso permanecia, os olhos de sempre, a vida passando, de mal a pior.

A fome voraz fez com que começasse a se adaptar a um cardápio mais variado e simples.

Começava a comer frutas e legumes, muitas vezes verdes, arrancados do pé e devorado sem tempero, sem cozimento, crus.

Quando foi visto comendo jiló cru, uma mulher teve pena e, pouco a pouco foram uma ou outra, enchendo novamente a latinha enferrujada com os restos das refeições. Os porcos nem repararam na partilha.

Pois bem, no meio dos velhacos do local havia um que ultrapassava os limites.

Ao perceber que nosso amigo repetia o que era-lhe dito, sem capacidade de analisar, ensinou-lhe os palavrões de sempre.

Até aí tudo bem, meio as risotas abafadas das “donzelas” e o praguejar das velhas beatas, tudo ia transcorrendo como de sempre.

Um dos filhos da burguesia local, e burguesia nesses casos não passa de um sitiante melhor ou, na maioria das vezes, demonstrando melhor condição econômica, mesmo que à custa de engodos e trambiques vários, não nutria muitas simpatias pelo rapaz.

O motivo foi que, um dia o ingênuo, sem querer esbarrou na roupa nova do burguesinho e, como as mãos não eram religiosamente lavadas, manchou um pouco a blusa.

Havia uma menina muito bonita e, mais que bonita, uma verdadeira patricinha, dessas que soem ocorrer nestes lugarejos.

Ao saber que o mendigo havia assobiado para ela, revoltou-se.

E, na sua revolta foi tirar satisfação com o pobre, cuja única reação foi o sorriso sem dentes e o olhar perdido.

O aristocratazinho interpretou aquilo como se fosse uma ofensa ou um tipo de deboche.

Passaram-se alguns dias e corria a notícia de boca em boca.

Acharam o corpo do rapaz, numa clareira dentro da mata, num sitio abandonado perto do centro do distrito.

As marcas de sevícia eram assustadoras, o pênis cortado, a língua arrancada, as vísceras expostas, uma crueldade ímpar.

Somente os olhos e o sorriso, como a perdoar as mãos assassinas restavam, pairando sobre o distrito...

Quinta-feira, Maio 25, 2006

SÃO PAULO

São Paulo, não te conheço, mas tento te conceber. Nesse teu vai e vem, nessas suas ruas gigantes, avenidas, sangrando pelo teu corpo.

No Rio e nas marginais que te atravessam e te conhecem por inteira.

Marginais, marginais do Tietê, de suas tietes, de teus túneis e viadutos.

Marginais te sangrando e te cortando, mostrando teu coração.

Coração aberto, exposto, vivo e latejando.

Nas favelas e vilas, nas periferias e avenidas.

Nos teu trânsito, no teu tráfego, no teu tráfico. Na dor de todos, no ardor da vida esvaindo-se em sangue.

Em tantos entretantos, de todos os Santos, dos teus braços abertos, mas nem sempre gentis.

És mais que tudo, todos os brasis, todos os brasões, os diferentes e coincidentes amores,

Mineiros, goianos, paraibanos, sergipanos, anos e anos te fizeram, mas nunca te concluirão nem te conhecerão por inteira, por veias e artérias.

Pulsando tresloucada e desvairada, desvaíndo-se desviada de tantas promessas de muitas remessas, de ti para o estrangeiro.

Estrangeiros te adotam e te comportam no cora, na coragem, na carne espoliada, na pele arranhada, na vida abandonada a esmo.

No torresmo a milanesa com ovo frito do “pedreiro” Adorinan, o mesmo da maloca e do velho Arnesto, nada ficou?

Deixa-me saber de ti, velha cidade, Capital do Brasil, locomotiva, tantas vezes sem rumo, sem nexo, com o sexo explorado, o medo, a angústia, o vazio e o pleno.

Na tua garoa, na tua marcha para o terceiro e quarto milênio, mas com os tentáculos suburbanos periféricos, presos, atados ao passado, ignóbil escravidão, marginais...

Nas marginais, teus marginais e tuas damas, teus barões e “mariposas” se entrelaçam e nem se percebem.

Atropelada Iracema, não a de Alencar do mar distante e inerente, em teus Santos e profanos.

Também ela não olhou ao travessar as ruas, e foi atropelada pelo tempo, pelos olhos sem sentido de tantos para quem a “assistência” nunca vem, nem veio, quiçá virá.

São Paulo perdoa este desconhecido, que sem ter te conhecido, sem nunca ter te encarado, te imagina. Misteriosa e bela, ao mesmo tempo assustadora.

Amo-te, dentro do que se pode entender como amor a uma estranha, fascinante e vária, multitemática e emblemática, alucinada e lunática.

Permita-me estar na cena de sangue no bar da Avenida São João...

E me desculpe por querer tocar nas cenas de sangue que padeces, sem o romantismo de outro Paulo, não Santo, mas Vanzolini.

Entre tantos paulos, concebes variedades múltiplas e tantas vezes incompreensíveis para quem não te conhece.

Por isso perdoe esse estrangeiro que nunca poderá te conceber, por seres totalmente inconcebível.

Nas tuas “Panaméricas de áfricas utópicas” do seu “novo quilombo de Zumbis” me dê um rumo que não seja o que fazem de ti nessa hora.

Velha Senhora, te desejo Paz e, se isto for impossível, que o verde dos olhos se espalhe na tua plantação, abandonando os vermelhos dos teus olhos...

ECT - CARTA ENVIADA A UMA DELEGACIA DE SÃO PAULO

“Doutor me desculpe esse meu desabafo, sou uma mulher brasileira, trabalhadora, pobre e honesta.
Tenho quatro filhos, eu sei que é muito, o pessoal todo me diz isso, mas não foi por querer não, eu tinha tido até vontade de ter menos, mas ao remédio de evitar, muitas vezes não tinha no posto e dinheiro pra gastar, o senhor sabe como é...
Pois bem, dos meus meninos, o mais novo era o melhor deles, doutor. Menino bom, bom filho, bom irmão.
Os outros até que não falo nada, a menina embuchou novinha, tava com 15 anos, o pai, sei lá... Acho que era meio bandido, mas agora não tenho mais certeza não, seu doutor.
Morreu, segundo eles falam, numa troca de tiros.
Eu sei que ele usava droga, acho que era maconha, mas não tenho certeza não.
Tudo bem, tava no caminho errado, mas meu filho doutor...
Meu filho tinha só 19 anos, estava estudando, fazia um curso pra torneiro mecânico, era trabalhador, menino bom seu doutor.
Eu costumo rezar todos os dias para Nossa Senhora Aparecida proteger o menino, eu sou muito católica, batizei todos eles ali na Igreja do Bairro.
O Padre é muito amigo da gente, moço novo, seu doutor.
Eu sei que meu menino, nessa terça feira foi trabalhar, como todo dia ele faz. Trabalha muito pra poder ter dinheiro pra comprar aquela moto, era o sonho dele, a moto e a namorada.
Moça bacana, família simples como a minha, gente honesta e humilde, seu moço.
O irmão dela trabalha na polícia e eu sei que eles ganham pouco, eu sei da dificuldade de ser policial aqui em São Paulo.
Mas, doutor, eu já estava imaginando o que ia acontecer, bem que eu falei para ele: Renato, não vai hoje na casa da Patrícia não, a situação está complicada.
Eu tinha visto, na televisão, aquela covardia que tinham feito com os policiais, seu doutor, achei aquilo tudo muito ruim.
Ainda bem que o irmão da Patrícia está bem, não houve nada com ele não.
Bem que eu falei pra ele, ”meu filho, não deixa sua mãe nervosa não, fica em casa...”.
Mas o senhor sabe como é moço jovem né doutor? Namorada morando perto é difícil segurar a saudade. Depois da aula ele cismou de passar na casa da menina, ela me disse que foi só pra d ar uns beijinhos e dizer boa noite.
Depois disso, seu moço, não tive mais notícia dele não.
Os colegas dele dizem que viram a moto dele jogada no chão e depois ela sumiu.
Ela e ele, meu menino.
Os cadernos dele ainda estavam no chão e a tinta que estava na capa seu doutor, não era aquela azul que ele usava não.
Era de um vermelho forte e, engraçado, manchava todas as folhas brancas, ainda não preenchidas da vida e do futuro do meu filho, seu doutor.
Qualquer notícia que o senhor tiver dele, por favor, me chama, eu me chamo Maria das Dores, moro aqui na rua..., número...
Por favor, doutor, não esqueça de mim não, eu espero no dia das mães do ano que vem poder estar com o meu menino, e que as folhas do caderno possam estar escritas com o azul e não com essa tinta vermelha e esse vazio de agora.
Muito obrigada por tudo. Dessa sua criada Maria das Dores"

CRÔNICAS - MANCEBÔ

Falando no Padre Nonato, me recordo de outro fato ligado, no mínimo inaudito.

Contou-nos o bom clérigo que, um dos principais auxiliares de sua Igreja, lá em Visconde do Rio Branco, havia, para escândalo da conservadora sociedade da época, arranjado uma amante.

Tal fato se espalhara na pequena cidade como se fosse uma bomba de efeitos avassaladores.

Todas as beatas comentam, na surdina, tal fato, o que deixava Dona Dinha, esposa do nosso personagem, em palpos de aranha.

Muitas vezes, quando ela chegava, as rodas de conversa se esvaziavam o que a deixava sem graça.

Várias vezes, essa senhora já tinha ido ao confessionário e, em prantos, solicitava ajuda ao amigo Padre Nonato.

Esse, sem querer criar muito atrito, já que a situação era deveras delicada, resolveu, num dos seus sermões e sendo extremamente cuidadoso, conversar de uma forma mais sutil com seus fiéis.

Ao começar sua homilia, o querido sacerdote saiu-se com essa:

“Queridos fiéis, por um desses acasos, fiquei sabendo que, aqui entre nós, um dos mais caros e importantes fiéis, cometeu um pecado terrível: amancebou-se! E, continuando a falar, disse da gravidade do fato etc e tal.”

Pois bem, ao final da missa, eis que o Don Juan aproxima-se do altar e, elogiando o sermão agradece ao padre.

Esse, sensibilizado pelo efeito causado ao fiel, pergunta-lhe qual a providência que o mesmo iria tomar, após tal fato.

No que, surpreendentemente, o mesmo responde:

-Uai seu Padre, deixa o menino nascer primeiro que eu vou batizar ele com o senhor, e vou colocar aquele nome bonito que o senhor disse.

Surpreso, Padre Nonato, vendo que o fazendeiro não entendera nada perguntou-o então que nome era esse.

A resposta pronta – Uai, sô esse tar de Mancebô!

A AUTO CRÍTICA DE CÉSAR MAIA, QUEM DIRIA

César Maia diz que pesquisas são favoráveis a Alckmin
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da Folha On-line

O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), afirmou que as pesquisas eleitorais divulgadas ontem são "excelentes notícias" para o candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin. Ambas as sondagens mostraram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virtual candidato à reeleição, ganharia já no primeiro turno se as eleições fossem hoje.

Para Maia, as pesquisas indicam que: a) o presidente Lula já bateu no "teto" de suas intenções de voto (cerca de 40%); b) o candidato tucano deve mudar de patamar (hoje em torno de 20%). "É impossível que quando Alckmin seja conhecido pelo conjunto dos eleitores ele não mude de patamar para -na hipótese mais pessimista- mais 5 pontos", escreve Maia.

"Lula está com gordura, produto do desconhecimento relativo dos demais candidatos e por sua exposição ser dupla, como presidente e candidato", afirma. Para o prefeito do PFL, a soma dos eleitores que consideram a gestão do presidente como ótima ou boa (39%) indicam um teto para o desempenho eleitoral do virtual candidato petista à Presidência.

Sobre a taxa de rejeição de Alckmin --que cresceu de 33,5% em abril para 40,6% maio-- Maia diz que é necessário retirar os eleitores que afirmam desconhecer o ex-governador de São Paulo, o que reduziria a taxa para 27%, contra 34% de Lula.

Maia afirma que a campanha de Alckmin precisa "sangrar Lula" para garantir o segundo turno. "Se tentar esgrimir --para valer-- programas ou se deixar entrar a comparação entre governos como agenda, aí então se joga pela janela uma eleição", diz o prefeito.





Diante desse esforço gigantesco para desfazer a realidade e tentar impingir um absurdo de retórica, temos que o alucinado César Maia chegou à beira da insanidade para tentar de tal forma deturpar os fatos que “é impossível que ele não chegue a 25%, digamos”.
Isso ou é uma grande gozação, o que não é de todo impossível ou é o sintoma final necessário para se iniciar o tratamento psiquiátrico do prefeito carioca.
Conhecendo o espírito que emana da bela capital, creio que o prefeito está demonstrando, nessa entrevista a que ponto pode chegar o bom humor carioca.
Em primeiro lugar, dizer que a queda livre por onde se enveredou a candidatura tucana, é uma boa notícia, me traz dúvidas reais sobre em que Maia vai votar em outubro.
Depois temos o aspecto de que Lula atingiu seu teto e Alckmin deve chegar a 25%, quando se tornar conhecido. Se alguém, numa eleição dicotomizada como essa, conseguir ganhar com um quarto do eleitorado, quero conhecer essa nova matemática cesariana.
Ou melhor, essa cesariana matemática não deu bons frutos não, que o diga o Rio de Janeiro, principalmente a SAÚDE do carioca.
Um candidato com 40 por cento de rejeição deve ser bem conhecido, pois se for desconhecido e tem 20 por cento sim e 40 por cento nunca, fica bem complicado...
A tendência óbvia é essa rejeição aumentar, pois o chuchu não é dos mais “apreciados”, enquanto lula é bem mais procurada e valorizada.
O melhor de tudo é o final da assertiva. Repare bem no que foi dito pelo Maia:
Se for preciso sangrar Lula, então ta difícil, tem um ano que se tenta fazer isso e, nada, o danado só aumenta a quantidade de votos.
Agora, a auto crítica de César Maia é uma pérola: "Se tentar esgrimir --para valer-- programas ou se deixar entrar a comparação entre governos como agenda, aí então se joga pela janela uma eleição".
César Maia quis dizer que se compararmos os governos e programas a eleição está perdida.
Até que enfim eu ouvi desse ser esdrúxulo algo que beira ao bom senso.
Lula agradece a esse mea culpa e esse rompante de auto crítica.
Só faltava o César Maia ter declarado literalmente que Lula é melhor do que Alckmin, o que deixou claramente subentendido.
E não venham me chamar de Petista Fanático não, essas declarações pertencem ao César Maia, num “elogio” ao Chuchu!

CRÔNICAS - GEOGRAFIA E MISSA

Padre Raimundo Nonato, pároco de Visconde de Rio Branco, cidadezinha próxima a minha cidade natal; Mareai, era um padre tradicional, usando sua inexorável batina, mas tinha um bom humor impagável.
Mulato meio que pro obeso, tinha umas tiradas que nos deixava a todos, independentemente do humor que apresentávamos antes de sua chegada, rapidamente ficávamos de bem com a vida.
Encontra-lo era “ganhar” o dia.
Recordo-me que, certa feita, em visita aos meus pais, de quem fora colega de magistério no Colégio São Paulo, lá mesmo em Muriaé, o padre Nonato parecia estar, ao contrário de sempre, com o humor um tanto quanto diferente, até meio sorumbático, por assim dizer.
Interrogado pelo meu pai sobre o motivo de tal mau-humor, o padre desconversava; falava sobre outro assunto, tentava a todo custo mudar o tema da conversa.
Em vão, meu pai preocupado não deixava o amigo em paz; perguntando sempre o que estava acontecendo.
Lá pras tantas, Padre Nonato não agüentou mais a pressão e disse:
-Marcos, eu estou meio arrependido do que falei outro dia em Visconde do Rio Branco, na hora da missa.
Meu pai, já conhecendo o velho amigo, prontamente mudou a fácies; de preocupada passou a uma expressão sorrateira de quem já esperava alguma coisa.
- O quê que aconteceu, Padre? Perguntou meu pai, já meio que rindo.
- Pois bem, eu estava realizando a missa quando, sabe esses bancos de Igreja novinhos, feitos de madeira mais resistente?
Pois é, a comunidade tinha se esforçado tanto para poder comprar uns bancos novos, pois que os outros estavam em petição de miséria, já carcomidos pelos cupins e pelo tempo. Os bancos novos eram uma beleza, muito bonitos, mas, não sei por que cargas d’água um gaiato resolvera rabiscar no banco.
Rabiscar ainda era pouco, escrevera um palavrão daqueles...
Então, no meio do sermão, não resisti e falei:
“Pois bem, meus irmãos, o pior de tudo foi o palavrão que esse infeliz escreveu. De tão feio tenho até vergonha de pronunciar. Mas só para vocês terem uma idéia: Fica na mulher, ACIMA DO JOELHO E ABAIXO DO UMBIGO!”
CAI O PANO RAPIDINHO...

CRÔNICAS - DE COMO SALVAR O TIME DA GOLEADA E, DE QUEBRA REGENERAR UM GOLEIRO

João Polino, muito conhecido lá pros lados de Ibitirama, ou mais precisamente, no distrito de Santa Martha, aos pés do Pico da Bandeira, traz no seu currículo uma rápida, mas marcante passagem como treinador de futebol.
O fato se deu no início dos anos 50 e, como sabemos o Brasil recém derrotado na Copa do Mundo, em pleno Maracanã, vivia uma “ressaca” futebolística.
Lá em Santa Martha não era diferente e, João Polino, como bom brasileiro era um bom palpiteiro, o que o credenciara para ser o treinador do time local.
Haveria, em Alegre, um campeonato distrital e o time de Santa Martha não era tido como um dos mais favoritos, porém tinha no banco o “melhor treinador do Sul Capixaba”.
O time estava até que em forma, exceto o goleiro, conhecido como Pedro Gambá, por motivos meio que óbvios.
Pedro bebia muito, mas, quando não estava embriagado, ainda era o melhor goleiro da região de Santa Martha, sendo conhecido como “Mão de Gato”; isso quando sóbrio.
Nos treinamentos, ele fechava o gol, abstêmio que se encontrava, pelo fato de estar namorando firme uma das meninas mais desejadas de Santa Martha, Laurinda; mais conhecida como Lindinha.
Na estréia do campeonato, o jogo era contra Pedra Roxa e, por causa de uns entreveros pessoais com um pessoal pedraroxiano, João Polino tinha aquele jogo em conta de “honra pessoal”.
Bem na hora da partida, eis que surge o Mão de Gato; na verdade mais para Pedro Gambá do que nunca.
Os jogadores, com medo das reações do treinador do time, ocultaram o fato a João Polino que, sem perceber que o goleiro estava mais bêbado do que nunca, deu as últimas coordenadas ao time.
Para espanto de todos, na “arquibancada” improvisada, Lindinha estava no maior bate-papo com Zezinho do seu Paulo; rapaz meio janota e, portanto, tido como “aviadado” pelos invejosos concorrentes.
O jogo começa e, com menos de 10 minutos, Pedro já tinha iniciado a série de frangos que faria inveja a uma granja, o placar já contabilizando 3 a zero para Pedra Roxa.
Ao se completar a primeira meia hora e, com o jogo já em 8 a zero para a equipe visitante, João Polino, de súbito se levanta e...
Para o susto de todos, saca o revólver e dá um tiro em direção à bola, atingindo-a em cheio, evitando assim o nono gol do time adversário.
Só que, ao atingiu a bola, a bala passou de raspão na mão do pobre Mão de Gato.
Nesse interem, meio que arrependida, meio que assustada, Lindinha invade o campo e se dirige para o amado, ferido de raspão, mas, feliz da vida.
A flecha de cupido salvou o pobre bêbado, na pequena ferida real e no grande ungüento salvador.
O mesmo não podemos dizer do CUPIDO, que teve ali sua “brilhante e promissora” carreira encerrada.
Como não poderia deixar de acontecer, foi o padrinho do casamento de Pedro e Lindinha e, se não me engano, o filho mais velho do casal se chama João, só não sei se é Polino...

CRÔNICA - DE FRUTOS DO MAR E AFINS...

No começo dos anos 90, na minha deliciosa e indefectível Espera Feliz, surgiu um senhor aposentado que, diante da visão de ter o Parque do Caparão como um lugar turístico e a cidade extremamente aprazível resolveu fazer um restaurante.
Não era um restaurante qualquer, tinha seu quê de diferente, pois, em plena Minas Gerais, ao contrário do que se pode esperar, fez um restaurante especializado em... Frutos do mar!
No começo, à custa da curiosidade normal da população local, obteve certo sucesso; porém, associado ao fato do dito estabelecimento estar localizado bem distante do centro da cidade e, por conseqüência, o acesso ser muito difícil, a falência não tardou a ocorrer.
O fechamento, a bem da verdade, não foi muito sentido pela população local.
Durante um bom período, quem passava pelo local, observava na margem direita da estrada, um prédio abandonado e entregue às moscas.
Passam-se uns dois anos e, de repente, começam a enfeitar e reformar o fantasma.
Como eu viajava sempre de Guaçui, onde morava à época dos fatos, para Espera Feliz, onde ia trabalhar, fui acompanhando, semana a semana essa mudança.
Eis que um dia, as portas do estabelecimento reabriram e, para minha surpresa, com finalidades bem diversas.
Se a gente puder considerar aquele popular peixe famoso por sua voracidade como “fruto do mar” há algum nexo, mas...
Na verdade, ao saber que o restaurante havia se transformado em um prostíbulo, meu susto foi grande. Espera Feliz tinha abandonado e fechado a ZBM (Zona de Baixo Meretrício) há tempos, mas aquela “boate” ainda daria o que falar.
Ao perguntar ao meu amigo Maurício Padilha, já citado anteriormente, soube que aquele seria o primeiro prostíbulo “pentecostal” do Brasil.
Curioso, perguntei por que, no que fui prontamente respondido:
- É que, devido ao preço cobrado pelas meninas, o apelido do “estabelecimento” era: DEZ É AMOR!

DA MINEIRICE E DE AÉCIO.

Todo blindado
De Renata Lo Prete na coluna Painel da Folha de S. Paulo, hoje:

"Em recente pesquisa qualitativa, um homem de classe C, subempregado em Recife, descrevia a melhora em sua vida sob o atual governo: um ou outro bem de consumo adquirido para a família. Quando o mediador lhe perguntou sobre os escândalos, ele respondeu: "Isso eu não quero nem falar". E sobre o envolvimento do presidente. "A gente não quer acreditar que o Lula traiu a gente. Se não, como é que a gente fica?".
Quem assistiu acha que essa fala, além de ajudar a explicar os resultados de Datafolha e Sensus, ilustra bem a sinuca em que estão os tucanos: se insistirem em bater no presidente, poderão acabar confinados ao terço do eleitorado que nunca quis saber de Lula".




Noblat é um camarada extremamente tendencioso, muitas vezes agressivo e na maioria das vezes antipático e irritante. Porém muitas vezes coloca as coisas com inteligência e isso tem sido raro, principalmente nas oposições, mas vamos lá:
O aspecto primordial do colocado nesse comentário da colunista Renata é que, o PSDB e o PFL, pelo que temos visto, caminham irmanados para o rumo indicado pela comentarista.
O voto em Lula não é partidário, é VISCERAL. O que esse pessoal ainda não entendeu é o caráter essencial de um povo que é desconhecido para a maioria dos políticos e jornalistas brasileiros.
Quem me conhece sabe que tenho uma vida inteira de contato com a população mais brasileira de todas, o CAIPIRA MINEIRO.
Minas é o reflexo de todo o Brasil, apresentando todos os aspectos do Nordeste, do Sudeste e do Centro Oeste brasileiro.
Principalmente no ato de fazer política que, para o mineiro, é tão vital quanto o comer, dormir, tomar banho; viver enfim.
O mineiro por ser conservador é talvez o último a fazer da mudança seu lema; mesmo que tenha sido a base de grandes parte das mudanças ocorridas nesse país, ele é basicamente tradicionalista.
As mudanças em Minas são devagar, de vagar e vagar muito antes de senti-las para, depois realizá-las, sendo necessária sua absorção por todos os órgãos dos sentidos para se tornarem reais, efetivas.
Na história brasileira temos grandes políticos mineiros, além de grandes revolucionários.
Isso, ainda hoje ocorre nas figuras de um “guerrilheiro” Jose Dirceu, na de um Itamar Franco entre outros.
O próprio Aécio Neves, neto de uma das maiores raposas da política nacional, tem esse aspecto de mineirice impagável.
Tucano sem asas ou bicos lapidados em São Paulo, berço dessa divisão do PMDB, causada por conflitos locais com Quércia, seu atrelamento ao PSDB é bem menor do que com o PMDB do avô.
Suas origens políticas são as do observador que, macaco velho, não coloca nunca a mão em cumbuca vazia, muito menos furada.
E o PSDB/PFL de hoje não são somente uma cumbuca furada não, correm o risco de, pelo veneno que embutem e pela carga pesada de um passado não muito confiável, ferir quem quer que coloque a mão lá dentro.
É por essas e outras que Heloisa Helena, Bob Freire e o PDT não embarcaram nela não.
Muito menos o mineiro Aécio, Aécio, mas não beócio, como poderiam imaginar alguns.
O “namoro” de Aécio com Itamar demonstra tal posicionamento, muito mais tancredista do que se imagina. O PSDB pode ser usado por ele, nunca o usar.
E isso se estampa a cada dia, em que Aécio se afasta, sorrateiramente de qualquer embate com relação a Lula para se refugiar na matreirice que possui e não nega suas origens nas alterosas.
Tancredo conseguiu na sua vida política estar sempre numa situação eqüidistante entre as oligarquias e o povo; sendo, como bom observador que era, mais um vagão seguindo a locomotiva que era seu povo do que uma imbecil “locomotiva” a esmo, como parece a maior parte do tucanato paulista. E também ao contrário de Brizola que tinha luz intensa própria e mesmo sem ter esse poderio de liderança do velho engenheiro, Tancredo conquistou muito mais do que qualquer outro político nacional.
Lula é hoje, não somente aceito como, principalmente amado pelos mineiros e, por conseguinte, pelo povo brasileiro, LULA E NÃO O PT, diga-se de passagem.
É nesse vazio entre partido e político que aposta Aécio que, não se surpreendam, pode vir em 2010 pelo PMDB e não pelo PSDB paulista e, a continuar essa desvairada forma de agressões gratuitas e diárias, podem apostar que esse será o caminho de Aécio, bastando para tanto, que Newton Cardoso seja devidamente colocado à margem do PMDB.
Tudo isso me leva a um pensamento bem definido: quem quiser ganhar as eleições no Brasil, necessita conhecer a alma do caipira mineiro e suas aspirações.
Quando Minas não quis Lula, temendo-o, elegeu Collor e depois FHC, mas, ao perceber que essa opção tinha sido errada e que o bicho Lula não era “tão feio quanto parecia” o elegeu.
Ao perceber que acertou, irá continuar com Lula até quando esse não o decepcionar.
Como não pode haver uma terceira eleição, Aécio aposta no seu conhecimento de mineirice para poder dar o bote, cobra criada que é.
No PMDB, quem viver verá!

POR PAULA EVILASIA SOUZA - DE CORONÉIS NORDESTINOS E PAULISTAS

Uma coisa tem me chamado a atenção nesses dias, o fato de Alckmin e José Jorge terem perfis tão parecidos.Tanto fisicamente quanto o aspecto meio insosso de ambos.Essa característica de similaridade me permite uma observação: o quanto se parecem a burguesia paulista e as oligarquias nordestinas.O fato de ter sido São Paulo, durante sua história, uma província tanto política quanto cultural, gerou esse tipo de "aristocracia" similar à nordestina. O peão escravizado no Nordeste, ao se mudar para São Paulo, apenas trocou de chicote, mas o Senhor de Engenho foi substituído pelo dono da Fábrica ou pelo patrão burguês.O mais nefasto disso tudo é a forma com que a tão amaldiçoada burguesia, tanto lá quanto aqui, trata esses infelizes brasileiros, na porrada!As mortes sem sentido nem nexo oferecidas pelos coronéis no Nordeste, são as mesmas dos esquadrões da morte servis aos "burgueses" paulistas.A escravidão é a mesma com a mesma subserviência dos setores mais "influentes" de Comunicação, como a Veja, a Folha de São Paulo, a Isto É, o Estado de São Paulo, etc...Tudo isso me dá o asco que se pode esperar que possa acontecer com a filha de um nordestino, acostumada aos disparates dessa desigualdade social e à mão pesada dos "capitães de mato" de lá como daqui.Ser pobre e nordestino em São Paulo é tão pecaminoso quanto ser lá, nos grotões das Alagoas, da Bahia, do Ceará etc..O carcará que vive da fome e da miséria nordestina se reedita nas promessas a cada eleição, mas, aqui, há um aspecto diferente.O sonho da classe média paulista que, na maioria das vezes se equipara a estratos da oligarquia nordestina, é se transformar em burgueses.A menina tem como objetivo poder entrar nos restaurantes das elites, proibidos à massa faminta e "periférica", enquanto que essa mesma menina sonha com um dos vestidos da Daslu e congêneres.São Paulo é a maior cidade do Nordeste e, portanto, Juca Chaves acertava quando dizia que o paulista "é o baiano que deu certo".Isso se demonstra a cada dia, nessa guerra social sem fim que ocorre em São Paulo, e isso me traz de volta as semelhanças entre José Jorge e Geraldo Alckmin, é como se eu visse na mesma foto Maluf e Toninho Malvadeza; são frutos podres da mesma árvore do colonialismo, da geração de centenas de milhares de infelizes que, GRITAM nas mesmas "baladas" regadas ao som das Gretchens e Amados Batistas da vida.Onde a dor individual ou o apelo erótico descabido e escondido por uma lente falsa e deformadora têm o mesmo paladar, tanto para o paulista quanto para o nordestino.Esse chicote que transformou ambos os povos em massas idênticas, nas manobras incessantes de cretinas atuações políticas, têm que parar.A hora é de dizer não aos velhos e podres poderes; tanto lá quanto aqui.São Paulo merece coisa melhor que isso.E, a única forma para que se acabe com essas deformidades asquerosas e pútridas, é não dar mais voz a esse tipo de política e de político.Jazer com os Malufs, Antonio Carlos Magalhães, José Jorge, Alckmin é, na verdade, possibilitar a essa massa enorme de peões, paraíbas, cabeças chatas, mineiros, tanto de lá quanto daqui, o nascimento de um novo tempo; o da dignidade.

O RETRATO DE DORIAN GRAY

24 de maio de 2006 - 21:43
Tucanos tentam vincular PT à facção criminosa PCC
O movimento partiu do senador Arthur Virgílio e do deputado Alberto Goldman
Christiane Samarco

BRASÍLIA - Os tucanos fizeram hoje um movimento para tentar vincular o PT ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), leu da tribuna uma nota divulgada pela internet sobre um ofício secreto enviado pela Polícia Federal ao governo de São Paulo.
O documento se referia a uma mensagem que o PCC teria disseminado pelos presídios paulistas no início de maio estimulando levantes e recomendando o voto no PT. "Ainda bem que o PSDB não tem esses votos. Isso nos deixa honrados", disse Virgílio. "Não queremos os votos do PCC. Queremos eles todos na cadeia. Eles que votem no PT."
Na Câmara, o deputado Alberto Goldman (SP), vice-presidente do PSDB, denunciou "a falta de escrúpulos" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha pela reeleição. Irritado com críticas presidenciais à oposição, que segundo declarações de Lula não gosta de povo, só gosta de ar-condicionado, Goldman não deixou por menos.
Goldman comparou a forma com que o presidente e o líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, fazem uso da miséria. "O Lula se utiliza da pobreza, da miséria e das injustiças sociais, da mesma forma que Marcola o faz. A fonte de ambos é a mesma", atacou Goldman no plenário.
Segundo o tucano, Lula faz uso dos pobres para se manter no poder, do mesmo jeito que Marcola usa a pobreza e a miséria para organizar o crime. Goldman lembrou que o traficante pratica ações sociais e firma sua liderança, dando assistência às famílias de companheiros da organização criminosa que estão na cadeia, só para destacar que o presidente Lula também procura tirar proveito eleitoral dos programas assistencialistas do governo.




Essa notícia veiculada no dia 25/05/06, pela Folha de São Paulo demonstra o subnível tanto intelectual quanto moral dessa oposição desastrada.
Tentar vincular o PT com o PCC é, não somente uma tentativa de “tirar o da seringa” quanto, principalmente uma ação criminosa equiparada às asneiras ditas por FHC no Roda Viva e na Isto É.
A desfaçatez de um Arthur Virgílio chega às raias da sandice absoluta, demonstrando a que nível pode ir essa campanha eleitoral que se aproxima.
A burguesia fedorenta e asquerosa adora esse tipo de discurso vazio e sem provas, simplesmente agressivo e indecente.
Mas, o que se pode esperar de um tipo de gente capaz de colocar a mãe em leilão para satisfazer os desejos de seus patrões norte americanos; ou as privatizações não tiveram esse aspecto?
Pior que isso, o fato de terem se apropriado indevidamente do Plano Real como se o mesmo fosse de autoria do falastrão socialista, quando todos conhecem a paternidade de tal plano econômico, feito à época de Itamar Franco e pela sua equipe econômica, a não ser que o incompetente sociólogo tivesse se transformado, por um milagre em um economista genial.
Cabe dizer que, quando andou com suas próprias pernas, tal “gênio” da economia, destroçou esse país.
Filho bonito dos outros é nosso né safardanas?
O PCC é filho de uma política espoliativa e criminosa de destruição das camadas mais simples da população, e isso pode ser constatado nos desgovernos tucanos ao longo da última década.
A mãe do PCC é a miséria, e a incompetência administrativa, sendo que uma é o efeito da outra e ambas alimentadas pela oligofrenia absurda que assola esses “intelectuais” tucanóides.
Filho desse casamento demonstra a face inescrupulosa desse “pai”, desnaturado e hipócrita. Não reconhecendo na face do filho, reflexo da cara de pau do papai, o filho tão similar ao emplumado progenitor.
Um Goldman, mais à shitman que qualquer coisa, deveria ter escrúpulos ao falar nesse termo, de significado desconhecido para quem sempre, sem nenhum pudor, esvaziou o estado brasileiro, sucateando-o à exaustão, transformando os sonhos de um país em um balcão de liquidação do bem público e, pior, ameaçando repetir tal feito se reconquistar o poder.
Para quem foi o principal fomentador da fome nesse país, falar que o governo usa a miséria chega a ser indecente.
O país, no final do Governo passado, mercê da abertura dos mecanismos internacionais para esvaziar economicamente nossa pátria, estava à míngua, numa derrocada que parecia irreversível.
A política de terra arrasada usada pela canalha que, agora vem com essa história de tentar vincular o produto de seu casamento com o que havia de maior excrescência no mundo, com o neoliberalismo pilantra e gerador de diferenças sócias, deixou para o Povo Brasileiro essa herança tão nefasta quanto difícil de ser administrada.
Assumam seus atos, pois o povo brasileiro não é tão imbecil quanto vocês pensam, e o PCC, filho “bom” que é, parece-se demais com o fermento de onde surgiu em suas ações criminosas e na facilidade de poder compor com o governo do Estado.
Quem planta o que o PSDB plantou quer colher o quê?
O duro é que a colheita está sendo imposta sobre uma sociedade que, de tão apavorada, agradece aos “grupos de extermínio,” numa lógica absurda, o que deveria ser imputado à incompetência de um desgoverno que, para minha tristeza, o governo paulista há 12 anos.

Quarta-feira, Maio 24, 2006

É PRECISO VINCULAR LULA AOS ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO!

Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), admitiu, segundo relata Felipe Recondo, que não há uma estratégia do tucanato para minar a candidatura de Lula. Disse que, para tentar levar o Geraldo “Chuchumbo” Alckmin à vitória o PSDB vincular o presidente aos escândalos de corrupção.


Isso, devidamente postado no Blog do Josias, na Folha On-line, dá a real dimensão do que está ocorrendo.
Essa afirmativa de Arthur Virgílio é de uma contemporaneidade absoluta.
O quê que as oposições têm feito há 1 ano e meio? Basicamente isso, tentar vincular o Presidente aos “Escândalos de Corrupção”.
“À falta de argumentos lógicos, usa-se qualquer um, inclusive um ‘requentado”, à exaustão, como esse.
Lula se mostra em ascensão, enquanto Alckmin não consegue em hipótese alguma decolar; ainda mais com a escolha de seu candidato à Vice. Totalmente inexpressivo e sem a “vibração” necessária a quem quer, pelo menos, fazer “pressão”.
O novo neologismo sugerido pelo insuspeito, pois se trata de um dos principais artífices da “resistência” tucana, demonstra muito bem o aspecto “pesado”, obeso, difícil de ser carregado de Alckmin.
O fato de ter 40% de rejeição e ser “desconhecido” é assustador, pois a tendência é esse número se tornar maior, por um simples exercício de lógica.
Já Lula, após ter sido bombardeado de todas as formas, expondo o preconceito de toda uma sociedade excludente e, portanto, espúria, conseguiu não só sobreviver, como também amadureceu tanto quanto humana quanto politicamente falando.
Desse emaranhado de fatos sorridentes para Lula nesses últimos dias, surge, por incompetência de Bush, uma ameaça, não à sua candidatura, mas sim ao equilíbrio econômico mundial.
Em boa hora temos a visita de Chirac ao Brasil, já que os dois líderes deverão tentar estreitar as relações entre o MCE e o MercoSul, para benefício de ambos.
Esse afastamento progressivo do eixo norte americano se faz de extrema importância para o equilíbrio de nossas finanças.
Percebe-se, indubitavelmente, o quanto foram importantes as aberturas de novos mercados e canais de intercâmbio econômico nas tão criticadas viagens de Lula por novos mercados.
Esses novos parceiros podem, e deverão minimizar o impacto de uma crise mais profunda do Uncle Sam.
É de suma importância para os mercados emergentes e o velho mundo interagirem com muito vigor para evitarem que a possível e indesejável bancarrota norte americana naufrague muitos barcos, inclusive o nosso.
Paralelamente a isso temos a possibilidade da confirmação dos primeiros casos de contágio homem x homem da gripe aviária, isso sim catastrófico.
O fato de vivermos num mundo extremamente interligado em todos os aspectos, pode fragilizar a espécie humana de uma forma muito mais avassaladora que qualquer aspecto econômico possa alcançar.
Mas isso é motivo de outro artigo, me deterei sobre esse, das relações entre Lula, MCE, MercoSul e EUA.
Portanto, devido a esses fatos, podemos observar que a saída pode e deve passar pela estabilidade política e social, fato que poderá minimizar os impactos desse tufão econômico que pode estar se aproximando.

CRÔNICAS - A "INAUGURAÇÃO DO POSTO DE GASOLINA

Tenho um grande amigo em Espera Feliz, chamado Carlos Alberto, quase que um irmão.

Dono de um temperamento meio instável, mas puro de alma, Carlos Alberto protagonizou vários episódios inesquecíveis que acumulei nesse meu longo período de esperas felizes...

Num deles, me recordo que fomos juntos até Belo Horizonte, ele para levar sua querida esposa ao médico e eu para fazer um desses “cursos” de um dia só, se não me engano sobre próteses e órteses, a fim de credenciar Espera Feliz para poder receber, via SUS, material para tratamento de seus pacientes ortopédicos.

Pois bem, a viagem era extremamente cansativa e tínhamos que ir e voltar dentro do mesmo dia, já que a prefeitura não disponibilizara nada além do motorista e do carro e, como eu deveria estar de plantão à noite em Guaçui, no Espírito Santo, a volta era meio que urgente.

O “curso” foi muito rápido, mas seu término às duas horas da tarde, fez com que o planejamento do retorno mais imediato fosse por água abaixo.

Lá pelas tantas, resolvemos parar para jantar, já que o dia tinha sido muito cansativo e a chegada a Espera Feliz deveria se dar depois das 22 horas.

Comuniquei-me com Guaçui e arranjei um colega para me dar cobertura até a minha volta.

Feito isso, paramos num posto de Gasolina em Rio Casca, MG; se não me engano posto Terra Branca. Estava havendo uma festa com direito a banda de música, sorteio de automóvel entre otras cositas más.

Nesse Posto de Gasolina há uma churrascaria de bom padrão e associando-se com a fome voraz, estava convidativa.

Ao me levantar, percebi uma faixa enorme estendida de um lado ao outro do Posto com os seguintes dizeres: “POSTO TERRA BRANCA, 25 ANOS SERVINDO AO POVO”.

Nesse ínterim percebo Carlos Alberto conversando com um velho senhor, desses pequenos, meio gordinhos, portando uma indefectível boina.

Ao me aproximar pude ouvir o teor da conversa: Ao perguntar ao meu amigo o que estava ocorrendo, esse respondeu de pronto ao simpático senhor:

-Sei não moço, eu acho que estão inaugurando o Posto.

Ao que, prontamente o amável velhote respondeu:

-Só se for outro, por que este está aqui faz um tempão!

CAI O PANO!

SONETO EM REDONDILHA - FELIZ ANIVERSÁRIO

Luz que minha vida agita,

Brilho que sempre me guia

Mesmo na hora mais aflita

Se transborda em poesia


Em teus olhos, luz bendita

Em teu colo, fantasia

Eu quero que se repita

Meu amar a cada dia.


Quero a vida que conflita

Com minha morte tão viva.

Quero a sorte mais altiva,


Nessa vida rediviva

Quero teu gosto, pepita,

Minério mais caro, Rita...

CRÔNICAS - OS OUTROS QUINHENTOS...

Nessas minhas andanças pelo interior mineiro conheci um senhor extremamente simplório e tão teimoso quanto simples.

Recordo-me que tentamos de todas as formas faze-lo usar os tão necessários óculos, mas sem sucesso.

A miopia intensa que o mesmo padecia foi a causa de uma das mais insólitas situações que presenciei e repasso para vocês com muito prazer.

Estávamos em Carangola, interior de Minas, e eu estava indo fazer umas compras quando, de repente deparo-me com aquele senhor extremamente nervoso, exasperado mesmo, na frente de uma vitrine numa das poucas ou talvez única galeria da cidade.

Eis que, para minha surpresa percebi o motivo de tal revolta.

O nosso míope e ingênuo senhor estava aos berros discutindo com o MANEQUIM que estava exposto na frente da loja.

Aos berros de: “Me respeite, tenha educação, entre outros impropérios impublicáveis me aproximar de tal cena perguntei por que tanta revolta, no que fui prontamente respondido”:

-Doutor Marcos, ainda bem que o senhor está aqui, pois saiba o senhor que esse filho da... Desse camarada está me desprezando só porque eu sou velho e não estou bem vestido, imagina o senhor que eu somente perguntei quanto custava essa calça e ele, além de não me responder, nem olhou para a minha cara!

Com muito custo consegui convencer ao meu amigo de que o “dito cujo” não era uma pessoa, não passava de um boneco fantasiado.

Mais ou menos satisfeito com a resposta, saiu ainda meio que vociferando contra tudo e todos, para risos contidos dos que assistiram à cena.

Convence-lo de que não passara de um engodo; ainda foi possível, mas quanto à necessidade do uso de óculos, isso são outros quinhentos.

Aliás, a calça que o mesmo queria comprar, custava bem menos que isso...

FAZ PARA ROUBAR

A câmara dos deputados, numa atitude coerente, já que 170 deputados, ou seja, quase um terço dela está envolvida numa denúncia que, obviamente não poderia ser investigada nem punida com idoneidade por ela própria.
O caso das “sanguessugas” deve ser tratado como um caso de POLÍCIA e não um caso simplesmente Político, já que afeta grande parte dos partidos e uma boa parte dos parlamentares eleitos pelo povo.
O superfaturamento denota uma prática comum nesse país, a da política do “ROUBA, MAS FAZ” que poderia ser traduzida num outro slogan “FAZ PARA ROUBAR”, mais coerente e verdadeiro que o anterior.
Essa prática, conhecida desde os tempos de Adhemar de Barros, em São Paulo, tendo seu ápice nos Governos de Paulo Salim, na mesma São Paulo, é um câncer a ser extirpado desse país, pois gera a impressão de que “bom político é o que faz obras”, premiando dessa forma, o corrupto e os corruptores.
A chegada das ambulâncias nas cidades pequenas é, muitas vezes, motivo de foguetório, com direito a discursos intermináveis e absurdas manifestações da população em apoio a quem... ROUBA-A DESCARADAMENTE.
Os aspectos mais cruéis desse fato estão no âmago de um problema grave que acomete a todas as sociedades, principalmente as mais fragilizadas como a nossa, a IMPUNIDADE.
Essa cultura do superfaturamento se tornou dominante na maioria das cidades desse país, qualquer lixeira ou bandinha que vai tocar nos festejos dos municípios, SUPERFATURA!
Recordo-me de várias cenas de minha vida, enquanto profissional da saúde, onde tínhamos contato com estas práticas dilapidadoras do bem público; as denúncias sempre terminaram no vazio ou da burocracia ou da impunidade.
Como Marcos Valério pobre e honesto, desacostumado com as heresias do poder público, nunca tendo tido nenhuma benesse deste, fico indignado com tal situação.
Das ambulâncias são 170 ou mais, da merenda escolar outros mais, das carteiras escolares, mais tanto. Dos medicamentos quantos serão?
Essa prática política enraizada no Brasil me lembra a saúva de tantas e tantas histórias, esses formigões dos poderes executivo e legislativo nas várias instâncias nesse país, devem ter punição exemplar.
Ao contrário, quando vemos um Paulo Maluf com chances reais de ser eleito, o que dará ao mesmo uma IMPUNIDADE constitucional; vemos a que ponto chegamos.
Deve-se ter em conta que a justa defesa do direito à expressão de um parlamentar, fundamento básico da democracia, tanto quanto o amaldiçoado hábeas corpus, não podem ser confundidos com a impunidade para crimes comuns, e os adeptos da filosofia: FAZ PARA ROUBAR, são CRIMINOSOS COMUNS e devem ser tratados com mais rigor ainda, pois roubar de crianças indefesas e famintas, de um povo pobre e sofrido deve ser punido com muito mais rigor do que aquele que, por motivos outros, roubam às claras e, normalmente de quem tem condição econômica melhor.

IOGURTE COM SABOR DE SANGUE


Temos visto diariamente a que ponto a antiga, até certo ponto charmosa, propaganda inserida nos programas de TV, chegaram.
No começo, a tentativa de apresentar um produto subliminarmente colocado em uma cena isolada de uma novela ou minissérie ou mesmo em um filme, criando assim, um certo ar de “casualidade” no fato, gerando um aspecto “romântico” da propaganda evolui para uma coisa desastrosa.
Hoje somos obrigados a conviver com cenas cada vez mais ridículas e, muitas vezes até ultrapassando todos os limites do bom senso.
As propagandas inseridas nos programas de televisão, principalmente as apresentadas pelos “garotos propaganda” que interrompem raciocínios, interrompem matérias, inserindo dentro das atrações dos programas, coisas que muitas das vezes irritam e geram um clima paradoxal.
Outro dia, ao assistir, não sei em qual programa, também não interessa muito de tão parecidos são entre si, uma entrevista sobre o derramamento absurdo de sangue em São Paulo, subitamente, a entrevistadora, deu uma reviravolta total e, pedindo um break na entrevista, se vira para uma senhora com voz irritante e convoca-a para fazer propaganda de um produto relacionado a Iogurte, me deixando com um misto de sangue e iogurte na boca.
Outras tantas vezes, somos interrompidos por dois “simpáticos” senhores vendendo uma máquina digital que: ó milagre dos céus, filma, grava som, fotografa e serve de web cam, como se as outras não fizessem o mesmo, pela metade do preço e sem aquele velho apelo: os duzentos primeiros que ligarem... Levando-me a crer que, como já faz mais de um ano que a ladainha se repete, a venda de tal “maravilha” não tem sido muito grande, ou senão isso é caso de propaganda ENGANOSA.
Mas voltando ao mérito da questão, acredito que esse tipo de propaganda, além de extremamente chato, demonstra a que estágio nossa televisão aberta chegou: Aos tempos da Neide Aparecida, tipo década de 60, por aí.
Além de tudo, esse tipo de inserção brusca e sem sentido na programação, demonstra quão fragilizada nossa mídia televisiva está.
Essa sujeição da mesma a um tipo de propaganda agressiva e, muitas das vezes, enganosa ou pelo menos de produtos com utilidade e/ou eficácia discutível, transmite a mim, pelo menos, uma sensação de estar sendo ROUBADO, na concessão que nós, contribuintes brasileiros, demos para um grupo econômico fazer isso.
Outra coisa que me assusta é a venda de horário, numa verdadeira sublocação dessa mesma concessão para programas de diversos naipes, desde venda de produtos eróticos à propaganda religiosa. A situação chega a tal ponto que “a responsabilidade” sobre a apresentação de tais programas é transferida da emissora beneficiária de nossa concessão para o sublocador.
Creio que esse iogurte com gosto de sangue ainda seja, apesar de primário e de mau gosto, ético; mas a sublocação de concessão pública não me parece muito não. Seria um bom foco de discussão sobre até que ponto podem-se transferir essas benesses do poder público para outrem, sob qualquer justificativa, mesmo financeira.
Agora me dê licença que eu vou ali vender uns cogumelos,
Depois do “merchan” a gente volta a conversar...

DA GOVERNABILIDADE

Uma coisa muito importante que não podemos esquecer nesse momento em que a reeleição de Lula se aproxima, cada vez mais de se consolidar já no primeiro turno, através de sinais claros vindos das próprias hostes oposicionistas: a GOVERNABILIDADE.

O maior problema enfrentado nesse primeiro quadriênio de Lula foi, realmente, esse.

Numa análise perfeita feita por José Dirceu e que concordo plenamente, o grande erro foi não ter feito um acordo mais profundo de compromissos com o PMDB.

O PMDB é, sem sombra de dúvidas, o maior partido do país e tende, nas próximas eleições, não só manter esse posto, com ampliar seu poderio.

As várias facetas do PMDB podem parecer incongruentes, mas ninguém pode negar sua força e importância tanto hoje como sempre.

É o maior partido das pequenas e médias cidades, onde o PT não consegue crescer, mercê de suas origens ligadas ao sindicalismo, às universidades e aos movimentos de base, primordialmente de origem nas maiores cidades.

O PMDB tem um grande número de vereadores e prefeitos além de, provavelmente, surgir nessas eleições como o grande vencedor nas eleições para o Legislativo, portanto deve ser tratado como um legítimo representante da sociedade, tanto quanto o PT; sendo que, se um reflete os grandes núcleos urbanos, o outro é o mais fiel retrato das pequenas e médias cidades.

Nesses quatro anos, aprendemos várias lições, desde a primordial de que uma andorinha não faz verão até a de que, precisamos ter um projeto único, de interesse da população para a melhoria de vida dos mais humildes, ideal comum entre ambos os partidos.

Claro que temos os nossos aliados consangüíneos; PSB e PCdoB, irmanados desde sempre com nossa luta; porém não custa lembrarmos que o próprio PCdoB, num ato mais coerente se coligou com o PMDB nas eleições para os Governos Estaduais, tanto em 1982 quanto em 1986, sendo um fator preponderante para a eleição de vários comunistas que nos ajudaram a construir esse nosso projeto de SOCIALISMO.

As associações com outros partidos devem ser estimuladas, mas não tanto a nível PROGRAMÁTICO COMO com os partidos supracitados; não podemos abrir mão disso, sob pena de termos que ceder para outras vertentes nem tanto afinadas conosco.

O ceder para o meio termo mais lúcido e coerente, na maioria das vezes, é de primordial importância para que possamos concluir vários dos programas iniciados nesse primeiro mandato de Lula; além disso, não podemos nos esquecer o quanto foi doloroso termos que ver um presidente “aliado” tentando, de todas as formas e por motivos altamente escusos, tentar nos destruir a qualquer preço.

Quanto à Vice-Presidência, creio ser José Alencar o nome mais coerente; não somente pelo fato de ser meu conterrâneo de Muriaé-MG, mas também por ser o ponto de equilíbrio entre o Governo e o Empresariado, além de poder dar maior liberdade de ação a Ciro Gomes, que creio ser um excelente nome, associando-se a alguém do PT, ou do próprio PMDB, com Ciro no PT ou no próprio PMDB, para a sucessão de Lula, já que a briga aí vai ser mais ferrenha, não tenham dúvidas.

A hora é de somarmos com o que pode nos ajudar a crescer e não repetirmos os erros cometidos quando da opção por não dar ao PMDB o seu verdadeiro valor, como maior partido do país que é, e que não podemos esquecer.

A possibilidade de termos uma oposição mais aguerrida é real, já que, se o nosso modelo SOCIALISTA continuar na vertente que se mostra a que se melhor para a diminuição das desigualdades sociais, deveremos ter “chumbo grosso”.

É Lula agora e o SOCIALISMO SEMPRE, E PARA ISSO PRECISAMOS DE UMA AGENDA COMUM COM O PMDB, POIS, SE ESSE É O MAIOR PARTIDO DO PAÍS É TAMBÉM E COM JUSTIÇA, UM FIEL E IMPORTANTÍSSIMO REPRESENTANTE DESSE, TANTO QUANTO O PT.

Terça-feira, Maio 23, 2006

CRÔNICAS - AS CASQUINHAS DE SIRI

Antenor foi um dos grandes amigos que a vida me deu, e a distância levou.
Menino muito inteligente e habilidoso, durante nossa infância fizemos uma “estação de rádio”, devidamente pirata, é claro.
Enquanto o proprietário da Radio Muriaé não descobriu de onde vinham as ondas que se superpunham as da sua emissora, devidamente registrada e autorizada, nossa brincadeira deu muito pano para manga.
Aliás, Antenor era um camarada muito engraçado, dono de histórias extremamente divertidas, uma delas a que conto agora.
Ao mudarmos para o Rio, Antenor, bom de papo e boa pinta, começou a namorar uma amiga da minha irmã, de quem nunca mais tive notícias ou mesmo que tivesse não iria falar o nome, pois a dita cuja já está casada há tempos.
Mas nessa época de solteirice e namoros, como é a maravilha da adolescência, Antenor e essa menina estavam namorando já há alguns meses, o que para essa fase da vida já é tido como “namoro sério”, quando resolvemos sair.
Eu, minha irmã e o casal.
Antenor, querendo agradar à moça, por sinal muito bonita, quando estávamos pedindo as refeições num restaurantezinho próximo ao Largo da Segunda Feira, na Conde de Bonfim, se não me engano, disse-lhe um “peça o que quiser” que teve seus desdobramentos meio que hilários.
Ao responder que queria “casquinha de siri”, o meu amigo mineiro e sem muitos conhecimentos sobre frutos do mar, gelou...
Ao me chamar para ir com ele ao banheiro senti que a situação do camarada estava ficando meia crítica.
Ao me perguntar sobre o que seria e quanto custaria a tal “casquinha de siri”, sugeri que ele desse uma olhada no cardápio, já que o preço constava nesse.
Sabidamente, como bom mineiro, Antenor antes de retornar à mesa, deu uma passadinha disfarçada, aproveitando-se do fato de que sua namorada estava de costas, pelo balcão e pedindo o menu, constatou que o preço da “casquinha de siri” não era tão assustador assim.
Ao voltar à mesa, disfarçadamente perguntou de novo à menina o que ela queria:
“A resposta pronta foi rebatida pelo meu amigo com ares de ‘generosidade”:
PEDE ENTÃO UMA DÚZIA SEIS PRA VOCÊ E SEIS PRA MIM...

CRÔNICA - DE ESPELHOS DE VENTOS E DE "INIMIGOS"

Essa que conto agora também se passou em Espera Feliz, mas sob um novo panorama e com personagens que me são bem caros.
Minha cunhada, Maria como boa evangélica que é, costuma andar com sua Bíblia a tiracolo, e isso lhe é por vezes, de extrema utilidade, como veremos a seguir.
Morávamos eu e minha esposa, Rita, num sobrado, na subida do Hospital, que para variar, como em quase todas as pequenas cidades fica situado estrategicamente, em cima de um morro.
Isso se dá pelo fato de que, nas enchentes, o Hospital deve como ultimo recurso, estar ao longe dos alagamentos que porventura ocorrerem.
No andar de baixo, moravam minha sogra, meu sogro, meu cunhado, Gilberto e minha sobrinha, Lady.
De repente, começa uma gritaria lá em cima, Gilberto ao descer, deixara a porta entreaberta e a porta do Guarda Roupas idem, e como em Espera Feliz as rajadas de vento são freqüentes, uma dessas rajadas fez com que a porta do armário se abrisse e Gilberto ao retornar ao quarto deparou com o brilho da lua refletindo no espelho entreaberto, assustando-se.
Maria, Bíblia em riste sobe rapidamente para o quarto e começa a exorcizar o dito cujo; amarrando e atando com as cordas firmes da fé o “inimigo”...
Não sei por que cargas d’água alguém, se não me engano meu sogro, resolveu subir ao ver tal gritaria e “amarramentos e t’esconjuros sendo proferidos em tal profusão”.
Ao perceber o que tinha acontecido, fechou, calmamente a porta do armário e depois a do quarto, liberando o mesmo para quem quisesse entrar.
Gilberto, meio que assustado, mas sem poder voltar atrás, sob pena de ser taxado de medroso, de súbito, se ergue e demonstrando “valentia” começa a proferir que “não estava com medo não, que tinha, junto com a sua irmã, Maria “vencido o Inimigo”!”.
Mal podendo imaginar que, a imagem “demoníaca” que vira era a sua própria, refletida no espelho clareado pela luz da lua...

CRÔNICA - ABORTAMENTO INCOMPLETO

Essa me foi contada por Maurício Padilha, amigo de infância de Muriaé, colega de faculdade no Rio, onde eu fazia Medicina e ele Bioquímica, companheiro de longas e inesquecíveis viagens a bordo do 634, linha de ônibus que dava voltas pelos subúrbios cariocas até, depois de hora e meia, nos deixar nas cercanias da UFRJ.
Quis o destino que eu reencontrasse o bom amigo na Espera Feliz que nos adotou e fez de nossos filhos conterrâneos também.
Conta-me Mauricio que, antes que eu me mudasse para lá, havia na cidade um ginecologista de muito renome, homem amável e que gostava muito da noite, companheiro de longos e proveitosos serões, geralmente movidos a generosos goles de cerveja.
Nas noitadas por Espera Feliz, várias vezes tive o prazer de encontrar e bebemorar a cada encontro, com essa figura simpática.
Tudo bem, voltemos aos fatos.
Na Exposição de Espera Feliz, viera dar um show um famoso cantor, já falecido e extremamente simpático.
Acompanhava-o uma elegante senhora, muito alta, com um rosto bonito, muito educada, perfumada, mas, para quem reparasse bem, apresentando um gogó, digamos para sermos discretos, um tanto quanto desigual com a feminilidade apresentada pela jovem senhora.
Apresentada ao nosso ginecologista, já meio “chumbado”, a “noiva” do cantor, se desfez em queixas um tanto quanto estranhas, estranhas de fato e estranhas à hora, pois já passava das três da manhã, o cantor já dera seu show e estava sentado à mesa, com os outros convivas.
Espera Feliz é muito próxima ao Pico da Bandeira e faz parte do Parque Nacional do Caparaó, portanto é extremamente fria, principalmente à época da sua FESTA AGROPECUÁRIA.
Nosso amigo solícito e gentil, se oferece para examinar a “noiva” do cantor.
Numa sala improvisada dentro da barraca do Rotary, onde se deu esse fato, ocorreu o também improvisado exame.
Nesse momento, surge o nosso amigo ginecologista empalidecido.
“Um carro, por favor, que o caso é grave”.
Ao ser indagado sobre o que estava acontecendo, ele olha para o lado e responde:
“Abortamento incompleto, precisa ser feita a curetagem com urgência!”CAI O PANO RÁPIDO... MAS RÁPIDO MESMO!

CRÔNICA - O VASO SALVADOR, OU NINGUÉM VAI RECLAMAR ESSAS FLORES

Edson Siqueira Lima grande médico de Espera Feliz, amigo e companheiro, bom contador de histórias, me falava das circunstâncias que cercaram o credenciamento do Hospital de Espera Feliz pelo INAMPS.
Havia um atendente de enfermagem no Hospital, cujo nome me declino de citar, sujeito muito prolixo e famoso por suas “tiradas” muitas vezes geniais, principalmente nos relatórios de plantão; verdadeiras peças de literatura.
Uma simples briga de marido e mulher transformava-se em uma novela melodramática, com as descrições das lesões superpondo-se aos relatos dos partícipes e testemunhas do entrevero.
Pois bem, era necessário que o Hospital obtivesse uma pontuação mínima para que fosse credenciado; tudo bem, mas a auditoria classificatória para tal credenciamento, por tanto tempo adiada foi, mercê do atraso nos correios, comunicada na véspera de ser executada.
A chegada de tal comunicação levou todo mundo a polvorosa; já que não daria tempo para completar alguns itens que estavam faltando.
Quando os auditores chegaram, esse enfermeiro, loquaz e simpático, começou a falar, não deixando nem o Diretor Clínico, o próprio Dr. Edson abrir a boca.
E foi um tal de cafezinho pra cá, aguinha gelada pra lá, simpatia distribuída a torto e a direito.
Lá pelas tantas, começa o nosso herói a mostrar os equipamentos exigidos pelos auditores, “Essa é a maca do pronto socorro, espera um pouco, Dr. Edson, leva os moços para conhecer o aparelho de RX”.
Edson sem saber nem o porquê tanta solicitude, levou os auditores ao RX, ao retornar a mesma maca, porém com um lençol diferente era apresentada como a “maca do Centro Cirúrgico” e assim foi.
A cada coisa apresentada, multiplicava-se por muitas, a cadeira de rodas velha e abandonada, nessa altura do campeonato já tinha sido mostrada 3 vezes, cada vez com uma nova vestimenta.
Tudo muito bem, tudo muito bom, mas no final dessa averiguação, faltava meio ponto para completar o total necessário para o credenciamento.
Os auditores, após discutirem muito e não aceitarem nenhum tipo de proposta, já estavam se retirando quando, lá do meio do corredor do Hospital surge o nosso enfermeiro escritor, com um VASO DE FLORES NA MÃO.
“Hei, esse vaso não merece meio ponto não?” arriscou.
Os auditores ou por cansaço ou pena por tal esforço sobre humano de agradar, aceitaram o vaso, e deram-se por satisfeitos, credenciando o Hospital.
Alegria à parte, Dr. Edson, com sua matreirice de sempre perguntou de onde havia surgido tal vaso de flores, ao que o nosso amigo, mais que prontamente esclarece o mistério.
Ao levantar o “vaso” é que se reparou que o mesmo não passava do cesto de lixo, com um pano à volta, já as flores... Com certeza o defunto que estava na capela esperando o sepultamento não iria reclamar os galhos de cravo e margaridas retirados às pressas...

CRÔNICAS, DE MACACO TIÃO AO SÍMIO TIÃO...

No Rio de Janeiro de grandes alegrias e de algumas decepções, o principal “candidato a prefeito” era o Macaco Tião, chimpanzé de gloriosa história no zoológico carioca.
O espírito jocoso do carioca já tinha criado o “candidato” Cacarecos, se não me engano um rinoceronte, e nos idos da década de 80, o Macaco Tião reeditava o sucesso do seu “companheiro” de partido.
Havia um conhecido nosso, homem muito simplório, mas de bom poder de comunicação, principalmente entre os porteiros, zeladores e empregadas domésticas e do comércio, nos arredores do Largo da Segunda Feira, onde morávamos.
O pacato cidadão era um senhor de idade mediana cronologicamente e da idade média, intelectualmente falando.
Tinha aspirações políticas e sua filiação ao partido de Leonel Brizola, o PDT, já daria, segundo afirmava, uma real possibilidade de se eleger vereador.
Já que contava com centenas, quem sabe milhares de votos entre os seus amigos, devido ao fato de ter contabilizado já alguns milhares de “votos certos”, pois, a cada um que respondia que iria votar nele, o caderninho com que andava na mão, marcava “mais um voto”.
Pois bem, no decorrer de sua “campanha” insólita, caiu na besteira de pedir um slogan a meu pai.
O velho Marcos Coutinho Loures, com sua habitual picardia e, interado da “campanha” pelo Macaco Tião associando-se ao fato de tal “candidato” se chamar Sebastião, saiu-se logo com essa:
“Dê uma banana aos políticos tradicionais, para vereador vote no SÍMIO TIÃO”.
Não é preciso dizer que o singelo camarada, adorou o slogan.
Mandou fazer alguns bottons e faixas com os dizeres supracitados.
Porém, um dia, eis que surge Sebastião irritado e querendo briga.
Meu pai, placidamente foi perguntar o porquê de tal irritação.
Algum demancha-prazer havia explicado a ele o SIGNIFICADO DA PALAVRA SÍMIO.
CAI O PANO RAPIDAMENTE!

CRÔNICAS - DE PERERECAS E ÔNIBUS

Nos idos do começo da década de 90, na minha amada Espera Feliz, morando com a minha primeira esposa e seus filhos, me recordo de um fato inusitado,
Marcos Davi, o mais velho dos meninos, com seus 17 ou 18 anos, não me recordo bem , ao viajar para o Rio de Janeiro, me surgiu com essa, que a memória faz questão de lembrar.
Nos ônibus que faziam a ligação Rio x Espera Feliz, começaram a surgir, do lado do passageiro, um suporte que era usado para colocar copos, latas de refrigerante entre outras coisas. Pois bem, como a viagem era noturna e o coletivo saia da Rodoviária de Espera Feliz às 22:00 e chegava no Rio de Janeiro por volta das 4 horas e meia, a partir de Carangola, apagavam-se as luzes do ônibus para melhor comodidade dos passageiros.
Bem, lá pelas tantas, os passageiros adormecidos, eis que um senhor bem idoso, com seus oitenta e poucos anos, começa a gritar desesperado.
Acenderam-se as luzes do ônibus e os passageiros acordaram assustados com tal gritaria.
Não é que o pobre senhor, desconhecendo a serventia dos “apoios” laterais, não havia colocado a perereca, vulga dentadura no tal buraco?
Então, esclarecido o fato, foi um tal de gente levantando-se de um lado e do outro, procurando pela prótese dentária do desalentado senhor.
E procura pra cá e procura pra lá , até que, lá num dos bancos de trás, já que com o balançar das curvas, a dentadura, fazendo jus ao apelido, tinha pulado para uma das últimas poltronas do ônibus, sob os pés desavisados de um rapaz que dormia, abraçadinho com sua namorada. Ao ver a tão desejada perereca em tal situação, o velho bradando contra o rapaz, acorda-o e, de súbito pega a dentadura e ali mesmo, como se tivesse reencontrado o principal tesouro da vida, recoloca-a na boca, sem ao menos lavá-la e com um ar de indignação misturado com o de satisfação, grita para o motorista:
-Ei, pode seguir viagem que já tou com a perereca na boca!
CAI O PANO RÁPIDO...

CRÔNICA - HISTÓRIAS DE PLANTÃO

Nas minhas andanças pelo interior de Minas, lá pros lados de Caiana, cidadezinha próxima a Espera Feliz, onde morei por vários e felizes anos, conheci um senhor, dessas antiguidades ambulantes que soem só serem encontradas nos grotões do país.
Um homem sisudo, caladão quase sem palavras.
Pois bem estava eu, um dia de plantão quando o enfermeiro me chama, lá pelas duas horas da manhã, para atender uma urgência, na verdade, um caso insólito.
Para minha perplexidade, o tal senhor me chamou de lado e me afirmou meio que envergonhado, que ao se levantar para ir à cozinha tinha escorregado e...
Não sei como, e também por respeito ao cidadão, cujo nome me recuso até a morte em declinar, segundo o próprio, ao escorregar, caíra sentado sobre uma cebola. Na hora não atinei bem para o fato, o quê que uma cebola poderia causar de mal a um cidadão?
Como ortopedista que sou, fui logo perguntando ao mesmo se tinha machucado ou se estava sentindo alguma dor, já meio aborrecido de ter sido chamado às pressas para atender um caso aparentemente sem maiores conseqüências, pois o cidadão estava caminhando com certa normalidade, embora sentisse que estava mais empertigado do que de costume.
Para meu espanto, aquele homem, tão sisudo, com aspecto de seriedade inconteste ao se ver sozinho comigo me disse:
- Doutor, o senhor não está entendendo, eu caí sentado sobre a cebola e... Como posso dizer? Ela entrou...
Tentei me atinar por que aquele senhor estaria desnudo àquela hora da madrugada, pois já passava das 2 horas da manhã, mas, na hora fiquei quieto, inibido talvez pelo inédito fato.
Claro que, a cebola seria expulsa naturalmente sem nenhum problema, mas devido ao constrangimento e pânico de tal cidadão, resolvi “ajudar a natureza”.
Pois bem, ao ser anestesiado o esfíncter, para minha surpresa, a cebola era das grandes e, pelo fato de estar devidamente intumescida, não foi muito fácil retirá-la.
A partir daquele dia, o “sisudo” senhor, cada vez que me encontrava, abaixava a cabeça, e nunca mais voltou ao Hospital, pelo que me consta, a partir daquele dia, sempre que sentia alguma coisa, se dirigia imediatamente à Carangola, cidade mais próxima, onde o risco de alguém saber de suas preferências, digamos, leguminísticas, eram desconhecidas...

ARREGAÇAR AS MANGAS - CUIDADO COM A CASCAVEL...

Desculpa engatilhada
A direção nacional do PSDB e a turma mais emplumada que gira em torno dela já têm a desculpa ensaiada caso Lula se reeleja: ninguém ganharia dele. É o que sugeriam pesquisas encomendadas pelo partido desde janeiro último.

E foi por isso que o PSDB preferiu entrar em campo com seu candidato de reserva, poupando nomes como os de José Serra e Aécio Neves. Assim, Alckmin se tornou um nome nacional e está pronto para futuros embates.



Essa observação, postada no blog do Noblat dá a exata dimensão do clima que se abate sobre a candidatura oposicionista à Presidência da República.
Nada mais que um sentimento de derrota que se demonstra ou como desculpa ou como uma realidade inconteste, LULA É IMBATÍVEL.
E nisso, eles têm razão.
Agora o fato de se colocar como positiva, a “nacionalização” do nome de Alckmin, principalmente se relacionarmos seu nome às condutas tomadas por esse com relação à crise de governabilidade por que passou o Estado governado por esse nos últimos 12 anos, é deveras, no mínimo cômica.
O fato de termos esse sentimento se abatendo sobre o tucanato e seus aliados, deve ser visto com o cuidado com que, ao aprisionarmos uma cascavel, mesmo que dominada, devemos ter.
O bote dos desesperados costuma ser arriscado, portanto, muito cuidado.
A cascavel, embora dominada, ainda está viva, e bem viva.
Mas, ao mesmo tempo, temos que pensar que a vida continua e a luta não pára aí; ainda temos muito o que fazer.
A eleição de Mercadante em São Paulo se torna ponto vital para a retirada do veneno da cobra.
Armas foram dadas pelos próprios tucanos, nos seus atos omissos e traiçoeiros para com os seus próprios aliados, e isso deve ser muito bem lembrado a cada dia, a cada instante, já que não é senão o retrato de uma realidade.
Não é figura de retórica não, é uma dura e cruel realidade , para aqueles que apostaram no neoliberalismo como forma de admnistração.
Urge, então, expormos a todos esse cenário.
Com relação aos outros Estados, devemos lutar para fazermos a maior bancada possível, tanto no Senado quanto no Congresso, pois nesse primeiro mandato de Lula, sentimos o quanto isso é essencial.
O PMDB, como partido de luta e de ideais próximos aos nossos, deve ter participação RELEVANTE, tanto na arquitetura quanto na execução de nossos programas socialistas.
Sendo de vital importância a sua colaboração, como co-autor desses projetos de um Brasil Melhor, mais solidário e mais digno.
Vamos à luta companheiros, a hora é de arregaçarmos mais e mais as nossas mangas, rumo à concretização do nosso sonho de LIBERDADE, mesmo que tardia...

PARA QUEM AINDA NÃO SABE DOS PODERES DO POVO

Com a cabeça inclinada, sonhando com um mundo melhor, adormeci nos meus tempos de juventude, dessa juventude esquecida há algum tempo em um canto qualquer, perdida e nunca mais encontrada.
Vivendo um mundo sem justiça, numa luta inglória pela liberdade, dom maior que poderia alguém sentir, me recordo dos meus tempos primordiais.
Criança em Muriaé, esperando o tempo de poder partir rumo à cidade grande, ver o mar desconhecido e poder, nessa vida, obter meu diploma e, através dele exercer o que sempre fora um sonho.
A medicina foi um dos meus primeiros amores, poder cuidar de outras pessoas nos seus momentos de dor e angústia, é um lugar-comum para várias e várias pessoas.
Meu pai, professor estadual em Minas, a exemplo de minha mãe, me dava, com suas ações e pensamentos, uma idéia libertária que, durante minha vida toda, tanto profissional quanto pessoal, foi o meu norte e meu sonho.
Muriaé é uma cidade extremamente conservadora, baseada em oligarquias de tempos idos, perpetuadas por histórias de extrema violência contra a cidadania, porém tem seus mártires e a esses dedico muitas das minhas páginas.
Mudando para o Rio de Janeiro em 1978, deparo-me com uma outra realidade, onde a gente podia pelo menos dizer algumas coisas, não sem ter medo, mas medo é palavra desconhecida para quem sonha, principalmente se o coração for jovem.
E esse era meu caso, menino criado libreto nas matas mineiras e, agora, em contato com o vento do mar, o cheiro da maresia e o gosto da liberdade mais profundamente arraigado.
Passaram-se os anos e algumas frustrações, as Diretas-já, a eleição de Collor, e a juventude se esvaindo entre essas decepções e algumas alegrias, que se mostraram depois outras frustrações.
A eleição para o Governo Estadual, trouxe meu primeiro voto, e Brizola foi eleito, mesmo com todos os artifícios montados pelo Sistema Roberto Marinho de Apurações...
Mas, ao começar a trabalhar, em estágio remunerado no Hospital Getúlio Vargas, diante da falta absoluta de condições de exercício de minha profissão, tanto a nível de material quanto a nível humano, presenciando fatos que me dão tristeza só de recordar, vejo a classe médica em GREVE e, contrariando todas as expectativas, o CAUDILHO, intervém nos Hospitais.
A greve foi tratada de forma tão arbitrária quanto absurda, por quem se dizia democrata e vítima do autoritarismo.
Até a agressão física contra os profissionais foi estimulada por LEONEL.
Portanto, a partir daí, decepcionado com o Velho Engenheiro, resolvi partir para uma atuação mais ligada ao Socialismo, ao comunismo mesmo, tendo votado em Marcelo Cerqueira e João Saldanha para a prefeitura carioca…
Depois veio a eleição de 1986 para o Estado, e meu candidato Fernando Gabeira, perdeu; o Rio começara a dar suas guinadas para a Direita, com a eleição de Moreira Franco.
Brizola reelege-se depois, mas nesse meio tempo, comecei a me encantar com o PT, votando em Lula no segundo turno da eleição para presidente e, depois para Jorge Bittar na eleição para a prefeitura do Rio.
Transferi-me para Minas, onde acompanhei, à distância, mas com o coração vermelho; muitas vezes sangrando, outras esperançosamente batendo, o impedimento de Collor, o Governo Itamar Franco, e as reeleições de FHC.
Em Minas, o PT se amadurecia com excelentes Governos em Belo Horizonte e em outras cidades, mas os Hélio Garcias e Newton Cardosos da vida ainda mandavam e desmandavam.
Após os oito anos de FHC, eis que ressurge, no coração do Brasil, o nome de Lula, vem a eleição e, para a alegria intensa de quem tanto sonhara com esse momento, GANHAMOS.
Lula no PODER, MAIS QUE ISSO, o SOCIALISMO NO PODER!
Algumas coisas logo me pareceram diferentes do que imaginara. Mesmo com o crescimento do PT sonhado e cortejado, a eleição de Lula tinha um aspecto interessante: não fora o PT que ganhara a eleição, embora seu crescimento tenha sido evidente.
Quem ganhou foi Lula e, acima de Lula, a esperança de um povo espoliado e explorado até a medula pelas centenas de anos de ditadura econômica e social.
Esse aspecto precisa ser analisado da seguinte forma: as denúncias contra o PT NÃO SOARAM COMO CONTRA LULA para a grande massa de famintos e explorados desse país.
A pobreza teve a sabedoria de diferenciar um do outro, não foi uma ação de cima para baixo, mas ao contrário.
Lula não decepcionou, em momento algum, àqueles que não votaram partidariamente e sim, PELA ESPERANÇA.
Todas as análises feitas até hoje não contam com este aspecto, simplesmente são feitas em cima ou do partido ou do Governo, em suas políticas econômicas.
O povo brasileiro não quer e nem pode saber de quaisquer denúncias de cunho eleitoreiro ou “pseudo-moralista”.
O iniciar de uma INCLUSÃO SOCIAL da grande massa pobre desse país foi e é sentida a cada dia, no dia a dia da maioria do nosso povo carente.
E o nosso povo é extremamente carente, em todos os aspectos, desde sociais até alimentares e de sobrevivência mesmo.
Muito me emociona quando vejo, nos olhos daqueles que passaram fome e foram relegados a um subnível social de extrema agressividade, vítimas de um modelo social ESCRAVAGISTA e despudoradamente, IMORAL, o brilho da ESPERANÇA.
Isso não pode ser avaliado por quem nunca teve contato a sério com esses grupamentos. Normalmente, esse contato é extremamente superficial ou paternalista.
O cheiro do povo afasta muito as elites que trazem mesmo nas suas formas ou assistencialistas ou pseudo protetoras, como nas ONGs e em alguns movimentos sociais que não se aprofundam a ponto de tocar, lamber e cheirar a chaga exposta da miséria.
E isso é compreensível, pois muitos de nós, apesar da visão positivamente cristã ou basicamente solidária; somos raramente inclusivos, no dia a dia, nas formas de ver o mundo, no paladar e no sabor de SER POBRE e miserável neste país.
Pois bem, Lula o é, oriundo da fome e da miséria, tem o verdadeiro sentido do que e porque o povo necessita deste COMPARTILHAMENTO.
Suas origens caboclas, verdadeiramente caboclas e não no aspecto “pé na cozinha” que foi criminosamente colocado por FHC, num desrespeito absurdo à fome, e à miséria, dão a Lula o saber sentir o cheiro dele mesmo, de seus pais, de seus irmãos, do BRASILEIRO POBRE E OPRIMIDO.
Seu sentido de FAMÍLIA E ORGULHO é próprio do nosso camponês, do nosso povo; quando se tentou misturar os desatinos da família do nouveau riche Alckmin na campanha, Lula reagiu com indignação; a mesma que teve quando, num dos maiores crimes eleitorais e humanos desse país e sem a devida punição aplicada até os dias de hoje, Collor utilizando-se da fraqueza moral e econômica de uma ex-companheira de Lula, forjou uma vergonhosa e asquerosa mentira.
O sentido de religiosidade de Lula, como o de todo o povo miserável deste país, teve na absurda e desnecessária colocação de um desconhecido arcebispo de quem não me recordo e prefiro nem recordar o nome, chamando-o de “caótico” em substituição ao católico de que Lula se orgulha tanto.
Esse disparate, senhor arcebispo e com letra minúscula mesmo, foi a maneira mais idiota que alguém poderia se referir a quem veio desse povo que, pelo que demonstras, não conhece caro clérigo.
Outra coisa que chama a atenção é a sabedoria de Lula, ou seja, do nosso povo oprimido de saber esperar, de ter a paciência de não julgar quem quer que seja o de saber negociar, mesmo em condições adversas.
O saber conhecer a dor do outro faz com que a nossa seja mais fortemente superada, da mesma forma, saber que a bravata de um Evo Morales, não é nada mais nada menos que o grito do, tão oprimido quanto Lula e seu povo, índio boliviano.
Quem não conseguir entender isso, nunca poderá entender Lula.
A inauguração, no Brasil, do sentido real da DEMOCRACIA, nos traz esse alento, o maravilhoso vento tempestuoso do despertar de quem viveu a quase mendicância real.
Nosso povo, para quem Caviar é uma música de Zeca Pagodinho e champanha é o espumante do dia de Natal, se tanto, adora ver Lula sendo homenageado, para desespero de FHC e elite, no mundo inteiro.
Quem esteve com a Rainha da Inglaterra não foi Lula, foi cada um dos pobres e miseráveis desse país.
Quem conversa e é aplaudido na França é o povo miserável.
Entendo o medo das elites, representados pelas Torlonis e Reginas Duartes da vida, é O MEDO DO POVO, que tem o cheiro do Suor e é banguela, sem dentes, sem sapatos de marca, mas com extremo ORGULHO DE ESTAR NO PODER.
Lula é IMBATÍVEL, pois o POVO é imbatível.
Nada mais bonito que podermos ver essa transposição do nosso sofrido e esmagado povo para o Planalto Central e para a humanidade inteira.
Quando Bono elogia Lula, ele está elogiando o nosso povo. Mesmo que não conheça esse povo de perto, o fato de ter se apaixonado pela figura simpática e simples de Luis Ignácio, demonstra o quanto nosso povo é amável, afável e surpreendentemente, para as elites, cativante.
Para encerrar, pois muito me alongo nessa dissertação, queria lembrar a todos que o brasileiro deve ser tratado com todo o respeito e dignidade, coisa que as oposições não fizeram.
O agredir Lula é agredir esse nosso povo, se o chamarmos de CACHACEIRO, IGNORANTE, CAÓTICO, DESPREPARADO, ESTAMOS CHAMANDO O POVO DISSO.
E ninguém faz isso impunemente; portanto analistas de primeira e de última hora, se quiserem ser ouvidos e respeitados, RESPEITEM O NOSSO POVO!

CRÔNICA - DOS "DEMÔNIOS" E DA HISTERIA

O radicalismo religioso tem seus efeitos nefastos, além da criação de um Garotinho da vida.
Mas também tem seus aspectos cômicos, trabalho no Pronto Socorro Municipal de Guaçuí – ES há vários anos e acumulo muitas histórias dos mais variados matizes, no dia a dia dessa profissão, um tanto quanto difícil, mas com seus momentos curiosos.
Pois bem, num dos muitos plantões que participei, me lembro de um em que não protagonizei, mas testemunhei.
Estava já no final do plantão diurno quando, lá pelas 6 e meia da tarde de um domingo, se estabeleceu uma confusão na porta do PS.
Um aglomerado de pessoas trazia um cidadão pelos braços, se debatendo ferozmente e grunhindo desesperadamente, fazendo um alarde enorme e assustador.
Na frente havia um senhor, já com seus 60 anos de idade, portando uma Bíblia na mão e, sem sucesso, tentando exorcizar a qualquer preço tal “endemoniado”!
A situação se agravava a cada momento e, como estava defronte a um caso clássico de conversão histérica, já tinha pedido para a enfermeira preparar uma medicação sedativa, quando um amigo meu, que estava no Pronto Socorro naquele momento, se saiu com essa:
-Espera um pouco que eu vou resolver isso!
Saí de perto, já que o colega, mais experiente em assuntos de “demônios e afins” tinha tomado o pulso da situação.
Qual não foi a minha surpresa quando, de repente, ouvi o estalar de vários bofetes na face do “demônio” e os gritos de:
-Sai capeta! Some desse corpo capeta! Abandona esse corpo que não te pertence capeta!
Paralelamente a isso, várias pessoas, com as Bíblias abertas oravam sobre o “espetáculo” dantesco!
No meio dessa cena meio hilária, meio confusa, eis que o “demônio”, realmente com medo dos tabefes, some e abandona o corpo do pobre cidadão.
Ao abandonar a vítima, deixou-a meio inerte e assustada, afirmando:
- Pastor, o quê que aconteceu, pastor...
A partir desse dia, pelo menos aos domingos, o “diabo” deu férias ao pobre cidadão.
E o colega, médico e pastor, passou a ser o “exorcista” mais eficiente, da cidade...

CRÔNICA - POR QUÊ LULA?


Nesses últimos dias,quando vou a Espera Feliz, lá pras bandas de Minas Gerais, onde trabalho há longos e deliciosos 16 anos, costumo reencontrar velhos amigos e, quando o tempo permite, converso com um ou outro conhecido sobre temas vários, e a política, obviamente é um dos temas, afinal mineiro adora “politicar”.
Pois bem, tenho tido várias respostas a uma pergunta que insisto em fazer quando a resposta é, e quase sempre é essa, Lula. -Por quê?
Dentre todas as que colecionei uma das que mais me chamou a atenção foi a dada pelo Chico Ribeiro, sujeito simples, quase que simplório católico fervoroso de não perder missa e nem poder ouvir “capeta” que faz sinal da cruz e diz o inevitável “cruzincredo, Ave Maria!”.
Ao contrário da maioria das vezes, nas quais o povo me responde que ou é por causa do Prouni ou, até mais comumente, por causa do Pronaf, já que a região é formada por pequenos agricultores em múltiplos minifúndios baseados na agricultura familiar e na cafeicultura, Chico me surpreendeu ao responder:
-É por causa do “cheiro” dele!
-Como, Chico, você pode me responder desse jeito, se você nunca teve perto dele, se Lula nunca veio pra essas bandas daqui e, pelo que me consta, você nunca foi pra longe de Espera Feliz?
-Né não doutor, eu fui algumas vezes em Carangola e outras em Guaçuí, só fui em Belo Horizonte uma vez, mas eu tenho televisão em casa!
Intrigado com a resposta, disse, brincando a Chico Ribeiro:
-Õ Chico, eu sei, mas pelo que me consta ainda não tem televisão que “transmite” perfume ainda não, seu moço.
Então ele, na sua simplicidade, se saiu com essa pérola:
-Doutor Marcos, eu to falando do cheiro dos olhos dele...
Então pensei, repensei e cheguei à conclusão que Chico tinha razão.
O cheiro dos olhos de Lula é o cheiro da esperança, e só quem “ama é capaz de sentir esse doce perfume, o perfume dos olhos”!

SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS

Da derrocada do Império Norte Americano e suas conseqüências.
A queda da Bolsa no Mundo Inteiro ontem, teve um aspecto extremamente preocupante a curto e médio prazo, mas ao mesmo tempo serve de alerta a todos os “irresponsáveis” que lutam ferozmente contra o socialismo, trazendo uma bandeira “neoliberal” como “forma de transformação e melhoria de vida”.
O caos administrativo de Bush, ao comprar guerras que não lhe pertencem , levando os EUA a um Vietnã mil vezes ampliado, está levando seu país à bancarrota, com uma sangria diária tanto moral, quanto política e, pior econômica.
Todo gigante quando cai, trás, nessa queda, destruição e tremores de terra, e a queda do gigante americano não está sendo diferente.
Tivemos, nesses dias, uma pequena demonstração do que isso pode e irá causar sobre o equilíbrio econômico político da humanidade.
E isso será, num primeiro momento, catastrófico, como podemos observar durante esses dias.
No dia 22 de maio, por exemplo, as bolsas chegaram a cair em até 10 e 11 por cento na Índia e na Rússia, no Brasil, essa queda foi em torno dos 4 por cento, grande, mas relativamente menor.
A Guerra do Iraque, sem fim e sem final previsto, enquanto não se tornar uma guerra civil franca e extremamente sangrenta, por conta da inadmissível e injustificável intervenção dos EEUU e da Europa, ferindo o direito da autodeterminação dos povos, consome cada vez mais dinheiro e vidas.
O povo americano, cada dia que passa está pagando uma conta que não é sua, simplesmente para alimentar o sonho belicoso de um débil mental sem nexo e coerência, em troca de votos ou de uma “vingança” contra um terrorismo criado e alimentado pelos desgovernos republicanos.
A idéia de acabar com o comunismo no mundo, iniciada no “cow-boy” classe B Ronald Reagan, depois continuada por George pai, criou pelos apoios “estratégicos” dado a Saddam, na guerra contra o xiísmo iraniano e a Bin Laden contra os soviéticos nas décadas passadas, gerou um desequilíbrio ímpar na região do Oriente Médio, onde a religião se mistura com política, necessariamente.
A luta incessante, muitas vezes com razão, como no caso da autodeterminação palestina, gerou, ao longo das décadas, um sentimento anti-semita e anti-norteamericano de gravíssimo teor.
Ao se imiscuir nesse barril de pólvora, sem ter ao menos o respeito às diferenças regionais e religiosas, transformou um barril de pólvora em nitroglicerina pura e com seus agravantes econômicos e sociais.
Toda e qualquer violência, além de espúria, gera um reação, mesmo que tarde, porém nunca tardia.
E isso ocorreu no 11 de setembro, nada mais nada menos que uma reação , em menor escala, diga-se de passagem, à violência impetrada pelos Estados Unidos no decorrer das décadas anteriores.
O pânico gerado pela agressão, feita a um povo que tem por costume agredir, sem nunca ter sido agredido em seu solo anteriormente, CRIOU um FANTOCHE espúrio e inconseqüente, com teor intenso de paranóia e esquizofrenia moral: o fantasmagórico Bush.
Sua intervenção no AFEGANISTÃO, contra aqueles que protegera e ajudara , associou-os aos já rancorosos antes destruídos pelos mesmos EUA e, volta e meia temos ações contra soldados e agentes americanos que, a cada trapalhada contra civis aumenta o rancor e alimenta o ódio antiyankee.
Já no Iraque, as coisas chegaram às raias do absurdo. Sob uma desculpa esfarrapada e nunca comprovada, contrariando e desmoralizando a ONU, esse mesmo “aprendiz de Forte Apache”, invadiu um país, cujo equilíbrio religioso e bélico é extremamente frágil, se associando com alguns puxa-sacos de sempre e, a esmo, tentando impor um modelo ocidental sobre uma cultura difícil de ser compreendida, por quem não pertence a ela.
O desrespeito gera a reação e essa está no dia a dia estampada nas manchetes dos jornais.
O número de mortos ainda se avoluma e a Guerra Civil que ocorrerá após a saída inevitável das “Forças de Ocupação”, ainda nem começou. Essa lambança de Bush gerará um dos maiores genocídios da História, inevitavelmente.
Enquanto isso, ao ladrar contra o Irã sem, efetivamente, ter forças para poder encarar mais essa Guerra, Bush demonstra que sua fragilidade está cada vez maior e, inevitavelmente terá que capitular.
Enquanto isso não ocorre, vivemos o começo do desmoronamento do Grande Império do Século 20, formado sobre ideais democráticos e morrendo sob a tutela de um oligofrênico.
Quem poderia prever que um país como os Estados Unidos, baseado na importação e fomentação de seus próprios gênios em todos os setores, desde os culturais e esportivos aos científicos e econômicos viessem a capitular e desmoronar sob a orquestração de um débil mental.
Devemos nos preparar para esse novo capítulo da História, de capital importância para a evolução do ser humano, com a morte do liberalismo e capitalismo nos moldes norte americanos, com o nascimento obrigatório do Socialismo democrático e Ocidental, essa transformação custará, parodiando Churchill, LÁGRIMAS, SUOR E SANGUE, mas é necessário, embora cruel.
O Brasil terá tudo, por fatores energéticos e estratégicos para, ao lado da China e Rússia, capitanear esse NOVO MUNDO.
Quem viver, verá, sofrerá, mas resistirá.

DO CRIADOR E DA CRIATURA

Segundo notícia postada na Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u78802.shtml temos que observar dois aspectos:
Ou o Governador de São Paulo é mentiroso ou o EX Governador o é.
Pelo “banho de ética” dado por Alckmin na sua longa gestão à frente do Governo Paulista, não é difícil perceber com quem está a razão.
Outra coisa que chama atenção é o fato de Geraldo Alckmin achar que sua campanha está muito bem e que 20%, com tendência a queda é sinal de que é carismático e dá-se por satisfeito por esse desempenho.
A se perceber que, com a destruição midiática de Anthony Garotinho, bombardeado pelo braço escrito da candidatura PSDB/PFL, a famigerada e inconseqüente VEJA, realmente, o segundo lugar nas pesquisas se consolida, embora ainda tenhamos o “RISCO ENÉAS”, que ainda não pode ser desprezado.
Outra vez me chama atenção quando ao afirmar que em sua gestão “houve queda da taxa de homicídios”, tenta retirar a culpa sobre si e jogar nas costas de Lembo a responsabilidade pelo “Carandiru a céu aberto”, visto nos últimos dias, além de alfinetar o seu “desafeto”.
Em momento algum afirma se tinha ou não tinha tido notícias, ainda em seu governo, do que ocorreria, e se teve porque foi omisso!?
No longo período em que esteve à frente do Governo Paulista, realmente não houve rebeliões nem na FEBEM nem no sistema penitenciário paulista, a formação do PCC é simples figura de retórica, ou ilusão de ótica quiçá tenha sido “invenção desse pessoal dos direitos humanos”.
O que me apavora, como morador de outro Estado, Espírito Santo, vitimizado pelo crime organizado sob os auspícios da impunidade do governo tucano anterior, com a não punição de José Ignácio e José Carlos Gratz, é a possibilidade de reacender-se a chama da impunidade e da incompetência demonstrada por Alckmin.
Se a Segurança Pública será o tema principal de seu programa de Governo,convenhamos, estamos fritos.
Um “candidato que promete um “choque ético”, como se fosse uma nova ‘vassoura” janista e tem a cada dia um escândalo de corrupção ou de má utilização do dinheiro público e depois promete um “choque de gestão” e participa ativamente do entreguismo do patrimônio público, nos apresenta como “choque de segurança” o que redundou no caos paulista é de assustar.
Cada vez mais, tenho a visão clara de que o voto contra Alckmin, em qualquer outro candidato é uma questão não só de luta pela salvaguarda do que resta de Brasil, como também e, principalmente, um voto favorável à SEGURANÇA PESSOAL E CIDADANIA.
Caro Alckmin, não faça campanha contra você mesmo, não necessitas disso para disputar com Enéas a preferência da ultra direita conservadora brasileira, Enéas tem mais carisma, né Tasso?
Acho terrível a imagem, mas bicho de bico comprido me lembra um personagem infantil narigudo, cujo criador Gepetto, nunca iria imaginar que no Brasil, surgiria outra criatura tão parecida...

DO BOM SENSO E DA CIDADANIA

22 de maio de 2006 -

BRASÍLIA - A Comissão de Ética Pública da Presidência da República entendeu que o ministro da Justiça não cometeu nenhuma infração ou foi aético ao levar à casa do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, no dia 23 de março, seu amigo e experiente advogado criminalista, Arnaldo Malheiros Filho, para discutir os tipos de crimes que teriam sido cometidos com a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
Leonencio Nossa e Tânia Monteiro (estado de são Paulo)

Essa notícia demonstra que o bom senso prevaleceu. Até que ponto pode ser proibitivo uma pessoa, independente de quem quer que seja e em que situação esteja pedir a indicação de um amigo ou a outra de suas relações sobre a indicação de qualquer profissional para assisti-lo em uma situação que necessite.
Seria muito difícil entender até que ponto não poderíamos, por qualquer motivo, perguntar a um médico sobre qual colega esse indicaria se estivéssemos necessitando; ou um odontólogo, ou um advogado.
A insistência da oposição em tentar transformar esse fato corriqueiro em um cavalo de batalha demonstra, na verdade, a que ponto ou vai à tentativa a qualquer preço; mesmo o da lógica e da liberdade, não digo de um Ministro, mas de um homem comum, um cidadão, em fazê-lo, ou a visão torpe dessa do que seja DIREITO E CIDADANIA.
Obviamente, os dois aspectos têm que ser analisados; sem nenhum preconceito e sem qualquer aspecto ideológico.
Temos visto, muitas vezes, a assistência a esse nível dada por ADVERSÁRIOS, quer no campo político, econômico ou religioso.
A tentativa a qualquer preço de coibir esse tipo de relacionamento entre pessoas, é tentar PROIBIR A CIDADANIA.
O fato, vindo de quem veio, e da maneira que foi colocada não me causa espanto, pois muitos dos membros da oposição brasileira ascendem ao tempo da ditadura, onde os direitos do homem e do cidadão eram colocados em segundo plano.
Recordo-me da tentativa absurda de “fritarem” a qualquer preço, o Ministro Márcio Thomaz Bastos, de forma absurda e ditatorial.
A bem da verdade, isso demonstra o total desequilíbrio e irracionalidade a que chegou os vários grupos opositores brasileiros.
O desespero e a vontade de atingir a qualquer preço, o Presidente da República de forma racional ou irracional, levam a figuras de retórica contra sensuais como essa.
Mais uma vez, como em tantas outras, o bom senso prevaleceu.
E tudo volta à normalidade na República, para o bem da democracia e da cidadania.
Fica talvez a lição a ser aprendida; OS MEIOS NÃO JUSTIFICAM OS FINS, pois a impressão que resta é a do golpismo a qualquer preço, mesmo que das liberdades pessoais ou coletivas.

Domingo, Maio 21, 2006

MEU SERTÃO - DE OLHOS VERDES E DE ASA BRANCA

Tanta tristreza na terra

Sem chuva no meu sertão

Os bichos solto na serra

Morrendo de insolação

Os home me aprometero

Traze pro nosso rincão

Um cadinho de esperança

Um dias nóis já se cansa

Dessas tanta enganação

De falar pru móde a gente

Votar nus home safado

Que pur engano, serpente

Dexano o povo doente

Sem oiá dispois pru lado

Dispois de nóis ter votado,

A mando dos coroné,

Prometeno prus roçado

Ajuda mode brotar

As semente semeada

Do mío e desse feijão

Nossa gente tá cansada

Já num qué sê inganada;

Já pensei inté parti

Lá pros lado de Sum Paulo

Tenta vê e consegui

Um trabaio mais decente

Que possa faze da gente

Mais que a gente é aqui,

Aqui nóis tudo é sufrido

Nosso povo ta perdido,

Num tem quem ajuda nóis

Meus fío passano fome

No calor a chuva some,

Nem restando a asa branca

Que bateu asa e voou

Lá pra riba da barranca

Nem água o rio restô

Seca matou tudo aqui

Eu já tenho que parti

Pra mode sobrevivê

Vo dexa meu bem querer

Dexá minha pobrezinha

Adeus amor, a Rosinha

Dos óio verde bonito

Esse canto mais aflito

Foi composto pra você

Mas hoje esse sertanejo,

Homem que com muito pejo

Nunca manteve o desejo

De sair do próprio chão

Pois bem sabe e é verdade

Que mesmo na mocidade

“Quem sai da terra natal

Em outros canto não pára”

Fazendo do seu varal

“No último pau de arara”.

Esse homem tão brioso

Vindo do mundo horroroso

De miséria e exploração

Sabe bem que esse seu chão

É a maior das bandeiras

Tem significação

Contra todas bandalheiras

Feitas nesse seu sertão

Com a morte das meninas

Com as vidas severinas

Dessa grande multidão

De brasileiros famintos,

De esperança mais extintos

No sangue pouca tintura

No pele já tão escura

Pelo sol tão ressecado

Quanto mais desesperado

Lutando qual bicho solto

Não adianta o revolto

A luta é pra não morrer

De fome quando criança,

Velhice antes dos trinta,

Miséria no pouco a pouco,

Tentando não ficar louco,

Pedindo a Deus o perdão,

Pelo seu grande pecado

Que foi ser depositado,

No meio desse sertão

Do amor despreparado

Que gera sempre um bocado

A mais do que permitido

Perdão pedindo ao Senhor

Só pru mode ter nascido!

Mas eis que uma coisa vem

Notícias da capital,

Parece que tem alguém

Filho das mesmas paragem

Pernambucano da terra

Severino como a gente

Como Luiz batizado,

Um nordestino arretado,

Cabra de muito valor.

Foi eleito presidente

O maior representante

Do nosso povo carente

Que sonhou com esse instante

E ele não decepcionou

Agora, mesmo na seca,

Essa fome não assusta

Como antes ela assustou

As coisas tão melhorando

Já ta, no povo deixando

Essa nova sensação.

De já não ter tanta fome

Dando pro povo o que come,

Os homens e não os bichos,

Viver já dá, sem caprichos

Mas isso é o começo eu sei

Por isso nele votei

E quero ter já de novo

Para o bem do nosso povo

Esse cabra presidente

Pois bem sei que ele já sente

O quanto a gente quer bem

A quem nos trata por gente

Pra quem nós somos alguém;

Pro nosso povo sofrido

Que julgava ter nascido

Por castigo ou por vingança

Esse nosso povo dança

Nos olhos traz esperança

Nem é preciso asa branca

Aparecer na barranca

Nem carregar na sua anca

Nem procurar por partida

No pau de arara, sofrida

Sua lida vai mudando

Conforme Deus espalhando

Pelo sertão mais inteiro

Um belo e doce janeiro

Invernando o coração.

Olhos de sua Rosinha

Espelhando o meu sertão

Do verde dessa esperança

A espalhar na plantação!

MATÉRIA DE AMOR E DE SAUDADE

“Mas matéria de amor

Eu conheço da palma da mão

Sei também que essa tal de saudade

Machuca de mais um pobre coração”

Trago bem dentro do peito

Toda a vida bem guardada

O encanto da namorada

No beijo mais satisfeito

Trago do medo o consolo

Das lembranças do passado

Esse canto enamorado

Das festas e desse bolo

Que nunca tive pensado

O quanto esse amor penado

Custa-me para esquecer

O trem da vida rasgando

Pelos campos devorando

Todo e qualquer sentimento

Que foi da vida o fermento

Que me trouxe até você

Num momento mais feliz

De tudo que pude saber

Nem de tudo a vida diz

Nem conta como segredo

No final se tive medo

Isso me ajudou a andar

Colhendo cedo o pomar

Onde tive mais lembrança

Dos meus tempos de criança

Do paladar dessa dança

Que na garganta ficou,

Saudades do meu amor

Que sempre modificou

O que da vida restou

Para quem sempre sonhou

Com a curva dessa estrada

Partindo, vindo do nada.

A procura d’outra escada

Para atingir esse espaço

Deitando só, no regaço.

Pra descansar meu cansaço

Deitando num doce abraço,

Bem junto dessa morena

Por quem a vida me acena

Trazendo no coração

Amor, misto de perdão.

Com essa alucinação

Que me tira a terra, o chão.

E me deixa assim sedento,

Voando pleno no vento

Buscando, com sentimento.

Todo o desenvolvimento

Do que mais fora paixão

Eu lhe amo, tanto lhe quero,

Mentir não pode nem tento

Tendo tudo que eu espero

Nesse claro, sem tormento,

Amor que carrega meu chão,

Não posso, arrependimento,

Nem devo saber onde vou

Por que caminhos rumou.

Por que mundos ele errou

Esse meu canto lamento

É filho do esquecimento

É procura por seus braços

Pelo canto dos regaços

Onde possam meus encantos,

Abraçando os outros tantos

Que me levam a você

Onde possa me perder

No mar de sua saudade

Buscando essa claridade

Que é rumo da eternidade

Que é ninho onde vou viver

Onde aninho o bem querer.

Por tanto que já sofri

Pelo tanto que passei

Por demais que já penei

Peço-lhe, deixa eu pedir.

Seja minha companheira

Vou lhe dar a vida inteira

Mesmo que viva tão pouco

Mesmo que esse grito rouco

Você não possa entender.

Seja muito paciente

Pois esse peito sofrido

Por muito que já perdido

Agora quer se encontrar

No seu colo, de menina.

Que se logo me alucina

Pode mudar minha sina

Pode me fazer feliz

Então minha camarada

Por você, apaixonada.

Resto da vida que resta

Por favor, não feche a fresta.

Deixa aberta essa janela

Meu amor passa por ela

Para poder encontrar

No seu leito, delicado.

O meu muito mais amado

O meu mundo renascendo,

Por onde for, vou vivendo.

A procura de você

Que me fez melhor saber

Onde esconder minha sorte

Onde não querer a morte

E não só sobreviver.

Portanto tenha clemência

Senão me leva à demência

Eu já tenho experiência

To cansado da vivência

De sofrer por tanto amar.

Essa matéria de amor

Já sei na palma da mão

Por favor, vem sem maldade.

Que essa tal dessa saudade

Fere sem necessidade

Esse pobre coração...

E A CPI DO CIRCO CHEGA AO SEU FINAL... A PLATÉIA MERECIA COISA MELHOR

Se não fosse o problema de tempo, nós convocaríamos o Dantas”..... Sei.

Entrevista a Paulo Henrique Amorim que desistiu de convocar Daniel Dantas para prestar depoimento em razão de o banqueiro ter enviado uma carta à Justiça de Nova York em que afirmava ter sido achacado pelo PT.

Quando depôs à CPI no ano passado, Dantas havia negado que o suposto achaque tivesse ocorrido. O argumento do senador para não convocar Dantas agora é que não há mais tempo para esse depoimento. Mas a CPI vai ouvir na próxima terça-feira o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Ele é quem responderá se o PT pediu dinheiro ao controlador do Opportunity.

Garibaldi Alves já havia manifestado o interesse em convocar Dantas e sua irmã Verônica, quando a cópia da carta que foi enviada à Justiça de Nova York se tornou pública no Congresso. A cópia foi distribuída pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Na ocasião, Virgílio afirmou à reportagem do Conversa Afiada que também queria convocar Dantas para esclarecer o assunto.

Quando Paulo Henrique Amorim perguntou a Garibaldi Alves se essa decisão de convocar Delúbio e não Dantas confirma as críticas do Governo de que a CPI só ouve pessoas que incriminam o PT, o senador respondeu que não acredita nessa possibilidade. Segundo ele, Delúbio já estava convocado há muito tempo. “Se não fosse o problema de tempo, nós convocaríamos o Dantas”, afirmou.

Garibaldi Alves disse também que não há tempo para atender à solicitação do senador Romeu Tuma de convocar uma acareação entre Daniel Dantas e o jornalista Marcio Aith, da revista Veja. Segundo Garibaldi Alves a CPI precisa encerrar os trabalhos para apresentar o relatório para a sociedade.

Conversa afiada - Paulo Henrique Amorim

Final melancólico de uma CPI feita para investigar os bingos e que se formou para investigar denúncias ligadas a esses.

Essa CPI, por tantas e tantas ingerências em tudo quanto denúncia que aparecesse, acabou se transformando na CPI do Fim do Mundo, como poderia também ser chamada de CPI do circo, devido ao fato de ter tido inúmeras atrações “circenses” e desconexas, formando um caldeirão de misturas várias e sem sentido.

Por grande parte do tempo se transformou numa tentativa a qualquer custo de incrimino PT e o Governo federal em todo e qualquer episódio, mesmo os mais inauditos e sem sentido ou nexo com os motivos para os quais foi criada.

Vamos tentar entender essa “orgia” do non-sense:

No início tivemos a busca da investigação sobre o caso Valdomiro, e pelo fato de ter havido ligações com um ex-assessor de Palocci demitido por esse, e acusado de crimes como desvio de dinheiro, lavagem de dinheiro; portanto um sujeito acima de qualquer suspeita (de ser honesto), e pelo “canto da sereia” da delação premiada fez acusações devidamente sem provas contra a administração de Palocci à frente da prefeitura de Ribeirão Preto.

Depois disso, por ilação tentou-se de todas as formas, associar esse pretenso esquema de corrupção ao assassinato do companheiro Celso Daniel, se utilizando da fragilidade da família desse que, mesmo sem provas ajudou a criar uma imagem de “queima de arquivo”. que, ao contrário do provável assassinato feito sob o comando do “Sombra”, provável lobista que agia à revelia de Celso Daniel, até ser descoberto por esse e elimina-lo por esse não concordar com os métodos usados POR SOMBRA, e não pelo PT, obviamente alheio a isso.

Depois desse fato, evoluiu para a busca incessante de tentar a qualquer preço “criar” uma rede de intrigas que iria desde a entrada de dólares cubanos, até a ajuda de bingos na campanha eleitoral de Lula, que por coincidência e ato de ingratidão mandou fechá-los e investigar a lavagem de dinheiro que pode e deve estar associada a alguns deles.

Ah devo dizer que, a única vez que temos referência a bingos nessa história toda é nessa acusação sem pé nem cabeça de Rogério Buratti.

Terminando essa história toda tivemos as denúncias contra Palocci, também improváveis e sem comprovação, acontecendo na infeliz idéia desse quebrar o sigilo do caseiro fofoqueiro e pior, de alguém divulga-lo como se fosse um troféu o que, na verdade era a prova do crime.

Quiseram também investigar coisas realmente ligadas a um bingo, as contas pessoais do amigo de Lula e do seu filho.

Como se, o empréstimo de dinheiro ou o fato de ser sócio de uma empresa e essa ter tido investimento de capital privado sejam proibidos a família de um presidente da república, sendo permitida a todos nós, pobres mortais.

A tentativa, sem sucesso de envolver assessores de Lula e pessoas de seu círculo de amizades, totalmente sem sentido e direcionada, claramente a tentar criar factóides para incriminar o presidente, deságua nessa aberração:

Terminando pelo início da outra CPI, deve tomar depoimento de DELÚBIO SOARES, isso mesmo, DELÚBIO, mas espera aí; que que Delúbio tem a ver com os bingos?

E pensar que o nosso dinheiro foi gasto neste Circo sem graça e sem nexo.

QUERO MEU DINHEIRO DE VOLTA, SÓ TEVE MARMELADA E O PALHAÇO DISSO TUDO ACABOU SENDO A PLATÉIA.

A VINGANÇA DO GUERRILHEIRO CAPÍTULO FINAL

O que quer Itamar
De Eduardo Kattah em O Estado de S.Paulo, hoje:
"Numa reunião com as bancadas federal e estadual do PMDB mineiro, prevista para amanhã, o ex-presidente Itamar Franco deverá anunciar que desistiu de vez da pré-candidatura à Presidência e retomará a investida para disputar uma vaga ao Senado pelo partido. "Me parece que ele vai realmente abandonar e voltar à postulação inicial para o Senado. Abandonar porque o partido não quer ter candidato. Ele não vai ficar brigando", comentou o deputado Marcello Siqueira (PMDB-MG), um dos principais interlocutores de Itamar.
Em convenção realizada no dia 13, o PMDB decidiu que não terá candidato próprio a presidente. Uma liminar suspendeu os efeitos do encontro, mas quase ninguém mais aposta que o PMDB disputará a Presidência.
A decisão teria levado em conta uma eventual candidatura própria à Presidência encabeçada pelo senador Pedro Simon (RS), como última tentativa de desbancar a ala governista."




Tudo correndo da forma planejada. Devidamente coroada de êxito a intervenção de Itamar no PMDB, com sua candidatura-fantoche, conseguindo o que queria e desejava, conforme acerto com José Dirceu, com escrevi no artigo “A vingança do Guerrilheiro” postada em 24 de abril de 2006.
Dirceu e Itamar, como bons mineiros e, principalmente, como dois bons políticos mineiros, ao agirem desta forma, deram xeque-mate tanto nas pretensões de Garotinho e de Alckmin á Presidência da República.
A candidatura do velho Topete, de gênio ácido, mas de caráter e probidade morais intocáveis e indeléveis, trouxe um capítulo novo na Guerra Sucessória.
A relação de Lula com FHC e com ACM, principalmente pela forma cordata com que Lula aprendeu a conviver com os antagonistas, raramente levando ao campo pessoal as diferenças políticas, é muito mais pacífica do que, se compararmos a de Itamar com ambos.
Itamar, num utópico segundo turno contra Lula levaria o PSDB e o PFL a uma incômoda posição de ter que apoiar Lula, a quem quiseram, de todas as formas atingir com uma bateria ininterrupta de fogo contínuo, usando nas três CPIs, um palanque eleitoral de formas inauditas e inéditas na história da república.
Pior até do que a metralhadora anti Juscelino e anti – Jango capitaneada pela UDN lacerdista, numa ação tão desastrada que, depois de ter levado Getúlio ao suicídio, nos trouxe “de presente” a longa ditadura militar.
Comprido o dever de salvaguardar a candidatura por que optou há tempos, Itamar volta seus olhos ao Senado mineiro, onde deverá se eleger, e com folga.
Merecidamente, diga-se de passagem, pois sua vida limpa, com suas lutas pela democracia no velho MDB, depois sua atuação, enquanto presidente da República, com uma administração limpa, sem grandes complicações, principalmente depois da turbulência causada pelo impedimento de Collor, me dá a certeza do caráter íntegro desse Mineiro.
Itamar ainda tem o cacife de poder, e irá fazê-lo, imobilizar Aécio Neves que sabe e muito bem que, sem ter o velho cacique ao eu lado, ou pelo menos não o tendo frontalmente contrário a si, terá condições de se reeleger. Pois senão, NÃO SE REELEGERÁ.
Ele sabe muito bem disso, e duvido que entre com toda a força no BARCO furado que é a candidatura de ALCKMIN.
A estratégia de Itamar e Dirceu contou com o apoio explícito, e que apoio, dos próprios Garotinho, com sua GREVE DE FOME, e de ALCKMIN COM SUA GUERRA CIVIL.
Agora com a situação totalmente sob controle e a eleição de LULA NO PRIMEIRO TURNO garantida, Itamar retorna seus olhos ao Senado Federal, o que era, desde o início seu objetivo primário.
Saúdo-te velho marinheiro, grande juiz-forano e podes contar com meu voto para sua caminhada rumo ao CONGRESSO FEDERAL.
Creio que sua participação naquela casa confusa, irá dar um quê de dignidade que falta ao Legislativo nacional.

CANTOS DO MEU SERTÃO

Cumpade, peço procê

Fazer um grande favô

Presse grande amigo seu

Que dende que ele nasceu

Tem proce grande amizade

Te peço pru caridade

Ouça bem que vô contá

Um segredo que carrego

Dende os tempo de moleque

Se outro falar , arrenego

Nem que para isso eu peque

Num posso nem confirmá

É coisa muito medonha

Que nem pena nem mais sonha

Quem me conheceu menino

Correndo num desatino

Pras banda desse sertão

Pro meio daquelas roça

Deitando nessas palhoça

Batendo, levando coça

Cumo menino levado,

Que um dia, destrambeiado

A vida tão maltratô

Que proibiu os amô

Presse meu peito coitado

Que bate ressabiado

Precisa ser consolado

Mas num tem quem o console

Bebendo de gole em gole

A vida desperançada

Nessa forma mais marcada

Que muito me maltratou

Que tanto me machucou

É por isso que eu te peço

Te imploro mais, por favor

Ajude esse pobre coitado

Nesse mundo abandonado

Criado sem ter paradô.

Se lembra nos tempo antigo

Todo mês que eu já sumia

Pra bem longe que eu partia

Sem pensar nesse perigo

Que hoje, confesso te digo

Vancê vivia assuntando

Toda veiz me preguntando

Por onde que tava andando

Por essas mata bravia

Que que de novo que eu via

E que podia contar.

Mas se lembra bem, cumpade

Que sem ter força ou maldade

Cismava de me mostrar

Cuberto cum a casaca

No calor ou na friage

Trazendo na mão estaca

Falando tanta bobage.

Os braço tava arranhado

Os peito tão machucado

Que num podia na arage

Aparecer pois talvez

Cumo ia exprica proceis

Toda aquela machucagem?

Se lembra, meu caro amigo

Que desde que estou contigo

Nunca dei de namorar

Memo as moça das mais feia

Dessas moça que vadeia

Que nem bicho nas candeia

Pra mode podê posá

Numa casa das de teia

Pegando bem nessas teia

Um inseto pra casá!

Nunca tive esse desejo

De puder dar só um beijo

Nem tampoco pude amá!

Mas nesses dia passado

Um caso desesperado

Desses bem mais trapaiado

Que novéra de contá

Se num fosse o assucedido

Coisa de me arrepiá!

Apois bem, que eu conheci

Nas mata de Mirai

Uma moça bem bonita

Com dois laço dos de fita

Com os óio que tanto agita

Sartando que nem cabrita

Pulo meu peito sofrente

Trazendo nas mão, na frente

As rosa que mais perfuma

Das cô das mais melindrosa

Na mão dereita ia uma

Nesquerda um buquê de rosa...

Apois então meu cumpade,

De tudo que mais percizo

Um restinho de juízo

Ainda tinha bem comigo

Eu sabia do perigo

A pobre moça é que não,

Onte foi lua das cheia

Daquelas que alumeia

Todo esse nosso sertão;

Pois então caro cumpade

A moça cismou de ir tarde

No barraco adonde durmo

Cum seu chero me perfumo

Dizia pra mim ovir

Antes num tivesse tido

De desejo possuído,

Do grito sempe contido

Na garganta já calado

Dispois de ter satisfeito

O que achava de dereito,

Cum munta gana e amor

Drumi, sonho cansativo

Acordei mais morto vivo

Do lado o corpo estendido

Sangrando todo partido

Meio de banda de lado

Já meio que devorado,

Olhei bem pras minha mão

O sangue já mei talhado

Espaiado pelo chão.

Então saí de carrera

Abrindo já essa portera

Pedindo por inclemenca

Isso é caso das doença

Percizo, peço o favor

Por caridade e amor

Olhe bem pra esse home

Que sempre foi companhero

Mas na vida, desgraçado

Dende os premero janero,

Já curri o mundo entero

Essa coisa me consome

Me devora e mais me come

Cumpade meu grande amigo

Vê que sina que comigo

Trago esse grande perigo.

Me mata bem mais ligero

Num quero mais essa vida

Perfiro essa despedida

Do lado de quem conheço

De há munto já que eu padeço

Por favo, compade eu peço

Num tenha arrependimento.

Me mata que eu já num guento

Nem suporto mais a sina

Essa que é sina assassina

A sina que me consome

Sina de ser lobisome!

DO HERDEIRO DOS DESGOVERNOS E DO PROCON

”A violência do PCC transformou a construção do programa de governo de José Serra (PSDB) para a segurança no perigo real e imediato de sua campanha ao Palácio dos Bandeirantes e abriu caminho para um de seus principais adversários, Aloizio Mercadante (PT), encaixar um discurso de oposição aos 12 anos da gestão tucano-pefelista em São Paulo.

Para líderes do PSDB ouvidos pela Folha, Serra, historicamente ligado aos direitos humanos e à luta contra a repressão, terá dificuldades na construção de um projeto que contemple a defesa da ação policial do Estado (107 civis mortos até sexta-feira) e, ao mesmo tempo, reafirme sua posição de combate ao crime...”
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
MALU DELGADO
da Folha de S.Paulo

Como se vê, a nudez explicitada pelas crises que se acumulam e se sobrepõe diariamente nos veículos de comunicação, embora contidas até a algum tempo, mas de tão volumosas estão arrebentando todos os diques possíveis e imagináveis para obnubilar os olhos da população.
Temos nesse 21 de maio outra denúncia sobre o governo tucano em São Paulo : “Nos dois últimos anos do governo Geraldo Alckmin, pré-candidato tucano à Presidência, a Sabesp abasteceu com R$ 1 milhão de sua verba publicitária a editora e o programa de TV do deputado estadual Wagner Salustiano (PSDB).

Dos R$ 522 mil que a Sabesp destinou à mídia "revistas" em 2004, nada menos que 46,5% jorraram para a revista "DeFato", produzida pela W.A.S. Editora Gráfica e Comunicação Ltda. A Sabesp pagou à empresa de Salustiano valores mais elevados do que os despendidos com peças semelhantes veiculadas nas revistas "Exame-SP", "Isto É Dinheiro", "Trip" e "Municípios".

A preferência pela revista de Salustiano reforça a suspeita de que parlamentares da base aliada do governo tucano foram beneficiados com o direcionamento do dinheiro de estatais, como a Folha revelou em 26 de março. O objetivo seria garantir a votação de projetos de interesse do governo.” Fonte – folha de são Paulo.

Essas manifestações diárias de incompetência, corrupção, desgoverno e falta de caráter mesmo, expostas como um câncer intratável, gerado nesses anos de podridão em São Paulo, desnudando uma série de escândalos; associados a outros como o financiamento de campanhas eleitorais do PSDB no Mato Grosso, cuja exposição na mídia foi contida, na marra mesmo ,por FHC e outros líderes tucanos.
Não nutro nenhuma simpatia pelo “aristocrático e culto” José Serra, aliado ao seu péssimo desempenho enquanto Ministro da Saúde, somente mantido por uma propaganda bem feita, mas omisso muitas vezes e criminosos mesmo, ao tentar transferir a culpa da falta de investimento e de reajustes dos serviços médicos para nós, profissionais da saúde.
Agora, convenhamos, a herança de Serra é tão maldita quanto a que ele mesmo recebeu de FHC.
Nas duas situações, os desmandos tucano-pefelista, que se auto-inspiram e disputam a primazia pela forma absurda e leviana que administram o bem público, é carga demais para alguém poder carregar sobre os ombros.
No caso atual, temos além das “lambanças” de FHC, o árduo peso da insegurança pública, herança EXCLUSIVA do Governo Alckmin.
O que temos em São Paulo me lembra o que ocorreu aqui no Espírito Santo. Com a diferença que Marcola não tem, ainda, nenhum mandato político, enquanto aqui, seu correspondente Gratz era, sob os olhos complacentes de Fernando Henrique e Miguel Reale Jr., o todo-poderoso no estado, senhor de 28 dos pouco mais de 30 deputados e detentor do poder de vida e de morte, conforme observamos nos assassinatos de quem ousou atravessar na sua frente.
Já está na hora do Estado de São Paulo começar a recuperar a dignidade pública, com a eleição de um homem probo como Mercadante, íntegro e coerente.
Ouso dizer que Mercadante possui o equilíbrio necessário para poder contornar a situação, além de ter uma visão mais socialista e menos marketeira do que Serra.
Ao contrário do que diz a Folha colocando como “discurso” uma realidade, Mercadante pode e, aliado ao Governo Federal, agir com coerência e atacar não só o efeito, como também as origens desse caos social que fomenta o crime em São Paulo.
Não é questão de discurso somente, e sim , principalmente de uma ação diária e coordenada, aliada a solidariedade, fator primordial para a solução desses problemas, o que, segundo observamos nas ações com relação a Cláudio Lembo é palavra inexistente no dicionário dos tucanos.
A empáfia de Serra também atrapalha e muito, pois não percebo e nem nunca percebi no Economista, a humildade inerente dos que têm sabedoria.
A criação de programas sociais e o aprofundamento e extensão desses, muitos iniciados na administração de Martha Suplicy tem que ser estimulada e posta em prática.
No pouco tempo em que ficou à frente da prefeitura de São Paulo, mesmo com o apoio integral do Governo do Estado, Serra teve parca atuação sobre os problemas sociais; ficando famoso o “método” usado para acabar com a mendicância sob os viadutos da cidade.
A construção faraônica de obras como no Governo Maluf, com o principal intuito, subjetivo, mas primordial de superfaturamento não pode e nem deve ser imputada ao próximo governador paulista.
A atuação desastrada tanto preventiva quanto repressiva em relação à Segurança Pública não pode ser repetida.
A dignificarão por meio de melhores de salários e condições de trabalho para os agentes da Segurança Pública também, e urgentes.
Os princípios neoliberais tucanos e pefelistas foram e serão fatores do agravamento da crise em São Paulo, tanto moral quanto da capacidade de gerir o bem público.
Mercadante, em ação conjunta com o Governo Federal permitirá essa mudança, pois ela é programática e marca registrada das administrações populares, (atenção – EU DISSE POPULARES E NÃO POPULISTAS, DESSAS O MALUF É CAMPEÃO).
Outra coisa muito importante que não pode ser esquecida é a coerência.
Serra, o herdeiro eleitoral das lambanças tucanas, tem por marca registrada, a PROPAGANDA, e essa NÃO funciona isoladamente, as vítimas da epidemia da dengue agradecem.
Sua atuação na área da saúde demonstra do quanto ele é INCAPAZ.
Povo paulista, já está mais do que na hora de vocês mostrarem ao país que não vivem atados mais ao proselitismo e ao engodo dos agentes da mentira e da INCOMPETÊNCIA.
Está na hora da reviravolta, e de São Paulo retornar a ter, dentre outras coisas, a primazia não só econômica, mas também recuperar a importância política que vai se desvaindo e desviando nos seus caóticos governantes dos últimos anos.

DOS NOVOS VENTOS OU DO DESPERTAR, NUNCA TARDIO...

"As revoluções, como os vulcões, têm seus dias de chamas e seus anos de fumaça." Victor Hugo

Nosso vulcão está em dias de chamas, guerreando por uma revolução que já perdeu quilos de chances de ser feita.


Não é a revolução de armas, por disputas paroquiais, que já tivemos algumas e nada mudou.


Nem são os golpes de milicos, batizados de revolução, quando se diz que mudou tudo, mas tudo fica igual. Apenas com novos gerentes no trono, servindo aos mesmos patrões. Esses que o desabafo do governador de São Paulo, Cláudio Lembo, chamou de elite branca... cínica, egoísta, má e perversa.


São esses -- os donos do bussines poderoso, de jogo pesado e sujo – que, por não abrir mão de nada, século após século, alimentam as muitas impunidades e fomentam as distâncias que separam os brasileiros que nada têm dos que têm tudo, principalmente bons advogados.


No meio, estamos nós -- a classe média de maioria conservadora, alienada de tudo que não lhe machuque diretamente, louca para integrar a elite branca com todo o seu glamour e, principalmente, todos seus privilégios.


Assim, nossos companheiros de classe quando conseguem chegar perto do trono, ou sentar nele repetem em cópia aprimorada todo o maledeto comportamento da elite branca – do cinismo à perversidade. Ou não é isso que temos assistido?


O povo é peão. Fica ali da senzala pra trás, ocupado em se safar cotidianamente de suas desditas e sobreviver até quando uma bala, uma praga ou uma fúria perdida permita. Está sempre na mão de Deus, porque dos seus pares humanos só recebe sobras.


Brasil afora lá estão eles vegetando sem casa, comida e água descentes. Saneamento básico, saúde, educação e lazer são luxos muito distantes dos C,D e E da nossa pirâmide social – seja interior adentro, seja na periferia das grandes cidades.


Uns se rebelam, outros se resignam a sonhar. Os rebelados vão para “má vida”, como também definiu a governador paulista, lideram a violenta guerrilha a que todos somos submetidos nos quatro cantos do país e é mais ferrenha no Rio de Janeiro e São Paulo.


São os chefes, gerentes e soldados do tráfico e das quadrilhas afins. Mãos sujas de sangue, com advogados mambembes, mas sem nada a perder e com toda a estratégia, a tecnologia e os métodos de pressão que a comunicação de massa permite a qualquer um, razoavelmente alfabetizado, aprender e praticar.


Com o jogo armado assim, a chapa brasileira, que vem quente de muito, anda fervendo com intervalos cada vez mais curtos. Sem mexer no tabuleiro, esfriar não esfria. Fica morna. Mantém a fumaça para lembrar: a brasa continua acessa, pronta para virar fogo.


Novidade? Nenhuma. Todo mundo vê. Muitos sabem que já passou muito da hora de acabar com o vale tudo generalizado, o faz de conta que estamos indignados e reagiremos a contento.


Nossa indignação de hoje resume-se em conhecer e transformar em boas piadas truques, manhas e chicanas das elites brancas, seus congêneres e seus advogados.


Poucos trabalham pela revolução verdadeira -- a do chega de tanta permissividade, tanto cinismo, tanto privilégio, tanta impunidade.


E a tal da elite branca – a de fato e a de comportamento -, segue confiando que ainda tem gás para esticar mais um pouco a corda. A fumaça de São Paulo diz que não.