Sábado, Abril 05, 2008

SONETOS 00051 A 00100

0051

Clementina

Perdoe se não faço-te feliz.
Os erros do passado no presente...
A lua se revolta e me desdiz.
Quem ama, de verdade, tudo sente.

O sol do nosso caso está poente.
A vida vai passando, por um triz;
Amar é necessário e tão urgente!
Jardim que não floresce flor de lis.

Perdoe meu amor que é inconstante,
Te peço tão somente a paciência.
Quero viver cada feliz instante,

Profusamente! A vida me alucina,
Te imploro tão somente por clemência,
Terás felicidade, Clementina!

Clementina: Aquela que possui bondade e clemência

0052

Cleonice

Amar é meu tormento mais constante,
Os versos que te faço, meu empenho...
Palpita um sentimento delirante,
Sem forças, vou tentando e me contenho!

Amor que me transforma num gigante,
É mais do que consigo e do que tenho.
No canto que te faço, minha amante,
Eu tento transformar teu duro cenho.

Fogueira que me abrasa, forte chama.
Meu amor desenhando sua trama,
Não diga, por favor, não é tolice.

A dor que me exaltando, me levanta,
Também é semente para a planta.
Assim como p’ra vida, Cleonice!

0053

Conceição

Mina aurífera, fonte cristalina
Etéreo sentimento penetrando...
Cobrindo meus delírios na cortina
Alvirubram desejos misturando!

Cores, formas, anseios e a menina
Diáfana, redentora... Completando
Este cenário audaz, lua divina!
Meus humores, prazeres até quando?

Os céus se multiplicam em primores,
As hordas de falenas que desfilam,
Em busca do teu lume; nos odores

Perfumantes que exalas, na paixão!
Nossos desejos, carinhos já destilam,
Na música que emanas, Conceição!

0054

Cremilda

Brados descomunais, noite pujante.
No ganido longínquo, sofrimento...
Disforme sentimento dum gigante,
A vida se refaz cada momento.

Melancolia chega, estonteante,
O vento se resume: açoidamento.
Na lápide dos sonhos, minha amante.
A dor em mim procura alojamento...

Soberba e soberana, lua atroz...
Não sabes nem sequer minha existência!
Um brado delirante, tão feroz;

Percorre por espaços siderais...
Quem sabe, enfim, terás santa clemência
Cremilda, ouvindo o brado e os meus ais!

0055

Creuza

Amor marmorizado na lembrança,
Em todo seu primor, se destruiu...
No pedestal erguido pela esperança
O meu peito artesão; o amor buril...

Teu corpo contornado de pujança,
Alumbrando meu sonho mais viril.
Eterno reviver desta aliança,
Do amor mais vigoroso e dor sutil...

No páramo tristonho, solitário,
As mãos tão delicadas, maltratei...
Desejo se tornou totalitário,

Ferindo ferozmente a minha deusa...
Assim quem, tolamente, achou-se rei,
Em prantos vem pedir: te espero, Creuza!

0056

Cristina

Das noites sepulcrais, revivo, pasmo;
Grilhões que me maltratam, são quimeras...
Vivendo num caótico marasmo,
Não quis a parcimônia com que esmeras

Os casos teus de amor. Entusiasmo
Contido, sentimentos sem panteras
Nem garras, sem dentadas nem sarcasmo.
Amor que não promete loucas feras!

Distante de teus olhos, alma exora...
Presume teu perdão, com galhardia.
Preciso refazer meu mundo agora,

A dor desta saudade me alucina!
Não deixe-se acabar a fantasia,
Rebenta tais grilhões d’amor Cristina!

0057

Custódia

Biparti meus desejos, hoje choro...
Amores não permitem tais propostas.
De lágrimas ferozes me decoro,
Os lanhos deste açoite fazem postas.

Perdão, filha do sonho, eu já te imploro!
Aguardo ansiosamente essas respostas.
Truão, vero canalha, mas te adoro!
Punhais que aprofundei nas tuas costas!

Falar de traição é tão difícil!
É como disparar um torpe míssil
Matando todo amor que sempre deste.

Quem dera não houvesse essa rapsódia!
A dor nunca seria minha veste.
Imploro teu perdão; volta Custódia!

0058

Daisy

Amor se prometendo mais sincero,
Em busca de teus olhos, vago o dia...
Por vezes te encontrei, sentido fero,
Nas outras me embalava a fantasia...

Sozinho, por teus lumes sempre espero
Na brusca indecisão sem valentia.
Amor, simples palavra que venero,
Embalde te esperei com galhardia...

Agora, com meu tempo se esvaindo,
A tarde se mostrando mais feroz.
No dia que renasce, claro, lindo;

Escuto teu cismar pela montanha.
Remoendo-me inteiro, vem veloz,
Explodindo-se em Daisy, força estranha!


Daisy: Olho do dia

0059

Dalila

No colar perolado do meu sonho,
Encontrei tal sereia em devaneios...
Pensei que novamente mal medronho
Viria destruir belos anseios...

Entretanto, ao sentir-me mais risonho,
Carinhos mergulhei, teus belos seios...
Cansado do viver tão enfadonho,
Penetro por teus mares, rios, veios...

Relances imprecisos, meu passado,
Um beijo tão sutil, amor destila.
Reflete-se em teus olhos verde prado,

Como a me convidar a ser feliz.
Floresce neste campo a flor de lis;
Maviosa, com delícias de Dalila!

0060

Daniela

Felicidade, sonho que naufraga
Nas ondas deste mar imaginário.
A vida se devora qual a draga
Que me transformará, pobre cenário...

Fragata sem destino, busca plaga
Onde ancorar. Encontra meu aquário,
Roto, qual fora, simplesmente, praga...
Felicidade, sonho solitário!

Em meio a devaneios, aquarela
De cores infindáveis, rutilantes...
Na busca dos prazeres inconstantes,

Um sorriso emoldura toda a tela.
Nascendo dos meus medos, triunfante,
Espelha uma esperança, Daniela!

0061

Darlene

Minhas cismas vagueiam, vão a esmo...
Confusas tempestades doidivanas...
Amor que se pretende ser o mesmo,
Não pode se esconder destas ciganas...

A sorte está lançada não quaresmo,
Nem tento descobrir as espartanas
Vontades. Tantas vezes me ensimesmo
Calado, minha ermida... Não me enganas!

Os olhos embuçados negam céu...
Explodem meus amores, tantas cismas...
Não quero que ninguém, louco, me apene...

Vênus adormecida em meu dossel...
A vida se explodindo em aneurismas,
Esperanças? Encontro em ti, Darlene...

0062

Débora

Mulher que me entolece com olhares
Sutis e penetrantes qual um raio...
Em meio a cataclismos estelares,
Deponho meus desejos. Tonto, caio...

Levando meus anseios, corcel baio,
Desesperadamente, lejos mares...
Ausculto teus cantares nos altares
Ofusca-me este lume, então desmaio...

Mulher que me entristece se não vejo!
Emblemático manto do futuro.
No canto que decifro, meu desejo.

Uma abelha rainha , sou zangão,
Esperando esta morte, com apuro,
Débora, me devora o coração!

0063

Denise

Lua nova, nos claustros e nos mares...
Meu sonho peregrino te procura.
Flamejas entre breus, trevas, olhares;
És guia, fosforesces noite escura...

Qual deusa rediviva nos altares,
Transcreves, nos caminhos, toda alvura
Encontrada somente nos luares...
Sombreias qualquer uma criatura!

Lua nova, comparsa dos meus planos!
Companheira de todos os enganos
E promessas que nunca cumprirei!

Aceitas, sem pensar, qualquer deslize
Pois sabes, teus desejos são a lei.
Lua nova, me traga, enfim, Denise!

0064

Desirreé

Em flocos invernais, meu sentimento...
Desmorona-se a cada tempestade...
O medo que comporta o frio vento,
Amaro gosto, sangra a saudade...

As falhas pressupõem longo tormento.
Meu arrependimento, veio tarde.
Inverno derramando violento,
A morte se mostrando, na inverdade...

Nos pinheirais flocados pela neve;
A sombra estonteante, porém breve,
Me traz as esperanças de viver!

É fronde que promete-se tenaz;
Desejo bem mais forte, renascer,
Desirrée, desejada, traz a paz...

Desirreé: Desejada

0065

Diana

Tantas vezes reveses e derrotas...
Pássaros que chilreiam meus lamentos;
Nas gaiolas, os pávidos tormentos...
Torturas, sofrimentos: plenas cotas!

Constantes meus martírios não derrotas.
Em plena insensatez, tais sentimentos
Revigoram-se, fortes como o vento.
Perdidos passarinhos caçam rotas...

Liberdade, refém de vil pantera
(saudade). Temerária noite engana.
Ataca a formidável, rara fera,

Nas mãos somente, versos, sou poeta...
Uma deusa surgindo mira a seta,
Me libertando. Salva-me Diana!

0066

Dinah:

Ao trazeres teus louros da vitória,
Nevrálgicos sentidos me revelas.
Na vida sempre foste meritória
De todas as belezas destas telas

Que pintam artesãos à tua glória!
As flores me negaste, mais singelas.
Teus planos invadiram minha história,
Faróis que sempre ofuscam pobres velas...

Liberdade resulta em tanto pejo.
Enojada, me mostras os teus feitos
Sabendo que jamais terás cortejo.

Mas amo tua forma de brilhar!
Teus olhos e teus cantos são perfeitos...
Dinah, resplandecente qual luar!

0067

Dinorah

Ao musicalizar teu nome amada,
Pressinto uma canção maravilhosa!
Homenagens te faço em verso e prosa,
Dedico uma cantiga apaixonada

Recendendo a pureza de uma rosa,
Trazendo bela noite enluarada.
Sentado aqui, na beira da calçada,
Em serenatas canto a terna fada!

Um simples andarilho na incerteza,
Encontra teu castelo iluminado.
Ao longe num respiro de princesa,

Mostrando que o palácio era encantado.
A voz linda se ouvia... Em tal beleza,
(Dinorah, Dinorah),iluminado!



Dinorah: Luz

0068

Dirce

Meu rumo sem teu rastro morre cedo.
Buscando por prazeres e delícias,
Na espera de viver contente, ledo,
Gozando de perfeitas mãos, carícias...

A vida me omitindo seu segredo,
Tortura-me feroz, duras sevícias...
Trazendo-me fatal, cruel medo.
Não deixa-me sequer outras notícias

Do tempo em que, felizes, encontramos
Os olhos e seus brilhos confundidos...
Do tempo onde sinceros, nos amamos.

A fonte do prazer adormecida...
Fonte da juventude já perdida.
Procuro minha Dirce, tempos idos...

0069

Diva

Um dia me sentindo tão cansado
Das dores mais diversas desta vida;
Sonhei com novos campos, belo prado;
A paz, enfim, sonhada e conseguida.

Meu verso, tantas vezes disfarçado
Num canto agonizante de partida;
O fardo do viver, recompensado,
Nos braços desta deusa enlanguescida.

Um sonho tão perfeito, feito em paz;
Depois de ter lutado insanamente,
O barco finalmente, chega ao cais...

Minha alma sem grilhões, antes cativa,
Liberta, me remete a tanta gente!
Só meus olhos, ‘stão presos em ti, Diva...




Diva: Deusa

0070

Divina

À vida, não me prendo, pois é frágil.
Minha alma, sim, eterna caminhante...
O tempo de viver, esse é tão ágil,
Transcorre num segundo delirante.

A dor que te consome e que palpita,
Por certo findará, tenha certeza.
Toda tristeza passa, pois finita.
Manhã quando renasce traz leveza.

A amarga solidão, seu desconforto,
O látego ciúme, tudo passa...
Os males procelários acham porto...

A vida se refaz, tão cristalina...
Minha alma anda feliz e não disfarça,
Pois encontrou, enfim, seu par: Divina!


Divina: De Deus

0071

Dora

Andava tão tristonho, tantas urzes...
Buscando um sentimento que pensara
Estar adormecido sem ter luzes
Que pudessem luzir jóia tão rara.

Mal sabia, entretanto, que produzes,
Emanando dos olhos luz tão cara.
Me acalmando tal qual os alcaçuzes,
Ao mesmo tempo, forte, me antepara.

Essa força gentil, tão procurada,
Tantas vezes passou despercebida;
Quantas vezes pensei: não será nada!

Somente bem depois, há pouco, agora,
Percebendo a rudeza desta vida,
Descobri esta dádiva que é Dora!



Dora: Presente, dádiva de Deus

0072

Dóris

Netuno, num momento de paixão,
Encontrou no seu mar bela sereia.
Revoltoso oceano: ebulição!
Em tsunamis desmancha-se na areia!

Um amor gigantesco quando arpeia
Um fantástico deus, seu coração,
Todo o mar, num momento, se incendeia;
Num segundo, este mar vira sertão.

Da beleza do encontro deste deus,
Com a linda sereia, encantadora,
Uma chama flameja, cessam breus.

A sereia engravida-se dolente...
Semi-deusa encantando toda gente,
Meu amor, em teus braços Dóris, mora...

Dóris: Filha do oceano

0073

Dulce

A encontrarei tão calma na alvorada
Dos dias que serei bem mais feliz.
A sua alma serena, iluminada,
Uma cor radiante em seu matiz.

Pois você tem tal dom locomotriz
Que não permite medo nem parada,
É de todas as forças, a raiz
É início e rumo desta estrada.

Como posso viver sem a ternura
Que emana de você, meiga e tão pura
É o fulcro que tanto procurei...

As feridas, com calma, já demulce
Aprendi a viver em sua lei,
É tão terna e tão doce, meiga Dulce...



Dulce: Meiga, doce, terna

0074

Edwiges

Nas guerras e batalhas siderais,
As expansões celestes num cortejo
Criando batalhões mais irreais,
Desfilam deslumbrando meu desejo.

Entre estrelas, planetas os sinais
Que demonstram verdades num lampejo.
Em tropéis gigantescos, canibais,
O céu perde, um momento, o azulejo...

Nas flamejantes lanças, holocausto!
Toda a dor explodindo neste infausto...
Miasmas e matérias se confundem...

Por um instante louco, uma viseira
Se ergue. Meus olhos noutros olhos fundem,
Meu amor, Edwiges, a guerreira!



Edwiges: Guerreira rica

0075

Edna

Eternidade! Sonho dos mortais
Escombro sem sentido, sentimentos...
As regiões profundas, abissais,
Demonstram minhas ânsias e tormentos...

As sombras dos amores, espectrais,
Vagando por meus loucos pensamentos.
Abrindo seus caminhos, meus portais,
Espraiam-se na fúrias destes ventos!

Quem me dera encontrar a compaixão
De quem fora imortal pressentimento...
Fantásticos meandros da paixão,

Devorando, ignorando resistência,
Amor em desespero bate lento...
És minha razão, Edna, de existência!



Edna: Amiga próspera

0076

Edite

Não quero o desconforto da saudade,
Meus dias não serão em vão, perdidos...
Passado me negando claridade,
Os bosques dos prazeres, esquecidos...

A vida sempre nega eternidade
Os tempos mais felizes, tempos idos...
Meus mundos que velei, sem claridade,
As vozes dos amores nos ouvidos...

Cantando, solitário trinca ferro,
Espera pela amada que não vem...
Coração na gaiola solto um berro...

Esperando um amor em que acredite,
Coração passageiro perde o trem,
É tão triste te esperar, amor, Edite...


Edite: Rico presente, rica dádiva

0077

Eduarda

Nos teus níveos sorrisos, as promessas...
Sultana que escraviza um coração!
Meu mundo transtornaste e não confessas,
Rastejo te implorando teu perdão!

Tantas vezes, a vida prega peças
É preciso encontrar um guardião.
No meu flácido rumo, não me peças
Que deixe de prestar tanta atenção.

Não posso caminhar sem os teus pés.
Não posso respirar sem o teu ar...
A vida não perdoa: és meu convés!

Guardiã dos desejos e delírios...
De que vale, sem frutas, meu pomar?
Sem jardim, Eduarda, p’ra que lírios?

Eduarda: Próspera guardiã, benfeitora rica

0078

Edwiges

Nas guerras e batalhas siderais,
As expansões celestes num cortejo
Criando batalhões mais irreais,
Desfilam deslumbrando meu desejo.

Entre estrelas, planetas os sinais
Que demonstram verdades num lampejo.
Em tropéis gigantescos, canibais,
O céu perde, um momento, o azulejo...

Nas flamejantes lanças, holocausto!
Toda a dor explodindo neste infausto...
Miasmas e matérias se confundem...

Por um instante louco, uma viseira
Se ergue. Meus olhos noutros olhos fundem,
Meu amor, Edwiges, a guerreira!

Edwiges: Guerreira rica

0079

Elaine

Nas origens da Terra, escuridão
Absoluta, total... Nem sequer brilho!
Na treva verdadeira, céu e chão
Se confundindo... Qual um andarilho

Caminha no deserto, no sertão,
Sem ter sequer noção, precisa trilho,
Assim também caminha um coração,
Vai buscando ecoar seu estribilho...

As luzes que surgiram sobre a Terra,
Exaladas da estrela que ensolara,
Florescendo nas mata, campo, serra,

Permitindo que tanto sonho plaine
Embelezando etéreos. Jóia rara,
Amor, também rebrilha em ti, Elaine...


Elaine: Tocha, luz

0080

Helena

Tal qual uma princesa cintilante,
És dona dos mistérios de um farol.
A lua, nos teus olhos navegante,
Ardendo muito mais do que o sol.

Transbordas de emoção a cada instante,
Cobrindo este universo com lençol
De estrelas coloridas, delirante...
Ao vê-la no castelo, sou reinol,
(Um brilho em teu sorriso, diamante!)

Por vezes nesta esplêndida visagem,
Meus olhos qual falenas pedem lume,
Escravos, imploravam à paisagem,

Um resto deste brilho encantador...
Nos raios, um incrível bom perfume,
(Helena), Esta princesa e seu amor...


Elena: Tocha, luz

0081

Eliana

Raios solares, vida em tempestade!
Nos brilhos ardorosos, queima, em brasa...
Pois todos os recônditos invade
E violentamente tudo abrasa!

Ardendo com possante claridade,
Penetra cada cômodo da casa,
Eflúvios de beleza e de saudade,
Minha vida, seus brilhos, já se embasa.

Procuro por teus raios sedutores,
Neste fototropismo alucinante!
Agitando, potente, meus amores,

Trazendo aos meus sonhares tanta gana!
Ó deus destes delírios seu amante
Já busca por seus raios: Eliana!


Eliana: Sol, de beleza resplandecente

0082

Elisa

Nas horas complicadas desta vida.
Comparsa e companheira, minha amiga.
Navegas por meus mares sem intriga
Minha alma se emparelha, repartida...

Não quero mais saber se vai perdida
Ou se encontra nos braços ou periga,
P’ras dores deste mundo: trago figa,
Nem quero mais ficar, venha e decida!

Meus olhos vagamundos vergalhões.
Vão vesgos vasculhando a decisão.
Embarco-me na toca dos leões;

Do mundo quero amor e mansa brisa.
Aguardas que me exploda o coração?
Te espero atrás da curva amada Elisa!

0083

Elisabete

Meus versos revelando velhos vícios
Vontade de viver, vera vertente.
Nas praças e nas poças, precipícios;
Nos vales e nas vias pertinente.

Se vago nunca deixo esses indícios
Vorazes véus velozes vivo urgente.
Amores que me moram são fictícios...
Nos campos de batalha inda sou gente...

Não vejo meus velórios sem confete.
Não tramo meus temores sem tropeços.
Nos ermos escrevi teus endereços,

Nos olhos criminosos, canivete.
Na festa dos amores, adereços;
Nos braços, minha amada Elisabete!

0084

Elisângela

Fortuitos sentimentos são ferozes
São facas que machucam com dois gumes.
As mãos que acariciam são velozes,
Amor que não se cuida, sem costumes...

Os cantos que não trazes perdem vozes
Meus dedos não procuram por estrumes
As ruas dos silêncios são atrozes
Nas noites dos meus sonhos cadê lumes?

Singelos meus defeitos são completos
Completam-se nos erros que não fiz.
Amores são meus pratos prediletos,

Embalde nesta vida sou feliz
Violas quando plangem serenata
De amores Elisângela é a nata!


Elisângela: Amor leal

0085

Eloisa


Nas guerras e nas camas peço paz!
Meus medos são remédios e doença.
Por vezes me percebo tão capaz
Mas quase não conheço quem convença.

Quem dera ser assim, um bom rapaz,
É coisa que não quero e vou sem crença.
Batuca no meu peito um capataz,
No fundo não me cabe nem compensa...

A noite se refresca em plena brisa,
O manto das estrelas me cobriu.
Nos versos dessa amada poetisa

Meus erros se acumulam, mais de mil.
Desculpe se machuco-te Eloísa,
Amores do meu jeito, mais viril.

Eloisa: Combatente gloriosa

0086

Elza

Das águas surge bela e calma ninfa,
Seus olhos refletindo todo o céu
Das festas e dos cantos paraninfa
Beleza que emoldura, traz no véu.

Ao vê-la, o coração entra em vertigem,
Dispara como fosse carrossel
No corpo dessa amada e linda virgem,
Amores e promessas no papel.

Pergunto aos deuses como te fizeram
Respostas não ouvi nem ouvirei.
A fórmula, por certo não me deram,

Nem eles mesmos sabem com certeza
Amar essa mulher me fez um rei.
És Elza, destas ninfas, a princesa!


Elza: Virgem das águas

0087

Emanuele

Deus existe? Pergunta que repito,
Invariavelmente a cada dia...
Por vezes imagino que acredito,
Por outras me respondo: é fantasia!

Ateu, de vez em quando faço um rito,
Escrevo tantas vezes, poesia.
Nas noites que não durmo, mais aflito,
O frio me trazendo pneumonia...

O medo me refaz desta coragem
Que tantas vezes vem e prejudica
Não quero imaginar sequer bobagem,

Amor que não concebo me repele.
Rainha dos meus sonhos foi tão rica
Quando acordar te encontro Emanuele...


Emanuele: Conosco está Deus

0088

Emilia

Beleza que não tem nenhuma igual
Passeia pela sala, vai desnuda,
É fogo que se alastra, é carnaval.
É pássaro que canta em plena muda.

Doçura tal? Achei canavial,
Meu Deus, eu necessito Sua ajuda,
Me dizes onde andaste neste astral,
O que é que faço Pai? Vem e me ajuda!

Amores quando muitos são terríveis
As brigas e discórdias invencíveis.
Voando meus talheres e mobília

A casa se transforma num segundo!
E tudo se desaba acaba o mundo!
Amor da minha vida és tu, Emília!


Emilia: Rival enciumada

0089

Érica

Teus olhos tão soberbos não encaro!
A vida não me deixa solução,
Quem fora amor mordendo fica caro,
Ajoelhado estou, peço perdão!

Se imaginasse assim, tivesse faro,
Por certo preferia a solidão.
Vagando pelas ruas sem amparo,
Lambendo estes teus passos sou um cão.

Não maltrate quem te ama, minha amada!
A vida sem amor é quase nada,
É rio que se perde do seu leito.

Não precisa gritar assim, histérica,
Nem tudo nesse mundo é tão perfeito.
Mas, por favor, não me abandones Érica!


Erica: Aquela que é sempre poderosa

0090

Estefânia

Minha princesa eu vivo, sou plebeu,
Por certo nunca soube quem eu era
No mundo que vivemos restou eu,
O resto do reinado não espera.

Fingindo ser verdade já morreu,
O tempo que vivemos na tapera,
O manto que te cobre escureceu,
O peito de quem ama, dilacera...

Fagulhas incendeiam toda a mata,
Remates e remendos ficam feios
O tempo que passamos na cascata,

Talvez tenha mudado teus anseios...
Os corações embalde querem meios,
Pois quem ama, Estefânia, não maltrata!


Estefânia Coroa, realeza

0091

Estela

Olhando para o céu vi uma estela!
Estrela de raríssima beleza
Brilhando neste breu fiz uma tela
Que mostra toda a sua realeza.

Princesa das estrelas me revela
O mundo que trouxera com certeza
Nos pântanos e charcos sempre sela
Corcéis de fina estirpe da nobreza.

Vasculho pelo céu e nada vejo.
Sumiste sem sequer deixar sinal.
Agora o quê que faço do desejo,

A vida vai morrendo sideral.
Do brilho que trouxeste sequer vela.
Somente nos teus olhos, minha Estela!



Estela: Estrela

0092

Ester

Nas noites mais distantes, a quimera
Procura no meu peito seu abrigo.
O tempo que se passa, traz a fera,
O medo não resolve este perigo.

Amar quem nunca amei, enfim, quem dera!
O fogo que me queima já nem ligo...
A língua que me lambe, da pantera...
Temor que me domina tão antigo...

Amor não é servil nem é qualquer.
Sentimento nobre que existiu.
Procuro insanamente esta mulher,

Ninguém sabe, ninguém fala nem viu;
Num momento deparo com Ester
A vida, sem quimera, ressurgiu!



Ester: Estrela

0093

Eugenia


Bem sabes que não tenho mais futuro,
Meu tempo de existência já se acaba.
O mundo que terei será escuro.
Não posso te entregar vida nababa,

A sorte me deixou, pulou o muro,
A casa que prometo é simples taba,
Colchão, onde dormimos de chão duro,
O teto, se chover quase desaba!

Nascida com certeza em berço d’ouro,
Não sei como consegues ser feliz.
Jaqueta que vestias puro couro,

A vida que te entrego é por um triz.
Eugênia eu te corôo te dou louro,
Receba, com carinho, a flor de lis.

Eugenia: Nobre, nascida em berço de ouro.

0094

Eunice


Nas várias tempestades e batalhas
Os campos que pretendo não resistem.
O corte mais profundo das navalhas,
Os medos de viver, loucos assistem.

Amores não se fecham nas mortalhas
Invadem tantas lutas e persistem,
As roupas que vestimos, puras malhas,
Teimosas, nossas dores inda existem...

Nas roupas e nos medos, nossas lutas,
Comportam sem querer final e rumo...
As dores, entretanto, são astutas

Não deixam nem sequer qualquer aprumo.
Amor quando ressurge traz a glória,
Nos teus braços, Eunice esta vitória!

0095

Eva

Revelas relvas ervas e valores,
Vaticino futuro glorioso!
Nas almas e nos âmagos amores,
Nos olhos tantos óleos. Oloroso

Perfume que me encharca, raras flores.
Decoro com coragem, caloroso,
Os templos que se ergueram sonhadores.
Meu peito me maltrata tão idoso.

A fome de viver já me domina.
Não quero conhecer eterna treva.
Um brilho deste olhar cedo alucina,

Os olhos de quem morre e já se neva.
És último estertor, bela menina,
Primeiro e derradeiro amor, és Eva...


Eva: Vivente, viver, vida

0096

Evelyn

Um canto triste vive na gaiola,
Não posso nem ouvir que não resisto.
Amor e liberdade minha esmola,
Nas lutas que travei nunca desisto.

Tortura sem igual matando, imola;
Não posso me calar defronte disto.
Maus tratos tão cruéis fazendo escola,
São coisas pertinentes a Mefisto!

O pássaro que canta a liberdade,
No vôo que procura traz encanto.
Amor p’ra ser amor-felicidade,

Busca compartilhar-se em cada canto.
Esqueço minha agrura e meu tormento,
Com Evelyn voando, livre vento!


Evelyn: Pássaro

0097

Fábia

Passeias pelo campo mais florido...
Os bosques e pomares, a lavoura...
Um belo olhar, puro azul, decidido,
Sob uma cabeleira trigal, loura.

O sol fica feliz por ter surgido
E em raios carinhosos já se estoura.
Nas pastagens, o sol amanhecido,
O gado, aos belos raios, também doura.

A dona desse olhar vai distraída,
Mal percebe meus olhos sonhadores.
Encontro noutros olhos, minha vida.

A natureza absorta, mansa e sábia,
Respeitando esta cena, manda as flores
Perfumarem teus passos, bela Fábia!


Fábia: Aquela que planta favas

0098

Fabiana


Lua sobre esse pampa mavioso,
Eu ando procurando por amores.
O meu tempo passando doloroso,
Horas celestiais, campos, flores...

O céu iluminado por leitoso
Cobertor divinal, tragando as dores
No seu mata borrão mais vigoroso,
Derrama sobre o campo seus pendores...

Na guaiaca repleta, sentimentos
Mais sonhadores, levo essa esperança
Na espreita de que venham os bons ventos.

No meu coração vibrando campana
A me trazer a doçura, esta lembrança,
Tempo em que nos amamos, Fabiana...


Fabiana: Fava que cresce

0099

Fabíola

Olhos distantes, mares que não tenho...
Amores que passaram sem perdão.
Os ventos, as procelas, meu empenho
Em tentar conquistar teu coração,

Está tudo tão longe... De onde eu venho,
De terras mais longínquas, d’outro chão ,
Saudade de tudo me fecha o cenho
Causando no meu peito uma erupção...

Fomos felizes? Certo que fugiste
E levaste contigo as esperanças
Deixando aqui um homem morto, triste.

Por onde andas, pergunto ao velho mar...
Saudade desses tempos, nossas danças...
Ah! Fabíola, Fabíola! Onde buscar?

0100

Fabrícia

Ah! Como dói o amor quando distante...
As horas não se passam, vida voa...
O mundo se desaba num instante
Quem dera ser feliz... Rei e coroa...

Nos olhos derramados deste amante
As lágrimas se secam. São à toa,
Jamais renascerá o radiante
Sol... Mas um girassol louro destoa...

Floresce mais teimoso neste prado.
As cores e os brilhos são farol...
Promete ressurgir vital delícia...

Quebranto e solidão meu triste fado,
Mas, entretanto a vida, um girassol;
Promete renascer, loura Fabrícia!

SONETOS 00001 A 00050

0001

Andréia...

O mundo não me trouxe tais respostas,
Aguardo calmamente este desfecho.
Chicotes vão lanhando as minhas costas,
Na luz dos meus amores, nenhum fecho...

Quem dera minha sorte sem desleixo,
Quem dera meu destino, vida em postas,
O peso desta vida, não me queixo.
Queria só saber se tu me gostas!

Apostas que já fiz, perdi de vista.
Amor não é nenhuma panacéia...
Não creio em sentimento que resista

Aos ventos e tempestas da saudade...
A noite de meus sonhos, claridade
Encontra nos teus olhos, linda Andréia...

0002

Ângela

Noite vem outra vez, me encontra só...
Os raios deste sol não me aqueceram.
A vida se refaz, retorno ao pó
A sorte e meus amores me esqueceram...

Destino tão cruel quanto o de Lot,
As rodas da fortuna se perderam.
Quem quis da vida festa e pão de ló

Já sabe que alvoradas não romperam.

No fundo se perdeu, sem despedida...
Saudade que já tive e não trarei.
A morte vem tecendo sua lei,

Desfeita a liberdade, morte em vida...
No peito o frio vago nega a vela,
Só Ângela, num anjo se revela...

0003

ANA



ANA: cheia de graça.

Vinda da noite estrela que me guia,
Seu brilho transformando minha vida.
O canto desta noite, fantasia,
A lua não pretende despedida.

Nos olhos dos cometas, ventania,
Minha alma, em desalento, vai perdida.
Silêncio nos amantes, noite fria,
A noite vai morrendo, amanhecida...

Embora tão distante, dos meus braços,
O canto que se escuta, não disfarça.
Teu rosto nos espaços, finos traços...

Coretos alegrando plena praça,
Em gracioso desejo, branca garça.
Vai Ana, caminhando, plena graça!

0004

ANGÉLICA

ANGÉLICA: pura como um anjo.

Celestiais delírios dum poeta!
Compostos de ilusão e de tormento.
A vida se perdendo em nova meta:
Caminho que me leve o pensamento.

No mundo tantas vezes fui asceta,
Distâncias percorri, amado vento.
Tentando ser teu arco, fui a seta.
Amor que me deflagra o sentimento!

Ah! Celestes desejos! Fantasias...
Nas telas que pintaste teus arranjos,
As cores boreais, as poesias...

Por quantas vezes alma levo bélica,
Mas os teus braços, mansos, calmos, anjos
Sossegam meus tormentos, minha Angélica!

0005

ANITA com estrambote

A luz que te traria me enganou,
Não trouxe nem sequer um vago lume.
Saudade que senti, ressuscitou
Nas asas desse amor, um vaga-lume!

Carrego o muito pouco que sobrou,
A dor, o medo, a ponta de ciúme,
A dúvida feroz, ser o que sou?
Não posso perseguir o teu perfume,
(A rosa que deixaste, não brotou...)

Perdoe se não posso estar contigo,
Meu grito nunca mais te importará.
À noite, adormecido, não consigo,

Saber o quanto a dor traga infinita,
Estrela dos teus olhos brilhará
No que me restará de vida, Anita!

0006

APARECIDA


No mel de tua boca, pleno gozo,
Nos ventos, meu orgulho de lutar.
Por vezes, meu caminho é andrajoso,
Distantes esperanças, céu e mar...

Vitórias sempre deixam orgulhoso
Quem sempre se perdeu por não amar.
Chama queimará pobre teimoso
Ao largo das estrelas, ao luar...

Travando mil batalhas contra a sorte,
Espero preservar a minha vida.
O coração boêmio teme a morte.

A juventude morre, má, fendida.
Amor que representa duro corte,
Renasce em teu olhar; Aparecida!


0007

ARACI: a mãe do dia, a aurora.



Noite que me traria teu amor,
É noite engalanada maviosa.
Explode-se nas chamas, esplendor!
Perfuma meu desejo, linda rosa,

Vestido carmesim, cadê rubor?
Se entrega no festim, audaciosa,
Vulcânica, desmancha-se em calor,
Em meus braços, dilui-se, vaporosa!

Na noite dos desejos e carícias,
Imerso em teus delírios e delícias,
Prazeres que em loucura revesti.

É mar que, enluarado, me convida,
Orgástico, fecunda e se engravida,
Na aurora, mãe do dia, em Araci...

0008

ARIADNE

ARIADNE: castíssima.

Magia encantadora conheci,
Nos frêmitos divinos, coração!
Por mundos tão fantásticos saí,
Procurando encontrar a solução

Do vazio que estava todo aqui,
Na quimera feroz, a solidão.
Anseio seus mistérios, me perdi,
À procura do afago, seu perdão!

És pura, teus caminhos sem deslizes,
Sem marcas, que enodassem teu passado.
Por mais que sempre foram infelizes,

Os dias que passast; mas, dulcíssima
Perdoa coração apaixonado.
Ariadne, mulher linda e castíssima!

0009

Angelina

Angelina: Aquela que é como um anjo, pura

Num vestido de chita bem rodado
Caminha esta princesa e me domina.
No tempo que sofri, e foi passado,
Procurando, nas matas, rica mina.

Meu mundo parecia desgraçado,
A lua no meu céu já não domina.
Embalde vasculhei o povoado,
Queria te encontrar, bela menina!

Olhando para o chão, onde buscava,
Não pude discernir tua beleza.
A luz do sol já não iluminava,

Meu mundo resumia-se em tristeza.
Mas, quando mais eu me desesperava
Achei em Angelina, tal pureza!

0010

Antonia

Antonia: Aquela que está na vanguarda, inestimável

Alvorada que busco, meu desejo..
Nos braços das estrelas, adormeço.
O canto que dedicas, não mereço,
O medo de morrer me enche de pejo!

Na palidez tristonha, nada vejo,
A vida me transmuda sem tropeço.
Espero fantasias, adereço,
Em meio a tempestades, peço um beijo!

Nos campos procurando uma açucena,
A cor maravilhosa da verbena
Encanta meus olhares, me alucino...

Por quantas noites, tive tanta insônia,
Amor é sentimento em desatino.
A minha salvação: amada Antonia!

0011

Antonieta

Amor que recomeça e não termina,
Se faz destas terríveis emoções.
É fonte do desejo, minha mina,
Embalde procurando corações.

Escuto tua voz; é minha sina,
A vida vai passando aluviões...
Gorjeio da saudade me alucina,
As pálpebras verbênicas, paixões!

Os olhos baços, tristes te procuram,
Num átimo te encontram, mas cometa...
As dores que provocas não se curam.

A morte se aproxima, mas me engana...
Noutro momento, lúbrica espartana
Deitada em minha cama, Antonieta!

0012

Arlete

Arlete: Penhor, garantia

Trago-te meu delírio e meu remendo...
Minha alma se esgotou sem teus pendores...
As ondas que navego, sem as cores,
São lumes que jamais, de novo, acendo...

Carinhos tão chagásicos vivendo,
Palpitam no meu sol, meus estertores...
Martírios deste mundo sem amores,
O corte do desejo repreendo!

Meu mundo não precisa fantasia,
Fanáticos momentos são inglórios...
A morte dos meus sonhos, sem velórios,

O canto da saudade é garantia.
Meu astro se desfaz, puro confete,
Renasce nos teus braços, Bela Arlete!

0013

Astride

Astride: Rainha dos belgas

Tu vais tranquilamente pelas ruas,
Procuro tuas cores, belo outono...
Imagens de mulheres lindas, nuas
Meu mundo se resume em abandono!

As bocas que sonhei, deveras cruas,
Agora não freqüentam o meu sono.
Mulheres se passaram, foram luas.
De destino cruel, eu sou o dono!

Mas eis que minha sorte se revela,
Na curva desta estrada, se avizinha!
A luz que bruxuleia como vela,

Num segundo, em farol já se transforma.
Beleza sem igual, a noite forma,
Astride, neste outono, uma rainha!

0014

Augusta

Augusta: Aquela que é majestosa

Pensei que conhecesse meus desejos...
Pensei apenas soube dos meus erros
Ao conhecer os campos dos desterros
Onde repousam, néscios, nossos beijos!

Procurei por entranhas e sentidos,
Os vales, cordilheiras, foram vãos.
Pensávamos amores como irmãos
No fundo, sentimentos corrompidos...

Agora que conheço meus defeitos,
Meus lábios te procuram como um sol...
Meus olhos devorando fartos peitos.

Na vida, esse delírio já me incrusta
Eu te amo! Te procuro, girassol,
Na tua majestade, amada Augusta!

0015

Áurea

Áurea: Aquela que é dourada, de ouro

Olhos fitos buscando por um sol.
Encontro essa riqueza que deixei.
Em meio aos arquipélagos, atol,
Ilha aonde pensava ser o rei!

Minha boca ansiosa te beijei,
Num momento julgava-me farol.
Como é cruel, Meu Pai, a tua lei!
Agora vou sozinho, um catassol!

Dourados os caminhos que passara,
Inebriei-me, tonto, mas passou...
A jóia que dispunha; viva e rara

Depois desta tormenta, sobrou nada!
Vazio o coração agora vou,
Buscando te encontrar: Áurea dourada!

0016

Núria

A vida, caminheira, não se cansa.
Traduz-se em divinais formas e brilho.
Trazendo no seu bojo uma esperança.
Depois de tanta dor, me maravilho

Com olhos que iluminam canto e dança.
Percebo-te num claro e belo trilho,
A luz desta esperança já te alcança.
Num lago, fino amor, de mãe e filho...

Quimeras e disfarces, falsos medos...
Os mágicos delírios de mulher.
No fundo, desvendando-se segredos.

Nos mares, nas montanhas cessas fúria,
Caminhos d’oceanos se quiser,
Teus versos sempre encantam, maga Núria!

0017

Bárbara

Bárbara: Estrangeira

As cinzas apagadas, quero o fogo!
Nas chamas destes braços, meus confeitos
Eu peço, te repeço, tanto rogo!
Amores que plantei eram perfeitos...

Nas sendas dos meus sonhos, teu olhar...
No mundo que encontrei és um vulcão!
Por tantos universos vou te amar!
Explodes em delírios coração.

Na brasa que trouxeste meu desejo.
Quimeras esquecidas não as tenho...
Embora tantas vezes feche o cenho.

Na noite que rolamos verdadeira...
Sentidos e carícias relampejo.
Bárbara, meu amor, luz estrangeira!

0018

Benedita

Nossa casa, resquícios dum passado
Cruel, difícil, livre, encantador!
Vivemos triste mundo amortalhado,
A vida já não tem nenhum valor!

Maldita esta saudade, vou de lado,
Espero por um dia redentor!
De colmo, nossa casa, seu telhado,
Porém era sincero, teu amor.

Num êxtase vivemos nossa história.
Idílico caminho sem volta
O tempo derramou a nossa glória.

A noite que nos viu, morrendo aflita,
Em loucos sentimentos, se revolta...
Saudades do teu brilho, Benedita!

0019

Berenice

Berenice: Portadora da vitória, vencedora

Esmolei tantas vezes teu carinho!
Meus versos em total monotonia...
Um coração morrendo, pobrezinho,
Espera enfim, nascer de novo, um dia...

Meu velho paletó recende linho,
A chuva no meu peito, nunca estia...
No meu canto, assum preto fez o ninho,
Calada, adormecida, a poesia!

Cinzentas brumas, mares inconstantes,
Derrotado procuro por teu colo.
Um dia fomos lúdicos amantes,

O tempo tão cruel tudo desdisse...
Altos céus mergulhei, caí ao solo.
Tu és vitoriosa, Berenice!

0020

Bernadete

Bernadete: Aquela que tem a força de um urso

A nossa casa, amor, já não existe...
Procuro meus quintais, não mais os vejo.
Meu bem, a vida queda-se tão triste!
A morte vem chegando, em seu cortejo!

Um frágil coração jamais resiste
À ausência dolorosa do teu beijo!
Sou pássaro faminto, sem alpiste,
Sou tarde que perdeu seu azulejo!

Vivendo de ilusões cadê a casa
Onde fomos felizes? Sem jardim,
Mergulho esse infinito, sem ter asa.

Meu mundo se perdendo, sem confete...
É quarta feira, cinzas, mesmo assim,
Teu nome irei gritando: Bernadete!

0021

Bernarda

Eu ando a mendigar pelas estradas
Buscando por amparo e nada vem...
Ninguém a me sorrir, noites geladas,
Anseio por carinhos, mas ninguém!

As rosas se morreram desfolhadas,
Os cálices de vinho, quero alguém!
As ondas se passaram naufragadas
Distantes dos meus sonhos. Perco o trem...

Não tenho mais saída, sou revés.
Rastejo pelo mundo, quebro os pés.
A morte, redentora, não se tarda!

Uma esperança frágil inda resta,
Quem sabe voltarei de novo à festa
Da vida, nas mãos santas de Bernarda!

0022

Berta

Berta: Brilhante, gloriosa

No fundo do oceano revoltoso,
Serpentes, calabares tão terríveis
Abismo tão profundo, tenebroso.
Gigantes monstruosos, invencíveis!

Tanto brilho estrelar, misterioso,
Dos peixes abissais, seres incríveis!
Caminham quais cometas! Glorioso
Mar de fantasmagóricos desníveis...

Céus de estrelas diversas, tão gigantes...
Nas luzes de cometas e quasares,
Universos de cores radiantes!

Amor, no sentimento delirante,
Amantes se iluminam nos luares...
E Berta, gloriosa e tão brilhante...

0023

Betânia

Betania: Simplicidade, humildade

Trago as sombras antigas de quimeras,
Caminhando por pedras entre urzes...
As fontes desejadas, as esperas,
Já se despedaçaram, velhas cruzes...

Derradeiros prazeres, mortas eras,
Invernaram-se inteiros, negam luzes...
Soledades, tristezas, vis crateras;
Em guerra corações, setas, obuses...

Distante do castelo das perfídias,
Uma bela mulher adormecida...
Em volta da tapera, mil orquídeas.

Toda simplicidade da beleza...
És última esperança desta vida,
Betânia, teu amor, uma riqueza!

0024

Bianca

Noite clara de amor, imensidão!
Nos céus e nas montanhas tanta alvura...
Nas palavras, no vento, mansidão..
Um sendeiro fantástico de ternura.

Marinhos caracóis trazem paixão
As ondas se rebentam com brandura...
Espumas, calmaria... Na amplidão
A lua se deslinda em paz, brancura...

Uma nova sereia traz o mar.
Os cavalos marinhos, os corais,
As águas transparentes, o luar...

Estrelas desfilando; noite branca...
Amor que revelou-se mostra a paz,
Nos olhos radiantes de Bianca!

0025

Brígida

Na derradeira noite deste amor
Que nos trouxe tristeza e alegria
A vida se mostrou ao teu dispor,
Em plenas convulsões da fantasia

Dançávamos felizes sem temor
Das horas de torpor, melancolia...
Esquecemos que toda bela flor
Por certo murchará, num triste dia!

Dores antigas matam sentimento.
Nada mais restará senão adeus...
Palavra sem sentido, leva o vento.

Minha alma não se cansa de lembrar
O beijo que trocamos, sonhos meus,
Ah! Brígida! No amor, foste ao luar!

0026

Brigite

Brigite: Aquela que guia

Tateando, procurei por teu carinho
Como se fora náufrago sedento.
Por tanto tempo, pálido, sozinho,
Clamando por teu nome, livre vento...

Aos poucos, sem te ter, tanto definho,
Pois não me sais jamais do pensamento!
Sou pássaro tristonho sem ter ninho,
A chaga terebrante pede ungüento!

Angústias acompanham meu desejo.
Quem me dera beijar salgada pele...
Caminhar por estradas de azulejo,

De ladrilhos dourados, tua trilha...
É beleza sem par que me compele
Brigite, teu caminho, maravilha!

0027

Bruna

Bruna: Escura, parda

O sol se transformando em espetáculos!
As praias, belos mares e sereias
Amor se diluindo, seus tentáculos,
Invadem litoral, quentes areias...

Morenas desfilando. Nos oráculos,
A febre dos amores me incendeias...
Nos altares divinos, tabernáculos,
Nas praias os desejos entram veias...

Caminhos de corais, longas jornadas,
As ilhas tão distantes, minha escuna..
Belas sereias, nuas, encantadas...

Elfos e silfos, vento manso, sonho...
Num marulho suave, um barco ponho...
Meu barco, meu amor, morena Bruna...

0028

Cacilda

Cacilda: Lança de combate

Não temo esses combates nem as lutas.
Cerrando os tristes olhos, te encontrei.
As noites sem carinho são mais brutas,
Nos campos de batalha fui o rei!

Agora que, distante, tudo enlutas
Agora que, perdido, não te achei;
Escondo-me, procuro escuras grutas,
Feridas que me causas, não curei.

Flamejas nas mortalhas que me deste,
Penetras corações com tuas setas...
A vida passa a ser um simples teste.

Desfolhas, nos teus beijos, toda flor!
Qual Eros, suas flechas prediletas,
Cacilda, tua meta é meu amor.

0029

Camila

Camila: Aquela que nasceu livre

Liberdade! Meu canto te procura
Nas penumbras longínquas, siderais...
A noite terminou bem mais escura,
Espreita negras nuvens colossais.

A dor de amar demais jamais se cura.
Crepúsculos tristonhos, abismais...
Bebendo desta mágoa, sem brandura,
A vida emoldurando catedrais!

Nos dourados veludos, no cetim
A maciez da pele, veleidade...
Encantamentos, lábio carmesim...

O mel que tua boca já destila,
O canto deste amor à liberdade:
Só encontrei no teu cantar, Camila!

0030

Cândida

Cândida: Aquela que é alva, pura

Folhas secas, tristonhas, sobre o chão...
Silenciosas tardes, vento frio.
Meu pranto de ansiedade, coração,
Esperando, seguindo tão vazio...

Tanto tempo perdido, vou em vão...
A chuva me impedindo o claro estio,
Em busca simplesmente do perdão.
Deste nada, total nada, sombrio...

Mas, de repente, brilhos no horizonte...
A Terra se cobrindo de esplendor.
As águas renascendo velha fonte.

A luz iluminando noite escura.
De novo conhecer o que é amor!
Olhos desta mulher, Cândida, pura...

0031

Carina

Carina: Aquela que tem graça, delicadeza

Tuas mãos delicadas, tão sensíveis.
Promessas de carinhos e de paz...
Teus passos pelas ruas, inaudíveis,
Flutuas, com certeza! Sou capaz

De naufragar meus sonhos impossíveis
Nos mares que me trazes. Tanto faz
Se, nas estradas loucas, invisíveis
Preciso for voar, serei audaz!

Teus dias se transcorrem graciosos,
A vida sem teu beijo, desatina...
Os dias se tornando belicosos

Se não estás comigo, cristalina!
Meus olhos te procuram, ansiosos,
Onde está delicado amor? Carina...

0032

Carla

Desejados carinhos desta lua...
Infinitos os raios que me dás,
À noite, a esperança que flutua
Me traz a verdadeira e mansa paz..

A visagem serena, bela, nua,
Desta mulher fantástica, voraz,
Que navega meu mar, numa charrua...
Na visão mais dileta, mais audaz...

Um escultor, ao vê-la, disse: parla!
Meu canto de louvor a ti dedico.
As palavras, não gasto numa charla.

Meu rimar, ao sonhar-te, sempre rico.
Amor igual ao meu, somente explico
No brilho dos teus olhos, bela Carla!

0033

Carmem

Carmem: Poema, versos, poesia

Quem dera ser poeta e te dizer
Das nuvens e das chuvas que não trazes
Da noite que te encontra meu prazer.
Da vida que te trouxe tantos ases.

Das asas que carregas, sem saber.
Tua vinda renasce em mim, as frases
Vindas do coração. Tento ler
No livro de esperanças, luas, fases...

Quem dera em mansos versos proclamar
Beleza que encontrei no teu olhar.
Quem dera conhecer a fantasia

Que encharca tua noite de luar.
Que traz toda a pureza deste dia,
Quando encontrei-te, Carmem, poesia...

0034

Carmo

Carmo: Religiosa

Altares dos amores que sonhei
Nossas manhãs, cetim e veludo.
Amor que sempre, louco, procurei
Tuas mãos são promessas. Não me iludo.

Teus palácios, castelos, tua lei.
No templo do talvez e do contudo,
No teu mundo de sonhos, mergulhei.
Retorno do teu reino, quieto, mudo...

Amar perdidamente, minha sina...
Os versos de ansiedade e de tortura...
A noite simplesmente me alucina.

Nas torres, teu castelo, tanta altura,
Meus olhos se turvando em tal neblina.
Meu amor te encontrou, Carmo, tão pura...

0035

Carol

A vida amanhecendo ensolarada.
Andorinhas, pardais, cantam bom dia,
Nas árvores louvando. A passarada,
Plena satisfação na cantoria!

Um manto de esplendor, de fantasia,
Se espalha na manhã, linda, orvalhada!
O mundo inteiro vive essa alegria,
Todos, menos minha alma apaixonada!

Uma nuvem tristonha perde o sol,
Embora tanta vida se deslinde.
A natureza, bela neste brinde,

Esquece deste pobre girassol.
Antes que esta manhã, linda, se finde;
Espero por teu beijo enfim, Carol!

0036

Carolina

Nos campos verdejantes, belas flores...
Perfumes de diversas qualidades.
Abelhas, passarinhos, tantas cores.
Batendo um coração, tristes saudades...

Nos céus as alvoradas são favores
Divinos. Nestes campos, nas cidades,
Procuro pelos rastros dos amores;
Embalde, nunca vejo claridade!

A vida sem te ter, já se amofina,
O mundo não permite um triste canto.
A noite, no meu peito descortina,

Ofusca essa beleza, nega encanto.
Meus dias procurando Carolina,
Nas águas deste rio, todo o pranto!

Carolina: Fazendeira

0037

Cassandra

És minha companheira mais fiel!
Toda dor que esta vida sempre dá
Momento tão difícil, mais cruel,
Na lua que jamais retornará,

És a certeza plena que há um céu!
Amiga, onde estiveres, estou lá,
És todo o meu sustento, meu farnel!
Meu sonho, nunca mais, se findará!

Por vezes me encontraste abandonado,
Sozinho, sem promessas de esperança.
A vida parecendo um peso, um fardo...

Rastejo minhas dores, salamandra,
Teus braços me levantam, na aliança
Eterna deste amor, minha Cassandra!

Cassandra: Auxiliar do homem

0038

Cássia

Minerva, num delírio sedutor,
Ao ver esta mulher que caminhava.
Momento de raríssimo esplendor,
Um pássaro a voar, manso, cantava

Os hinos mais perfeitos ao amor.
Aurora deslumbrante demonstrava
Belezas e perfumes, rara flor...
Vulcânicos fulgores formam lava.

Minerva, se encantado, prontamente,
Mandou iluminar os teus caminhos...
Levando seus talentos para a mente

Desta mulher. Das flores, fez acácia
Beleza feita em cachos de carinhos...
Ao mundo, então, brindou contigo, Cássia!
Cássia: Distinta, sábia

0039

Cassiana

É certo que pequei, eu não discuto.
Errei ao perseguir teus mansos passos.
Tantas vezes, perdido, fui tão bruto.
Outras tantas, busquei-te, vãos abraços...

Ao longe, transtornado, então me enluto;
Por ter, assim, entrado em teus espaços;
Tens razão: destruir um podre fruto,
Rebentará, decerto, falsos laços.

Mas peço, por favor, por caridade,
Não deixes este sonho se acabar!
Em vão, já procurei pela verdade,

A luta se mostrou leda, temprana...
A noite, meu amor, trouxe o luar,
Te espero, minha amada Cassiana!

Cassiana: Justiça

0040

Catarina

Mocidade vibrante, me estonteia...
Audácias e desejos são constantes.
Nas luas e nas ruas tece teia,
Viaja por planetas mais distantes.

A noite, nas delícias, incendeia,
Os raios do luar, simples amantes...
Nos cantos e motéis, noturna ceia,
Os corpos se entrelaçam, delirantes.

Mocidade... Faz tempo que não vejo...
Meus carinhos dormitam na incerteza,
O peito, démodé qual realejo,

Na visão de teu corpo se alucina...
És manto de pureza e de beleza.
Por que tu demoraste, Catarina?

0041

Cátia

Sim, decididamente não me queres!
Os teus olhos trazendo esta verdade.
Tantas vezes carrego meus halteres
Tentando convencer-te. Vaidade

E suplícios. Em vão! Sei que preferes
Palavras envolventes, claridade,
Os lumes estrelares. Caracteres
Mais concisos, assim, restou saudade!

Que poderei fazer? Não faço verso!
Meu mundo se resume: academia!
Nos músculos está meu universo!

Cátia, estarei buscando um claro dia,
Torrente caudalosa e tão completa,
Que me faça acordar, livre, poeta!

0042

Cecilia com estrambote


Não podes ver o brilho deste sol,
A tarde emoldurada, várias cores.
O lume não te serve de farol,
Nem beleza incerta destas flores!

Porém, toda a candura dos olores,
A forma delicada, o girassol,
Ternura que carregas, teus pendores!
No canto mais feliz do rouxinol
(Delícia de saber tantos amores!)

Por certo teus sorrisos em malícias
Demonstram
feminino ar, armadilha...
Carinhos e desejos, nas carícias,

No olor e maciez da bela tília.
A vida se transborda nas delícias
Dos olhos deste amor. Minha Cecília!

Cecilia: Ausência de visão, cega

0043

Célia

Amar como eu te amei, a vida inteira...
Sem medo e sem vontade d’um adeus.
Em cada noite, a lua mensageira
Trazendo claridade nos meus breus.

A tarde das angústias, derradeira,
No amor, meu sacrifício, louva-deus!
Não canto despedida, faço esteira
Dos raios, dos luares, louvo a Deus...

Embora já temi o meu destino,
A morte não trará essa incerteza.
A vida noutra vida outra beleza!

Eterno coração, velho menino...
Amor igual ao nosso, mansa fera,
Só Célia me traria, tão sincera!


Celia: Aquela que é sincera e verdadeira

0044

Celina

Nasceste na nascente do universo,
Olhar primaveril tão envolvente!
Te canto mergulhado no meu verso,
Procuro teu olhar em toda a gente.

Meu mundo sem teu canto é tão disperso,
Em tristes melodias, de repente,
Transborda neste mundo. Sou reverso,
Avesso, sem te amar perdidamente!

Nos céus donde vieste, na alvorada,
Promessas benfazejas de fortuna!
A noite em tempestades, mais soturna,

Espreita, de tocaia, me alucina!
Eu canto esta canção desesperada,
Na espera de te amar, linda Celina!

Celina: Filha do céu

0045

Christiane

Num templo abandonado no deserto,
Encontro tua imagem, cristalina.
Dos sonhos que já tive, estive perto,
Imagem tão risonha, me alucina!

Não sabia: sonhava ou mais desperto,
À sombra do retrato, minha sina!
Amor, o sentimento que eu oferto,
Àquela cuja imagem determina.

Um sonho? Vão delírio de um poeta?
Não posso precisar, falta certeza.
Qual força me enlouquece e arquiteta

O rosto desta bela criatura?
Em pleno afresco fosco, esta beleza,
A amada Christiane brilha, pura!


Christiane: Seguidora de Cristo

0046

Cibele

Acima do que posso imaginar,
Repousa tão fantástica beleza!
O Olimpo, certamente faz brilhar,
Com lume e com potência de princesa.

Dos seus braços, nasceram terra e mar
Seu seio amamentou a realeza!
À noite resplandece no luar,
A vida fez nascer, sua grandeza.

O mundo, seus pecados e delícias,
Etéreos passageiros, sombra e luz.
O campo das estrelas, as malícias.

As ninfas, seu carinho e sua pele.
Nas Plêiades, desejo seu transluz,
Consorte, lhe encontrei, minha Cibele!



Cibele: Mãe de todos os deuses

0047

Cinira


No país dos meus sonhos mais sensíveis,
Um canto merencório me alucina.
Cantado por sopranos invisíveis,
A música me invade, cristalina!

Acordes dissonantes, tão incríveis,
A noite dos idílios descortina.
Trazendo tais tristezas incabíveis.
A lágrima maltrata e me domina!

Um som maravilhoso, mas tristonho,
Qual fosse maldição que se cumprira.
Meu mundo se refaz, procuro o sonho,

Envolto está no canto que delira...
Nos barcos deste sonho então me ponho.
Nesta harpa delirante de Cinira!


Cinira: Harpa de som triste

0048

Cíntia

Nas luzes tão serenas, minha amada,
Nos montes, nas florestas e nas matas.
Por entre cachoeiras e cascatas;
A vida se transcorre iluminada!

A sorte que me deste, minha fada,
Nas horas mais difíceis, me desatas.
Os cardos mais cruéis, tu não maltratas,
A seta que carregas, perfumada!

Os meus desejos são tuas vontades...
Dominas meus anseios com vigor.
Nas lutas pela vida, claridades,

És poderosa chama, sou fumaça;
Na vida sempre fui um caçador,
Mas, em teus braços, Cíntia, sou a caça!

Cíntia: Um dos nomes da deusa Diana ou Ártemis

0049

Clara

Os ventos e as nuvens, tempestade!
A noite se nublou, escureceu...
Na vida procurando claridade,
O mundo que sonhava, já morreu.

Tantas vezes vivendo ansiedade,
Mal posso definir, em pleno breu,
Àquela a quem amava de verdade.
A noite em minha vida, já choveu!

Minha alma em plenitude procelária,
Espera ansiosamente por um lume.
A morte, que antes fora imaginária,

Num átimo ressurge, já se aclara.
Minha esperança, frágil vaga-lume,
Repousa em teu desejo, ilustre Clara!


Clara: Brilhante, ilustre

0050

Clarisse com estrambote

Trazes todas estrelas que quiseres,
Os céus só são brilhantes porque existes.
Em todos os amores que me deres,
Meus versos deixarão de serem tristes!

Tu és rainha e deusa, bela Ceres
Mas, verdadeiramente, não são chistes,
Eu encontrei em ti, tantas mulheres.
Apaixonadamente, lanças, ristes
(És banquete completo, mil talheres...)

Trago, nas entranhas, tantas dores...
Dum tempo que morri e ressuscito.
Vida se diluindo em estertores.

Vieste como luz, que enfim eu visse,
Trazendo as esperanças, vivo grito,
Da vida renascer em ti, Clarisse!

Quinta-feira, Abril 03, 2008

A MINHA SINA, PRIMEIRA PARTE.

Durante tanto tempo em minha vida

Pensara ser possível nova sorte.

Da estrada em pensamentos percorrida

Mudando num momento, rumo e Norte.

Encaro as tempestades sem guarida

Sem ter uma esperança por suporte.

A mão que me acarinha traz ferida

Aprofundando sempre cada corte.

Nascido nos sertões lá das Gerais,

Em meio aos mais temíveis vendavais,

Nas noites o luar por lampião

Os olhos procurando quem me queira,

Deixando a solidão, velha bandeira

Espero a luz imensa na amplidão...

Meu pai que se perdeu em noite clara,

Deixando a solidão como presente.

Amor que tantas vezes desampara

Durante a vida vaga não se sente.

A boca da saudade é tão amara

Decerto uma esperança se pressente

Na mão que em mil carinhos antepara,

Porém o vento diz do amor ausente.

Sozinha, minha mãe pouco dizia

Do pai que já se foi pra nunca mais

Resíduo de uma imagem, fantasia.

Distante de meus olhos, tantas léguas

Saudade do vazio não dá tréguas

Pesando em minhas costas, dói demais...

As mãos que preparavam armadilhas,

Os olhos espiando numa espreita

Tentando adivinhar caminhos, trilhas

O sonho amenizando enquanto deita

Buscando paraísos, maravilhas,

Nas gretas entre nuvens se deleita.

Cometas entre estrelas andarilhas

A febre da esperança, uma maleita

Queimando os olhos frágeis da criança,

Ausência se tornando uma lembrança

Retrato na gaveta dos meus sonhos.

A boca que hoje beijo traz assim

O cheiro que guardado dentro em mim

Prometia momentos mais risonhos...

O tempo não sossega, nem se doma

A pele se enrugando já retrata

A vida que se perde enquanto soma

A cada novo nó, velhos desata.

Às vezes solidão cria redoma

Que enquanto nos protege, já maltrata

Destino em suas mãos, quando amor toma

Do rio em placidez, tanta cascata...

As palmas calejadas, foice e enxada

Os olhos embotados de poeira

Saudade sem saber de focinheira

Arranca com dentadas mil pedaços,

Do bem que se deseja; feiticeira

Amarra nossos pés em frios aços.

Tentando vislumbrar alguma luz,

Durante a minha infância nada via

Se o sonho em desespero reproduz

O que a vida em cortes me dizia

Ao carregar pesada e dura cruz

A noite prometida sempre fria

Minando nos meus olhos, sangue e pus

Deixando bem distante uma alegria...

Moleque entre correntes e horizontes

Ao perceber ausência de outras pontes

Com asas vai sonhando, ledo, em vão.

Cevando seus abortos, cada grão

Representa o vazio da lavoura

A seca se mostrando duradoura...

Quem vê belas montanhas sob o sol,

Os rios derramando suas águas.

A lua prateando este arrebol

Deitando poesia em suas fráguas,

Bucólica paisagem perpetrando

Imagens divinais, raro pendor.

Beleza sem igual se adivinhando

Convite para a paz, clamando amor.

Sol-pôr entre matizes tão diversos,

Aurora multicor, maravilhosa...

Encantos que irradiam tantos versos

Vislumbre desta cena fabulosa.

Quem cria a fantasia de um castelo,

Não sabe da dureza de um rastelo.

A adolescência chega e traz espantos

Os medos são temíveis companheiros.

Hormônios pululando pelos cantos

Desejos se tornando garimpeiros

Aguardam as respostas que não vêm.

Os dentes cariados, a alma vaga,

Vontade de sentir, mas sem ninguém

Apenas solidão ainda afaga...

Fortuitas alegrias. São bem poucas,

Momentos ilusórios, risos frágeis.

As vozes transmudando, ficam roucas,

Os olhos nos vazios correm ágeis...

Arrimo de família, o que fazer?

À noite, solitário, o meu prazer...

Estrada tão comprida... Longa espera,

A vida sonegando uma esperança

Quem dera conhecesse a primavera,

Porém nem mesmo o sonho dá fiança.

Deixando o meu passado para trás,

Seguindo por caminhos tão distantes

Destino, como amargo capataz

Mentindo, os meus olhares confiantes.

No lombo do cavalo, arreios, selas,

O gado se espalhando pelos pastos,

Em meio a tal cenário, belas telas,

Os ritos da esperança bem mais gastos

Não deixam que se pense em liberdade,

Nem mesmo alguma luz ou claridade...

Seu moço eu tenho tanto pra falar

Dos olhos da saudade, poço fundo.

Depois de tanto tempo procurar

Escute minha voz por um segundo.

Vivendo sempre assim ao Deus-dará,

Sobrando desistências no caminho

O quanto tantas vezes buscará

Um peito solitário, por carinho.

O gado se perdendo nas montanhas,

As horas sobre as selas do cavalo,

Partidas que joguei nunca são ganhas

Do gozo de um amor eu nunca falo,

Sabendo desta sina: ser peão,

Deixando no passado, o coração.

O peito não sossega, a mão se atreve

E busca a liberdade. Mesmo tarde.

Uma alma se sentindo bem mais leve

Tentando prosseguir sem dar alarde

Recebe o vento forte da esperança

E beija as corredeiras deste rio.

Mas quando no chicote, uma aliança,

Futuro se mostrando tão vazio...

A terra tem seus donos, coronéis,

A bala de um revólver faz estragos.

Tocaias preparadas são cruéis

Os sangues espalhados formam lagos.

Destino de jagunço é mesmo assim,

Com sangue vou regando o meu jardim...

Tocaia que se faz em noite clara

É mais um desafeto que se vai

Enquanto o funeral já se prepara

A morte se escondendo não me trai.

Depois de certo tempo, isso é normal.

Um corpo, dez mil corpos, tanto faz

Vingança feita à bala é natural,

Trabalho corriqueiro feito em paz.

A gente se acostuma desde cedo,

Ser matador é minha profissão,

Ofício que também tem seu segredo

Precisa sempre ter dedicação.

Mais difícil cair no sertão chuva

Do que regar com choro de viúva...

Das coxas tão bonitas da morena

Vontade de fazer tanta besteira,

Enquanto este desejo já me acena

A moça se mostrando feiticeira

Parece desejar o que mais quero,

Beber do mesmo gozo em noite imensa.

O amor se verdadeiro e mais sincero

Merece com certeza recompensa.

A filha do patrão, moça prendada

Olhando para mim, jagunço pobre

Vontade sem juízo alvoroçada

Cuidado que se tem que se redobre...

Mas moço que já fora ajuizado

Agora se perdendo, apaixonado...

A lua clareando no sertão

Deixando prateado todo agreste

A moça sem juízo não diz não,

De toda a sedução já se reveste.

Amor contrariando mãe e pai

Jagunço com princesa não dá certo,

Enquanto a noite mansa inda não cai

O vento se espalhando no deserto

Parece me dizer desta loucura,

Porém a juventude não se cala.

Na boca da morena uma ternura

No peito do seu pai, encravo a bala.

O ofício, com certeza, me treinou,

O tiro se bem dado, libertou...

Não tendo mais paragem nesta vida,

Depois de tanta morte, espero a minha

Enquanto se prepara a despedida

O fim da minha estrada se avizinha.

Vagando sem destino, ganho os matos.

Montanhas, descaminhos, onde estou?

As cenas tão iguais, mesmos retratos,

Apenas o deserto me restou...

Quem sabe o que deseja, sempre sonha,

Porém o que fazer se nada sei,

Na seca que tomou Jequitinhonha

Quem come algum calango vira rei.

Qual gado se perdendo em tanta fome,

Minha alma de meu corpo quase some...

Brasil este país forte e gigante

É quase um continente, com certeza,

A fome sertaneja, uma constante

Retrato mais fiel desta pobreza

Que é feita de injustiça e roubalheira,

Nas almas nos Congressos e cidades

Cevando sem limites, bandalheira

Impedem que se creia em liberdades.

Na fuga sem paragem, nada tendo,

A morte se aproxima e toma tento.

Enquanto este vazio se tecendo;

Meu olhar de jagunço sempre atento.

Em plena escuridão, como miragem,

Uma esperança toma esta paisagem...

Um homem que é temente a Deus já sabe

O que parece ser assombração

Bem antes do que a vida em fome acabe

Na mais completa e dura solidão,

Um moço sorridente aproximou

Falando de esperança e de riqueza.

Comida no embornal ele mostrou

Deitando sobre o chão, cabocla mesa.

Promessa me fazia de outros dias

Aonde eu poderia ser feliz

A lua renasceu em fantasias

De um tempo bem mais claro ele já diz.

Falava mansamente, até baixinho,

Trazendo em suas mãos, outro caminho...

Uma esperança agora tem um nome,

Sertão de Jatobá; meu Eldorado.

Nos olhos desta serra, a lua some

Um paraíso em vida abençoado.

A gente vai conforme o que precisa,

Seguindo com bornal bem guarnecido,

Do quanto é necessário, o tempo avisa,

Caminho com certeza decidido.

Vencer tantas montanhas... liberdade...

Saber destas tocaias e perigos

Porém uma esperança quando invade

Deixando para trás medos antigos

Expressa uma alegria sem igual,

Quarando a fantasia no varal...

Sementes espalhadas pelo vento,

Nem sempre de colheita, garantia.

Vivendo sem destino, no relento,

A noite se transforma em pleno dia.

Fugindo do cadáver que plantei,

Prevendo no final, um Xangrilá

Em meio a tantas pedras procurei

Caminho que me leve à Jatobá.

Subindo uma montanha pude ver

Em meio à claridade um lugarejo

Aonde eu pudesse perceber

Descanso, pois é tudo o que eu desejo.

Num sítio bem pertinho da cidade,

Pensava ter achado a liberdade...

A porta quando abrindo mostra a sala

Deixando a claridade entrar inteira

Enquanto na verdade tuda fala

Sorriso da morena mais faceira.

Mulher de coronel, o que me importa?

Vontade sem limites, não sossega,

A fome desejosa quando aporta

Caminha sem juízo, viva e cega.

Depois desta fartura sobre a mesa,

A noite, uma criança sem juízo,

A cama tão macia, sobremesa,

É tudo o que eu mais quero; o que preciso.

Enquanto o coronel, gordo, dormia,

Na cama da visita, uma folia...

A flor mais delicada ganha viço

Nos olhos do faminto aventureiro.

Do sangue tão ardente de um mestiço

O gozo se mostrando por inteiro.

Quem dorme no relento em pedregulhos,

Ao ter cama cheirosa se deleita,

Porém prazer imenso traz barulhos

Tremendo como febre de maleita.

A moça com gemidos e sussurros,

Olhando para o lado, o coronel,

Não vendo mais ninguém, desfere murros

Criando no final este escarcéu.

A bala do jagunço em mira certa

Uma alma desta vida se deserta...

Embora tenha mortes às centenas,

De tanto que cevei a vida afora

Tinha matado bobalhões apenas

Só gente que ninguém, que eu saiba, chora.

Porém, tanta desdita num momento

Depois das armadilhas mais cruéis

Agora com certeza eu me atormento

Matando dois gigantes, coronéis...

Perdido em noite imensa, em desatino,

Deixei aquele sítio, fui em frente,

Correndo num completo desatino,

Escuridão enorme que se enfrente.

Andando algumas léguas, sempre só,

Encontrei o arraial do Tororó....

A sede quando é muita, saiba disso,

Não deixa mais o cabra descansar.

A flor mais delicada ganha viço

Enquanto uma vontade quer matar.

Das águas que busquei nenhum sinal,

Porém uma morena deslumbrante

Com rebolado intenso e sensual

Tomou todo o cenário num instante.

Embora não quisesse ser só minha,

Fingindo que uma vez não fosse nada

Deitando em sua cama, assim sozinha,

A festa foi durante a madrugada.

Pois se no Tororó tal moça achei,

No mesmo Tororó eu a deixei...

Na busca pela Serra, Jatobá,

Deserto sertanejo se agiganta.

O sonho que domina levará

Decerto ao paraíso que me encanta.

Festança tão gostosa, uma ciranda

É dança que se faz a noite inteira,

A lua derramando na varanda,

Perfume de botão de laranjeira...

A boca quer a boca da morena,

Mil juras de um amor que não tem fim,

Enquanto um gozo imenso já se acena

Esqueço pra onde vou e de onde vim.

Porém em falsidade o diamante,

De vidro se quebrou num só instante.

Ao prosseguir a minha caminhada

Encontro uma calçada tão formosa

Em pedras tão bonitas, ladrilhada

Paisagem sem igual, maravilhosa.

Ao lado dessa rua um bosque em flor

Aonde posso ver um divino anjo,

Calado; solitário busca amor,

Porém a vida mostra em triste arranjo

Vazios nos seus olhos, dura sina,

Enquanto ladrilhava em esperança

Buscando ter os sonhos da menina,

O medo num tormento, o pobre alcança.

No bosque que se chama solidão,

Um anjo chora só, sem coração...

Ns terras da ciranda, uma princesa

Sozinha em seu castelo, sonhadora,

Ao vislumbrar decerto esta riqueza

Queria ter alguém consigo agora.

Sabendo do infortúnio de ser rica

Eu sei que ela não quer ficar ali,

Terrível solidão decerto explica

O medo que em seus olhos percebi.

Quem dera se encontrasse o seu amor,

Seria com certeza mais feliz.

Dinheiro mesmo sendo sedutor

Do que ela mais deseja nada diz.

Do reino de Marré, marré, dici

Tristeza sem igual, eu nunca vi...

Havia, no sertão, um coronel

Chamado simplesmente, assim, de Jó.

Que tendo como fama ser cruel

Matava e maltratava sem ter dó.

Os seus escravos, sempre em jogatina,

No Caxangá varavam madrugadas,

A filha deste Jó, bela menina

Cansada das vergastas aplicadas

Fugindo, me encontrou, não disse nada

Apenas caminhando junto a mim,

Tentando percorrer a mesma estrada

Na cama feita em relva, no capim,

Ao se entregar depressa e sem juízo,

Abriu em suas pernas, paraíso...

Saindo deste reino acirandado,

Depois de tantas tramas que encontrei

Olhando calmamente para o lado,

Um rosto conhecido eu vislumbrei.

O moço que eu pensei ser um fantasma,

Sorrindo novamente mostra a face.

Minha alma neste instante fica pasma

Ao ver esse sujeito sem disfarce.

Sentindo a mais terrível fedentina,

Eu pude perceber que estava frito,

Malicioso olhar que me alucina

Deixando o pensamento mais aflito.

Do céu em um momento eu já desabo

O cheiro denuncia este diabo...

A moça que comigo se encontrava,

Bonita e tão faceira, deu um nó,

Minha situação assim se agrava

A filha do danado deste Jó

Numa gargalhada lancinante

Mostrou por sob a saia um longo rabo,

Aquela moreninha deslumbrante

Queria, na verdade era dar cabo

Daquele que se fez amante e amigo,

Ao libertar a moça, perco o céu,

Sem ver qualquer sintoma de perigo,

A filha do safado coronel

Ao aprontar comigo essa falseta

A menina era esposa do capeta!

Depois de ter corrido a noite inteira,

Fugindo do Diabo sorrateiro,

Minha alma sem juízo, aventureira

Encontra um paraíso verdadeiro!

Mulher igual àquela, eu nunca vi,

Beleza sem limite cheira à flor;

Amor que se transforma em colibri

Esquece do passado qualquer dor.

Deitando com vontade de fazer

Aquilo que Deus sabe e nos mandou,

Porém ao encontrar tanto prazer,

Imagem tão faceira transformou.

Bem antes que o desejo se obedeça,

O fogo mostra a mula sem cabeça!

Terça-feira, Abril 01, 2008

EU TE AMO! COROA DE SONETOS 181

2525

Teu barco... E assim chegamos num remanso

Depois de temporais, várias procelas

O quanto em teus caminhos eu alcanço

A paz, em sentimentos me revelas...

Teu barco... Navegando em mar imenso

Abarco as esperanças que me trazes

No quanto em nosso amor, eu quero e penso

A vida se transforma em tantas fases...

Teu barco... Pensamento libertário

Encontra nesta praia a mansidão.

O amor um bem supremo e necessário

Invade em calmaria o coração...

Teu barco... E assim eu sempre posso ver

Depois da tempestade, o alvorecer...

2526

Depois da tempestade, o alvorecer

No qual em luz suprema eu acredito

Pensando toda noite poder ter
Carinho de quem amo; necessito

Falar de tanta glória e do prazer,
Que encontro junto a ti, amor bonito.
Quem dera se eu pudesse merecer
E ter tanta alegria como rito.

pensando neste amor que não tem fim,
cultivo belas flores no jardim.

Nos braços deste amor eu me agiganto.

Sabendo que encontrei felicidade

Vivendo agora em plena liberdade

Eu quero o nosso amor em belo encanto.

2527

Eu quero o nosso amor em belo encanto,
Seguindo os passos belos, reluzentes,
Coberto pela glória, em raro canto,
Trazendo os dias sempre mais contentes,
Amor vai nos cobrindo com seu manto,
Deixando bem distantes penitentes

Momentos de tristeza que passei,
Rompendo uma alvorada em luz intensa,
De todas as estradas que cruzei
Encontro nos teus braços recompensa,
Amor é nosso lema e nossa lei,
Ternura que se faz, assim imensa.

Vivendo o nosso amor tenho o que quis
E grito ao mundo inteiro: eu sou feliz!

2528

E grito ao mundo inteiro: eu sou feliz!

Outrora vislumbrara a paz suprema.

Pensando ter comigo o que mais quis

Rompendo com passado cada algema.

Correntes e grilhões já esquecidos

Deixados para trás... Pura ilusão

Miragens embelezam os tecidos?

Aos poucos a ruína toma o chão.

Quem dera se eu pudesse. Quem me dera...

Não tenho outro caminho, sigo só.

O vento que trazia a primavera

Estorna a fantasia e deixa o pó.

A vida preparando esta surpresa:

À noite a solidão, trama a tristeza

2529

À noite a solidão, trama a tristeza
Que faz de nossa vida merencória.
Porém amor espalha tal beleza
Que tudo se reverta em plena glória.
Levados pela forte correnteza,
Deixemos que o amor mude esta história.

Fazendo deste canto qual um hino
Rendendo uma homenagem ao amor.
Futuro mais brilhante descortino,
No peito que se faz tão sonhador.
Bebendo deste amor, eu me alucino,
Diante deste verso embriagador.

A noite solidária vem e tece,
Um sonho que jamais alguém esquece...

2530

Um sonho que jamais alguém esquece

Deixando suas marcas sobre nós.

Amor que com certeza me enlouquece

Tomando com firmeza nossa voz.

À fantasia sempre ele obedece

Atando os mais distantes, ledos nós.

Meu canto como fora alguma prece

Renega o sentimento mais atroz.

Encontro nos teus olhos sedução

A força magistral destes faróis,

Caminho a se buscar e nos propor

Além de simplesmente uma ilusão

Tomando em claridade os arrebóis

Tu sabes quanto eu quero o teu amor.

2531

Tu sabes quanto eu quero o teu amor,
E nisso uma certeza já se faz.
Deitar e repartir nosso calor,
Numa emoção que a vida sempre traz,
Fazendo deste canto, encantador,
Trazendo para a noite calma e paz.

No leito deste rio, feito em sonho,
Navego até chegar à fortaleza,
Mostrando em cada verso o que proponho,
Deitar minha alegria em tal beleza,
Descendo com meu barco, vou risonho,
Levado pelo amor em correnteza.

Viagem que em teus braços, determina,
Amor em perfeição quase divina...

2532

Amor em perfeição quase divina

Expressa um sentimento mais profundo,

O quanto te desejo enfim, menina

Não deixo de pensar um só segundo.

Nas mãos carrego as flores, deixo espinhos

Não vejo mais as trevas do passado.

Deitando em nosso amor tantos carinhos,

Dos olhos deslumbrantes, encantado.

A jóia diamantina que tu trazes,

Ourives dos meus sonhos, deusa e Diva,

Vontades e desejos mais tenazes

Amor tão verdadeiro não nos priva.

Minha alma em teus carinhos vai tão rica

O gozo do prazer nos santifica.

2533

O gozo do prazer nos santifica

Nem mesmo uma tristeza contradiz

Amor que na verdade gratifica
A quem se entrega ao sonho mais feliz.


Felicidade enfim personifica
E mostra nos teu colo o bem que eu quis.
A cada novo dia se edifica
O mundo mais audaz que já prediz


Futuro deslumbrante nos teus braços,
Atando bem mais forte os nossos laços

Vivendo em alegrias, sem descanso.

Audácia tantas vezes bendizia

Além do que pensara em fantasia

De um raro amanhecer eu me afianço.

2534

De um raro amanhecer eu me afianço

Num canto que se mostre mais singelo

Eu quero no teu colo o meu remanso,
Fazendo desta noite um sonho belo,


Contigo um infinito logo alcanço
E todo o meu prazer já te revelo
Falando deste amor, não me canso,
Meu corpo no teu corpo assim atrelo


E bêbado de luz, vou caminhando
Seguido a cada noite te buscando

Colhendo no canteiro a bela flor

Quem dera um beija-flor pudesse ser

Bebendo em tua boca este prazer

Tocado pelo vento deste amor

2535


Tocado pelo vento deste amor
Que traz em cada verso uma emoção,
Outrora tão somente um sonhador,
Entrego-me aos apelos da paixão
Mergulho nos teus braços, teu calor
E sinto neste vento, um furacão.

O mundo não descansa sempre gira,
Perfeito e deslumbrante carrossel,
Eternamente acesa, a bela pira
Trazendo para nós, amada, o céu.
Meu sonho nos teus braços já se atira,
Bebendo em bela fonte, o doce mel

Que torna a nossa vida mais feliz,
Amor em explosão, tudo o que eu quis...

2536

Amor em explosão, tudo o que eu quis

Depois de soçobrar em tempestades.

Clareia em alegrias o céu gris

Traduz com perfeição felicidades.

Navego meu olhar pelas cidades

Deixando no passado a cicatriz

Permito vislumbrar em claridades

O quanto esta esperança já me diz.

Dos erros cometidos, nem mais sombra

Nem mesmo a solidão algoz assombra

Quem faz destes prazeres o seu cais.

Viceja no meu peito esta emoção

Fazendo a mais sublime tradução:

Sonhos de amor, delícias sensuais.

2537

Sonhos de amor, delícias sensuais,
Palavras e vontades que se tocam.
Querendo de teu corpo sempre mais,
Meus olhos em desejos já se alocam
E buscam neste Porto um belo cais,
Voando em liberdade se deslocam

Atravessam os mares, vão além.
Beijando a tua boca, poesia.
Encontram nos teus braços doce bem
Que tantas vezes, juro, assim queria.
O vento em fantasia sempre vem,
Trazendo em cada verso esta alegria

Que mostra a liberdade em pensamento,
Beijando a tua boca, o manso vento...

2538

Beijando a tua boca, o manso vento

Permite que se trace um bom futuro

Tornando verossímil pensamento

Nos braços de quem amo; eu me depuro.

Por vezes expressar amor eu tento,

Cevando em esperança um chão mais duro.

Se às vezes solitário eu mesmo invento

Um tempo que não seja tão escuro

Navego em oceanos mais bravios

Olhares se perdendo, vãos, vazios.

Um dia em fantasia amor alcanço.

Quem sabe um timoneiro possa crer

Tomando em suas mãos ao bel prazer,

Teu barco. E assim chegamos num remanso...

EU TE AMO! COROA DE SONETOS 180

2511

Contando vaga-lumes, tu atrelas

Teus sonhos em meus sonhos, companheiros

Estrelas salpicadas são mais belas

Sentidos entranhando, verdadeiros.

Qual fossemos parceiros dessa sanha

Pensamos alcançar eternidade.

Partida se mostrando agora ganha

No quanto uma alegria nos invade

Coleto cada rastro feito em luz,

Vagando por teus braços sou eterno.

Aonde a fantasia me conduz

Jamais sei solidão nem mais hiberno

No amor nosso destino, eu mesmo traço,

Meu coração seguindo cada passo.

2512


Meu coração seguindo cada passo
Que fazes nesta estrada mais audaz
Tu sabes que eu te quero e não disfarço
Te quero, na verdade muito mais.

Sou teu, apenas isso, meu amor.
Atrás de teus caminhos, acho o meu.
Deitar-me do teu lado, em teu calor,
Amor quando é demais, me convenceu

Do dia que promete ter teu sol
Ardendo em minhas costas, prazeroso,
Deixando uma tristeza em arrebol,
Encontro um canto, leve e mavioso

Nas águas de Iracema, na alva areia,
Desfila radiante esta sereia...

2513

Desfila radiante esta sereia

Desnuda em minha cama, deslumbrante

O fogo de teu corpo me incendeia

O mundo se transforma neste instante.

De toda antiga insânia, a sensatez

Traduz a mais sublime liberdade,

Amor que sem pecados já se fez

Permite reviver a mocidade.

Nos toques mais sutis, bocas ferinas,

Nos beijos mais audazes, paz suprema.

Enquanto com carinhos me dominas

Não vejo mais sequer algum problema

Um mundo fascinante se recria,

Nos braços de quem amo; tal magia...

2514

Nos braços de quem amo, tal magia
Que faz o dia vir iluminado,
Entornas nos teus passos, poesia,
Deixando em cicatriz, bem demarcado


Prazer de estar em tua companhia,
Vivendo nosso sonho, apaixonado

Realizando assim, a fantasia:

Seguir sempre contigo, lado a lado.

Urgindo ser feliz te quero agora,
Ungido pela luz que em ti, aflora

Encanto que este sonho propicie.

Sabendo desta lua enciumada

Eu peço e até suplico a ti, amada

Não deixe que esta noite nos vigie.

2515


Não deixe que esta noite nos vigie,
Escondo-me em teu corpo, e me protejo
Na sede de viver que propicie
As fontes da alegria e do desejo.
E nos esconderijos que amor crie
Deitar felicidade em tanto beijo.

Percorro teus caminhos e concebo
Um vale em emoção e sentimento.
Prazer que assim te dando, eu já recebo
Distante da tristeza e do tormento.
Tomado de carinho, então percebo
Tocando a minha pele, o manso vento.

Regalos desta vida a me mostrar,
O quanto é necessário e bom amar...

2516

O quanto é necessário e bom amar

Deveras a canção jamais negou.

Depois de tanto tempo procurar

A vida num momento te encontrou.

Na barca de meus sonhos teu sorriso

Demonstra em maravilha, ancoradouro

Já tendo em minhas mãos o que eu preciso

Percebo no teu corpo o meu tesouro.

Tu és a redenção, disso estou certo,

Depois dos desenganos no caminho.

O céu que tantas vezes vi coberto

Permite este luar onde me aninho.

Deixando no passado a minha cruz

Amor em tanto amor se reproduz...

2517

Amor em tanto amor se reproduz

Num sonho magistral eu me aprofundo

Amor que é feito em fogo, força e luz,
Não deixa o pensamento um só segundo.


Aos rastros que tu deixas, me conduz,
Vagando no infinito, ganho o mundo.
A roupa transparente em corta-luz
Dos
sonhos e desejos já me inundo


E perco, num momento, a lucidez
Tomado por total insensatez.

Desejos e vontades que viciam.

Durante a noite escura, imersa em trevas

Beleza e claridades, lumes cevas,

Teus olhos são estrelas que me guiam

2518


Teus olhos são estrelas que me guiam
Levando o pensamento bem distante,
Estrelas que divinas já luziam

Tornando o meu caminho fascinante

Momentos mais sublimes propiciam

as horas que te vi, no mesmo instante,
Prazeres e vontades refletiam,
Corcel de uma emoção vai, galopante

Cruzando pelo espaço, qual cometa,
Na jura que se fez, vera e dileta

Tomando em maravilhas o arrebol

Persigo cada passo que tu dás,

Sabendo deste amor em tanta paz,

Seguindo a nossa estrada para o sol.

2519

Seguindo a nossa estrada para o sol,
Que mostra em brilho raro o bom caminho,
Meu coração te busca, um girassol
Que nada poderá fazer, sozinho.
Teus olhos me servindo de farol,
Clareiam divinais, o nosso ninho.

Quem dera se pudesse, um cavaleiro,
Seguindo num galope, passo a passo,
Até chegar ao sonho derradeiro,
Que encontro, mais feliz, no teu abraço.
Tomando em cada brilho, o verdadeiro
Sentido que se empresta ao vero laço

Do amor que emoldurou eternidade
Nas telas divinais: felicidade...

2520

Nas telas divinais: felicidade

Molduras meus desejos, ritos vários.

Insânia se transforma em claridade

Momentos tão sublimes, necessários.

Mudando este cenário em que vivi,

Decifro teus enigmas, sigo em frente

Chegando ao paraíso vejo em ti

O amor que em alegrias se pressente.

Não tendo outro caminho ou solução

Descubro o meu prazer em rica fonte

Vencendo desta forma a solidão

Percebo um raro lume no horizonte

Não vejo nem mais sombras, pois renego,

Destas dores antigas que carrego.

2521


Destas dores antigas que carrego,
Depois de tanto tempo em solidão,
Nos braços de quem amo, enfim navego,
Tocado pela força da paixão.
Quem fora, antigamente quase cego
Percebe, nos teus olhos, a amplidão!

E faço deste amor, estrela guia,
Tramando um sol intenso em minha vida.
Dançando em emoção, a sinfonia
Que um dia pensei morta, assim, perdida.
Dourando o meu cantar em fantasia,
Luzindo uma esperança mais querida.

Vibrando de alegria, encontro em ti,
Amor que tantas vezes, persegui.

2522

Amor que tantas vezes, persegui

Perfeita tradução de maravilha.

Agora que encontrei, prossigo em ti

Fazendo de teu corpo minha trilha.

Andanças sensuais, sem ter fronteiras

Mergulho o meu desejo no teu porto.

Teus gozos se transformam nas bandeiras

Aonde em noite clara eu quero e aporto.

Concebo paraísos, peito aberto,

Refém desta loucura nada temo,

Caminho tantas vezes descoberto

Amor que se mostrando assim supremo

Estampa este cenário e sinto enfim

Tua nudez deitada sobre mim.

2523

Tua nudez deitada sobre mim,
Dois corpos que procuram por prazer
Na noite em fantasia, vão assim,
Vivendo esta alegria de querer
Colhendo em tua boca carmesim,
Loucuras e desejos. Quero ter,

Sentir em tua pele este arrepio,
Suave sensação de amor intenso.
Negando à noite imenso e duro frio.
Amor no qual- querida, sempre penso;
A cada novo sonho em desvario
Do
amor que tanto quero eu me convenço

Do quanto que eu desejo em cada gozo,
Certeza de um prazer delicioso...

2524

Certeza de um prazer delicioso

Iridescente dia se anuncia

Num toque com certeza fabuloso

A gente se entregando em alquimia.

Estrelas ejaculam raras luzes

E nelas a tiara de um prazer.

Caminho aonde em luas me conduzes

Permite num momento perceber

Em forma de delírio a sobremesa

Deitando nossos corpos, sede e fome,

O quanto se deseja, amor nos preza

Escuridão e treva, em brilhos some

Meu corcel libertário nas estrelas,

Contando vaga-lumes, tu atrelas.

EU TE AMO! COROA DE SONETOS 179

2497

Nas asas deste sonho eu me liberto

E bebo a fantasia do querer,

Aguando em esperanças o deserto

Concebo o que desejo e quero crer.

Decifro os teus sinais, caminho certo

Expresso com ternura o meu prazer

Portal do paraíso encontro aberto

A chave dos segredos; passo a ler.

Mistérios do passado, tuas sendas.

Ao mesmo tempo finges serem lendas

E quando me transtornam; sedução

Tu dizes que acertei em cheio o alvo

Porém eu só me encontro, assim, a salvo

Na massa em que se faz gostoso o pão.

2498

Na massa em que se faz gostoso o pão
Amassos e macias mãos velozes.
Em aço se fazendo tais algozes,
Adentram toda noite de verão

No quarto já fartando de emoção
Gemidos sussurrantes viram vozes,
Das calças lá se arrancam em caos coses
Fazendo um alvoroço em turbilhão.

Amor quando ouriçado faz fumaça
Parece tempestade sem ter freio.
Dançando em madrugada, plena praça

A mão invade a blusa e quer o seio.
Querida é bom viver, a vida passa,
Depois? Recordação virando esteio...

2499

Depois; recordação virando esteio

Não tendo quase nada do que fomos

O rio navegando em outro veio

Da fruta que tivemos, nem os gomos.

Guardando nos meus olhos teu retrato

Mentiras que somente o tempo diz.

O nó das ilusões quando eu desato

Prefere me dizer que eu fui feliz.

Saudade, na verdade já falseia

Mudando este cenário noutra vida

Enquanto a lua se mostrava sempre cheia

Toda esperança estava desvalida.

O quanto desvaria o coração

Um médico não mede, em precisão...

2500

Um médico não mede em precisão
Um
sentimento assim que é meio instável.
Remédio que se dá pro coração
Nem sempre na farmácia é encontrável.

Eu só sei te falar deste baião
Que fala de um sintoma demonstrável
Segundo já dizia Gonzagão
Amor é facilmente detectável.

Se enjoas da boneca e não quer chita
E todo o dia quer ser mais bonita
É fácil descobrir por que, menina.

Porém o tratamento, na verdade,
Sendo coisa da própria mocidade,
Não se encontra jamais na medicina...

2501

Não se encontra jamais na medicina

Sequer algo que possa traduzir

A chama que decerto se extermina

E ainda vai teimando em nos luzir.

Saudade maltratando em alvoroço

Pedaços do que fomos; coletando.

Se nela tantas vezes me remoço

Castelos dos meus sonhos desabando.

Ainda se mostrando como bóia

Não deixa que o naufrágio se perceba.

Depois de certo tempo é paranóia,

Desta água amarga a vida não mais beba,

Imagem do passado, decomposta,

Hormônios exalados, carne exposta.

2502

Hormônios exalados, carne exposta
Sangrantes os desejos e os carinhos.
Descubro tuas praias costa a costa
Invado tuas salas, escaninhos.

Arranco a carapaça em cada crosta
Sabores agridoces gins e vinhos
A mesa feita em cama sempre posta
Cabelos e destino em desalinhos.

Cativo deste amor que é redundante
Num círculo de fogo, vicioso.
Enredos que se formam num instante

Aonde a plenitude se completa
Repletos de nós mesmos, dor e gozo
Nos arcos onde somos também seta.

2503

Nos arcos onde somos também seta

Amor fazendo sempre confusão.

Quem dera se eu pudesse ser poeta

Talvez eu vislumbrasse solução.

Porém amor se torna sonho e meta

Deixando para trás a sensação

Da vida se mostrando mais completa

Embora traduzindo turbilhão.

Eu quero ser teu cais e teu saveiro

Vivendo este tormento alvissareiro

Em forças desiguais, somos mutantes.

Ao mesmo tempo enquanto tu não vens

Percebo as maravilhas das miragens

Nas bocas que encontrando; tão distantes.

2504


Nas bocas que encontrando, tão distantes,
salivas são trocadas, sem amor.
Quem dera se pudesse, por instantes
nelas perceber real calor.

Nos corpos misturados, cama e sexo,
apenas o prazer pelo prazer,
acordo, procurando qualquer nexo,
mas nada que permita-me entender.

Apenas tua face em cada rosto
espelhos onde busco mesmo a mim.
Quando em lençóis desejo cede, exposto,
mergulho sem limites, vou ao fim.

Depois da farsa inútil revelada,
desnuda, outra mulher... Não restou nada...

2505

Desnuda, outra mulher... Não restou nada

Daquela que se foi e quis voltar

Imagem nos meus olhos transtornada

Mentindo à fantasia nega o mar.

O quanto se demonstra disfarçada

Trazendo num momento um novo olhar

A boca que queria ser beijada

Mudando este cenário, faz chorar.

Depois de tanta festa, tempestades

Inundam com certeza o velho rio

Do quanto se mostrou em desvario

O rosto feito em mágoas não conquista

Saudade num momento ainda avista

Diademas estrelares, liberdades...

2506

Diademas estrelares, liberdades,
Orquestrando meus sonhos, passam breves,
Compotas de emoções, felicidades
Em cânticos noturnos, belos, leves...

Dos olhos de quem amo; claridades,
Palavras de carinho- eu peço- leves
Contigo para sempre – eternidades.
Que as dores nos maltratam como as neves.

Eu te amo, simplesmente e nada mais.
Sou teu parceiro, tenha esta certeza,
A vida se apresenta em tal leveza,

Que mesmo sendo um barco de papel,
Que enfrenta a correnteza até o cais
Iremos, libertários. Asas. Céu...

2507

Iremos, libertários. Asas. Céu,

Vagando constelares esperanças.

Por mais que a noite venha tão cruel

O quanto se percebem novas danças

Fazendo desse sonho um carrossel

Trazendo nos meus olhos as lembranças

De um tempo mais gostoso, estende em véu

As rotas colidindo em alianças;

O tempo de viver felicidade

Entende ser possível claridade.

E ao fogo deste jogo nos compele.

Assim seguindo a roto da alegria

Seguimos mesmo em simples poesia

Atados: braços, olhos, corpo e pele.

2508

Atados: braços, olhos, corpo e pele.
Sem limites, vivemos sem fronteiras.
Ao ato de te ter amor compele
Em magas sintonias, feiticeiras.

Querer o teu querer e nisso ver
Um dia mais alegre e mais contente.
Um jeito de se dar e ter prazer,
Domina o sentimento. Já se sente

A brisa da manhã beijando mansa
A boca tão gostosa de quem amo.
Amor ao perceber nos dá fiança.

No rastro de teus passos; sigo, amor.
E à noite toda vez quando eu te chamo
Invade-me, querida, o teu sabor...

2509

Invade-me, querida, o teu sabor

Rondando a minha boca, inebriante

Vertendo sobre nós perfeito amor

Estende tal tesouro, diamante.

A vida não permite descalabros

Tampouco as ilusões; se são ferozes,

Os dias solitários e macabros

Impedem dos caminhos mansas fozes.

Pecado é não poder seguir em frente

Vivendo sem ter nexo em falso rumo.

O vento da paixão quando envolvente

Expressa o que eu desejo e sempre assumo

Um mundo onde viver traduza calma,

Tocando em emoção penetrando alma...

2510

Tocando em emoção penetrando alma

Um vento benfazejo, ora promete

A plena calmaria que me acalma

Enquanto esta alegria se repete.

Eu vejo nos teus olhos, meu farol,

E sigo cada passo que tu dás,

Amanhecendo assim um raro sol

Permite que se entenda amor em paz.

Vencendo as intempéries, nada temo,

Nem mesmo se vier tal solidão.

Da barca dos meus dias, forte remo

Toando com firmeza e sedução

Sabendo deste rumo claro e certo,

Nas asas deste sonho eu me liberto.

EU TE AMO! COROA DE SONETOS 178

2483

O peito enamorado. Rondo estrelas

Vagando em busca deste claro sonho

Enquanto em alegrias tu atrelas

Beleza sem igual que ora componho.

Vicejas com sorriso a poesia

Traçando em flórea senda o meu caminho.

Na tela que tu teces já se cria

Remanso em placidez em que me aninho.

Sabendo deste encanto eu sempre insisto

Fazendo de meus versos instrumento

Aonde se perceba este benquisto

Desejo apascentando algum tormento.

As noites do teu lado são de galas,

Ouvindo o canto doce em que me falas...

2484

Ouvindo o canto doce em que me falas
Do amor que nos transforma em seres santos.
Tu deixas os problemas noutras salas
E mostras tão somente os alvos mantos.

Porém uma verdade nua e crua
Se mostra necessária nestes versos.
Se a vida para nós já continua
Eu te agradeço amada, pois diversos

Enganos que eu cometo dia a dia,
Omites por amor, dedicação.
A vida tão perfeita não seria

Se não houvesse em ti a claridade
E todo este poder de dar perdão
A quem tanto se engana, na verdade...

2485

A quem tanto se engana, na verdade

Jamais perdoará qualquer falseta

Amor quando não sonha liberdade

Um erro sem igual que se cometa.

Não vejo mais temores se estou certo

Do quanto que desejo estar contigo.

A cada novo engano eu sempre alerto

Tentando, tantas vezes, mal consigo.

Se eu tenho esta alegria de viver

Decerto em tua praia faço porto.

Não quero, novamente, me perder,

Nos braços de quem amo, um sonho aporto.

Os temporais se mostram verdadeiros

No vento que balança mil coqueiros

2486

No vento que balança mil coqueiros
Nas ondas deste mar, em alva areia,
Os sonhos se tornando verdadeiros
Ao canto esplendoroso da sereia.

No peito passarinhos em viveiros
Promessa
de hoje à noite em lua cheia
Os olhos desejosos seresteiros
Clamor que com calor nos incendeia

Amor que se reclama e me alucina
Matéria tão divina, prazer humano.
Distante do que sei ser desengano

Na boca a fruta doce e cristalina,
Nos olhos esperanças de outro plano
Delícia feita em beijo e cajuína...

2487

Delícia feita em beijo e cajuína

Na boca da morena mais audaz,

Desejo que guloso nos domina,

Durante a caminhada, satisfaz.

Beijando uma esperança, sigo alerta

Bebendo cada gota de suor,

A fome de viver cedo desperta

Sabendo deste encanto bem maior.

No quanto procurei e sei agora

Do amor que me tortura e que se salva,

Beleza desta noite nos decora

Vivendo a fantasia sem ressalva.

No corpo da princesa, sensual,

O vento se desdobra em vendaval

2488

O vento se desdobra em vendaval
Deixando
a calmaria já de lado.
A vida recobrando cada aval
Transtorna sem sentido figurado.

Teu canto mavioso e sensual
Convida para o sonho demarcado
Por gosto de ventura, sol e sal,
Mistura tango, dengo, samba e fado

Assim nós vamos soltos pela vida
Atados por um laço sempre forte.
Não quero ter a dor da despedida

Tampouco o triste fim em desamor.
Que a vida nos impeça cada corte
Trazendo o vendaval com destemor...

2489

Trazendo o vendaval com destemor

Eu faço deste encanto, tempestade.

Sabendo da importância desse amor

Vislumbro no final, felicidade.

Encontro em tuas mãos vários segredos

Enredos tão diversos, mesmo mote.

O vento balançando os arvoredos

Vontade que se expõe jamais se esgote...

Revendo cada passo tento a sorte

Mudando a direção do temporal.

Bonança não promete novo Norte

As alegrias fogem do embornal.

Olhando o teu olhar ora revejo

Meninos descobrindo o que é o desejo.

2490


Meninos descobrindo o que é o desejo
E toda insanidade que ele traz.
A mão audaciosa, o nosso beijo,
A noite e a solidão, o medo, a paz...

Os primeiros poemas, num versejo
Ingênuo, muito aquém de um verso audaz,
Porém com todo sonho que é capaz
Quem tem na vida um rápido lampejo

Do qual a mocidade se nutria,
As pernas tão distantes, o portão.
A dança, as febres loucas, fantasia.

Princesas e castelos, cavaleiros
No jogo fascinante da paixão

Decerto dentro em nós são verdadeiros...

2491

Decerto dentro em nós são verdadeiros

Os ritos generosos e gentis.

Bebendo em fanatismo tantos cheiros

O fogo da paixão nos faz feliz.

Embora tantas vezes se sonegue

Momentos de perdão; vamos em frente.

Vivendo esta emoção prossigo entregue

Buscando um novo dia que se invente.

Às vezes esta estrela que me guia

Perdendo seu caminho, aqui me deixa

E quando se demonstra fugidia

Não ouve dos meus sonhos qualquer queixa.

Além do que se mostra ou mesmo pensa

Eu procurei-te, embalde, em noite imensa,

2492


Eu procurei-te, embalde, em noite imensa,
Transido pelo frio que fazia
Nevasca dentro da alma, mais intensa.
Distante da alvorada longe o dia...

Sem nada que encontrasse que convença
Que inda pudesse ter uma alegria.
Do vento, o seu bafio qual ofensa
Batendo na janela, em melodia

Uníssona
ecoando o que senti,
Passando a noite inteira, eu vou sem ti
Cruzando as portas negras da saudade...

Porém ao sol nascer eu percebi
Que estavas de chegada, então sorri
Sentindo renascer a claridade...

2493

Sentindo renascer a claridade

Quem há de me negar imenso brilho?

Vivendo toda noite esta saudade

Caminho mais diverso, imerso eu trilho.

Dispersos pensamentos te buscando,

Estrela que se foi em trevas tantas.

Ao mesmo tempo sigo te cevando.

Tu sabes quando sempre já me encantas.

Meus olhos não se cansam; mesmo à toa.

Na moldura do céu querem faróis

Apenas o vazio ainda ecoa

Tornando silenciosos arrebóis...

Uma esperança algoz ora te caça

Na valsa que avança na noite que passa

2494

Na valsa que avança na noite que passa
Amor não disfarça já vem galopante
Azar é fumaça que vem num instante
Teu corpo aguardente, meu vício e cachaça

Eu quero comigo, teu beijo dengoso
Amor sem perigo, formato gentil,
Beijo delicado, querida é fogoso
Da cor do pecado, sabor mais sutil

A noite enveredo contigo do lado,
Balança arvoredo se mostra mais forte,
O vento chegando, molejo marcado
Carinhos trocando curando do corte

Que a vida nos trouxe num tempo esquecido,
Amor de verdade, caminho cumprido...

2495

Amor de verdade, caminho cumprido

Sentindo o vento manso da emoção

Embora tantas vezes repartido

Ainda sinto forte, o coração.

Batendo em descompasso vez em quando

Num alvoroço expressa o quanto quer

Por mais que inda perceba desabando

Deitando sobre os braços da mulher

Que às vezes foi rainha, noutras bruxa

Nas ondas deste mar vai e retorna

Enquanto a solidão por vezes puxa

Retorna da tempesta em água morna.

Mas vence no final e se deleita

Terçã nossa paixão, lembra maleita...

2496

Terçã nossa paixão, lembra maleita,

Queimando nesta febre interminável

À noite em mil loucuras quando deita

Demonstra este segredo indecifrável

É fácil perceber quanto eu te quero

Ao mesmo tempo finges não querer.

O amor que se pretende mais sincero

Não sabe sonegar qualquer prazer.

Mas tenta disfarçar, e até consegue,

Vitórias desencantam dores trama.

Depois do vendaval estou entregue

Deitando tais vontades, nossa cama.

E quando as fantasias me revelas,

O peito enamorado; rondo estrelas.