Segunda-feira, Julho 31, 2006

Tucanolândia - capítulo 26 - Caçando os Marajás

Houve um rei, em Tucanolândia, conhecido pela promessa de caça aos grandes salários do funcionalismo público, aos quais denominara de Marajás, numa alusão aos ricos donos do petróleo árabe.Esse rei, Dom Fernando Collo Melloso, conseguira o apoio dos seus súditos com esse programa de governo. Algo genial para quem pretendia assumir um reinado tão importante quanto Tucanolândia.No primeiro ato de governo, confiscou as riquezas da grande maioria dos súditos, que depositavam suas fabulosas fortunas nas cadernetas de poupança e em outras aplicações financeiras. Com esse ato, caçou todos os marajás do reino, inclusive as empregadas domésticas, pequenos comerciantes, aposentados, toda sorte de marajás...Collo Melloso descobriu, então, que os maiores responsáveis pela miséria do país eram os funcionários públicos, multimilionários e preguiçosos, que abundavam no reino. Abundavam e desbundavam, passeando com seus carros importados pelas estradas maravilhosamente bem cuidadas de Tucanolândia.Criou-se o mito de que “funcionário público” é sinônimo de marajá; no que Dom Gerald Aidimin conocorda plenamente, sob inspiração de Dom Fernando Henrique Caudaloso.Sob esta inspiração, além de venderem várias estatais a preço de saldão, resolveram fazer um congelamento de salários que durou todo o reinado de Dom Fernando e o Governo de Dom Gerald, à frente da província de Saint Paul.Como podemos observar, isso teve um aspecto extremamente benéfico para o povo, constituído em sua maioria por investidores nas afamadas Cadernetas de Poupança confiscadas, com justiça, por Dom Fernando Collo Melloso.Se analisarmos com cuidado, veremos que o congelamento de salários afetou somente setores de menor importância para o reino; assim como:Educação, Saúde, Segurança Pública, Setores de Serviço, etc.Realmente, a evasão de vários professores e médicos para o setor privado, abandonando o setor público, foi extremamente salutar para o miliardário povo tucanolandês.Em outra coisa, Dom Gerald foi extremamente coerente: tendo como ídolo Fernando Brant, aquele irmão do Roberto, o mineiro do PFL, tinha como música de cabeceira o sucesso – Canção da América; principalmente na parte onde dizia “amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito”.A coerência se dá, principalmente, quando as contratações suplantaram em muito, os concursos públicos.Aliás, concursos para quê?Sabemos todos que um amigo trabalha bem melhor do que um estranho, sendo essa a principal justificativa para o salutar hábito do nepotismo.A defasagem do salário entre o começo e o final dos mandatos dos tucanos, tanto a nível federal quanto estadual, minimizou, pelo menos em parte, o problema tão bem focalizado por Dom Fernando Collo Melloso.Hoje, os antigos Marajás podem ser considerados, no máximo, como uns paxazinhos de meia tigela.Dom Gerald, assim que assumir o poder como Rei da Tucanolândia, deverá colocar esse pessoal do funcionalismo público no seu devido lugar.Em pouco tempo a meia tigela virará tigela vazia, para regozijo de todos aqueles milionários das cadernetas de poupança.Ah, falando nisso, o governo devolveu, claro que defasado, o dinheiro confiscado; mas, os empréstimos compulsórios da gasolina...Para quem gosta de estatísticas os números que comprovam a história são esses: Em 1998, o gasto com ativos e inativos representava 42,51% das despesas totais do Estado. Em 2004, este gasto caiu para 40,95%, resultado da política de arrocho salarial e redução das contratações via concurso público, porém com aumento dos cargos por nomeação do governador.

Domingo, Julho 30, 2006

A nova Guernica

O massacre de Qana me recorda Guernica.
Tanto nas fotos quanto no quadro de Picasso, a dura realidade de uma guerra insana e indecente.
O Estado Terrorista de Israel, contando com o beneplácito norte americano, fere profundamente qualquer sentido de ética e de humanidade, repetindo o fascista Franco na Espanha de 1937.
Com essas atitudes, infelizmente, vejo ressurgir o anti-semitismo tão horrível quanto qualquer forma de racismo e discriminação.
As atitudes irresponsáveis de um Estado passam a ter, sob uma ótica radical e inaceitável, um caráter extremamente perigoso para todo um povo.
E, com certeza, a maioria esmagadora da população judaica do mundo não concorda com essa carnificina idiota e desnecessária.
A crise no Oriente Médio tende a se agravar ao extremo, com uma guerra generalizada e, contando com a omissão criminosa dos Estados Unidos, criar um caos que não interessa a ninguém, muito menos aos próprios judeus e árabes.
As frentes de ataque israelitas, tanto na Palestina quanto no sul do Líbano, com a política de terra arrasada, destruindo vidas e a infra-estrutura de um país livre é indesculpável.
Não concordo com as atitudes dos terroristas nem árabes e nem judeus, sendo que esses têm, como agravante, o fato de ser, pelo que consta, Israel um Estado Livre e membro das Organizações das NAÇÕES Unidas.
Me pergunto até que ponto, se pode chamar de NAÇÃO quem se equipara em atitudes, a um grupo terrorista.
As desculpas pedidas por Israel não têm cabimento, e não servem para nada.
O assassinato de 34 crianças e 16 mulheres não tem perdão.
A alegação de que houve “erro de alvo” é tão obscena quanto a destruição das torres gêmeas.
A diferença é que a Al Kaeda é uma entidade terrorista assumida e vive à margem da lei, com seus líderes ocultos e perseguidos como bandidos.
Enquanto o Estado israelense é uma entidade terrorista disfarçada e com representantes no mundo inteiro.
Mais uma vez, se demonstra a inutilidade da ONU, órgão criado pelos mais fortes para se protegerem dos mais fracos.
Assim como nos episódios da Chechênia e do Iraque, essa entidade inútil e frágil, não irá fazer nada, a não ser emitir opiniões. O Estado terrorista de Israel conta com o apoio do assassino norte-americano.
Bush, outra vez, nesse seu mandato como presidente dos EUA, mantém a tradição republicana de produzir presidentes com excessiva miosina e parca mielina.
Após Nixon, com suas aventuras no Vietnã e no Sudeste Asiático; Reagan, com seu radicalismo de direita, levando à tensão constante com o agravamento da Guerra Fria; Bush pai, nas interferências no Iraque e no Afeganistão, embriões das crises enfrentadas pelo seu embrião oligóide, Bush filho, temos este que é o maior responsável de todas estas lambanças que estão acontecendo.
Por ação e por omissão.
O pior de tudo é que o anti-sionismo ressurge com força total, sendo que o ódio ao Estado Terrorista de Israel se internacionaliza, dia-a-dia.
O bom senso, algo impossível nesta hora, é a única forma de se evitar o pior, e bom senso, diga-se de passagem é o que não existe nem na cabeça dos dirigentes israelenses e muito menos no que resta de cérebro em Bush.

Melancolia.

No cais do porto, esperando pelo nada, os olhos vazios mirando o ontem, na desesperança de um amanhã, tão sombrio quanto o hoje.
O vestido curto, as pernas marcadas pelas cicatrizes e pelas varizes, celulites até e, principalmente, na alma...
O menino, mal coberto pelos farrapos, último e único troféu que sobrou.
Menino macilento, olhos fundos, mas com aquela força inerente da luta feroz pela sobrevivência.
Uma sobrevivência sem futuro, sem esperança, um ocaso ao amanhecer.
Amores, foram mais de mil, amores de uma noite, de um momento, de uma semana, as brasas ardendo entre as pernas abertas por ofício e automáticas, sem prazer, sem sentido, somente abertas.
Amor um só, o marinheiro forte e violento, responsável por muitas das marcas, feitas a brasa de cigarro e ponta de facão.
Marcas no rosto, nas coxas, nas costas, na vida. Cicatrizes eternas, território marcado, gado marcado, sofrimento.
Mas o prazer, esse não dava para esquecer, prazer violento, doloroso, doce...
As ondas levavam e traziam, o mar revolto anunciava a tempestade, que era bem vinda, mantendo no cais do porto, o navio. E na casa humilde, o marinheiro.
Bem que sabia que não era dela, era do mar, de tantas sereias quantos portos houvesse. Não adiantavam nem as preces que, escondida, fazia.
Os Santos não poderiam ajudá-la e ela bem sabia disso.
Da última vez, ele fora embora mas ficara, ficara dentro dela, nas entranhas, trazendo náuseas e alegrias, dores e esperanças.
Um restinho do que fora, um troféu, um eterno troféu pela vida afora.
A gravidez trouxe a miséria, diminuíam os fregueses, a porta vivia aberta a espera de um cliente, de um real, de um almoço...
Mas, se não fosse a solidariedade de uns poucos...
Entre trancos e barrancos, nascera o menino.
Menino magro e guloso, querendo as mesmas tetas onde o pai mamara tanto, tanto...
Os peitos fartos, agora flácidos eram devorados pelo faminto, mas a sensação de prazer que ficara na memória, teimava em arder e, por isso, nunca negava o leite àquela criança.
O cais do porto, os olhos parados, a desesperança.
E Jesus, olhando para o ontem, assim como a mãe, sem saber por que, repetindo os mesmos gestos e a desesperança a descorarem os olhos azuis...

O que não será destaque na Imprensa 2 - dos alimentos orgânicos

Diário do Nordeste - 29/07/2006
Brasil pode se tornar o maior exportador de orgânicos em dez anos
A partir das políticas públicas de estímulo à prática da agricultura orgânica, é possível que em uma década o Brasil se torne o maior exportador do mundo. A avaliação foi feita pelo agrônomo José Carlos Polidoro, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Solos). A concretização dessa estimativa depende de apoio político, principalmente na questão de exportações ligadas ao setor orgânico, com destaque para hortaliças e frutas, observou o especialista. "Esse mercado é extremamente positivo para a entrada de mais agricultores nesse sistema", disse. A participação da Embrapa nesse processo se dá através do projeto "Desenvolvimento Tecnológico dos Sistemas Orgânicos de Produção Agropecuária com Base Ecológica", do qual participam cerca de 250 pesquisadores de 16 unidades da empresa e de 45 instituições parceiras, inclusive privadas. O projeto é coordenado pela Embrapa Agrobiologia. Polidoro informou que este é o maior programa mundial de pesquisa e desenvolvimento de agricultura orgânica e está em vias de aprovação para renovação na Embrapa. O projeto se insere nos Desafios Nacionais do Agronegócio, que têm a agricultura orgânica como um grande negócio.


Há uma necessidade imperativa de se inovar para competir a nível de mercado internacional, isso é quase uma unanimidade entre os especialistas em comércio exterior.
Além disso, para os pequenos agricultores, há a necessidade urgente de se diferenciarem para poderem manter a lucratividade.
O estímulo a essa forma, cada vez mais valorizada, de agricultura, especialmente na produção de frutas e hortaliças, como visto acima, é de vital importância para que o país se sobressaia dentro de um mundo globalizado.
A produção de alimentos orgânicos necessita de maior quantidade de mão de obra e se faz de forma quase artesanal, o que possibilita a fixação do homem no campo, diminuindo o êxodo e, por conseguinte, o inchaço das cidades, principalmente as metrópoles.
Da mesma forma que a mecanização expulsou o lavrador, a produção de orgânicos, o mantêm.
Essa é uma das principais, senão a mais importante, contribuição social dessa modalidade de produção.
Além disto, a lucratividade e a garantia de consumidores cada vez mais exigentes se tornam, a cada dia maiores.
Esse projeto de pesquisa e desenvolvimento, feito em parceria do governo com a iniciativa privada, é o maior do mundo.
A possibilidade de se transformar o Brasil no maior exportador de alimentos orgânicos do mundo é de vital importância para o futuro e sobrevivência dos pequenos e médios agricultores.
Como isso não interessa aos grandes latifundiários, o destaque dado a essa notícia não terá a mesma dimensão que foi dada, por exemplo, ao movimento da UDR para que se subvencionasse as dívidas dos grandes agricultores, nem sempre com investimentos feitos no campo, por exemplo.
Mas, sem dúvida, o impacto social do aumento da produção de orgânicos será gigantesco, direta ou indiretamente falando...

O que não será destaque na Imprensa 2 - dos alimentos orgânicos

Diário do Nordeste - 29/07/2006
Brasil pode se tornar o maior exportador de orgânicos em dez anos
A partir das políticas públicas de estímulo à prática da agricultura orgânica, é possível que em uma década o Brasil se torne o maior exportador do mundo. A avaliação foi feita pelo agrônomo José Carlos Polidoro, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Solos). A concretização dessa estimativa depende de apoio político, principalmente na questão de exportações ligadas ao setor orgânico, com destaque para hortaliças e frutas, observou o especialista. "Esse mercado é extremamente positivo para a entrada de mais agricultores nesse sistema", disse. A participação da Embrapa nesse processo se dá através do projeto "Desenvolvimento Tecnológico dos Sistemas Orgânicos de Produção Agropecuária com Base Ecológica", do qual participam cerca de 250 pesquisadores de 16 unidades da empresa e de 45 instituições parceiras, inclusive privadas. O projeto é coordenado pela Embrapa Agrobiologia. Polidoro informou que este é o maior programa mundial de pesquisa e desenvolvimento de agricultura orgânica e está em vias de aprovação para renovação na Embrapa. O projeto se insere nos Desafios Nacionais do Agronegócio, que têm a agricultura orgânica como um grande negócio.


Há uma necessidade imperativa de se inovar para competir a nível de mercado internacional, isso é quase uma unanimidade entre os especialistas em comércio exterior.
Além disso, para os pequenos agricultores, há a necessidade urgente de se diferenciarem para poderem manter a lucratividade.
O estímulo a essa forma, cada vez mais valorizada, de agricultura, especialmente na produção de frutas e hortaliças, como visto acima, é de vital importância para que o país se sobressaia dentro de um mundo globalizado.
A produção de alimentos orgânicos necessita de maior quantidade de mão de obra e se faz de forma quase artesanal, o que possibilita a fixação do homem no campo, diminuindo o êxodo e, por conseguinte, o inchaço das cidades, principalmente as metrópoles.
Da mesma forma que a mecanização expulsou o lavrador, a produção de orgânicos, o mantêm.
Essa é uma das principais, senão a mais importante, contribuição social dessa modalidade de produção.
Além disto, a lucratividade e a garantia de consumidores cada vez mais exigentes se tornam, a cada dia maiores.
Esse projeto de pesquisa e desenvolvimento, feito em parceria do governo com a iniciativa privada, é o maior do mundo.
A possibilidade de se transformar o Brasil no maior exportador de alimentos orgânicos do mundo é de vital importância para o futuro e sobrevivência dos pequenos e médios agricultores.
Como isso não interessa aos grandes latifundiários, o destaque dado a essa notícia não terá a mesma dimensão que foi dada, por exemplo, ao movimento da UDR para que se subvencionasse as dívidas dos grandes agricultores, nem sempre com investimentos feitos no campo, por exemplo.
Mas, sem dúvida, o impacto social do aumento da produção de orgânicos será gigantesco, direta ou indiretamente falando...

Trovas

Vaga mundo, devagar
Vago o tempo, sem demora
Tanto tempo por passar,
Relógio, marcando a hora...


Cálice de vinho tinto,
Trazendo sangue na boca,
Amores são tantos, sinto
Louca vida, vida pouca...

Na verdade, foste santa
Perdoando meus pecados,
Tua alegria me encanta,
Belas flores, belos prados...

Em teus seios, sei saudade;
Tua boca me devora,
Vem viver felicidade,
Nosso tempo não demora...


Água correndo no teu rio,
Do teu rio, vai pro mar.
Moça, me dê o teu cio,
Teu corpo, vou navegar...

Viver sem medo, cigano,
Sem segredo e covardia
Passando dia, mês, ano;
Montado na fantasia...

Soneto

Trazendo meu silêncio concebido
No momento fatal da despedida,
Sangro tanto, meu tempo já perdido,
Na procura da minha própria vida...

Eu não quero saber se tem havido
A que nunca mais fora percebida,
Nem amada no tempo sem sentido,
No gosto amargo, fruta apodrecida.

Vagando só, sem tempo e sem espaço,
Vou lavrando a paz, vendo meu cansaço
Nesse momento torpe do senão,

Vivendo por viver, meu coração,
Procurando limites, neste abraço.
Por onde vou, vagueia essa amplidão!

O que não será destaque na Imprensa 1

Portal do MEC (28/07/06)
Aumentam a oferta e a procura de cursos profissionalizantes de nível médio
Cresceram a oferta e a procura de cursos de educação profissional de nível médio em todo país, de acordo com números do último Censo Escolar. Os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) demonstram que o número de brasileiros que se matricularam nestes cursos cresceu de 589.383, em 2003, para 747.892, em 2005. As unidades que oferecem esta modalidade de ensino no Brasil aumentaram de 2.789, em 2003, para 3.294, no ano passado. O crescimento de instituições de ensino e de matrículas no período analisado revela um aumento significativo: 18,1% no de estabelecimentos e 26,9% no de matrículas. Os ingressos na rede federal, nessa fase, aumentaram de 79,5 mil para 89.114.

Uma das coisas mais reclamadas com relação a preparação dos adolescentes brasileiros, sempre foi a qualificação destes para o mercado de trabalho.
A baixa percentagem de alunos em cursos profissionalizantes, os chamados “cursos técnicos”, sempre foi uma das principais reivindicações, tanto da área de formação quanto na da utilização desta mão de obra especializada.
Pois bem, pelos dados acima, temos uma acentuada melhora neste aspecto, já que um aumento de mais de vinte e cinco por cento de formaturas em apenas dois anos, demonstra o quanto este aspecto não está sendo esquecido.
Obviamente, como a maioria dos alunos dos cursos técnicos pertence a camadas sociais mais humildes da população, isso não merece destaque na imprensa.
Esses aspectos podem ser irrelevantes para as classes dominantes, mas para quem almeja emprego e melhores salários, são fundamentais.

Tucanolândia - capítulo 25- Salário e Congelamento


Esse pessoal da oposição não tendo o que falar, difama.
Dom Gerald Aidimin, como todos sabemos, é um excelente vendedor e, tendo como origem sírio libanesa, tem fama de ser pão duro.
Me desculpe quem se sentir ofendido, isso é apenas uma crença popular que, muitas vezes é desmentida no dia-a-dia.
O problema é que, com a venda das estatais, esperava-se um aumento nos investimentos públicos, já que a principal motivação para que se fizessem estas privatizações era esse, segundo a propaganda oficial.
Mas, o temperamento de Dom Gerald é muito forte, a ponto de ser conhecido como “Picolé de chuchu”e chuchu, para quem não conhece é um legume conhecido pelo paladar forte e apimentado.
Por conta deste temperamento, ninguém conseguia fazer com que ele mudasse de idéia. E a economia nos gastos era um de seus mais fortes dons e características.
Isso viera desde os tempos de infância quando, menino criado no interior, economizava as moedinhas que ganhava e que encontrava no porquinho que sua avó tinha lhe dado no Natal.
No Natal do outro ano, quebrava o cofrinho e comprava o seu presentinho.
Teve um Natal inesquecível, onde ele conseguiu comprar um velocípede, tão bonito que nunca mais se esqueceu...
E essas lembranças fizeram de Dom Gerald um homem seguro, famoso mão de vaca, avaro, parecendo que anda com um escorpião no bolso, pão duro...
E, por conta disso, nada o fazia mudar de idéia, economizar! A ordem é economizar.
Tanto que, apesar de todas as reclamações desse pessoal da Educação, da Saúde, da Segurança Pública, ele passou a economizar nos investimentos públicos.
Para se ter uma idéia, em 1998 os investimentos perfaziam 5, 39% do gasto total. Já em 2003 e 2004, passaram a ser de 3,75%.
Agora tem camarada safado da oposição dizendo que essa economia, santa economia, pode ter sido uma das causas do aumento da violência no Estado, só porque o salário dos policiais se manteve congelado nestes anos todos.
Ora bolas, salário vem de sal, e com o que esse pessoal ganha, dá pra comprar quantos quilos de sal em um mês? E congelamento é um dos princípios básicos para se fazer um bom picolé, mesmo que seja do picante chuchu...

Sábado, Julho 29, 2006

O trabalho enobrece o homem...

Menino criado na roça desde cedo aprende a lidar com a enxada e a foice.
Não fora diferente com Inaldo, rei nos seus oito anos.
Aos quatro, o pai já o levava para ajudar a debulhar o milho e a colocar as sementes nas covas feitas com o enxadão.
Terra pouca, terra dura e ruim, dinheiro para adubo não havia, mas tinha que ser assim.
Deus provém quem trabalha e a lida era sagrada.
Quando chovia no tempo certo, que maravilha! Dava até para sobrar dinheiro para comprar umas bugigangas para a mulher e para os filhos.
Coisa boba, mas Zezito não esquecia da prole não.
Prole grande, comum naquelas bandas. Sete filhos, entre meninos e meninas.
O mais velho tinha treze anos, parrudo e trabalhador, Deus é bom...
As meninas eram muito bonitas, os olhos verdes delas realçavam os cabelos loiros, espiga, como a do milho.
A mina jorrava água boa, suculenta.
Pelo menos isso não faltava, ao contrário do sertão de Jequitinhonha, onde o pai de Zezito nascera, lá em Pedra Azul.
Pedra Azul, nome bonito pra terra seca, para a feiúra do gado e a magreza do povo.
Mas ali em Espera Feliz era diferente.
O que queimava era o frio, frio do Caparaó, perto do pico da Bandeira.
Doutor pediatra tinha dois; dos bons: O doutor Aníba e a doutora Tânia, se os meninos precisassem sabia que podia contar com a boa vontade deles.
Agora , uma coisa ele não havia se acostumado ainda: Por que esses doutores insistiam tanto em que ele deveria comprar um filtro? A água de mina é pura, e não tem doença não doutor...
De uns tempos para cá, Inaldo estava começando a estudar.
Isso deixava ele meio cabreiro, estudo para quê?
Coisa de rico essas modernices, menino tem é que trabalhar, não entendia porque a assistente social tinha chamado a atenção dele. Se menino não trabalhar, vira vagabundo e depois que virar cadê a assistente social?
Assim aprendera com o pai e assim ia ser com seus filhos...
Tinha um tal de PETI, a moça falou nisso, mas ele não queria o dinheiro não, queria era dar rumo na vida dos meninos...
A enxada ensina mais que qualquer caneta, moça.
Enxada faz o homem ficar forte e ter dignidade.
Estudo não, isso não dá futuro não.
E nem uns tapas podia dar nos meninos mais não, tinha um tal de conselho tutelar que, se soubesse disso, até pra cadeia era capaz de mandar.
Essas novidades eram difíceis para serem compreendidas por Zezito.
Igual a esse negócio de ter filho em Hospital, coisa mais estúpida. Filho forte nasce é em casa, e com umbigo curado pela avó de preferência com teia de aranha. Isso seca a ferida bem melhor do que os remédios que os doutores passam.
Quando a moça que trabalha na saúde, a Fatinha, filha da dona Cremilda, veio com essa história de preventivo, a casa quase caiu!
O tal de Doutor Paulo não vai ver as partes da mulher não. Só por cima do meu cadáver.
Vê se pode! A mulher ficar nuinha perto do homem, e com as pernas abertas!
Mas, esse ano, ia ter que trabalhar a meia na colheita de café, não ia ter jeito não.
O problema era os meninos na escola, isso ia atrapalhar muito.
A mulher tava com um problema de fígado, segundo o Doutor Ben-Hur, coisa chata que tinha até que operar.
Trabalhar sozinho, não tinha mais idade, beirando os quarenta anos, a coluna doía e o doutor Marcos não dava jeito. Mandava fazer repouso.
Engraçado, como fazer repouso? Esses homens não têm a menor idéia do que é a vida na roça.
Caboclo nasce trabalhando e morre trabalhando.
A colheita do milho e do feijão, tinha sido bem menor do que nos outros anos. Não dera nem para cobrir as despesas com a comida.
Ainda bem que tinha aquele empréstimo do governo, o tal do Pronaf, mas isso não ia bastar.
Precisava trabalhar no café.
O caminhão de bóia fria passava lá pelas seis e meia, e o frio era de rachar, ia pegar uma carona até a propriedade do Seu Jorge Grillo, homem bom e honesto, filho do seu Nenzinho...
Ia trabalhar à meia, ainda bem que o seu Jorge teve a bondade da dar aquela colheita à meia.
Senão o negócio ia ficar feio, feio de cara...
Partindo pra lá, teve que deixar os filhos irem para a escola, a mulher ficou em casa, esperando uns exames de sangue para marcar a cirurgia.
Jararaca. Jararaca atrás de jararaca. A roça é difícil e complicada.
Uma picada da danada e tudo acabado...
Colheita complicada, sem dinheiro.
Pois bem, não deu outra.
A picada foi dolorida e o tornozelo começou a inchar depressa.
Correu para o Hospital, soro antibotrópico, repouso e pé para cima.
A úlcera no tornozelo ficou grande, infeccionou.
Jararaca disgramada.
Que o desculpasse a assistente social, podia chamar até o juiz e o promotor.
Os meninos no caminhão de bóia fria.
Trabalho a dia, adiando a escola, adiando o futuro...
Zezito curando a perna, a duras penas.
Perna inchada e minando água, toda rachada.
O sol frio do Caparaó observando tudo...
Inaldo, mais um dia, outro dia. Inaldo e seus irmãos...
Vida de pobre é difícil, mas os meninos estão na labuta.
O pai, orgulhoso, espera a perna ficar boa e que a tal assistente social nunca mais apareça na sua frente...

Tucanolândia - capítulo 24 - Socialismo em Tucanolândia


“Sujeito bacana é esse Dom Gerald Aidimin”.
Onze entre dez devedores de tributos, na província de Saint Paul dizem isto.
Os devedores de impostos estão todos animados com a possibilidade da sucessão do reinado de Tucanolândia ir parar nas mãos de Dom Gerald.
Para se ter uma idéia, entre 1998 e 2004, houve uma queda de cinqüenta e dois por cento na arrecadação junto aos devedores.
Isso representa somente um bilhão de reais, ou seja, quase nada.
Com essa grana doada, de boa vontade, poderíamos ter alguns benefícios para a camada mais pobre da população do reino.
Mas súdito é súdito e amigo é amigo, nada mais bonito do que uma verdadeira amizade, isso é fato e irrefutável.
Se a gente parar para pensar, os súditos, realmente não precisam de dinheiro.
A pobreza dignifica o ser humano, e isso é uma das coisas mais realistas que existe.
Um súdito educado, com saúde, com condições de moradias mais dignas é um mal agradecido em potencial.
Nada melhor do que a gente investir naqueles que, por uma questão de princípios, vai nos agradecer, imensamente.
Principalmente em tempos mais bicudos.
Ninguém sabe o dia de hoje e, nada melhor do que perdoar para ser perdoado, mesmo que sejam dívidas ou tributos.
E, ninguém pode negar, quem gera empregos e impostos tem o direito de sonegar, de vez em quando, senão, como fica?
Cada empresário que falir, são empregos a menos que deixam de ser gerados.
E emprego é coisa primordial para o bem estar do cidadão, confere?
E, por último, temos que analisar o seguinte: aqueles impostos que todos pagam no consumo, idênticos para todos os cidadãos, são a mais perfeita demonstração de socialismo, igualdade entre todos, ricos e pobres.
Se o rico paga quando compra, o pobre tem, por princípios socialistas, que pagar o mesmo.
Afinal, Deus é Pai de Todos e todos somos iguais perante a Ele...

Trovas

Resta um pouco de perfume
Nas minhas mãos tão cansadas,
Essa mulher, meu queixume,
Tantas noites, recordadas...


Para que vou protelar,
O que não tem serventia,
Eu só queria um lugar,
Repousar a valentia...

Tanto tempo, tudo pode
Nada a prazo, tudo à vista,
Me escondendo num pagode,
Eu vou acabar budista.

Nos teus pés, já bem cansados
Belos pés, se estás descalça,
Nas danças, abençoados;
Na serenata de valsa...

Não quero mais valentia
Nem tampouco tempestades,
No tanto que me cabia,
Não cabe felicidade...

Te proponho conhecer
O que em mim não saberia,
No teu corpo, me perder,
Raiando essa poesia...

Galo cantando, manhã,
O sol vem devagar, manso,
Meu amor sem amanhã,
Maremoto no remanso...

Cansaço de tantos medos
Segredos destes cansaços,
Quero saber teus segredos,
Me prendendo nos teus braços...

Trova

Vírgulas da minha vida,
Ponto final da paixão,
Dois pontos: a despedida.
Meu amor; exclamação!

Trova

“Beijei a ponta da faca”
Me disse certa menina,
No peito, cravada a estaca,
Da saudade; assassina!

Trova

Vou fazer a serenata,
Cantando pro meu amor,
Tanto vive, tanto mata,
Tanto encanta, canta a dor...

Trova

Na tinta dessa caneta,
Percorrendo esse papel,
Brilhando, vivo cometa,
Iluminando esse céu!

Trova

Quis um outro barracão,
Fiz de zinco, meu castelo,
Em você, a solução,
Amor batendo o martelo...

Trova

Sabia ser sabiá
Que cantava na tardinha
Meu amor, vou te encontrar,
Nessa vida, tão sozinha...

Trova

Quero o gosto da maçã
Quero saber da beleza...
Noite passa, noite vã,
Carregando esta tristeza...

Trova

Na montanha, na planície,
Nos altos deste sertão,
Amando-te tanto, Dirce,
Procurando teu perdão...

Trova

Sabendo ser tão calada,
Falando tanto, tão quieta,
Nessa vida, minha amada,
Essa dor de ser poeta.

Trova

No copo da vida, bebo,
Na embriaguez da saudade.
Tantos planos, não concebo,
Traduzir felicidade!

Trovas

Teus olhos azuis, serenos,
Me lembram de imenso mar,
Neles, conheço os venenos,
Que, tão doces, vão matar...

trova

Minha vida vai passando
Pelos campos, devagar.
Tantos verbos conjugando,
Viver, sofrer e lutar...

trova

Nesse copo de aguardente
Vejo a imagem de quem amo,
Tudo muda, de repente,
Quando por teu nome chamo...

trova

Nasci no meio do mato,
Entre montanhas e serras
E, nadando no regato,
Vou em busca d’outras terras...

Sexta-feira, Julho 28, 2006

Soneto

Marta, tanto temor por não te ter,
Não cabe no meu peito sem sentido
Não sabes, contrafeito, sem querer
Meu mundo mudo, muda, desvalido...

A seca que sufoca meu poder,
Consegue destruir. Tudo perdido...
Recomeçar, contudo, quem há de?
Se nada, nunca mais, foi construído...

Quero o vício delícia toda em ti
Nessa procura insana por meu ego.
Vivendo por viver, já que perdi,

O mundo que não creio, mas carrego.
A luta que na vida, conheci.
Amores que já tive, mas que nego...

Soneto

Nas palavras, eu sei, bem me confundo,
Qual fossem as estrelas lá do céu,
Mundo vasto, tão vasto esse meu mundo,
Perdido procurando o carretel

Que prenda minha calma, indo tão fundo,
A moça mais bonita do bordel,
Coragem, coração tão vagabundo,
Corado vai subindo, num rapel.

Bem sei da serventia desses versos,
Inversos, são meus últimos delírios.
Carrego, procissão, levo meus círios,

Trafego nesses tantos universos,
Causando sofrimentos e martírios,
Sem medo dos tormentos adversos...

Soneto

Vivendo meu tormento, por viver
Sabendo cada dia de saudade,
Tentando sem tentar vou esquecer
A vida que deixei nessa cidade.

Fingindo te querer por não poder
Saber se tens ou não felicidade,
Morrendo devagar, prá não morrer
Queimando cada chama que não arde...

Seguindo tantos falsos mandamentos,
Mascate, vou atrás dessa lembrança,
De quando não havia sentimentos,

Querendo traduzir em esperança
Os dias mais cruéis, nos pensamentos,
Que trazem velhos tempos, qual criança...

Soneto

Sinto a ausência de tudo que já tive;
Os mares navegados no passado,
Os cantos que cantei, por onde estive,
Amores que passei, apaixonado...

A vida vai traçando seu declive.
O tempo transportando, transformado.
A solidão feroz, de dores vive,
Das dores que esqueci, abandonado...

Já tive forças, lutas foram tantas...
Mas, cansado, adormeço no relento.
Essas vozes que escuto, já não cantas.

São as vozes ferozes desse vento,
Que me dizem: ao tempo, todos mantras,
Nada servem, não calam teu tormento...

Soneto

Na tristeza que trago nos meus dias;
Nos medos que me fazem tão calado,
Vivendo cada canto em poesias,
Nos braços que me perco, tão cansado...

Querendo salpicar de fantasias,
O vento que sacode meu telhado.
O cheiro que me vem das maresias;
No pranto, tanto tempo, consolado.

Querendo amor por todas minhas horas;
Inverno que procuro traduzir
Nas horas em que teimas e que choras.

No nada ter nem tento prosseguir,
Nem quero teu silêncio que me imploras,
E nem estar tão perto mais de ti...

trova

Essa solidão que mata,
Maltrata tanto, sem pena,
No canto, na serenata,
Sereno olhar, Madalena...

trova

Saberia te encontrar,
Entre mais de mil amores,
Eu iria te encontrar
No perfume dessas flores...

trova

Amor, por te querer tanto
Esqueci meu próprio nome.
Vítima do teu encanto,
Que, entretanto, me consome...

Amiga

Minha amiga, vida e mar, amar a vida em ti é tudo. Mudo e contrafeito, feito de cada momento, novo tempo e pesadelo.
No novelo em que me envolvem teus lábios, olhares e alma. Calma e chama, chamando por ti.
Amiga, no amargo âmago de cada dia, num novo amor, acidez e luto.
No culto a tudo que invade e persevera, na vera mansidão onde houvera sido o precipício e o meu vazio cálice.
O ápice e a parcimônia, a embriaguez do nada, de nada, contudo...
Vindo o passo, contradança e pasmo, a esmo.
Meu amor esbarra em teus pés, alados e cansados com os vôos incessantes. Mas claudicas, mendigo e me negas, refutas e maltratas.
Sem querer me matas a cada instante, onde não tenho-te e te teimo.
Onde queimo e me destruo, num uno que pretendo duo.
No nada que queria tanto, num esmo que seria canto, meu solo que, em não, erosões transformas...
Na transparência que desfilas, na languidez que me definhas, nas artimanhas que não percebes e usas.
A blusa entreaberta, desperta, acende e pulveriza.
A brisa que emanas, a astúcia que não percebes, delícia e pelúcia.
Amiga, quisera amante; antes e ante tudo, vago por ondas que produzes com as luzes que emites e remetes, confetes e serpenteantes serpentinas do teu andar audacioso e delicado.
Meu fado, meu enfado e fardo. Meu amor risonho e sorrateiro, um último cigarro no cinzeiro, derradeiro e fátuo.
No umbral da janela, onde te vejo, distante e solitária, a esmo, olhares soltos e vadios; adivinho o vinho que não tomarei.
Olhares que não serão meus, ateus, teus olhos procuram por um deus...
Um deus que mal sabes e nem te concebe, que segue outra trilha, noutra ilha, noutro mar.
Amar, armas e almas conjugadas; no fim serão mais nada, ainda nadas em águas com algas que não as minhas...
As unhas arrancam e cravam, travam os meus segredos. Meus medos inundando toda mansidão.
Teu não é, enfim, minha queda. Ácida queda...
Que há de ti? Onde estarias se fosses minha. Minha amiga...
Perigo são teus lábios, ócios e ósculos, oráculos...
As máculas onde calculas minhas mágoas estariam, são as máscaras que uso, abuso e, confuso, o fuso perdi...
Paridas as lágrimas, últimas que derramo, te amo, amiga...
Perdoe a dor e a doença, a luz e a crença, não quero pena e recompensa, apenas que me entendas, estendas a mão e não canses...
Te amar é atar os nós, os pós escondidos nos calçados, após a jornada.
Agora, a hora é embora, partida.
Tida como vida, a lida não espera e grita.
Rito, rituais e tais atos. O contato satisfaz.
Ser feliz é por um triz.
Da vida, pedir bis.
Mas, bisonho, sonho, nada mais...

Tucanolândia - capítulo 23 - Tudo por amor aos súditos

Lena Azevedo

Na tentativa de privatizar, a qualquer custo, o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes), o governo se envolveu num dos maiores escândalos da administração pública. Telefonemas gravados pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, mostraram o balcão de negócios na Assembléia Legislativa para aprovar a matéria que permitia ao governo leiloar o banco. A prisão do empresário Carlos Guilherme Lima, no dia 12 de dezembro deste ano, trouxe à tona a negociação nebulosa entre governo e Assembléia, com a intermediação de Lima.

No dia seguinte à sua prisão, a missão especial federal, que apura a ação do crime organizado no Espírito Santo, divulgou as 24 primeiras gravações de conversas entre Carlos Guilherme Lima, deputados, dois secretários de governo (João Luiz Tovar, da Fazenda, e Jorge Hélio Leal, de Transportes e Obras), a assessora da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefa), Lenise Batista, e o subsecretário da pasta José Mário Bispo.

A polícia afirma que Carlos Guilherme Lima é o operador financeiro do crime organizado, com atribuição de organizar concorrências fraudulentas em várias prefeituras, cuidar das finanças de vários deputados estaduais e ainda fazer lobby na Assembléia para aprovação de matérias de interesse do governo.

A tentativa de privatização do Banestes iniciou-se no final do ano passado, quando o governo enviou para a Assembléia o projeto. Era final de mês, véspera de feriado. José Ignácio Ferreira (sem partido) queria pegar deputados oposicionistas de surpresa e tentar passar a matéria sem alarde. Não conseguiu.

O que seguiu depois, foram inúmeras ações judiciais impetradas pelo Sindicato dos Bancários - argumento de erros no edital e desobediência à Constituição Federal -, passeatas contra a venda do banco. Mas o que mais chamou a atenção de Organizações Não Governamentais (ONGs) e entidades de classe foi o excesso de gastos com consultorias para privatizar a instituição.

O governo gastou quase R$ 5 milhões com empresas contratadas sem licitação, o que equivale ao lucro líquido do banco em um ano. Apesar do processo ser duramente questionado pela sociedade (pesquisas apontavam uma rejeição de 74% à proposta do governo), o Executivo ignorou pressões e seguiu em frente em sua intenção. Às vésperas do leilão, marcado para 13 de dezembro, a Justiça impediu o processo de privatização.

A prisão de Carlos Guilherme e a divulgação das gravações enterraram de vez as intenções de um governo que julgava estar acima da lei e da Constituição. Deputados, secretários de Estado e assessores vão ser indiciados pela Polícia Federal por formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e fraudes licitatórias. O delegado Rogério Marcus Gonçalves Gomes afirmou que todos os envolvidos na cobrança de propina para a aprovação da privatização do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) vão ser intimados a prestarem depoimentos e podem ser indiciados. O delegado Gonçalves, que está coordenando os trabalhos de investigação da missão especial federal, disse ainda que outras prisões devem ocorrer nas próximas semanas.

Um dos que devem ser indiciados pela PF é o secretário de Estado de Obras e Transportes, Jorge Hélio Leal. O superintendente interino da Polícia Federal no Estado, o delegado Wallace Tarcísio Pontes, afirmou que o secretário sabia do esquema de corrupção. "Jorge Hélio se omitiu, cometendo o crime de prevaricação", ressaltou Wallace.

O superintendente se baseou numa entrevista na televisão, onde o secretário de Obras e Transportes disse que tinha ouvido uma conversa do empresário Carlos Guilherme Lima, seu amigo pessoal, sobre a negociata. Na ocasião, Jorge Hélio chegou a dizer que orientou o empresário a sair do esquema.

Wallace ressaltou que como secretário de Estado, Jorge Hélio tinha a obrigação de denunciar todo o esquema de propina para a aprovação da privatização do Banco do Estado.

O secretário de Obras e Transportes do Estado foi procurado para falar sobre o assunto, mas não foi encontrado. Foi informado que ele está em Brasília sem celular.

As gravações que vieram à tona depois da prisão do empresário Carlos Guilherme Lima, no dia 12 de dezembro, revelam todo o esquema. As gravações telefônicas ligam o empresário a políticos e um secretário de Estado. Em uma delas, o empresário oferece ao líder do governo na Assembléia Legislativa, o deputado Gumercindo Vinand (PGT), dinheiro para que fosse aprovado o projeto de privatização do Banestes.

As fitas apreendidas revelam que Lima fazia parte do esquema do governador José Ignácio e do presidente da Assembléia Legislativa José Carlos Gratz (PFL), que se empenharam na venda da instituição. Em uma das gravações Carlos Guilherme conversa com o secretário estadual de Transportes e Obras, Jorge Hélio Leal. O lobista reclama com o secretário que os parlamentares pediam garantia de pagamento do suborno. "Eles queriam cheque rapaz, 16 cheques: Eu falei: rapaz, vocês estão parecendo crianças. Quem é que vai dar cheque a essa altura da vida".

Além de Gumercindo Vinand (PGT) e dos secretários de Estado Jorge Hélio e João Luiz Tovar (Fazenda), estão envolvidos Robson Neves (PFL), Paulo Loureiro (PFL), Luiz Pereira (PFL), José Ramos (PFL). Os funcionários da Secretaria da Fazenda, Lenice Batista e José Mário Bispo também são citados nas gravações.

Os deputados Gumercindo Vinand, José Ramos, Paulo Loureiro e os dois secretários não foram localizados para comentarem sobre a possibilidade de indiciamento.

Robson Neves alegou que só vai comentar sobre o assunto quando tiver acesso ao material gravado. "Eu requisitei as gravações ao Ministério Público Federal. Fiz a solicitação através de certidão. Vou tratar do assunto dentro da lei".

Já Luiz Pereira, preferiu não entrar em detalhes sobre a questão, dizendo apenas que vai "acatar a lei".

A funcionária da Sefa, Lenice Batista, afirmou que vai aguardar a notificação da Polícia Federal para poder esclarecer e tentar provar o contrário. "Continuo trabalhando, cumprindo com o meu dever", finalizou. José Mário, que também trabalha na secretaria não foi localizado.


Na onda de liquidação do patrimônio público, no reino da Tucanolândia, a província da Santíssima Trindade, sob o governo de José Icrécio Olho, aliado histórico de Dom Fernando Henrique Caudaloso queria, a todo custo, privatizar o Banco do Estado.
O desenrolar da história está descrito acima.
No final de tudo, para desespero do Governador da Província, o Banco acabou não sendo privatizado.
Agora, uma pergunta não quer calar, por que haveria tão grande interesse na venda desse Banco?
Certamente e coerentemente, acredito que seja por amor aos súditos...

Quinta-feira, Julho 27, 2006

Jandira

A vida nunca mais seria a mesma!
Ele sabia bem disso e tentava, de qualquer jeito, recomeçar.
Um novo começo era muito difícil, mas se fazia urgente e inevitável.
Recebera um último aviso de seu avô, morto há quase vinte anos.
Era vital para todos, a sua mudança.
O avô era forte, impressionantemente forte e, por isso, respeitado.
Todas as entidades o tinham como um espírito de luz, um guerreiro.
Filho de Xangô, não admitia injustiças, nem perdoava-as.
Vander fora criado pelas tias, duas solteironas frágeis e magricelas, quase tísicas e pelo avô, forte e marcante.
Na mansão de Botafogo, na rua São Clemente, brincava entre as árvores do pomar.
A velha mangueira e a jabuticabeira eram as prediletas. Doces frutos e sabor de infância.
Mas, com a morte de seu avô, a situação econômica da família foi por água abaixo.
Da mãe, somente as notícias, vagas lembranças de um contato no final da tarde de um sábado e a foto, bela foto de uma mulher com os olhos perdidos.
No Hospital, o nome dela estava arquivado para sempre: esquizofrenia.
De resto, a proximidade do verão trazia as moças bonitas e as suas saias... Adolescente tímido, sem amigos, ensimesmado. “Outro esquizofrênico”,pensavam as tias.
Mas não, era tímido, somente isso.
Daquela timidez voraz que impede o contato com estranhos e limita a monossilábicos diálogos com os mais próximos.
Timidez confundida com incapacidade, mas o tempo provaria o contrário.
Recebera de herança da mãe, um enorme desejo de liberdade, olhando para o céu, onde a imaginava, deu para caminhar a esmo pela praia.
A enseada de Botafogo, lá pelas cinco, seis horas da manhã, tinha um fiel companheiro.
As ondas quebrando nas pernas secas, magras, ossudas.
Morto o avô, nada restou de Botafogo, somente as lembranças.
Quintino, o trem, a estação...
A escola Quinze, onde outros meninos, abandonados e órfãos faziam companhia a Vander.
O temperamento mudava pouco a pouco.
Excelente aluno, começara a sobressair-se entre os outros. Isso gerava admiração e revolta.
Ambas eram motivos para aprender a se defender. Os pescoções e os tapas, os pontapés, a navalha percorrendo a carne, o colega morto.
A vida seguindo entre as grades e a necessidade. Fome e espancamento.
Dezoito anos, hora de sair.
Só, sem mais ninguém, resolveu conhecer a mãe e se reencontrar com o avô.
Paulo, colega de escola, irmão de Jandira, bela Jandira.
Com eles, passou a freqüentar um Centro Espírita em Cascadura.
O avô e a mãe, volta e meia apareciam, em meio a um turbilhão de espíritos de diversos matizes.
Mãe louca, mãe boa, mãe.
Agora o avô, não. Esse era altivo e rabugento.
Não gostara de saber que o rapaz estava envolvido em pequenos furtos, quando soube do assassinato de Paulo e o porquê, o velho resolveu intervir.
Bastava já de tantas e tantas besteiras. Precisava recomeçar a vida.
Recomeçar onde e como?
As tias estavam numa quase mendicância, parece que no interior de Minas, Minas não há mais e agora?
Agora restava Jandira, ignorante nas causas e no autor da morte do irmão.
Jandira, companheira, primeiras experiências, as dele, pois ela já se doutorara nas artes e desastres dos prazeres.
Noites quentes, calor embrasador e a boca de Jandira percorrendo todo o corpo, arrepios e prazer, muito prazer.
Pegar Jandira e partir para o mundo, mundo vasto, vasto mundo, Vander e Jandira, estrada comprida...
Cumprira a primeira etapa da viagem, chegou a Espera Feliz, cidade na Zona da Mata mineira.
Pequena e hospitaleira, Espera Feliz acolhera a ambos, sem mais delongas e perguntas.
Começara a trabalhar na colheita do café, ele e Jandira, ambos fortes e sem medo.
Entre os pés de café, a jararaca, o bote, a quase morte.
Soro salvador, quase mata: doença do soro.
Salvo pelo Dr. Ben Hur, médico afamado por aquelas bandas.
Jandira, agora com dois filhos, dois morenos chorões e catarrentos que traziam alegria e medo.
Medo do futuro, mas Deus é bom, dizia Jandira.
Os primeiros sintomas da doença apareceram em pouco tempo.
Cabeça doendo, corpo doente. Intoxicação por agrotóxico.
A vida não poderia ser mais cruel.
Maldita a hora em que Jandira fora pedir a um pai de santo local a ajuda para curar a doença do companheiro.
Paulo, com todas as palavras, dizia através do cavalo onde se incorporara.
-Assassino!
Quem?
-Vander, assassino!
Como?
A perplexidade tomou conta de todos os que estavam no Centro, todos, menos Jandira.
A cura fora completa, o avô interviera com Xangô e tudo parecia estar bem.
A machadada foi perfeita.
Nem o milagroso Dr. Ben-Hur conseguiu dar jeito...

soneto em redondilha

Quero o sabor da manhã,

Vicejando nos teus olhos,

Percebendo teu élan,

Mergulhando nos Abrolhos.

Vagueando vida vã,

Que tão louca vai, engole-os

Todos sonhos, cortesã

Desfiando tantos óleos,

No corpo e mente senis,

Nos meus desejos tão vis,

No que pudera ser tão,

Nem tampouco são servis,

O que nunca fora chão,

Sempre cora, coração...

soneto em redondilha

Quanto mais eu poderia
Falar de tanta saudade,
Nunca mais eu te veria,
Nem no campo ou na cidade...

Quanto tempo existiria
Amor de santa verdade,
Noite clara; em pleno dia,
Nessa dor, calor que arde,

Queimando minha retina,
Cansada de te buscar,
Quero o colo da menina,

Que mora lá no luar,
Me tortura e desatina,
Vivendo só por amar...

A alma feminina

Chegara há pouco naquela cidadezinha perdida nas matas das Gerais.
Médico recém formado, dono dos invejáveis vinte e cinco anos de idade; época da vida em que se é rei e não se percebe.
Fora contratado para trabalhar no Programa de Saúde da Família, trabalharia na zona rural, num pequeno distrito longínquo da sede do município.
Nos primeiros dias, a notícia de que havia um jovem doutor se espalhou pela cidade, alvoroçando o coração da moças casadoiras e namoradeiras do lugar.
Extasiado com tanto assédio, começou a ter o prazer de ser bajulado e cortejado por todos na pequena cidade.
Feio não era, até pelo contrário, mas era tímido. Muito tímido por sinal.
E isso o impedira de ter tido as experiências com o sexo oposto comuns à sua idade e a “posição social” que atingira, de repente.
Família pobre, estudando com todas as dificuldades que são lugares comuns nesse país das injustiças, conseguira se formar com muito sacrifício de todos, inclusive dele.
No Rio de Janeiro, enquanto seus colegas saíam à noite, nas baladas cariocas, ele ficava em casa estudando ou dando plantões e mais plantões para ajudar a pagar a faculdade.
Mulheres? Não as teve, exceto uma ou outra namorada que, ao perceberem que o namoro se resumiria a um cinema no final da tarde ou um refrigerante na porta da faculdade, rapidamente iam “cantar em outra freguesia”.
Uma das coisas que o médico do Programa de Saúde da Família tem que fazer são as visitas domiciliares.
Normalmente, na zona rural, a realidade é muito diversa da que estão acostumados os urbanos doutores.
A simplicidade e a pobreza são lugar comum; mas a recepção com um cafezinho ou com a fruta da época são freqüentes. Café com guarapa, como é conhecido o caldo de cana nesses grotões.
Um bolo de fubá aparece, não se sabe como e é degustado com prazer verdadeiro e risonho.
Naquela região não era diferente, o que passou a dar ao nosso doutorzinho, uma nova dimensão de felicidade.
Numa das casas, morava uma senhora viúva com seus quatro filhos, dois meninos e duas meninas.
Maria Inês e Maria da Glória, duas meninas típicas da roça.
A mais velha, Maria Inês, com seus dezoito anos era mais tímida, escondida sobre uma mão que ocultava os dentes precocementes estragados e o sorriso doce da ingenuidade.
Mas quem chamava a atenção era Glorinha, menina ainda com seus catorze anos mal completados.
A primeira vez que a vira, reparara que ela não o olhava, sempre olhando para baixo.
A roupa de chita rasgada, mal ocultava os seios recém nascidos e rijos, seios que chamaram a sua atenção...
Os pés descalços, cheios de “bichos de pé”, diagnosticados como tungíase pelo doutor, os cabelos sujos e desalinhados contrastavam com os seios, belos seios emergindo por entre os rasgões do vestido.
Terminada a visita, o doutor retornou ao seu trabalho e à sua casa.
Nem mais se recordava da menina nem dos seios quando, um mês depois, foi comunicado de que iria retornar àquela casa.
Tudo como antes, tudo, as mesmas deficiências de vitaminas, a mesma miséria, a mesma ausência de tudo, o mesmo chão de terra batida, com os mesmos colchões e os mesmos cães dividindo o espaço com os habitantes da casa.
A única diferença que repara foi na mochila escolar esfarrapada que, a menina, enrubescida, usava por sobre o ombro direito...
Mal sabia ele que esse era o único enfeite que ela dispunha...

O Brasil não conhece o Brasil...

Como não conheces o país aonde vives!

Cada vez mais me assusto com a cruel realidade em que vivemos, há uma total ignorância do que seja a pobreza e a miséria por parte de uma classe média arrogante e ensimesmada.

Essa “elite branca” não consegue ver um palmo à frente do nariz e fala sobre o que não conhece e nem sequer imagina.

Quando se tem um país dividido, claramente, em castas, à moda indiana; a dura realidade das ruas não consegue tocar e muito menos se fazer ouvir pela oligofrenia social e econômica dos que se julgam donos da verdade e, infelizmente, por ignorância estão totalmente distantes dela.

Um rápido exame demonstra que a miséria simplesmente é vista como algo contagioso e distante.

Nos condomínios de classe média e nos bairros da pequena burguesia, a simples presença dos famintos é vista com ojeriza e preconceito. Não se consegue entender o que seja fome, muito menos pobreza.

Para quem, como eu, lida com este estrato da população no dia a dia, e conhece esta realidade de perto, nada mais triste e desanimador do que perceber que o Brasil não conhece o Brasil, e nem quer conhecer.

A história de Buda se repete a cada dia nas esquinas das grandes cidades, onde uma família a pedir esmola logo traz a idéia de banditismo e de tráfico.

Pobre para essa parte asquerosa da nossa sociedade, é sinônimo de bandidagem ou de pilantragem.

Há os que pensam que a fome é simples figura de retórica.

O quilo do arroz, para o miserável, pesa muito mais na economia deste do que os finais de semana em Búzios ou no litoral paulista para essa “classe média branca e preconceituosa”.

Os “donos da verdade” se fazem de juízes e de “comentaristas” sobre um mundo que não sabem conceber, pois desconhecem.

Quando se vê uma criança desnutrida e faminta, a reação dessa canalha é fugir.

Fogem do espelho que estampa a cara do mundo em que vivem e não conseguem encarar, por medo ou hipocrisia.

Este nosso país é, ainda, o país das desigualdades sociais, herança de centenas de anos de exploração, sob o olhar complacente e cúmplice da nossa “elite”.

Não falo da elite rica e dasluiana, essa não; pois essa casta nem sabe direito o que é Brasil, já que vêm e vão para o trabalho nos helicópteros particulares, em atitude verdadeiramente principesca.

Falo do pequeno burguês, do pequeno empresário, do funcionário público medianamente graduado, dos doutores de escritório e de consultórios ricos e com secretarias gentis e de “boa aparência”.

Falo dessa nossa estranha e obscura multidão de protegidos da pobreza, que passam por ela e a ignoram, que depositam seus reais nos programas televisivos de “caridade” e acham que estão quitando a sua conta com Deus.

Falo dessa enorme multidão de engravatados que circulam nos centros comerciais das cidades grandes e que, ao dar bom dia ao porteiro, se acham “boas e perfeitas almas”.

Falo daqueles que compram uma quinquilharia qualquer anunciada na televisão, e contribuem com as “casas de ajuda aos pobres”.

Pobre não quer ajuda, quer dignidade!

O dia do trabalho na roça vale dez reais, DEZ REAIS, e os energúmenos não conseguem entender isso!

Os programas assistencialistas são “uma esmola que vicia o cidadão?”

Concordo, mas vá você passar um mês todo com menos de um salário mínimo e me diga que é um programa politiqueiro!

Vá pegar um ônibus lotado, depois outro e outro para chegar no trabalho, duas a três horas depois e ter que ouvir que “o brasileiro é vagabundo”.

Vá ter seu filho crescendo faminto, subnutrido, sem assistência médica adequada...

Vá passar uns dias de fome e, quem sabe, de sede, na casa de um desses milhões de brasileiros.

Eu acho que essa experiência seria fantástica para vocês conhecerem o país onde vivem, seu povo e suas necessidades.

Peguem uma enxada, capinem o dia inteiro, de sol a sol, comendo uma comida fria, sem sabor, sem proteína, e depois receba dez reais por isso.

Veja a cara de nojo com que essa nossa “elite branca” olha para você e sinta a maravilha de ser brasileiro.

Mande seus filhos venderem balas nos sinais, fazer malabares enquanto você recolhe latas de refrigerantes e cerveja e papel para poder viver mais um dia, faça isso por uma semana, somente uma semana.

Mande suas filhas se prostituírem por qualquer cinco reais para poder garantir um pouco mais de comida na mesa.

Façam isso e me digam depois se os cem reais por mês de ajuda são politiqueiros e eleitoreiros!

Enfrentem os mangues podres, buscando caranguejos para manter a panelada de arroz e feijão feita no fogão a lenha, para ser disputado pelos filhos.

Dispute a palma com o gado, para não morrer de fome! Bebam a água apodrecida nas cacimbas para não morrer de sede!

Tentem sobreviver desta forma, pelo menos uma semana!

Agora, uma coisa irá surpreendê-los: esse povo faminto, miserável, por incrível que pareça, é muito mais solidário que a pequena burguesia hipócrita, solidário e companheiro, amigo.

Na pobreza; se divide o pão, na sede; se dá água, na dor; se dá alento.

Alento e consolo, coisas que a nossa elite não conhece.

Tome um pouco de cachaça, mesmo que te chamem de alcoólatra, escondidos sob o glamour dos vinhos importados e do uísque paraguaio que teimam em ostentar.

Tome um gole, converse com os companheiros, batize seus filhos, console as dores de todos, e tão comuns e iguais.

Faça isso e perceberás por que Jesus Cristo,quando veio à Terra, não quis a “elite branca” nem a burguesia. Nasceu e viveu entre os miseráveis de seu tempo, falou com eles e para eles.

Depois de dois mil anos, o trigo e o joio continuam iguais.

Absolutamente iguais.

A próxima vez que orares e fores a um templo, pensem nisso.

O verdadeiro Cristo não anda de helicóptero e nem tem nojo dos homens e, muito menos, não passa por eles como que a ignorá-los.

Tenha coragem e arrebente a redoma de vidro em que vives, te garanto que vai ser muito bom, para sua alma e para sua vida.

Daí, quem sabe, vás começar a entender que coisa linda e maravilhosa é o ser humano, em sua essência e que “cheiro de povo” é muito mais agradável do que o cheiro do cavalo.

Tucanolândia - capítulo 22 - Negócios? Sim. Negociatas? Nunca!


Uma das coisas mais admiráveis dos governos da Tucanolândia é a honestidade.
Podem comprar qualquer mercadoria que venha de lá que a garantia é absoluta.
Não se compra carro com documentos atrasados, muito menos estatais com problemas de dívidas.
O sistema financeiro do reinado, antes de Dom Fernando Henrique Caudaloso, comportava vários bancos estatais, inclusive bancos das províncias.
Um dos maiores era o Banco de Saint Paul, conhecido como Banespa; uma das mais importantes instituições do reino.
Constava sempre entre os maiores bancos do reinado, tanto em capital quanto em depósitos.
Mas, vítima de tantos e tantos desgovernos, as suas dívidas eram gigantescas.
Quem vai querer comprar um Banco falido e endividado?
Sabiamente, Dom Gerald Aidimin, pensou no assunto e resolveu, num ato inspirado e coerente, sanear as contas do Banco para depois vendê-lo.
Isso, obviamente, era uma saída genial e que manteria, a todo custo, a fama de honestidade do reinado.
Porém, as dívidas do Banco com a União eram gigantescas, e os compradores não poderiam esperar muito tempo.
A brincadeira ficou relativamente barata. Nada que cinco bilhões de reais não resolvessem.
O banco espanhol que fez a compra não reclamou muito não.
Agora, os milhares de subnutridos, analfabetos e desassistidos da província não gostaram muito da idéia.
Mas Dom Gerald Aidimin, codinome “O Gerente”, mais uma vez demonstrou a sua gigantesca capacidade de fazer bons negócios.
Segundo a maléfica oposição, “negociatas”...

Quarta-feira, Julho 26, 2006

O vento que venta lá...

Uma das coisas que me deixam intrigados é a tentativa de se criar uma imagem do presidente Lula como se fosse um ignorante, um incapaz.
Quando me recordo da eleição de Ronald Reagan à presidência norte americana e sua reeleição, isto me parece contraditório.
Não se pode deixar de lembrar também o “Exterminador do Futuro”, Arnold, atual governador da Califórnia.
Pode-se não gostar de Lula por vários motivos, mas a acusação torpe de que ele seja ignorante e despreparado e seria esse a causa de um possível desequilíbrio governamental é absurda e denota não tão somente o preconceito, mas também a discriminação.
O fato de termos um pseudo intelectualismo disseminado e arraigado na nossa cultura, com uma eterna subserviência de uma classe média a uma elite econômica gera situações desse naipe.
Engraçado que ninguém comenta sobre o grau de instrução do nosso vice Presidente, cuja universidade cursada foi a mesma de Lula.
O fato de termos um curso superior nos prepara para determinada área do conhecimento e não para o conhecimento global, embora a cultura e a educação sejam substratos importantes para o crescimento global do cidadão, embora não essenciais.
Se observarmos a inteligência em suas diversas matizes, um gênio como Pelé e Schumacher, melhor que qualquer doutor, são os maiores em suas áreas de atividade.
Assim como, para se ser gênio na música, assim como o foi Baden Powel, não há a necessidade de se conhecer profundamente a teoria musical, embora a capacidade seja potencializada pelos estudos. Nesse ano, comemoramos Mozart que, aos cinco anos de idade, não tinha cursado nenhuma universidade de música, e era um mestre maior que todos os professores reunidos.
Obviamente, a política é uma arte e destarte exercer a política necessita de dom; e isso, inegavelmente, Lula tem.
Assim como outros nomes da história da humanidade, de Abraham Lincoln a Adolf Hitler, isso falando sem preconceitos...
Querer atingir Lula por este flanco demonstra a incapacidade de coordenação de idéias e de argumentação.
Ao entrar em um centro cirúrgico, obviamente ficarei mais tranqüilo se o meu anestesista for Alckmin, se for Lula o profissional que for me anestesiar, te garanto que saio correndo.
Agora, os resultados econômicos dos dois governos demonstram uma diferença cabal entre as EQUIPES DE TRABALHO de ambos.
Obviamente, toda moeda tem duas faces, há os que acham que houve uma queda da qualidade de vida, que houve uma “roubalheira” ímpar.
Mas peço, com toda a humildade dos ignorantes, que me apontem, com números e datas a famosa “maior corrupção da História do Brasil”.
Seria muito bom se alguém pudesse dizer o volume de dinheiro e as fontes de onde vieram tais fortunas.
Não quero justificar um erro com o outro mas ver representantes dos “honestos e íntegros” governos tucanos despejarem essa bazófia sem comprovarem nem demonstrarem volume e origem me deixam um tanto quanto intrigado.
Não sou filiado a partido político algum, não falo em interesse próprio, aliás a classe média continua pagando a conta mas, dessa vez, através de alguns programas sociais de importância fundamental, como o PROUNI, o FIÉS, o PRONAF, o Luz Para Todos entre outros, me dão a certeza de que meus impostos estão sendo melhor investidos.
Como alguém disse, “é melhor que os bancos tenham maiores lucros, a partir de uma maior circulação de dinheiro do que se retirar dinheiro do povo para salvar as instituições financeiras”.

Tucanolândia capítulo 21 - Bom vendedor, com certeza, mas gerente...

No Reino da Tucanolândia, de repente, da noite para o dia, ocorreu um surto de privatizações inéditas na História da Humanidade, uma verdadeira liquidação, tudo a preço de banana.

Uma queima de estoque que trouxe compradores de todas as partes do mundo, negócio de pai pra filho, uma verdadeira mamata...

Melzinho com chupeta, como diziam os comerciantes da 25 de março, rua famosa em Sampa, capital de Saint Paul.

Assim como na 25 de março, os preços das mercadorias eram absurdamente mais baixos do que os de mercado, num milagre típico da Tucanolândia, assim como o “milagre econômico” da década de 70, tivemos o milagre da queima de estoque.

Bancos, empresas de Telefonia, distribuidoras de energia elétrica, estradas de rodagem, tudo entrava no mostruário da lojinha de Dom Fernando.

Dom Gerald Aidimin não poderia ficar para trás, tinha que fazer umas negocinhas em Saint Paul.

Ter mercadoria, eu vender, afirmava com o sorriso aberto, nosso mascate paulistano.

Pois bem, em cinco anos de vendas, o Governador obteve um lucro muito bom, com trinta e dois bilhões e novecentos milhões de reais de faturamento sendo que, somente o setor energético deu uma receita de quase vinte e quatro bilhões de reais.

Essa grana toda, deixou todo mundo alvoroçado e feliz da vida com dom Gerald, inegavelmente um bom vendedor.

Mas, como nada é perfeito e não se pode exigir a perfeição de ninguém, ao frigir dos ovos, a realidade que se mostrava era bem outra...

Ao se constatar a dívida pública, motivo para o qual se fizeram as liquidações, essa estranhamente aumentou!

A dívida crescera de trinta e quatro bilhões de reais em 1994 para cento e trinta e oito bilhões de reais em 2004. Se descontarmos a inflação, o aumento foi de 33,5%!.

Isso, apesar de Dom Gerald ter liquidado dois terços do patrimônio público da província.

Agora, Dom Gerald argumenta que é um excelente gerente...

Pobre Dom Gerald, a gente quando tem uma deficiência deve escondê-la e não tentar fazer a apologia dela.

Dom Gerald, como demonstrado acima, é um EXCELENTE VENDEDOR mas, gerente... Aí é outra história...

Terça-feira, Julho 25, 2006

No sertão da Solidão


Nasci no sertão de meu Deus, perto de uma curva do Rio Solidão, lá pros lados da Serra da Borborema.
Criado ouvindo o gemido da ema, o mugido do gado faminto e as lamúrias e ladainhas de minha avó.
Filho do nada e de Inalda, moça bonita que partiu para o Rio de Janeiro e morreu no cais do porto.
Assassinada por um estivador apaixonado. Enterro de pobre, vida de pobre, prostituta envelhecida precocemente.
Boi, gado, boiada, fome...
A vida me maltratando com as esporas do destino cravadas no lombo, a mão pesada do patrão, as marcas das amarras e das surras. Moleque matreiro, boi indomável, dei muitas e muitas rasteiras no corisco do azar.
Mas o pequeno boiadeiro cresceu, virou o rei da vaquejada naquelas terras, terras do Coronel Antonio Carlos, velho cruel e protetor.
Os amigos eram protegidos, mas os desafetos, bala e carabina, fuzil e estricnina, morte e sofrimento.
Varrendo todo o sertão da Bahia, égua baia, vida baia, no cocho da esperança, o sal penetra fundo e inunda de sede quem tenta a sorte.
Rei das vaquejadas, meu futuro estava traçado, montando os cavalos bravos e rompendo o sertão de Minas, lá no Jequitinhonha, acabando no mar, como o Riacho que norteava a vida, o riacho da Solidão.
Seu moço, não quero agradar a ninguém, se quiser pode ir embora que não me importo não, mas se quiser me conhecer, é melhor preparar o estômago e agüentar o tranco.
Filho de prostituta e do nada, sou víbora também, não sei suportar arreio, de tanto chicote não temo mais nada, nem a espora dos coronéis nem os anéis das Marias nem das Joanas.
Quero, antes, a liberdade do vento na cara. Essa marca nas costas lembra um A, mas não é marca do gado que não sou mais, é marca do chifre do touro bravo que montei, sangrando.
Liberdade, me falam que estás na bandeira mineira, eu acredito, pois é a minha bandeira, ainda que demorada.
De morada fiz o meu mundo nessa terra sem dono, sem rei, meu reinado.
Meu mundo é o novo, onde não existe mais gado, nem laço, sem cansaço e servidão.
Sem serventia, sem valentia, somente o vento na fuça, o vento tragando tudo. Me inundando de alegria.
Não quero ser coronel, nem quero coronel, não quero jagunço, nem gado e nem montaria.
Quero poder voltar para o Rio da Solidão, buscar minha avó, encontrar Inalda, minha mãe, atravessar o caminho do estivador no cabaret da praça Mauá, quero poder ser de novo um menino, sem marcas e sem esporas.
Quero ser o rei, reinado de menino, reisado e romaria, rota nova, vagando pelo sertão.
Ser tão e tão ser, certo no incerto da vida.
Espera sem espora, sem expor a cara pra tanto tapa. Tapados os olhos, os óleos sagrados de Deus nas costas, onde o A da cicatriz sumiu. Os calos da mão sendo substituídos pelos claros do caminho.
Viver em disparada, sobre meu cavalo correndo pelo sertão, desse reinado sem rei...

Non sense

Tanto quanto poderia,
Falar de tanto que sei
Da vida, nova vida, adia
A vadia que sonhei.
Na avidez de nada ter,
No não temer nem a dor,
De nada tendo a perder,
Lívido, divido a flor
Do pensamento mais louco
Que nada se faz do tanto,
Desse tanto que é tão pouco,
Carregando, levo o pranto.
Na tímida lua nova
Que me inspira tanta luz
Que me traz de novo, a trova
Travada a sangue, no pus
Escorrido pela face
Marcada pelas manhãs
Que, antes que tudo embace
Traz as febres das terçãs.
Me pergunta, nessa espreita
Nova forma, mais disforme
Carregada na maleita
que comigo, amante, dorme.
Quero vícios meus ofícios
Meu principal precipício,
Principiando meu verso,
N’avesso dess’universo...
Tinhas tantas teimosias
Em tuas aleivosias,
Tantas velhas melodias,
São as minhas fantasias.
Quero o sedento sabor
Do mais que a sede dará.
Quero o acre gosto da dor
Na maçã que brotará.
Macia a boca nojenta
Que me escancara desejo
No podre sabor do beijo,
Represa que se arrebenta.
Nocivo gosto de morte,
Transgredindo todo norte,
No topo de minha sorte
Não há ninguém que me importe.
No serão nem no seria,
No sertão, na maresia
Nos olhos de mãe Maria
Trafegando rebeldia.
Quero o medo dos meus medos
Catarse e virginal hímen,
Afagar todos segredos,
Fugindo desse teu lúmen.
Liberdade, tão às moscas
Emboscas e me torturas,
Na noite das luzes foscas,
Tateando nas procuras
De minha cara metade,
Na metade do clarão,
No meio dessa cidade,
No cerne do meu sertão.
Vi teus olhos passageiros,
Teus olhos são os primeiros
Que encontrei nessa viagem
Neles, pedindo paragem.
Falando tanta bobagem
Rasgando meu coração,
Pedindo pelo perdão,
Nas dores, amores agem...
Vou terminar meu incerto,
Concretizar o concreto,
Prometo ser mais discreto,
Amor pedindo meu veto...
Poeta, sempre poeto,
Sempre cometendo rima,
Amar vai trazendo estima,
Estimação de moleque,
Na vida piso no breque.
O resto vai a reboque...
Nas mãos, meu velho bodoque,
Vitrola tocando roque,
Dos versos, final de estoque.
Isso que já cometi,
Nesses versos sem sentido,
Foi porque eu me perdi,
Quando te vi, sem vestido.
Nua caminha na sala,
Embala os sonhos caminha,
A pele, traje de gala,
Que pena não seres minha!

Unção e cura.

Trabalhando numa equipe de PSF na região do Patrimônio da Penha, município de Divino de São Lourenço, no Espírito Santo, durante uma visita familiar me surpreendi com uma dura realidade:
Fui chamado para dar atendimento a uma família que teimava em não receber nem agentes de saúde, nem enfermeiros e, muito menos, médicos.
Ao tentar manter contato, fui recebido pelo “chefe” da família que, arredio ao contato, me informou que “naquela casa, médico não entrava”.
Perguntei o porquê e ele me disse que não teria condições de “comprar os remédios”, ao que repliquei que esses medicamentos não seriam comprados já que ele os tinha pago com os impostos que estavam embutidos nas mercadorias e serviços que utilizava no dia-a-dia.
Sem outros argumentos, me recepcionou e permitiu a minha entrada na pobre casa.
Num primeiro olhar, me deparei com uma realidade estranha; havia três mulheres mais jovens e uma senhora que aparentava uns cinqüenta anos.
Uma das moças, a mais velha provavelmente, apresentava-se com uma erisipela em estado avançado, formando uma úlcera no tornozelo, complicação comum da doença.
Ao, disfarçadamente, perguntar sobre as outras mulheres da casa, a matriarca me interrompeu afirmando que estavam todas boas, inclusive a doentinha.
Segundo ele, a perna da moça estava melhorando e “Deus a iria curar”.
Ao perguntar qual o medicamento que ela estava usando, a resposta veio ágil e firme:
-Água ungida!
Após essa afirmativa, me deparei com um rádio, daqueles antigos que têm ondas curtas, único eletrodoméstico da casa.
Ao conversar com meu auxiliar, fiquei sabendo da história.
Havia um pastor de uma dessas igrejas “de Deus” que, através do rádio, “ungia” a água colocada ao lado do aparelho.
Tal água, após a unção era aplicada sobre a perna da doente.
Obviamente a melhora não estava ocorrendo e a presença da febre alta e da queda de estado geral da moça demonstravam a piora do quadro.
Parei, pensei e tentei arquitetar uma forma de estimular o uso do medicamento.
Rapidamente, peguei um pedaço de sabão de coco, e uma caixa de antibióticos e analgésicos, além de um pacote de gaze e perguntei a que hora era o programa do tal pastor.
Ao ser informado de que iria começar em minutos, pedi para ligar o rádio e, pacientemente, esperei a hora da transmissão do “programa milagroso”.
Solicitei a todos, inclusive ao meu auxiliar, que ouvisse o programa e orassem junto com o pastor, na tentativa de unção do pacote de medicamentos, gaze e sabão de coco.
Dito e feito, depois de “ungidos”, solicitei que, após a perna ser lavada com a água e sabão, fosse dado os medicamentos, todos devidamente ungidos.
A melhora da paciente foi evidente, com a cicatrização da ferida e a cura da erisipela.
A partir desse dia, cada vez que necessitam, transformo o tal pastor em meu maior aliado.
Sem o saber, agora ele está ungindo até vermífugo.

Lobo em pele de cordeiro

Uma das coisas que tem sido veiculada e aceita por uma boa parte das pessoas é a afirmativa de que o Governo Lula e o Governo FHC são parecidos.
Isso é uma mentira descabida, há diferenças estruturais e práticas evidentes.
Imaginemos um estabelecimento comercial, com a mesma estrutura em dois momentos diversos.
Num primeiro momento, o gerente deste estabelecimento vendeu quase todas as mercadorias a preço de banana, vendendo não somente as mercadorias, mas também os armários, móveis, escrivaninha, o padrão da energia, deixando o estabelecimento quase sem estrutura física.
Além disso, foi ao sistema bancário, pegou uma fortuna emprestado e, ao invés de diminuir o déficit da empresa, aumentou formidavelmente sua dívida.
E, finalmente, demitiu vários funcionários, criando uma situação insustentável.
Por outro lado, aparece um outro gerente que, às custas de economias, paga parte da dívida, não vende mais nada, e recomeça um ciclo de criação de empregos.
Qualquer comparação entre os dois gerentes nos dá uma óbvia idéia de diferenças administrativas, isso é claro e evidente.
As desculpas usadas, afirmando que houve um gigantesco desvio de verba do estabelecimento pelo segundo gerente permite duas avaliações:
1- ou o primeiro gerente foi extremamente guloso na expropriação dos bens do estabelecimento ou 2- foi de uma incapacidade administrativa sem precedentes ou os dois.
De qualquer forma, o que me impressiona é a tentativa de se tentar demonstrar que houve igualdade nas administrações.
Aliás, isso é muito comum, a tentativa de se tratar o povo como se esse fosse débil mental.
Não se pode esquecer nunca de que todo poder emana do povo, e em nome deste deve ser exercido.
Não falo que o Governo Lula tenha sido um primor, que não tenha me decepcionado e até me magoado com seus desacertos; mas querer comparar com o período FHC é demais.
Nunca na história recente deste país se viram tantas maracutaias e trambicagens quanto no período tucano/pefelista no governo.
E, não adianta tentar disfarçar, a candidatura de Alckmin e José Jorge não é nada mais nada menos do que a reedição desse período maldito da história brasileira.
O simples fato de se pensar no retorno do país a esses tempos tenebrosos é capaz de criar pesadelos em todos os que querem um país melhor.
A tentativa de se apresentar Alckmin de uma forma mais tragável e dissociado de FHC é como a utilização de uma máscara para tentar fazer pensar que é cordeiro o que tem rabo de lobo e uiva ao invés de berrar.
Não deixemos que isso aconteça, precisamos colocar essa corja no seu devido lugar, no esgoto da história.
Quem quer que ganhe as eleições, exceto esse pessoal que destruiu o país ou por incompetência ou por ladroagem, me dará o conforto de saber que posso deixar algo melhor para os que virão.
Pensem nisso antes de se deixarem levar pela carinha de bom moço ou a aparente “fragilidade” e “inocência” desse tal de Geraldo...

Tucanolândia 20 - vagabundo é o próprio mundo...

Vivíamos, na Tucanolândia de Dom Fernando Henrique Caudaloso, um dos momentos mais difíceis de sua História. Havia necessidade de se fazer uma reforma na Previdência Social, já que o povo tucanolandês, teimosamente, contra todas as previsões, passara a viver mais.
Paralelamente a isso, tínhamos um aspecto interessante e peculiar, coerente com o temperamento disseminado entre a população e , principalmente, entre os governantes: A sonegação.
Sonegação de um lado, aumento do tempo de vida do outro, o que tínhamos era um déficit cada vez maior, o que geraria, indubitavelmente uma quebra no sistema.
Don Fernando não tinha outra opção: tinha que fazer uma reforma o mais rápido possível.
Claro que, se melhorasse o sistema arrecadatório e passasse a punir com mais rigor os sonegadores, isso poderia ter sido resolvido de uma forma mais branda mas, isso seria querer demais do famoso Sociólogo e Monarca.
Pois bem, não havendo outra solução, Dom Fernando alterou as regras do jogo.
Um adendo se faz importante, Sábio e famoso Professor, Dom Fernando havia sido exilado à época da ditadura militar, e isso conferira a ele uma aposentadoria bem mais precoce do que a que estabelecia a nova lei.
Isso não importa, mas ao observar a reação da oposição e dos aposentados, Dom Fernando foi taxativo:
Quem aposenta antes da velhice é vagabundo!
A maioria dos professores e professoras, inclusive o próprio Rei se aposentavam antes de chegar à velhice, o que ocorria também com os profissionais de saúde e, pior, os presidentes todos, mesmo que tivessem tido somente alguns dias de mandato, se aposentavam com salário integral, os deputados se aposentavam e se aposentam com um tempo de “serviço” muito menor do que a maioria da população do reino.
A declaração, um verdadeiro ato falho do rei, demonstra o quanto que o inconsciente da elite tucanolandesa é claro.
A nobreza de caráter de um homem como FHC não permite que ele se aposente antes de morrer, os seus proventos são cumulativos, de professor, senador e presidente da república.
Para alegria do povo tucanolandês, ainda lúcido e coerente como sempre, Dom Fernando ainda tem participação ativa no tão amado reinado.
Foi um dos principais artífices da candidatura de Gerald Aidimim, que teve a sorte de aposentar antes da reforma da previdência, aos precoces e vagabundescos 42 anos de idade...

Segunda-feira, Julho 24, 2006

Tucanolândia - Capítulo 19 - Não quero outra vida pescando no rio de Jereré


Como dissemos no capítulo anterior, a província de Saint Paul experimentava no governo de Dom Gerald Aidimin, aliado de Dom Fernando Henrique Caudaloso, uma queda importante no percentual de participação econômica no Reino; fruto da dobradinha tucana nos Governos do Reino e da Província.
Isso fez com que a gigantesca locomotiva, por questões de economia de energia, diminuísse a potência usada para carregar os vagões, ou seja, as outras províncias.
O crescimento cavalar que se anunciava ia rabo abaixo, formando uma bela cauda, como se fosse um cometa, às avessas.
Pois bem, paralelamente a isso, obviamente as oportunidades de trabalho diminuíram vertiginosamente, havendo em dez anos, um crescimento do desemprego em 33, 6 por cento, sendo que a taca de desemprego chegou a dezessete e meio por cento contra uma média de 10,9% do Reino.
Paralelamente a isso, Dom Gerald Aidimin reduziu o orçamento das frentes de trabalho em nove milhões.
Isso é uma demonstração da capacidade administrativa de Don Gerald Aidimin que, a continuar desta forma, prometendo repetir a nível federal o que fez com a província teremos um novo Reinado, a Desempregadolândia.
Aliás, já no reinado de Don Fernando Henrique Caudaloso, o desemprego aumentava em todo o reino, numa demonstração de que o real, realmente valia muito, já que o povo não queria nem precisava trabalhar, sendo que um biscatezinho aqui e outro acolá, bastavam para sustentar a família.
Se vocês não se recordam dos símbolos do plano real, escolhidos por Dom Fernando Henrique Caudaloso, vamos a eles:
Em primeiro lugar, o frango a um real, ou seja um dólar o quilo, embora hoje esteja a um real e meio, ou seja setenta e cinco centavos de dólar.
Depois, a dentadura, a que boa parte da população passava a poder ter acesso, desmentindo a música dos Titãs, que nos chamava de um país de banguelas.
Claro que hoje, a assistência odontológica mais ampla poderá minimizar esse grande feito de Dom Fernando, mas esse fato é histórico.

Domingo, Julho 23, 2006

Assombrações

Seu moço, tome cuidado
Ao caminhar no sertão,
Tem tanto bicho arretado,
Tem tanta da assombração
Que te peço, devagar,
Ande com muita atenção
Prá móde não encontrar,
Lobisomem ou papão.

Me contam, e eu acredito,
Que nas luas das mais cheias
Se você ouvir um grito
Lá pros lados de Candeias,
Pode sair de mansinho,
Que o negócio fica feio,
Vai vazando de fininho,
Senão, de ti, sobra meio...

Outra coisa que me falam,
Nisso tudo ponho fé,
Essas coisas me abalam
Tremo da cabeça ao pé,
Vento nas folhas da mata,
É coisa feia de vê,
De repente, a gente engata
Com o tal do Pererê.

Mas assombração pior
É a que vem da carabina,
Que vai matando sem dó,
Nada detém a assassina...
Pega a gente de tocaia,
A bala vem lá do céu,
Por todo canto que saia,
A mando do coronel.

Não adianta nem chorar,
Nem pedir por caridade,
Quando a ordem é de matar,
Nada impede essa verdade,
Não adianta floreio
Nem adianta fardunço
Quando a morte vem por meio
Desses cabra, dos jagunço.

Tanta gente já morreu,
Na luta por sua terra,
Pois que não seja mais eu,
Que o bom cabrito não berra,
Nessa luta desigual,
A gente vira bandido
Pro povo da capital,
Invertendo os ‘contecido.


Quando vejo no jornal,
Falar que nós tam’ errado
Fico passando até mal
Esse povo anda enganado.
Nós só queremos, Doutor,
Um bocadinho de chão,
Terra de Nosso Senhor,
Um pouco desse sertão.

De sangue foi adubado,
Nascendo revolução,
Pois se não dá outro arado,
Nem brota outra plantação,
Só queria ter decência
Uma vida mais humana
Venho pedindo clemência
Nós num somos safardana.

Somos gente mais sofrida
Em busca de solução,
Dignidade na vida,
Garantindo nosso chão,
Seu doutor, pois me desculpe
Eu não quero lhe irritar,
Mas, por favor não me culpe
É grande o nosso lutar.

Desde pequeno sofrido,
Sem esperança de vida,
Do nosso canto banido,
Nossa esperança perdida,
A bala roçando a nuca,
A fome comendo a pança,
A morte sempre cavuca,
Desde os tempo de criança.

Quando a gente vai, reclama
Nós somos os baderneiro
Mas a nossa velha chama,
Brilhando no candeeiro,
A tristeza que eu engulo,
Aqui nesse matagal,
Já inspirou seu Catulo,
Já iluminou seu Cabral.

O meu nome é Severino,
Sou das mata do nhambu,
Caminho desde menino,
Me chamam Jeca Tatu.
Tenho o Brasil no meu peito,
A esperança, companheira,
Ficaria satisfeito,
Alegria verdadeira,

Se vocês desse pra gente
Um restozinho de pão
Doutor pros nossos doente,
Pros filhos educação,
Prá plantar basta uma enxada,
Um pedacinho de chão,
A gente não quer mais nada,
Não quer dar amolação.

Prá lembrar pro povo crente,
Falo em nome dum judeu
Que curou tanto doente,
E que, na cruz, já morreu.
Pois bem esse carpinteiro,
Um pobre trabalhador,
Famoso no mundo inteiro,
Por disseminar amor,

Também vagava na terra,
Sem ter nenhum parador
Quando subia na serra,
Falava sem ter temor,
Os coronéis torturaram
Tinham medo da verdade,
E depois crucificaram,
Usando da crueldade.

Pois, se ele hoje voltasse
Pobre como sempre foi,
Eu duvido que escapasse
E, sangrado como um boi,
Pelos nossos coronéis,
Pelas bala e por navaia,
Amarrado pelos pés,
Vítima de uma tocaia...

Trovas e contra trovas

Mote – Há muito tempo que a “massa” não vê o pão.

Trova

Nesta vida – que desgraça-,
Há sempre contradição:
Há muito tempo que a massa
Nem passa perto do pão!


Contra trova

Uma verdade é bem nobre,
A conhece toda gente,
Um frango em mesa de pobre?
Um dos dois está doente...

Trovas e contra trovas

Mote– Se não houvesse distância, não haveria saudade.

Trova

Desde os meus tempos de infância
Eu escuto esta verdade:
Se não houvesse distância,
Não haveria saudade...

Contra trova

A distância, na verdade,
Alimenta o meu desejo,
Vou morrendo de saudade
Vivendo naquele beijo...

Trovas e contra trovas

Mote - quem inventou o trabalho não tinha o que fazer.

Trova

Pulando de galho em galho,
Levo a vida, sem saber;
Quem inventou o trabalho,
Não tinha o que fazer...

Contra trova

Quero um trabalho “demais”,
Quero um trabalho bacana,
Onze férias anuais,
Só seis folgas por semana...

Trovas e contra trovas

Mote – Bezerro rejeitado não escolhe a teta...

Trova

Por ser feio e desprezado,
Eu faço qualquer mutreta!
- O bezerro abandonado,
Não deve escolher a teta...

Contra trova

É por isso minha amada,
Que não paro de t’amar,
Minha sorte abandonada,
Vem cá, me dê de mamar!

Trovas e contra trovas

Mote – Lá fora chove, aqui, pinga!

Trova

Se chove, devo parar,
“tirando o meu da seringa”;
Não posso me lamentar:
-Lá fora chove, aqui, pinga...

Contra trova

Este mundo é arretado,
Não quero ficar sozim,
Não vou chover no molhado;
O que quero é “pinga em mim”...

Trovas e contra trovas

Mote – velhice é doença que a medicina não cura

Trova –

Pra dizer, peço licença,
Esta verdade é a mais pura:
-A velhice é uma doença
Que a Medicina não cura!


Contra trova

Doença pior existe,
Bem pior que a velhice,
É uma doença bem triste,
‘Tou falando da burrice...

Trovas e contra trovas

Mote – Na subida, Deus me ajuda; na descida, Deus me acuda...


Trova

Deus está sempre a meu lado
E, na subida, me ajuda;
Mas peço, quando embalado,
Que na descida me acuda!

Contra trova

N’ embalo da minha vida
Eu deixei muita saudade.
Na subida e na descida,
Foi tanto amor de verdade...

Trovas e contra trovas

Mote – Velho não manda brasa, manda fumaça...

Trova

Velho sabido, não casa
E, do casório, acha graça;
Pois ele não “manda brasa”:
O velho manda “é fumaça”.

Contra trova

Meu avô, aos seus oitenta,
Casou de novo; acho graça
Camisinha el’ arrebenta
Ou derrete, faz fumaça...

O criador e a criatura

Ao observarmos o ataque da aviação israelense às torres transmissores de TV no centro e no norte do Líbano e ao sul daquele país, além de atacarem os retransmissores de telefonia celular, temos a certeza de que não há somente uma tentativa de se destruir as bases do grupo Hezbollah mas, principalmente, há um ataque visando a destruição de uma nação livre e independente, numa atitude totalmente injustificável.
A presença de milhares de estrangeiros naquele país, descendentes das enormes colônias sírias e libanesas espalhadas pelo mundo a fora, nos dá a dimensão da história desses povos, eternamente expulsos de sua terra natal.
A invasão pelo Império Otomano com a migração de milhares de libaneses e sírios, em busca de outros paises para que pudessem sobreviver, depois substituída pela invasão francesa, o que fez com que aqueles povos milenares só atingissem a liberdade na metade do século passado, transforma esse povo num dos mais sofridos e oprimidos da nossa história recente.
O Líbano principalmente; conhecido como a “terra do cedro”, era tido como “a Suíça do Oriente Médio”, devido a sua relativa paz e prosperidade, tendo Beirute como uma das mais belas cidades do Oriente Médio.
A beleza de suas praias é impar, o que faz esse país um dos paraísos turísticos mais belos do mundo.
Sua formação cristã e maometana, povos que conviviam pacificamente até a invasão israelita que gerou uma das maiores guerras civis do Oriente Médio, até que a paz voltou a reinar.
Hoje temos a destruição da infra estrutura de um país belo, com feições ocidentais e um povo mais pacato e sereno que a maioria dos povos árabes.
A possibilidade da entrada da Síria no conflito com a deflagração de uma guerra de proporções muito maiores do que podemos imaginar, existe e deve ser considerada por todos.
A posição do governo Bush de somente intervir depois de que se tenha destruído o Líbano é coerente com as atitudes covardes e torpes do Império americano.
A reação contra os EUA, por meio de ações como as executadas pelos afegãos e pela Al Kaeda poderá se tornar mais um capítulo da história dos EUA contra o terrorismo para o qual ele é o maior estimulador.
Estas reações a omissão ou a ação de um país como os EUA que bloqueia todas as tentativas de pacificação fazem com que, grande parte do mundo civilizado passe a ter uma posição ideológica contra os norte americanos.
Esse preço a ser pago pelo povo americano, nas ações terroristas, não pode ser reclamado pelos mesmos, já que a conta paga pelo mundo às ações e omissões de Bush é muito cara e muito dolorosa.

da necessidade de uma máscara para Geraldo

Alckmin enfrenta saia-justa por buscar apoio de GarotinhoO candidato, que tem dois palanques no Rio, ouviu calado a crítica de Denise Frossard ao ex-governadorWilson TostaRIO DE JANEIRO - O candidato do PSDB a Presidência da República, Geraldo Alckmin, passou por momento de constrangimento por causa do namoro político da coligação que o apóia com o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, que tem como um dos articuladores dessa aproximação o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em visita ao centro de convivência Marcelino D´almeida, Alckmin, ao responder a uma pergunta sobre as articulações em relação a Garotinho, disse: "Queremos o apoio de todos os peemedebistas". Minutos depois, ouviu uma irritada reação da candidata do PPS ao governo do Estado, deputada Denise Frossard (PPS), que o apóia. "Duvido que alguém se associe a um PMDB local, que é autor, sim, desta irresponsabilidade administrativa que vem causando mortes", disse. Ela criticou seu adversário pelo PMDB, o senador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que tem o apoio de Garotinho e sua mulher, a governadora Rosinha Garotinho, do mesmo partido. Alckmin ouviu a declaração, hostil ao grupo político que corteja no Estado, calado, com um sorriso protocolar ao lado da candidata. Depois do centro de convivência, Alckmin visitou a comunidade Jardim Moriçaba, em Campo Grande, zona oeste, onde conheceu o projeto Favela Bairro, de urbanização de comunidades carentes, mantido pela prefeitura. Ausente O candidato percorreu algumas ruas sob sol forte com apoio de cabos eleitorais de candidatos a vereador e ao som de jingles eleitorais, em ritmo de funk. Ele minimizou a ausência do prefeito Cesar Maia, que o apóia, mas já expressou desagrado em relação a um eventual apoio de Garotinho a Alckmin, que o prefeito, pela rejeição que, segundo ele, o governador tem no Estado, seria o "beijo da morte". Segundo Alckmin, o prefeito não compareceu porque tinha compromissos administrativos que o impediram de participar do evento. À tarde, Alckmin irá a Duque de Caxias com o candidato do PSDB ao governo estadual do Rio, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), que também apóia.


Pobre Geraldo, continuam as suas agruras e amarguras.
Mais uma vez, em busca de uma eleição para a qual topa qualquer parada, inclusive a de passar a aprender a uivar como os lobos da floresta, os felpudos pefelistas, toma uma bronca.
Depois da que teve que ouvir de Dom Toninho Malvadeza, agora foi a vez da carangolense Juíza.
Realmente, foi constrangedor. Quanto a César Maia, esse já se especializou num esporte inusitado – Pancada em Tucano.
Quase uma caça, pois já se tornaram usuais as alfinetadas.
Outra coisa que me chamou a atenção foi o ritmo usado pelos cabos eleitorais, se analisarmos, tem tudo a ver Geraldo e o Funk.
Ou melhor, o fuck, já que o seu partido fez o povo brasileiro dançar esse ritmo por muito tempo...
Voltando ao funk, imagino a cena do Doutor Geraldo, extremamente animado, dançando um funk carioca.
“Só as cachorras, as preparadas” e dá-lhe doutor Geraldo...
Inclusive, na hora do Bonde do PCC, ia ser um momento inusitado para o querido doutor.
Seria uma forma de homenagear o excelente Governador de São Paulo, acredito que o deixaria extremamente saudoso e o comoveria às lágrimas...
Outra coisa, Anthony e Doutor Geraldo se merecem, pois o resultado de suas administrações nos últimos anos, tornaram ambos os estados conhecidos no mundo inteiro como verdadeiras ilhas de tranqüilidade nesse mundo turbulento.
Garanto que, mais tranqüilos que o Iraque e o Líbano, pelo menos, o Rio e São Paulo são.
Bacana esse trio – Garotinho, César e Geraldo, é um trio para ninguém botar defeito...
Geraldo, um conselho; compre uma máscara, aliás, várias, pois se, a cada bronca que tomar, o rosto ficar ruborizado, pelo menos a máscara vai disfarçar.
Aliás, não é uma máscara comum não, vai ser preciso uma nova, de pau...

Oportunidades e oportunismo

Alckmin promete início da reforma tributária em janeiro
Maria do Carmo Bauer

CRICIÚMA - O candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), prometeu neste sábado, 22, para os empresários do Sul de Santa Catarina que a reforma tributária começa em janeiro. Caso eleito, também garante para o início do próximo ano outras duas "espinhosas" reformas: a administrativa e a política.

Essas coisas são incompreensíveis.
Como acreditar numa promessa de um candidato que, durante oito anos teve o poder absoluto sobre o Executivo, o Legislativo e o Ministério Público e não fez absolutamente nada.
As reformas urgentes e necessárias que, durante oito anos do governo tucano estiveram na gaveta, sem que nada se fizesse para aprovar as mudanças necessárias para o melhor andamento da máquina administrativa foram colocadas em segundo plano.
Outras reformas, como a da Previdência foram feitas às duras penas pelo governo atual, sob fogo cerrado e com obstáculos terríveis causados pela oposição.
A própria lei das diretrizes orçamentárias encontra dificuldades gigantescas para ser aprovada, devido a manobras desta mesma oposição.
Por que não foram feitas essas reformas na época em que os tucanos e os pefelistas estavam no poder?
A resposta parece ser meio que óbvia: em primeiro lugar, não havia nem vontade política e nem eram objetivos do Governo FHC, mais preocupado em sucatear e depois liquidar com o patrimônio público e garantir a reeleição e as verbas necessárias para que o governo pudesse “azeitar” o legislativo e manter a “Engavetadoria Geral da República” sob controle.
Muito me conforta saber que Alckmin sabe que essas reformas são necessárias, mas pergunto porque a Oposição sempre as emperrou e não deixou que fossem feitas.
Será que o motivo, quero crer que não, foi simplesmente o de impedir que o país andasse?
Essa tática de “não fazer e impedir que outro faça” é, no mínimo canalha, pois demonstra a incapacidade de ver o bem comum como um objetivo suprapartidário, denotando uma forma absurda de se fazer política.
Em primeiro lugar, temos que analisar o quanto isso é sintomático, a partir do momento em que, simplesmente para se aprovar uma coisa essencial como o FUNDEB, a oposição cerra fileiras com o propósito de impedir a execução de tal medida para que os louros não recaiam sobre o Governo.
Depois, podemos ver que o grupo de Geraldo Alckmin, tendo tido tantas oportunidades de executar essas reformas e não as fazendo, irá as fazer?
Creio que não, acredito firmemente que tais afirmativas do candidato Geraldo, coerentemente, não vejam a oportunidade de fazê-las mas, simplesmente, demonstram o OPORTUNISMO em prometê-las.

Tucanolândia 18 - Crescimento cavalar, começando pelo rabo...


Tucanolândia era um Reino formado por várias províncias, e a disparidade econômica e social destas, era gritante. Tínhamos algumas Províncias com padrões de vida próximos aos da Europa, no sul do reinado, outras com padrão de vida iguais aos dos países mais pobres da África.
Dentro destas províncias havia, também, a maior desigualdade social do mundo. Alguns poucos ricos exploravam os muitos pobres, num sistema de relação entre capital e trabalho que beirava a escravidão.
Dom Fernando Henrique Caudaloso, como vimos nos capítulos anteriores, tinha se “livrado” dos maiores problemas do reinado, causadores imediatos desta disparidade; ou seja, as grandes empresas públicas, já que era impossível para o povo do reinado administrar sem falcatruas ou trambicagens qualquer coisa que fosse.
Dom Fernando, como sociólogo de formação, achava que o gene da pilantragem estava embutido nos cromossomas do “povo caboclo”, sendo essa a origem de sua paixão pela Europa, para onde ia e ainda vai quando quer “descansar” do contato com os aposentados vagabundos e com o povo ignaro e pobre.
A principal província do Reinado era a de Saint Paul, a conhecida locomotiva nacional.
Saint Paul, historicamente, representava o maior centro econômico do Reino, com suas indústrias, e agropecuária de porte gigantesco.
Um verdadeiro pólo para onde migravam grande parte dos miseráveis e famintos do Nordeste, expulsos pelos governos incompetentes e pela fome, sendo atraídos como mariposas pela luz, na procura de uma sobrevivência mais digna.
Interessante disto tudo, é dizermos que, com a extinção da SUDENE e a falta de uma política para a melhoria da qualidade de vida deste povo, o inchaço da megalópole paulista se tornava, cada vez mais evidente.
Pois bem, desde 1995, o Governo do Estado paulista estava nas mãos de aliados de Dom Fernando, ou seja, com apoio integral do reinado para que pudesse não somente manter, como expandir as suas riquezas.
Se analisarmos que esta província era a mais populosa e rica do país, e que esta contava com apoio integral do Reinado, podemos imaginar que o crescimento desta seria consistente e evidente.
No Governo provincial tínhamos tido Sir Mário Corvos, respeitado político local, homem que detinha a admiração de grande parte dos súditos, tanto da província quanto a nível nacional.
Depois da morte deste, assumiu Dom Gerald Aidimin, médico anestesista que tinha sido prefeito de uma cidade do interior da Província; homem apático e sem carisma.
Mas, ao contrário do que se imagina, mesmo com todo o apoio do Rei, famoso pela máxima “aos meus amigos tudo, aos meus inimigos, meu desprezo”, a economia da província entrou em decadência.
Como prova da qualidade administrativa da dupla Corvos/Aidimin temos os seguintes números:
Em 1995, quando os tucanos assumiram o poder na província, a participação desta, percentualmente, era de 37 por cento do PIB nacional, já em 2004, nove anos depois, tivemos, sob o mesmo governo tucano, uma queda para 32,6 por cento. Com um decréscimo de doze por cento da economia em nove anos.
Se continuarem no poder por mais cinqüenta anos, nesse ritmo, teremos uma bela competição pelo cargo de locomotiva, entre a província paulistana e a grande província das Lagoas, governado no passado pelo ex-Rei Dom Fernando Colo Melado, de triste memória...

Sábado, Julho 22, 2006

Trovas e contra trovas

Mote – Se é verdade que o mundo gira, voltarei a te encontrar.

Trova



Disseram que o mundo gira,
E me custa acreditar;
Se, acaso, não for mentira,
Voltarei a te encontrar...

Contra trova



Nas curvas da minha vida,
Capotei meu coração,
Hoje, nova despedida,
Amanhã, recordação...

Trovas e contra trovas

Mote – O coração é velho, mas a máquina é nova.

Trova

Cuidado, presta atenção,
Eu posso te dar a prova,
-Se é velho o meu coração,
Minha “máquina” está nova...

Contra trova


Na boca, pus dentadura,
Essa é a melhor hipótese,
Para que fique bem dura,
Na máquina, botei prótese...

Trovas e contra trovas

Mote – é de saudades que choro.

Trova

Sem parar, eu vou tocando,
Pelas vias, onde moro;
Enquanto em ti vou pensando,
É de saudades que choro...

Contra trova

A saudade me atormenta,
Maltrata meu coração,
Saudade, doce pimenta,
Temperando esse estradão.

Trovas e contra trovas

Mote – Sogra não é parente; é castigo.

Trova

-Não se engane, minha gente,
Pois é verdade o que eu digo:
-A sogra não é parente;
A sogra é mesmo um castigo.

Contra trova

Não fale assim desse jeito,
O bom cabrito não berra,
Meu casamento é perfeito!
Sogra? Debaixo da terra...

Trovas e contra trovas

Mote – Mulher feia e morcego, só saem à noitinha...

Trova

Não vou perder meu sossego,
Prefiro ficar “na minha!”:
-A mulher feia e o morcego,
Só “vão à luta” à notinha...

Contra trova

Depois de três, quatro doses,
Não reclamo desse fardo,
Passam por metamorfoses,
Todo gato, fica pardo...

Trovas e contra trovas

Mote – Se disserem que te esqueci, saiba que já morri...

Trova

Se, um dia, alguém te disser,
Que o teu amor esqueci,
Reza por mim, Ó mulher,
Pois, nesse dia, morri.

Contra trova

Dessa morte, te garanto,
Que não corro mais perigo,
Viúva, com tanto pranto,
Carrego uma já comigo...

Trovas e contra trovas

Mote – procuro um Doutor para o mal da saudade.

Trova

Procuro por um Doutor,
A maior autoridade,
Que me cure deste amor,
E me livre da saudade...

Contra trova

Não há nada que assegure,
Nem toda penicilina,
Esse mal, não há quem cure,
Mesmo em toda Medicina...

Trovas e contra trovas

Mote – Pinto que não bica não sai de dentro da casaca.

Trova

Da mulher pobre ou da rica,
Se puder, tiro uma lasca;
-O pintinho que não bica,
Não sai de dentro da casca...

Contra trova.

Eu, na verdade não digo,
Sobre esse assunto me calo,
Eu não vou correr perigo,
Do pinto virar um “galo”...

Obrigado, Gianfrancesco


O Brasil perdeu hoje, 22 de julho de 06, um de seus maiores nomes quando falamos em cultura e em luta contra a terrível ditadura que nos assombrou durante décadas.
Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Martinenghi de Guarnieri, nascido em Milão, no em oito de agosto de 1934, veio para o Brasil com a família, sendo filho de Edoardo, diretor do Teatro Municipal de São Paulo, maestro e violoncelista, adotou o Brasil como pátria, sendo um dos grandes batalhadores no teatro, tendo como companheiros gente da estirpe de Oduvaldo Viana Filho, entre outros.

Adotando o país, mergulhado numa situação política vergonhosa, sua luta pela redemocratização e a reinstalação do Estado de Direito, rendeu-lhe respeito e admiração nos meios artísticos e culturais brasileiros.
Suas peças, como ‘Eles não usam black-tie, Arena conto Zumbi, entre outras, se tornaram clássicos e referências para quem quiser conhecer o teatro brasileiro nas décadas de 50 e 60.
Uma delas, Eles não usam black-tie, foi magistralmente levada ao cinema, durante o ano de 1981, época em que vivíamos um momento marcante da luta pela redemocratização do país.
A temática da peça, sobre os movimentos sindicais e a utilização das greves como forma de luta contra a repressão econômica e política, foi expressiva, já que, à época, o movimento sindical atingia seu ponto crucial no país, paralelo à criação do Partido dos Trabalhadores.
Pai de cinco filhos, de dois casamentos, deixa-nos com 71 anos de idade.
Seu último trabalho foi na novela Belíssima de Silvio de Abreu.
Com a perda de Raul Cortez e de Gianfrancesco Guarnieri, a cultura e o teatro nacionais ficam empobrecidos, e a luta pela democratização do país perde um de seus baluartes.
Para os mais jovens, fica a lição de amor de um cidadão pela terra adotiva, terra a quem amou como poucos e dedicou uma vida de luta pela liberdade e pela arte, uma das coisas mais essenciais para transformar um país em pátria, com suas identidades e com o respeito do seu povo por ele mesmo, gerando uma auto-estima que, a cada dia, precisamos aprender a desenvolver, para que a cidadania plena, seja exercida por todos.
A luta de Guarnieri não pode ser esquecida e deve ser conhecida por todos os mais jovens, para quem a nossa história não pode omitir.
Pessoas como o teatrólogo e ator, não podem ser deixadas de ser lembradas, assim como Oduvaldo Viana Filho, entre outros, pois é dessa massa que se faz a solidez e ao futuro de nossa terra.
Obrigado por tudo, Gianfrancesco...

Tucanolândia - capítulo 17 - De fazendas e invasões

Estávamos no ano de 2002. No reino da Tucanolândia, havia uma desigualdade social gigantesca e os conflitos agrários se tornavam repetitivos e cada vez mais agressivos.
Tínhamos tido episódios de massacres e mortes, desde os tempos mais primordiais da História do Reino.
A grilagem de terras por um lado e as invasões de propriedades se tornaram assunto de dia-a-dia, sendo que a Reforma Agrária prometida nunca vinha de forma a contentar nenhuma das partes envolvidas.
A partir dos movimentos de base da Igreja Católica, a Pastoral da Terra, surgiu um movimento coordenado de ação para a tentativa de execução da Reforma Agrária, o MST.
Como era de se esperar, as punições aos grileiros eram extremamente raras, e as terras griladas, na maioria das vezes, passaram a pertencer, oficialmente e extra-oficialmente, aos poderosos invasores.
No mês de março de 2002, o MST invadiu uma propriedade particular do Rei Dom Fernando Henrique Caudaloso.
Pela Constituição, os bens privados não poderiam ser tratados como bem público e, pelo que me consta, a propriedade do cidadão Fernando Henrique Caudaloso não era e nunca seria um Bem público, pois se fosse, com certeza, ele teria privatizado-a ou, pelo menos tentado...
Mas, esquecendo-se da Constituição, Dom Fernando, convocou o Exército para efetuar a desapropriação.
Topete primeiro que, naquela altura do campeonato, era o Governador da Província das Gerais, e já estava de relações cortadas com Dom Fernando, motivada pelo que acusava de ser “apropriação indébita” do seu plano econômico, o Real, não gostou muito disso não.
A utilização de tropas federais para a defesa de propriedade privada era um abuso de autoridade inconteste, o que levou à reação da oposição, a quem Dom Fernando acusava de ser a mentora de tal invasão.
Depois de muito disse me disse, com ameaças, inclusive, da utilização da policia militar pelo Governador Topete primeiro, a situação foi superada.
Mas, para muita gente, ficou a impressão de que, para Dom Fernando Henrique, todo o país era propriedade sua, onde poderia fazer o que bem entendesse.
Fato esse comprovado pela venda “a toque de caixa e a preço de banana”, dos bens públicos, ou seja de Don Fernando...

Sexta-feira, Julho 21, 2006

Candelária, 13 anos

Neste domingo, dia 22 de julho, completam-se treze anos de um dos mais vergonhosos e injustificáveis atos executados pelos órgãos de repressão na História recente deste país.

Em frente a uma das mais belas e representativas Igrejas deste país, a da Candelária, no Rio de Janeiro, duas Kombis, lotadas com policiais militares, executaram, sem justificativa cabal, oito menores que dormiam naquele local.

A execução destas crianças e adolescentes, abandonadas à própria sorte por uma sociedade cruel e dispare, por criminosos pagos com o dinheiro público com a função de proteger o cidadão, demonstra a que ponto o servilismo desta gente e o despreparo para a vida chega.

Servilismo a uma sociedade que não reconhece a sua culpa perante a miséria e a fome, perante a agonia em que vive uma boa parte das pessoas famintas e desvalidas das cidades grandes e suas periferias, perante a sua ineficiência em conter as disparidades sociais.

Despreparo tanto moral quanto profissional pois, tendo a sua origem, na maioria das vezes, em camadas sociais próximas às das vítimas, reage contra os mais indefesos e frágeis, incapazes que são, de entenderem onde estão, o que são e o que representam.

No bojo desta absurda e indefensável atitude, está a visão de grande parte da classe dominante, inclusive e principalmente a classe média, de que a pobreza e a miséria são sinônimo de banditismo.

Ao vermos, diariamente, centenas e centenas de políticos, autoridades policiais, como delegados, inclusive da Polícia Federal, autoridades do judiciário, como juízes, envolvidos em desvio de bilhões de reais, temos a noção de quanto errônea é essa visão.

As vítimas, inclusive meninos de quatro anos de idade, barbaramente atacadas por criminosos de farda, indesculpáveis numa atitude canalha e torpe, são o retrato da terra brasilis.

Onde a vítima é colocada como o algoz e os carrascos ainda posam de heróis.

Tudo isso me enoja ao extremo, e não consigo conceber outra atitude contra esse tipo de ação, a não ser uma exclusão social por tempo extremamente longo, com a aplicação de pena máxima para quem ataca o indefeso e o mais fraco.

A sensação das “cordilheiras” desabando sobre as flores inocentes e rasteiras, muito bem colocada por Paulo César Pinheiro, se aplica totalmente nesses casos.

Alguns hipócritas me dirão: Os meninos eram criminosos.

Isso, na tentativa de justificar o injustificável. Se analisarmos profundamente, criminosos somos, então, todos nós, direta ou indiretamente responsáveis pela produção em série de crianças e adolescentes sem lar, sem família, sem nome, sem escola, sem amor, sem futuro.

E o maior roubo que se pode fazer contra uma criança ou contra um adolescente, é roubar-lhe a esperança.

Assassinar a quem não resta nada, nem a esperança, é um ato de extrema covardia, injustificável e irreparável.

Quando vejo uma criança, de quatro anos de idade, largada ao próprio destino, lutando pela sua própria sobrevivência, me pergunto até onde vale a pena a vida?

Até onde iremos, com nossas atitudes egoístas e hipócritas?

Não estou sendo piegas, embora não possa escapar de certos lugares comuns.

O furto da esperança, o roubo do amanhã, e o assassinato dos sem defesa, pelos agentes remunerados para a defesa da sociedade, me levam a entender os PCCs e os CVs, como uma reação até certo ponto esperada, uma reação a atos que não permitem diferenciar os policiais dos bandidos, bandidos da pior espécie, assassinos de crianças e adolescentes...

A contra reação se torna urgente e inadiável, uma contra reação apostando na Educação, na Saúde, na oportunidade de se devolver a esperança a nossos meninos e meninas, batizados de “menores” pela sórdida imprensa policialesca.

Temos, enquanto país e povo, a obrigação de darmos dignidade a essa gigantesca camada excluída da população brasileira.

Sob o risco de, amanhã ou depois de amanhã, vermos os PCCs da vida, transformarem, não somente o desgovernado São Paulo, mas todo o país em um gigantesco Canudos.

Basta de Antonio Conselheiros na nossa História.

Basta de Vigário Geral, de Candelárias, de PCCs, BASTA!

Erro de estratégia

Lula cometeu um erro inegável ao preterir Itamar Franco quando cerrou fileiras com Newton Cardoso, em Minas Gerais.
Newton Cardoso é um político do nível de um Paulo Salim da vida, sendo um dos piores governadores de Minas, famoso por sua falta de critérios éticos e tendência a se envolver em escândalos, desde os tempos em que era Prefeito de Contagem, a segunda cidade de Minas.
Esse erro se percebe em três frentes: em primeiro lugar, não acrescentou em nada na candidatura de Nilmário Miranda, excelente caráter, ótimo sujeito, mas com insignificante penetração dentro do próprio estado, sendo que o PT mineiro conta com políticos de maior expressão e aceitação, como Patrus Ananias, Paulo Delgado, entre outros...
Em segundo lugar, o afastamento de Itamar Franco da campanha pró Lula, traz um enfraquecimento entre os que admiram e têm em Itamar um homem íntegro e de mãos limpas. A bem da verdade, seu governo foi de uma retidão incomum, culminando com o plano real que, realmente, conseguiu estagnar a inflação.
O principal erro de Itamar foi na escolha de seu sucessor, dando de “presente de grego” para o povo brasileiro, o sociólogo decrépito e falastrão, responsável pelo período de maiores escândalos e desgovernos da história do Brasil, com gigantesca piora econômica do País, como diz Helio Fernandes, “o homem dos oitenta anos de atraso, em oito”.
Em terceiro lugar, a opção por Newton Cardoso, faz com que o, até então, omisso Aécio Neves, passe a ter uma atuação mais contundente na campanha de Alckmin.
Esses erros podem custar muito caro a Lula, podendo reverter uma posição tranqüila em Minas, onde sua vitória se demonstrava clara e evidente.
Há uma possibilidade real do crescimento de Alckmin e, principalmente, de Heloísa Helena, já que Alckmin carrega a “herança maldita” do desgoverno de FHC.
Esses erros se demonstram na última pesquisa que aponta Queda de Nilmário e aumento de Aécio Neves.
Aturar Newton Cardoso é dose para elefante.
Se lembrarmos que, nas últimas eleições para governador de Minas, o Newtão teve menos que cinco por cento dos votos, veremos o quanto foi equivocada esta opção...

Tucanolândia 16 - quem tem amigo, não morre pagão

Capo capixabaTestemunha diz que ex-PM matou sócio do Bingo Arpoador no Rio a mando de José Carlos Gratz
Dono de um império de jogatina e indiciado pela CPI do Narcotráfico, o presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, deputado José Carlos Gratz (PFL), está sendo acusado agora de ser o mandante do assassinato do empresário Albérgio Alexandre Araújo, sócio do Bingo Arpoador, em Copacabana, no Rio de Janeiro. As investigações conduzidas pelo delegado de homicídios do Rio, Paulo Passos, apontam como um dos pistoleiros o ex-PM José Renato Maia, integrante do DOI-Codi durante a ditadura e matador a serviço de banqueiros do jogo do bicho. Depois de contar em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público que Gratz teria mandado matar Albérgio Araújo, a testemunha Geraldo Luiz Ribeiro de Almeida – empregado em Vitória de uma empresa do PM Josias Rodrigues de Oliveira, membro da Scuderie Le Cocq e segurança do deputado – também reconheceu José Renato como participante do Esquadrão da Morte capixaba. A polícia suspeita que a causa do assassinato esteja ligada à exploração das máquinas caça-níqueis por Albérgio no bingo. “O deputado José Carlos Gratz também é proprietário de todas as máquinas caça-níqueis existentes no Espírito Santo, e em cada cidade existe um dono de fachada”, acusou Geraldo de Almeida, que foi incluído pelo Ministério Público no programa federal de proteção à testemunha. “Conforme apuramos, Gratz controla várias casas de bingo como sócio oculto, sempre com contratos de gaveta”, reforça o chefe da Procuradoria da República no Espírito Santo, Ronaldo Albo
Em depoimento gravado e filmado pelos federais, Almeida descreveu como aconteceram 15 assassinatos no Espírito Santo a mando de Gratz e do coronel PM Walter Gomes Ferreira, apontado pela CPI do Narcotráfico como chefe do esquadrão da morte capixaba. Almeida diz também que integram a rede de jogatina de Gratz cinco bingos em São Paulo. No Rio de Janeiro, além da parceria com o banqueiro de bicho Capitão Guimarães, o deputado seria sócio do Bingo Arpoador – formalmente seu nome não aparece na relação dos 21 proprietários da empresa.
Poder paralelo – Mesmo com todas as denúncias, Gratz está aproveitando o enfraquecimento do governador José Ignácio, enrolado com as denúncias de corrupção no Estado, para ampliar sua força no governo. Na primeira semana de julho, ele emplacou Edgard Rocha Filho na presidência da recém-criada Loteria do Estado do Espírito Santo (Loteres). Na sexta-feira 13 de julho, o Diário Oficial do Espírito Santo publicou uma resolução do presidente da Loteres em que libera a instalação de máquinas caça-níqueis no Estado, apesar de elas serem proibidas em todo o território nacional por legislação federal. Na noite da quinta-feira 26, ISTOÉ ouviu o governador José Ignácio, que deixou o PSDB após intervenção do diretório nacional do partido no Estado que o ameaçava de expulsão. “Eu não sabia disso, estou abismado”, reagiu o governador. “Isso é uma loucura, foi feito à nossa revelia”, endossou o secretário da Fazenda, José Luiz Tovar, chefe de Rocha. Na sexta-feira 20, a resolução foi revogada. O episódio serve para mostrar que Gratz comanda um governo paralelo no Espírito Santo em que seus apadrinhados obedecem apenas a ele.
Gratz, no entanto, está enfrentando um cerrado cerco das instituições federais. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, só autorizou o funcionamento do Bingo Camburi, em Vitória, depois que o deputado foi excluído da sociedade. O problema de ser dono oculto de um império é na hora de prestar contas à Receita Federal. O Fisco apurou que, nos últimos cinco anos, a evolução patrimonial de Gratz não bate com sua renda declarada. Além de ter sido multado, ele vai responder a processo por crime de improbidade administrativa. Como a situação de José Ignácio está cada vez mais complicada com a descoberta de que o caixa dois de sua campanha alimentava suas contas, o vice-governador, Celso Vasconcellos, poderia encomendar o terno da posse. Mas Vasconcellos – segundo avaliação de políticos capixabas de todas as tendências – não resistiria a investigações. O terceiro na linha sucessória no Espírito Santo é justamente Gratz. Por causa desse complicadíssimo imbróglio, o presidente Fernando Henrique Cardoso encomendou à Advocacia-Geral da União um estudo sobre as possibilidades de intervenção federal no Espírito Santo.

O deputado José Carlos Gratz (PFL), presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, foi à tribuna, na quarta-feira 1º, a pretexto de se defender da acusação da testemunha Geraldo Ribeiro de Almeida, que, em depoimento à Polícia Federal, o apontou como mandante do assassinato de um sócio do Bingo Arpoador, no Rio de Janeiro. Dono de um império de jogatina e indiciado pela CPI do Narcotráfico, Gratz distribuiu agressões ao chefe da Procuradoria da República no Espírito Santo, Ronaldo Albo, ao prefeito de Vitória, Luiz Paulo Veloso Lucas, e a ISTOÉ. Inspirado em He-Man, personagem de desenho animado, abusou de baboseiras, como “sou invencível” e “sou mais forte que a fortaleza”. Mas o capo perdeu a força por causa da implosão de seu grupo político: um dia depois, três deputados estaduais se desligaram do PFL. Foi um racha pragmático. Com o aval de Gratz, eles fecharam um acordo com o vice-governador Celso Vasconcelos (PSDB). Aderiram à proposta de impeachment do governador José Ignácio, envolvido em um esquema de propina. Mas Gratz passou uma rasteira na própria turma e se acertou com o governador em troca da colocação de apadrinhados na Secretaria de Educação e nas presidências do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo e da Loteria do Estado.
Fechada a barganha, Gratz mostrou serviço. Vetou a prorrogação dos trabalhos da CPI da Propina, o que fará com que a comissão encerre as apurações antes de receber o rastreamento dos cheques do caixa dois da campanha de José Ignácio em 1998. E escalou para a Comissão do Impeachment apenas deputados dispostos a salvar o governador. A sessão da Assembléia quase acaba em pancadaria e a aprovação da comissão foi adiada para a segunda-feira 6. Mesmo fazendo o jogo do governador, Gratz tem como plano B a conquista do governo, estendendo o impeachment ao vice-governador. “Aí a Assembléia elegeria o deputado Robson Neves”, diz a deputada Fática Couzi. Gratz e Neves dividem um escritório no Palácio do Café, em Vitória.
O cerco contra José Ignácio está se fechando. Seu cunhado, coordenador de campanha e ex-secretário de governo, Gentil Ruy Ferreira foi preso, a pedido do MP, na segunda-feira 30. Outro ex-caixa de campanha, Raimundo Benedito, está foragido. Com pena, a primeira-dama Maria Helena Ferreira, pivô das denúncias, usou um carro alugado pela Secretaria de Governo para visitar Gentil num quartel da PM.



Havia uma província, em Tucanolândia, governada por um aliado do Rei Dom Fernando Henrique Caudaloso, onde a máxima mais usada era a de que a “única coisa organizada em Santíssima Trindade era o crime”.
As reportagens feitas acima pela revista Isto É, demonstram a que ponto chegou o reinado de Dom Fernando Henrique Caudaloso.
Após estas denúncias comprovadas, e confirmadas, o resultado foi a não intervenção no Estado, o término do mandato pelo governador, e a certeza de que, no reinado de Dom Fernando, quem era amigo não ficava pagão...
O desligamento do Governador foi somente, como diz o povo da Tucanolândia, “prá inglês ver”; já que ele, a primeira dama e o genro, saíram todos impunes, felizes da vida...
Observem que o deputado “amigo” do Governador, era do mesmo partido que sempre apoiou Dom Fernando e que hoje apóia Dom Gerald Aidimim...

Quinta-feira, Julho 20, 2006

Trovas e contra trovas

Trovas e contra trovas

Mote – Levo a solidão na boléia

Trova

O dia todo, inteirinho,
Pela cidade ou sertão,
Eu nunca “toco” sozinho;
Vai comigo a solidão...

Contra trova

A solidão me acompanha,
Pelo campo ou na cidade.
Quando o coração, arranha,
Faz companhia à saudade...

Trovas e contra trovas

Mote – Estou apaixonado, e não sou correspondido

Trova

O sofrimento é meu fado
Pois o meu caso é perdido:
-Por você, apaixonado,
Eu não sou correspondido!


Contra trova

Amar quem não me quer bem,
Disso já fui vacinado,
Por isso digo: a ninguém,
Coração anda emprestado...

Trovas e contra trovas

Mote – não julgue livro pela capa, nem mulher pelo sorriso...

Trova

De um erro ninguém escapa,
Mas evitá-lo é preciso:
-Julgar livro pela capa,
E a mulher, pelo sorriso...

Contra trova

Essa verdade me faz,
Gostar cada vez mais dela,
Critique, se for capaz,
Só por ser ela banguela...

Trovas e contra trovas

Mote – Quem não vive para servir, não serve para viver

Trova

Eu não posso me omitir:
O mundo está por fazer!
Quem não vive prá servir,
Não serve para viver!

Contra trova

Se for pensar desse jeito,
Não digo que esteja errado,
Que quê eu faço com prefeito,
Senador e deputado...

Trovas e contra trovas

Mote – Vivo sorrindo, embora isto me custe o pranto

Trova

Lá fora, o dia está lindo
Mas, aqui dentro, nem tanto...
Eu passo os dias sorrindo,
Embora me custe o pranto...

Contra trova

A tristeza me domina,
Vou vivendo a disfarçar,
Bela luz que me ilumina,
Meu sorriso é te amar...

Trovas e contra trovas

Mote – Em casa que mulher manda, até o galo canta fino.

Trova

Em casa que mulher manda,
Anda de saia, o menino;
O marido anda de banda,
Mesmo o galo canta fino...

Contra trova

A minha mulher fala grosso,
Disso não reclamo não,
Ela manda que é um colosso,
Dentro do meu coração...

Trovas e contra trovas

Mote – Tambor faz barulho mas é oco por dentro

Trova

Falando com tanto orgulho,
Pareces, do mundo, o centro!
-Tambor também faz barulho
Mas é vazio, por dentro...

Contra trova

Vazio, eu posso ser,
Não reclamo se reclamas,
Mas sem ti, como viver?
Sem saber se tu me amas...

Trovas e contra trovas

Mote – Vacinado contra casamento.

Trova

Contra tudo, vacinado,
Eu já fui e não agüento:
Contra gripe, mau olhado,
E até contra... casamento.


Contra trova

Na verdade, companheiro,
Casamento é bom que sobra,
Não há amor, nem verdadeiro,
Que resiste a uma sogra!

Ditadura congressual

Por onde correu a grana dos sanguessugas
A CPI dos Sanguessugas fez hoje um levantamento em cima do depoimento do empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin à Justiça Federal do Mato Grosso para descobrir como o dinheiro do esquema de compra de ambulâncias superfaturadas chegou aos parlamentares, informa Leandro Colon, repórter do blog.

Segundo Vedoin, dos 105 parlamentares envolvidos, 40 receberam em dinheiro vivo, 10 na conta corrente particular, cinco em contas de parentes (três são de esposas), 34 em contas de assessores e cinco em automóveis (uma BMW, por exemplo), além de flats e outros benefícios.

Vedoin, um dos donos da empresa Planan - que comandou esquema - não disse em seu depoimento como os outros 11 receberam o dinheiro.

As informações foram divulgadas pelo vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

- Isso aponta para a negligência, o escárnio e o desrespeito - disse o deputado.

Desses 105, 57 já estão sendo investigados pela Procuradoria-Geral da República (
clique aqui para ver a lista).

O desafio da CPI é encontrar provas contra os 40 que ganharam em dinheiro vivo. A estratégia é tentar descobrir outras formas de recebimento desta grana.



Cento e cinco envolvidos!
Isso já ultrapassa todos os limites possíveis e imaginários.
A vergonha se apossa de todo o Congresso Nacional; demonstrando a que ponto chegou a escandalosa atuação dos nossos legisladores.
Legisladores sem nenhum princípio básico de ética e moral.
As negociatas, diariamente feitas, com o dinheiro público são a herança que recebemos dos desgovernos anteriores e que, infelizmente, estamos deixando para nossos filhos.
A minha geração recebeu um país onde a liberdade de expressão era proibida, onde o fato de pensar, simplesmente pensar era motivo para que se fosse investigado e fichado pelos órgãos de repressão oficiais de um modelo de governo vergonhoso, tempos negros de nuvens negras e sanguinárias.
Tínhamos a esperança, o verde da esperança a colorir o céu negro e vermelho, do sangue de tantos que morreram ou foram exilados, expulsos da pátria, pelo simples motivo de pensarem diferente do que era a ordem estabelecida por um grupo de torturadores, tanto físico quanto mentalmente falando.
No movimento das diretas-já, para a aprovação da lei do recém falecido Dante de Oliveira, milhões e milhões de brasileiros, de todas as matizes sociais e políticas, se uniram para que tivéssemos um novo país.
O NOSSO país.
A união entre todas as vertentes políticas nos palanques da luta pela liberdade de expressão e de dignificação do nosso povo, nos trazia a esperança de um Brasil mais digno, mais íntegro, uma verdadeira pátria, nossa, com o futuro na frente e as injustiças guardadas em algum lugar, num passado distante e abandonado.
Tínhamos, nós todos, a bandeira das flores vencendo os canhões, na igualdade entre campo e cidade, com os estudantes, que éramos nós, erguendo a bandeira da JUSTIÇA e da Esperança!
Ao ver essa realidade que vivemos, é com imensa tristeza que reparo que a herança que estamos deixando para nossos filhos é tão ruim quanto a que recebemos.
A esses crápulas que povoam os locais por onde a transformação para um mundo melhor é possível e plausível, somente uma coisa pode ser dita: VERGONHA!
O que esses pilantras estão fazendo é muito mais grave do que a simples corrupção, pois o que eles estão roubando, muito mais do que os milhões e milhões de reais, estão roubando a esperança!
E isso, não tem preço, não tem como avaliarmos o quanto que isso irá custar ao nosso povo, aos nossos filhos, às novas gerações.
Quase todos estão envolvidos em algum tipo de corrupção ou de safadeza, tanto diretamente, quanto indiretamente, por ação e por omissão.
A simples mudança de partido político, paralela ao discurso de “ética” e “fidelidade partidária” já é um ato de pilantragem. Quando se é eleito por um partido, com votos de legenda ou proporcionais, o mandato, por pressuposto, pertence ao Partido e não ao homem; devendo quem muda de partido, PERDER O MANDATO.
Enquanto isso não for feito, a ética na política será uma simples figura de linguagem. Portanto, não me venham falar de “ética” quem mudou de partido e não renunciou ao mandato – são traidores de seus eleitores e de quem financiou as suas campanhas!
Os que se vendem por qualquer tipo de corrupção sob qualquer motivação são traidores e pilantras, criminosos comuns que deveriam ter seus mandatos cassados e irem diretamente para as prisões, sem privilégios, já que, ao desviarem e roubarem dinheiro público, estão roubando da criança faminta, do adolescente sem escola, do adulto sem emprego, dos miseráveis e dos desvalidos, enfim.
Esses criminosos deveriam ter punição exemplar e não somente quando serram gente viva, mesmo assim, somente depois de terem sido “cassados” pelos seus pares, na maioria das vezes, reflexos do mesmo espelho.
Os que, por omissão, agem condescendentemente, não poderiam ter outro destino senão a punição por seus crimes, já que, exemplarmente, Pilatos foi tão maléfico quanto Caifás.
Quanto aos outros criminosos, inclusive os que cometeram caixa dois, deveriam ser expulsos e presos, assim como os que fazem caixa-dois nas empresas, com finalidade de subverterem o fisco, lesando os mesmos famintos a quem me referi.
Quando vi um Senador da “estatura moral” de um Pedro Simon admitir o caixa-dois, sinto que tudo está perdido.
E ninguém nem cogitou a sua cassação, nem a imprensa nem o Congresso.
Virou lugar comum a safadeza e a pilantragem, em todos os partidos e em todas as consciências “éticas”.
O começo disso tudo se deu quando o fantoche Fernando Collor teve que compor a maioria no Congresso, no que foi imitado por todos os que o sucederam...
A herança que minha geração está deixando para os que virão é podre.
Podre e canalha. Herança maldita!
As ideologias todas, digo e repito, todas, foram arquivadas e abandonadas. Ser ou não ser marxista no mundo de hoje é uma piada, ser ou não ser liberal, outra. Restaram os mais ou menos humanistas e os mais ou menos nacionalistas, os mais ou menos, os muito mais menos que mais...
Sou socialista, mas o que quer dizer isso hoje?
Nem mais sei e nem sei se será possível um dia, sabermos o que seja, o socialismo, principalmente no nosso país, prostituído tanto quanto a Itália, os Estados Unidos, ou qualquer país onde as vergonhas se reproduzem a cada dia...
A corrupção generalizada não é privilegio do Brasil nem da América do Sul, e isso é uma verdade irrefutável.
Mas no nosso país, se tornou tão corriqueira que nada mais importa, a não ser sabermos aonde isso vai parar.
O que será feito dos nosso filhos, a quem, mais uma vez, teremos que pedir perdão, assim como nossos pais fizeram conosco.
Há quase quarenta anos, se falava em paz e amor, e em “é proibido proibir”, se matou, se destruía um sonho de mudança com o AI-5, e hoje percebemos que foi em vão que morreram tantos, e que tantos se expuseram a uma luta desigual.
O que temos que exigir é o poder para o povo, do povo e pelo povo.
Com liberdade, fraternidade e igualdade, de fato e de direito.
Arroz, feijão, saúde e educação, mas muito mais do que isso, DIGNIDADE!
A única certeza que tenho, e a única que alimenta a minha esperança é a de que a LIBERDADE ainda é o único caminho, capaz de reverter essa asquerosa realidade.
Mesmo que seja uma “liberdade Severina”, é muito melhor e mais forte e ampla do que qualquer ditadura, militar ou congressual.

Tucanolândia - capítulo 15 - No escurinho é muito melhor...


Vivíamos o ano de 2001. Tucanolândia vivia, com seu rei, Fernando Henrique Caudaloso, famoso sociólogo e intelectual, o seu iluminismo cultural. Nunca, na história do reinado, houvera um homem mais culto, conhecedor profundo de vários idiomas, doutor honoris causa em diversas Universidades do mundo inteiro, até de Piriri do Norte, como falamos anteriormente.
Pois bem, o rei Fernando Henrique Caudaloso primeiro, por uma questão política, coisas de aliança, nomeou para o Ministério das Minas e Energia, um famoso senador, Joseph George, conhecido no mundo científico como um dos maiores conhecedores sobre energia e afins, no reinado da Tucanolândia.
Vários especialistas diziam que haveria necessidade de investimentos no setor de produção de energia. Mas, isso era coisa da oposição, como dizia o sábio Joseph George.
Além disso, o Fundo Monetário Internacional, co-mandatário do reino, tinha ordenado que se economizasse dinheiro, tornando esses investimentos proibitivos e proibidos.
Como bom cabrito não berra e, na hora que precisava de grana, o Rei Fernando corria para o Fundo e pegava mais e mais dinheiro para garantir a “governabilidade” do reinado, Dom Fernando não liberou a grana.
Também para que precisaria se o Ministro afirmava que não seria necessário?
Entretanto, não sei porque cargas d’água ou, mais precisamente, por falta d’água, a canoa virou, ou mais precisamente, afundou no barro, já que a fonte secou...
Então, como era de se esperar, começaram a haver episódios de blecaute, o que levou o reinado a uma situação desesperadora.
Afinal de contas, blecaute que o povo queria, infelizmente já tinha morrido, e fazia sucesso somente nos tempos de carnaval.
Mas, Dom Fernando não se fez de rogado não.
A culpa, obviamente foi transferida para São Pedro, senhor das águas e do tempo.
O pato, mais uma vez foi pago pelos súditos, que tiveram que economizar energia, num ato patriótico emocionante e digno.
Já as empresas que tinham comprado o sucateado sistema de distribuição de energia não podiam ficar no prejuízo.
Solução – aumentar as tarifas energéticas.
Quem paga – os súditos...
Obviamente, os leilões de venda das distribuidoras de energia foram colocados sob suspeita, já que o preço pago pelas compradoras era bem menor do que o de mercado.
Total da brincadeira de acende-apaga: 22 bilhões e meio de reais; pagos pelos súditos e transferidos para as empresas da área.
Somente para completar temos que observar o seguinte:
Joseph George ressurge hoje, como candidato a vice rei da chapa de Gerald Aidimin, para alegria de quem quiser comprar estatais a preço de banana, ainda temos algumas como a Petrobrás, a Eletrobrás, Furnas, entre outras...

Quarta-feira, Julho 19, 2006

Trovas e contra trovas

Quarta-feira, Julho 19, 2006

Trovas e contra trovas

TROVAS E CONTRATROVAS

"Não sou defunto, mas adoro uma coroa..."

-Panela velha - eu pergunto,
faz ou não comida boa?
-Ainda não sou defunto,
mas adoro uma "coroa"...


Nessa panela gostosa,
Vou meter minha colher.
Pode vir moça fogosa,
Venha de onde vier...

TROVAS E CONTRATROVAS

"Mulher e lona de freio, só servem bem "ajustadas"...

Não tem "coluna do meio",
na "Loteca" das estradas:
-Mulher e lona de freio,
só servem bem "ajustadas"...


Nas curvas da minha estrada,
Capotei meu coração.
Lona de freio folgada,
Resultado: Foi paixão...

TROVAS E CONTRATROVAS

"O amor é como fumaça, sufoca mas passa..."

Eu descobri, muito cedo,
que amor é como fumaça:
Sufoca e nos causa medo,
irrita um pouco, mas passa...


No meu peito o grande amor,
O resto da vida embaça
Mesmo que sofredor,
Vicia que nem cachaça...

TROVAS E CONTRATROVAS

"A morte é velha mas é sempre novidade..."


Esta verdade se espelha
numa tremenda verdade:
"A morte pode ser velha
mas é sempre novidade..."

Essa novidade, amigo,
Todos irão conhecer.
Mas com outro, não comigo.
Nem tão cedo quero ver...

TROVAS E CONTRATROVAS

"Por que me beijas no rosto, se a boca fica tão perto?"

Tu me dás grande desgosto
e disso estou muito certo:
-Por que me beijas no rosto,
se a boca fica tão perto?...


Minha amada bem que quero,
Beijar-te assim, por inteiro.
Mas tenho que ser sincero,
O que atrapalha é o mau cheiro...

TROVAS E CONTRATROVAS

"O amor nasce de um quase nada e morre de quase tudo..."

Mas que coisa complicada
é o tal do amor, não me iludo;
-Nasce do quase nada
e morre do quase tudo!


Mas minha amada; te digo,
Que jamais irá morrer.
Esse amor no qual prossigo,
Cada dia por viver.

TROVAS E CONTRATROVAS

"Teu beijo é doce como o de um beija flor"...

Esse teu beijo é tão doce
que me inspira um grande amor;
É leve como se fosse,
o beijo de um beija-flor!



Mas esse amor que me tinhas
Era bem pouco e acabou
Foi voando nas asinhas
Desse triste beija flor...

TROVAS E CONTRATROVAS

"Se vida de solteiro é vazia, a de casado enche..."

-Vida, vida! quem diria?
a vida é mesmo um buraco:
Se a de solteiro é vazia,
a de casado, enche o saco!


Dessa vida de casado,
Eu num posso reclamar.
O que eu acho que é errado;
É uma vez só se casar...

TROVAS E CONTRATROVAS

"Beijo de sogra é veneno de cobra..."

O beijo mais perigoso
é mesmo o beijo da sogra:
É muito mais venenoso
do que o veneno de cobra!



Da sogra e da jararaca,
Há diferenças, pois veja:
Esses dois bichos “ataca”;
A cobra, ao menos, rasteja...

TROVAS E CONTRATROVAS

"Se barba fosse sinal de respeito, bode não era chifrudo..."

Eu digo, sem preconceito,
pois eu também não me iludo;
-Se barba desse respeito,
bode não era chifrudo...


Nem tampouco camarão
Que é bem barbudo de fato
Termina num empadão
Ou croquete no meu prato.

TROVAS E CONTRATROVAS

"Mulher é como chita, uns acham feia e outras bonita"

-A mulher, amigo, creia,
parece mesmo co'a chita:
Se uns dizem que é muito feia,
outros dizem que é bonita...

Nesse caso o que se anseia
Poder ser mais racional
Mas desculpe mulher feia;
Beleza é fundamental.

Trovas e contra trovas

Mote – Erros da Medicina, a terra cobre

Trova

O doutor nem examina,
Se o doente é muito pobre;
Os erros da Medicina,
Bem depressa, a terra cobre!


Contra trova

Na verdade, isso hoje é mito,
Esse tempo já passou,
Pois logo dará conflito
Se ele não ressucitou.

Trovas e contra trovas

Mote – Não sou sereno mas gosto da madrugada...

Trova

Como o meu dia é pequeno,
Passo as noites pela estrada,
Eu sei que não sou sereno,
Mas gosto da madrugada!

Contra trova

Madrugada traz teu nome,
Moça bonita é raposa,
Maltratando um pobre homem,
Minha linda mariposa...

Trovas e contra trovas

Mote – Gaúcho não bebe mel, ele chupa a abelha...

Trova

Gaúcho, no seu papel,
Sempre ao Macho se assemelha;
Pois ele não bebe mel;
O gaúcho chupa a abelha!

Contra trova

De tanto cantar marra,
Parecendo que tem culpa,
Gaúcho pega e agarra,
O mel, depois ele chupa...

Trovas e contra trovas

Mote – Se rico mata o pobre, quem vai pra cadeia é o defunto.

Trova

Tanto poder tem o “cobre”
Que não desvio do assunto
Se o rico mata o pobre,
Vai pra cadeia, o defunto.

Contra trova

Verdade maior não há
Pois além de ser condenado,
O pobre ‘inda vai pagar,
As custas d’advogado!

Trovas e contra trovas

Mote – Mulher feia e cheque sem fundo, se me derem, eu protesto!

Trova

Mulher feia, Raimundo,
Se eu ganhar, eu não empresto;
Mas, feia e cheque sem fundo,
Se me derem, eu protesto!

Contra trova

Proteste, pois à vontade,
Dessa vida, leva nada.
Os tais fundos, na verdade,
Nem dela, falsificada...

Trovas e contra trovas

Mote – Mulher feia e cheque sem fundo, se me derem, eu protesto!

Trova

Mulher feia, Raimundo,
Se eu ganhar, eu não empresto;
Mas, feia e cheque sem fundo,
Se me derem, eu protesto!

Contra trova

Proteste, pois à vontade,
Dessa vida, leva nada.
Os tais fundos, na verdade,
Nem dela, falsificada...

Trovas e contra trovas

Mote – Mulher e lona de freio, só servem bem ajustadas.

Trova
Não tem “coluna do meio”,
Na “loteca” das estradas;
Mulher e lona de freio,
Só servem bem “ajustadas”.

Contra trova
Essa verdade comporta,
De todo meu coração,
Pois senão ele capota,
Em casa e no caminhão...

Trovas e contra trovas

Mote – Mulher e lona de freio, só servem bem ajustadas.

Trova
Não tem “coluna do meio”,
Na “loteca” das estradas;
Mulher e lona de freio,
Só servem bem “ajustadas”.

Contra trova
Essa verdade comporta,
De todo meu coração,
Pois senão ele capota,
Em casa e no caminhão...

Trovas e contra trovas

Mote – Mulher e lona de freio, só servem bem ajustadas.

Trova
Não tem “coluna do meio”,
Na “loteca” das estradas;
Mulher e lona de freio,
Só servem bem “ajustadas”.

Contra trova
Essa verdade comporta,
De todo meu coração,
Pois senão ele capota,
Em casa e no caminhão...

Trovas e contra trovas

Mote – Não sou defunto, mas adoro uma coroa...

Trova


Panela velha – eu pergunto,
Faz ou não comida boa?
Ainda não sou defunto
Mas adoro uma “coroa”...

Contra trova


Coroa em cima da testa,
Faz d’um homem virar rei
Toda coroa me empresta
Sensação que já passei...

Trovas e contra trovas

Mote – Não sou defunto, mas adoro uma coroa...

Trova


Panela velha – eu pergunto,
Faz ou não comida boa?
Ainda não sou defunto
Mas adoro uma “coroa”...

Contra trova


Coroa em cima da testa,
Faz d’um homem virar rei
Toda coroa me empresta
Sensação que já passei...

Trovas e contra trovas

Mote – “o amor é como fumaça, sufoca, mas passa...”

Trova
Eu descobri, muito cedo,
Que amor é como fumaça:
Sufoca e nos causa medo,
Irrita um pouco, mas passa...

Contra trova
Amor vive machucando,
Maltratando o coração,
Fumaça vai levantando,
Que baita poluição...

Trovas e contra trovas

Mote – “ A morte é velha, mas é sempre novidade...”

Trova

Esta verdade se espelha
Numa tremenda verdade:
“ A morte pode ser velha
Mas é sempre novidade...”

Contra trova

Novidade pra quem vai,
Pra quem fica, corriqueiro.
Quem entra nessa não sai,
Pergunte para o coveiro...

Sobre a possibilidade de um furacão em outubro, contra todas as previsões do tempo...

Heloísa sobe e chega a 10%; cresce a chance de 2º turno A nova onda de ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo, iniciada no dia 11, não produziu efeitos imediatos nas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-governador do Estado Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República. Pesquisa Datafolha divulgada ontem revelou um quadro estável na disputa, mantendo Lula na liderança, com 44% das intenções de voto, seguido pelo candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, com 28%. A novidade detectada pelo levantamento, feito anteontem e ontem, é o crescimento da candidata do PSOL a presidente, senadora Heloísa Helena, em todas as regiões do país. A ex-petista subiu de 6% para 10%. Lula alcança 52% dos votos válidos e não é mais possível afirmar que hoje ele venceria a eleição no primeiro turno. Devido à margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos, aumentou a chance de haver segundo turno. Na pesquisa anterior, a diferença entre os votos válidos de Lula e os dos demais candidatos somados era de oito pontos percentuais a favor do presidente. A nova pesquisa mostra uma queda da diferença para quatro pontos percentuais. Lula e Alckmin tiveram oscilação negativa. O petista, que tinha 46% na pesquisa de 28 e 29 de junho, agora tem 44%. Alckmin oscilou de 29% para 28%. O potencial de crescimento de Heloísa Helena já era considerado antes dessa pesquisa por segmentos do PT e PSDB como o fator que poderá levar a disputa ao segundo turno. A projeção para um eventual segundo turno ficou estável: Lula oscilou um ponto para baixo e tem 50%, contra 40% de Alckmin --mesmo índice do tucano no último levantamento. Segundo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, é possível inferir que o crescimento de Heloísa Helena se deve, principalmente, à exposição da senadora nos meios de comunicação nas últimas semanas. "Desde o início do ano, Heloísa Helena estava com um patamar estável nas pesquisas, entre 6% e 7%", observa Paulino. A receptividade do eleitor à candidatura de Heloísa Helena foi expressiva sobretudo na região Sul, onde ela teve mais que o dobro das intenções de voto em relação à pesquisa anterior (de 6% para 13%). Em junho, Alckmin havia ultrapassado Lula no Sul (37% a 30%). Agora, os dois empatam em 31%. A candidatura da senadora também cresceu de 7% para 11% no Norte e Centro-Oeste. No Nordeste, o presidente Lula mantém consolidado seu eleitorado mais fiel, com pequena oscilação negativa (de 64% para 63%). Já Alckmin caiu quatro pontos (de 17% para 13%), enquanto Heloísa Helena oscilou positivamente (de 5% para 7%). A ascensão da senadora no Sudeste foi de quatro pontos percentuais, de 7% para 11%. O cenário na região permanece estável para Lula e Alckmin. O Datafolha também pediu aos eleitores que avaliassem o governo Lula. O resultado foi similar ao do último levantamento, quando 39% dos eleitores consideravam o governo bom ou ótimo --agora são 38%. Também oscilaram dentro da margem de erro as avaliações da gestão Lula como regular (40%) e ruim ou péssima (21%). Foram entrevistados 6.264 eleitores em 272 municípios. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número 11149/2006.
Esses números da nova pesquisa mostram um indicativo diverso do que as outras pesquisas demonstravam. O crescimento de Heloisa Helena, denota que a possibilidade de um segundo turno passa a ser, cada vez mais evidente. E, não se espantem, com uma possível disputa entre Lula e Heloísa Helena. Senão vejamos: a campanha política está em seu início, e o crescimento de Heloísa Helena, ao contrário do que ocorreu com Alckmin, cuja melhora se deveu à saída de Enéas e Freire, foi real e,percentualmente, muito grande. A tendência de crescimento de Alckmin esbarra em suas origens tucanas, agravadas pela presença do seu candidato a vice, ambos visceralmente ligados ao desastrado Governo Fernando Henrique Cardoso. José Jorge será, indiscutivelmente, associado ao apagão ocorrido na sua gestão enquanto Ministro da pasta responsável pela energia, ou irresponsável, se assim desejar. Geraldo, o Alckmin, pode até ter mudado de nome, pode até mudar a sua conduta, mas nada o afastará do seu partido e nem do Governo FHC, é só nos lembrarmos de que os escândalos do Governo passado serão colocados na campanha e a lembrança de uma época em que o país estava mergulhado no caos econômico ainda é muito recente, principalmente para as maiores vítimas das lambanças tucanas. Além disso, ao se constatar que em todos os escândalos do país, inclusive nos que afetam a imagem do PT, há caciques tucanos e pefelistas envolvidos, isso para não dizer do das sanguessugas e da lista de Furnas, sob averiguação, teremos uma possibilidade gigantesca de estagnação e até de queda livre da candidatura Alckmin, associada ao crescimento da candidatura do PSOL. Os maiores problemas a serem resolvidos pela campanha de Alckmin estão ligados a um fogo cruzado com o PT, com perda de credibilidade de ambos os lados. Alckmin não resiste a uma análise um pouco mais que superficial na tentativa de se diferenciar do governo Lula, no que tange a escândalos e suspeitas. Entretanto, o Governo atual tem uma perfomance econômica e social mais evidente e com melhor avaliação do que o governo passado, isso é inegável. Com esse fogo cruzado, cresce a candidatura de Heloísa Helena, com a tranqüilidade de quem esteve à margem de ambas as situações relacionadas a uma avaliação ética sobre política. Se Alckmin, entretanto, tentar evitar esse tipo de confronto, Lula fica sereno e tranqüilo, caminhando para uma reeleição sem maiores atropelos. A posição da candidatura tucana é aquela de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, sendo que o que alcança pode ultrapassar e deixá-lo fora de um segundo turno, e o que come, impede que haja um segundo turno. Lula tem, a seu favor, indicadores econômicos e sociais muito melhores do que o Governo passado. Seu ponto fraco é o mesmo do governo de FHC, a ética. Heloísa Helena, ao contrário, nada tem a perder, podendo vir de franco atiradora. A bem da verdade, o que temos hoje é sintomático. A possibilidade de um segundo turno entre Lula e Heloísa Helena, ainda não avaliada pelos institutos de pesquisa, se torna, a cada dia, mais evidente. Se, na próxima pesquisa, mantiver um crescimento de quatro a cinco por cento, ou seja, chegar a dois meses da eleição com catorze a quinze por cento, acredito que essa hipótese será a mais provável. O que parecia impossível, pode acontecer. O sepultamento das elites uspianas e do coronelato nordestino... O fator Heloísa pode se transformar no Katrina até outubro. Isso não espantaria muito pois, se vocês se lembram, até a última pesquisa, na eleição vencida por Collor, Brizola era o franco favorito; mas Lula surpreendentemente ultrapassou-o. Na última eleição mesmo, tivemos um favoritismo relativo de Ciro Gomes sobre Serra revertido em plena campanha. Agora, se isso ocorrer, quero ver quem terá o apoio dos tucanos e dos pefelistas, quem souber me responda...

Tucanolândia - capítulo 14 - depois de aberta a porteira, desmancha-se a fazenda.



Havia, em Tucanolândia, duas regiões distintas onde era enorme a necessidade de se estimular o desenvolvimento econômico regional, pois a disparidade entre essas regiões e o restante do reino era gigantesca.
Uma delas, a Região Norte, era marcada por uma dificuldade natural muito grande, pois a floresta equatorial, sendo a maior do mundo, era um obstáculo tanto ao desenvolvimento quanto ao próprio povoamento racional da região.
Marcada pelo desmatamento descontrolado e pela grilagem das terras, desde o governo ditatorial, quando os militares eram senhores absolutos do poder em Tucanolândia, havia sido criada uma entidade para estimular o crescimento e o desenvolvimento da região, a SUDAM.
Paralelamente a isso, tivemos a criação da SUDENE, outra entidade cujo objetivo era o de estimular o desenvolvimento da região nordeste do reino. Essa região era muito seca, com períodos de estiagem prolongados, marcada pela miséria e subdesenvolvimento.
Pois bem, ambas as entidades tinham objetivos nobres e funcionavam custeando empréstimos e investimentos em projetos para a criação de divisas e de empregos, dando a estabilidade necessária para o desenvolvimento regional.
A SUDAM emprestava dinheiro a juros abaixo do mercado para quem quisesse investir na região equatorial, e a SUDENE, subsidiava recursos para que estes investimentos fossem feitos na região Nordeste do reino.
Para se ter uma idéia da disparidade entre o resto do reino e essas regiões, a mortalidade infantil da região Nordeste e a expectativa de vida eram compatíveis com as dos países mais pobres da África e da Ásia.
Coisa triste de se ver e absurda num reino tão grande e, potencialmente, rico quanto o da Tucanolândia.
Mas, havia no reinado um tipo de sanguessuga que enojava até os piores vampiros da história, especializado em sugar sangue de anêmico e faminto.
Ao perceber que havia esse subsidio, essas sanguessugas tenebrosas começaram, sistematicamente, a pegar dinheiro emprestado para fazerem obras fantasmas ou que eram de porte muito inferior ao declarado.
Com a falsificação de documentos, inclusive a emissão de notas fiscais frias, obtiveram fortunas em empréstimos vergonhosos.
A quantia de dinheiro obtida através da SUDAM chegou a dois bilhões de reais, e através da SUDENE ultrapassou um bilhão e quatrocentos milhões de reais.
Isso devidamente denunciado, provocou uma reação inteligente e enérgica do Rei Fernando Henrique Caudaloso.
Ao invés de, como era de se esperar, tentar resgatar a quantia de dinheiro, pelo menos em parte, subtraída e punir os responsáveis, o Rei FECHOU AS SUPERINTENDÊNCIAS.
A atitude sensata do rei de, mesmo se tendo a percepção da utilidade e da necessidade de se criarem mecanismos para a proteção e estímulo ao desenvolvimento dessas regiões, fechar e acabar com as entidades, nos faz crer o quanto era inteligente e sagaz nosso rei.
A partir daquele dia; a porteira aberta, o gado fugindo, nosso querido mandatário mandou destruir a fazenda.
Quem comeu, comeu, quem mamou, mamou...
E o anêmico e faminto povo das regiões famélicas de Tucanolândia ficou a ver navios, ou o gaiola se preferir...

Terça-feira, Julho 18, 2006

Um improvável bolero

Recomeçaria tudo, te juro. Desde o começo fui feliz, nada impediu que a minha vida, ao teu lado, fosse o maior exemplo de felicidade que conheci.
Éramos crianças, mas já sabíamos que não poderíamos fugir deste elo que nos unia: dois corações irremediavelmente atados num só pensamento.
Nossas dores e tristezas, compartilhadas desde o sempre, verdadeiras almas gêmeas, verdadeiras...
Nada foi em vão, nada. Amor profundamente enraizado pelas noites insones, pelas esperanças comuns, pelo adivinhar o que o outro queria.
Na contradança da vida, fomos um só, atados qual fossemos gêmeos, mais que isso, siameses.,.
Não me arrependo de nada que fizemos, nada.
A chama do amor ainda queima, arde no meu peito, incendiando tudo, entranhas e pensamentos.
Minha amada, profundamente amada, te quero, venero e espero a cada momento quando não estás, quando não me ouves.
Bem sei que sentes o mesmo, passo a passo, compassos unidos na mesma dança.
Mesmo que, no improvável bolero feliz, não sejamos nada além da exceção maravilhosa que traz a vida...
Mesmo que, neste salão dos meus sonhos, dancemos a noite inteira, rodando como o tempo que não pára.
Minha amada, madrugadas a fio, lembrando de cada momento do dia.
Lutando para não dormir, pois não há coisa mais bela do que viver contigo, do que estar ao teu lado, numa realidade fantasticamente feliz...
Te amar é conjugar felicidade.
É somar e nunca dividir
É estar sem querer sair,
É viver sem querer a morte,
Sem temer a sorte,
Sem temer a dor.
Começaria tudo de novo...

Depois da curva da estrada

Nunca mais quero saber dessa cidade, nunca mais, nem que tudo mais se acabe, que o mundo se desespere, nada mais me trará de novo essa cidade.
Ficando atrás da curva da estrada, perdida entre montanhas que nem mais serão minhas, nunca seriam minhas, minas de água límpida, turvadas pelas minhas tristezas, perdidas pelo tempo, entre tantos entretantos e poréns...
Nasci na esquina da rua do Sol, com a rua da Lua, filho de um anoitecer ou de um sonho frustrado de uma menina apaixonada pelo príncipe que nunca houve, somente o ronco forte do motor indo embora, voltando para o reino de onde veio, velho e acabado reino, em busca de outras princesas.
Pai que não sei, mal sei o nome, talvez nem saiba mais, nem interessaria tanto para ele quanto mais para mim, solitariamente esquecido na pequena cidade entre as montanhas de Minas.
Minas, de Gerais a tão restritas, minas de minério de ferro, água ferruginosa engasgada na garganta, minha garganta na garganta da serra, da serra mineira, escondida depois da curva da estrada...
Fui crescendo, crescida a mágoa, mãe desaguando no rio, suicídio me contam, mas não sei bem, talvez o gosto da água ferruginosa tenha conseguido calar a voz desafinada que me embalou...
Embalado para presente, qual cavalo troiano, fui rolando de casa em casa, por acaso uma aceitou.
A última que procuraram, acho que em meio a um sem número de diachos, no outro lado do riacho, casa de pau a pique, vida a pique, serra a pique.
Pique esconde, escondido do tempo, brincando rápido que senão a vara queima, marmelo, doce de marmelo, vara de marmelo, queimando nas pernas do moleque safado, pilantra, sem vergonha...
Vergonha traz lágrimas, doem os braços, os abraços negados, os ossos quebrados, pernas amarradas, embira e breu. Talas e varas estaladas nas pernas, em conjunto, reativa a circulação.
Na circular dos meus sonhos de moleque, pés de moleque na boca dissolvendo, o solvente trazendo delírios na adolescência, dando a coragem para a enxada, para o peso do arado, árduo e pesado para o moleque franzino. Hinos evangélicos no final de semana, entre tantos cultos, inculto cresci.
Cresci não, espichei.
Pichado por todos, mãos de piche, negras e ossudas, calejadas, calendário, época de plantar, depois do arado, planta dos pés ferida, feitas de cravos sob as canelas finas, finais, finalizando o esqueleto andante.
Ardente sol, tonteiras e aguardentes, as mágoas ardentes desaguando nos poros, nos olhos, nos dentes esquecidos a cada dia nos cantos da roça.
Dentes de alho para afastar mau-olhado, mas olhar para quê, o quê, quem?
Motos e carros, carros de boi são raros, somente as motos e os motivos: mortes, mortes de tio e tia, as primas e primos, primeiros a terem a primazia, depois dos tios, do açoite.
Açoite e costas magras, costelas expostas na estrada que me chamava.
As marcas das pancadas nunca mais saíram, nem as cicatrizes na pele, pele e osso, colosso de tosse...
Tosse diária, febre de tarde, ardendo tanto, molhando cama e lençol, preguiçoso, vagabundo, vadio, tuberculoso...
Seis meses de tratamento, nove meses para nascer, filho de Maria de Fátima, única louca, meu filho...
Aborto, para sorte de todos, inclusive da criança, principalmente dela...
Fátima era tonta, tão tonta quanto feia, mas a aveia de pobre é capim.
Na veia, depois de tanto, transfusão, confusão, profusão de pragas e palavrões, a sina abre a esperança.
Partir para longe, onde o bonde da sina não me encontre, longe dali, por onde? Qualquer lugar, desde que longe...
Onde vou, sei lá, só sei que a curva da estrada me liberta, melhor o incerto que essa certeza, melhor a morte sem mortalha, que o amargo da serralha, que ficou nessa serra...

sextina

Meu amor foi sepultado
De tanta dor, maltratado.
Quando perdi teu amor
Quando secou essa fonte,
Quando a tristeza chegou,
Tanta tristeza, de monte...

sextina

Partindo do pressuposto,
Que mais belo que teu rosto,
Nunca nada fez meu Deus,
sabendo dessa verdade,
eu bem sei que são só meus,
dissabores da saudade...

sextina

Minha cabocla querida,
Razão dessa minha vida,
Meu canto mais perfeito,
Meu mundo em ti faz sentido,
Pois sem te ter, nada feito,
Melhor eu nem ter vivido...

sextina

Restando meu pensamento,
Por um triste, vão momento,
Nunca podendo escapar,
Quero saber desta mágoa,
Por que tanto chorar,
Se meu canto, em ti, deságua...

sextina

Querendo não esquecer
Nem podendo mais te ter,
A boca que já beijei
Os seios que foram meus
O tanto que já te amei,
Tanto amar, perdoe Deus...

sextina

Nessa gota de orvalho,
Sangra a vida, feito talho,
Cada novo amanhecer,
Traz a saudade doída
De tentar te esquecer,
Renovando a velha vida...

sextina

Montando no meu corcel,
Cavalgando pelo céu,
Vou em busca de Maria,
Procurando meu amor,
Passa noite, passa dia,
Passa o tempo, passa a dor...

sextina

Você partiu, foi embora,
Só restando então, agora
Os meus olhos tão tristonhos,
Você deixou só saudade,
Morando em todos os sonhos,
Matando a felicidade...

sextina

Fiz a casa na montanha,
Onde mais o vento assanha,
Balançando teu cabelo,
Fazendo felicidade
De lã, perfeito novelo,
Da lua, só claridade...

sextina

Amor, bicho serelepe.
E não há quem não se estrepe,
Ao tentar amor conter,
Traquinas, vive fugindo,
Matando, sem perceber,
No final, sempre se rindo...

sextina

Moça da pele morena,
Quero essa boca pequena,
Na minha boca pousada,
Quero teu amor, menina,
Quero essa mão repousada,
No pouso da minha sina...

sextina

Tudo passa devagar
Fingindo que vai passar
Tudo calmo na cidade
Pequena, do meu sertão.
Só não passa essa saudade,
Dentro do meu coração...

Tucanolândia - capítulo 13 - NEGÓCIO DE PAI PARA FILHO...


O Rei Fernando Henrique Caudaloso queria ficar mais quatro anos à frente do Reinado da Tucanolândia, como vimos antes, e um dos principais fatores da sua boa popularidade entre os habitantes do Reino era o Plano Real, arquitetado pelo rei Topete Primeiro, seu antecessor.
O mundo passava por uma crise econômica e o Reinado Tucanolândia não era exceção. Para se manter a paridade entre o real e o dólar, carro chefe da campanha presidencial de Dom Fernando Henrique Caudaloso, seria necessário uma mágica econômica que custaria aos cofres públicos uma fortuna para manter o câmbio, artificialmente, em baixa.
Obviamente, isso custou ao Reinado uma verdadeira fortuna, arrancada das reservas nacionais. Isso, obviamente, não preocupava nosso narcisista Rei, para quem o que importava era manter o poder.
Até aí tudo bem, mas o que espantou a todos foi que, além de praticar essa mágica fantástica, assim que o câmbio foi corrigido, vários bancos e instituições financeiras, parece que o número cabalístico de vinte e quatro, obtiveram informações privilegiadas, o que permitiu que se comprasse dólar a um real e se vendesse pelo dobro do preço, poucos dias depois.
Negócio de pai para filho, sendo que quem pagou o pato foi o povo de Tucanolândia, mas isso pouco importa...
Tivemos também um caso muito interessante, havia dois bancos no reino da Tucanolândia, que tinham importância vital para a população do país:
Um deles, era o Marka e o outro se chamava FonteCindam, eram extremamente populares sendo que, nove em cada dez habitantes do reinado tinham suas economias aplicadas nestes bancos...
Pois bem, o Banco Central do Reino, injetou um bilhão e seiscentos milhões de reais nestas instituições financeiras tão importantes para a economia do povo, emprestando dinheiro a dólares com valores abaixo do mercado, lembrando-se que essa grana foi liberada em um só dia!
A desculpa é que se esses bancos quebrassem, a economia do Reinado ia para o buraco...
Interessante se dizer que, apesar do presentinho, os bancos faliram e o reino, por incrível que pareça, não.
Aliás, os milhões de súditos que nunca tinham ouvido falar nos tais bancos, inclusive esse que vos fala, só souberam do rombo depois.
Falando nisso, o presidente do Banco Central à época foi condenado, em primeira instância, a dez anos de cadeia.
O dono dos Bancos, um italiano chamado Salvatore, e não é da pátria não, se mandou para a Itália e nunca mais vai esquecer sua aventura em terras tropicais, nem ele nem seus descendentes que têm o futuro garantido graças à bondade do Rei Fernando Henrique Caudaloso e seus amáveis e receptivos súditos...
Em tempo, essa oposiçãozinha vagabunda não tem jeito não, pois imaginem que até falar que tinha um esqueminha de venda de informações privilegiadas dentro do Banco Central, havia...
Vê se pode!!

Segunda-feira, Julho 17, 2006

trova

Nasci nas Minas Gerais,
Em plena Zona da Mata,
Vivendo, buscando a paz,
Mas a saudade maltrata...

poemeto

Seca maltrata o sujeito,
Vai matando a criação,
Mas ninguém tem o direito
De explorar o meu sertão!
Nosso povo sertanejo
Tem muito brio e valor,
No fundo, nosso desejo,
Dignidade e amor...

trova

Rimas trago no meu peito,
Versifico com paixão,
Vão nascendo, desse jeito,
Brotando do coração...

trova

Falando por valentia,
Qualquer um fica mais forte,
Quero ver, na poesia,
A cobra dar o seu bote...

trova

Rastro de cobra no chão
Assusta qualquer valente
Amor rasga o coração,
Deixando o cabra doente...

trova

Passatempo, passarinho
Passa tudo devagar,
Passando o tempo, sozinho,
Tempo custando a passar...

trova

Sentimento de verdade,
Pode um cabra conhecer
Quando bate essa saudade.
Dá vontade de morrer

trova

Na ponta do cravinote
Vi muito cabra morrer,
Vi valente dar pinote,
Já vi jagunço correr...

trova

Restando tão pouca vida
Para quem quer esquecer.
Essa verdade mentida:
Nada temo, nem morrer...

trova

Vi teu nome no meu peito,
Consegui ver o teu rosto,
Doendo, mas satisfeito,
Coração batendo, exposto...

trova

És mais bela que sereia,
Serei de ti o sonhar,
A luz de minha candeia,
Não consegue te ofuscar...

trova

Vinda de terra distante,
Mariana foi pro mar
De Netuno foi amante,
Amiga de Iemanjá...

trova

Bebendo da vida, tanto,
Eu quero me embriagar,
Do teu doce, claro encanto,
Novo canto, vou cantar...

trova

Meu tempo, sem contratempo,
Vai passando, devagar,
Navegando vou, ao vento,
Nos meus sonhos, vou voar...

trova

vou vagando pelo mundo
procurando te encontrar,
lá do céu ao mar profundo,
nas estrelas, no luar...

trova

Vou rasgando a fantasia
Que vesti no carnaval,
Menina faz poesia
Brilhando nesse lual...

trova

Sei de tanta falsidade
Conheço, desde menino,
Em teu corpo, a claridade,
Onde banho e me ilumino...

trova

Moça bonita, cuidado,
Não caia no velho papo,
O tal príncipe encantado,
Há muito já virou sapo...

trova

Na fumaça do cigarro,
Te vejo nas espirais,
Se tropeço, me agarro
Em ti, cairei jamais...

trova

Não sei nem quero saber
Quem inventou sofrimento,
Só sei que quero viver,
Ao teu lado, esse momento...

trova

Rosa vermelha, sedução.
Rosa branca, quero paz.
Plantar, no teu coração,
Um rosal, se for capaz...

trova

Foste tanto, fui tão pouco,
Me perdoe, meu amor,
Hoje, tonto, vivo louco,
Com meu peito sofredor...

trova

Vida, vela leva o vento,
Pra distante, nesse mar,
Vou vivendo no relento,
Procurando te encontrar...

trova

Da noite quero o luar,
O sol desejo do dia,
Conjugando o verbo amar,
Transbordando poesia.

trova

Não há coisa mais bonita
Nesse mundo de meu Deus,
Que os olhos da minha Rita,
Quando olha nos olhos meus...

trova

Vencido pelo cansaço,

Adormeci nos teus braços,

Vem. Me dê um abraço,

Estreitando nossos laços...

trova

Cansado de te esperar,
Parti para outra cidade,
Procurando te encontrar,
Amada felicidade...

trova

Na curva torta do rio,
No meio do meu sertão,
Quero um dia que, vadio,
Enterrem meu coração...

poemeto

Esperança diz teu nome
Cada dia mais distante,
Tua imagem me consome,
Perdida, tão inconstante...
Mas, a cada dia vejo,
Que amar mais do que pude,
Faz viver esse desejo,
Amar-te tanto, amiúde...

poemeto

Na estrada da minha vida;
Muitas curvas, capotei.
Minha sina é despedida,
Sofrendo por quem amei.
Tanto quero esse querer
Quanto espero pela lua
De tantas, tenho você,
A minha alma é toda sua...

poemeto

Vi teu nome rabiscado
Marcado pela paixão.
Foi nesse tempo passado,
Onde tinha o coração
Um bater desesperado
Descompassado afinal
Tanto tempo já marcado,
Na árvore desse quintal...

poemeto

De fome e sede nos matos
Sertanejo vai morrendo,
Na seca desses regatos
Nos dias que vai sofrendo.
Tal qual esse sertanejo,
Assim também meu viver,
Vai secando esse desejo,
Na fome de ter você.

Domingo, Julho 16, 2006

poemeto

Seu doutor, me dá um tempo
Preu poder te confessar
Depois desse contratempo
Não posso nem vou negar
A vida me deu saudade
Por herança e por meu bem
No tempo da mocidade,
Ficou o gosto d’alguém...

poemeto

Não quero saber de ti
Nem quero mais solidão
De tudo que já vivi
Nem me resta mais perdão
Só me traz o pensamento
Longe de tantas promessas
Vou morrendo esse momento
Amando-te às avessas...

poemeto

No tabuleiro da serra
Seguindo pelas estradas
Vou trilhando pelas terras
Nas noites enluaradas.
Estrelas por companhia
Em busca do meu descanso
As três marias por guia
Em Maria o meu remanso...

poemeto

Gosto doce da maçã
Na boca de quem amei,
Trazendo meu amanhã
Dos tempos que já passei.
Vem morena me dizer,
Conhecer a mansidão
Nos teus braços vou morrer
Maltratando o coração...

poemeto

Vou em busca de teu beijo
Percorrendo essa cidade,
Espreitando meu desejo,
Conhecer felicidade.
Mas bem sei que sou sozinho
Desencanto de verdade,
Procurando pelo ninho
Encontrando falsidade...

poemeto

Eu bem fiz minha morada
Desse peito sofredor
No final, não deu em nada
Pouca coisa que restou
Foi somente essa saudade
Que me faz seguir em frente,
Amar, amei de verdade,
Me curei, fiquei doente...

poemeto

Vai o trem do caipira
Desfilando pela estrada
Espingarda quando atira
Com a mira enviesada
No meio do matagal,
Na noite enluarada
No canto desse urutau,
De tristezas, recheada...

poemeto

De Denise quero o canto
De Renata, a alegria
De Luiza, seu encanto,
O paladar de Maria
Quero de Rita a delícia
Que conheci em Joana,
De Paulinha, essa carícia
Que só me deu Mariana...

poemeto

Conheci tantas mulheres,
Tantas que perdi a conta,
No meio desses talheres,
Minha boca ficou tonta,
Procurando por carinho,
Devorando essa saudade,
Mas agora, vou sozinho,
Veja bem que maldade...

poemeto

Benfazeja essa cidade
Nas montanhas das Gerais
Onde toda claridade,
Brilha tanto, brilha mais...
Paraíso te pertence,
O teu próprio nome diz
Tudo em ti já me convence,
Pois és Espera Feliz...

poemeto

Eu nem sei como tu chamas,
Teu nome não quero ler
Só sei que quando me chamas,
Vou, bem rápido atender.
Pois, se me chamas querida,
Tem sabor de bem querer
Teu nome, já sei, é Vida,
Só por ti, quero viver...

poemeto

Cada vez que me prometes,
Retornar ao meu viver
Que pecado tu cometes,
Cometes sem o saber.
Vai matando, devagar,
Lentamente sem ter dó,
Que prazer tens em matar,
Esse coração tão só?

poemeto

Saudade escreve teu nome
No meio da solidão,
Nessa poeira que some
Na curva desse estradão.
Vivo sonhando contigo
Nada mais quero viver
Nunca mais, nunca prossigo,
Não consigo te esquecer...

poemeto

Resta uma mesa na sala
E uma rosa no jardim
Tudo canta, tudo fala
Saudade batendo em mim
Foste embora, minha amada
Nunca mais poderei ter
Minha vida anda cansada,
Mil vezes melhor morrer...

poemeto

Nas cinzas do meu cigarro,
O que restou de você
No barulho do meu carro
Tanta coisa por dizer
Tantas curvas nessa estrada
Meu rumo vai se perder,
No final vai dar em nada
No nada, sobreviver...

poemeto

O gosto da poesia
Tem sabor dessa saudade
Que me invade todo dia
Que todo dia me invade.
Faz a vida ter valia,
Traz a luz e claridade
Vestindo de fantasia
Vai por toda essa cidade...

poemeto

Gosto amargo da saudade
Fica na boca da gente
Quando vem a claridade
Com o sol lá no nascente.
Bem sei que já vai embora
A mulher que tanto amo,
Correndo por mundo afora,
Teu nome, somente, chamo...

poemeto

Perguntei ao passarinho
Onde encontrava você
Ele me mostrou seu ninho
Onde podia esconder
O amor que tive na vida,
E, bem triste, já perdi,
Me disse, na despedida,
Eu bem te vi, bem te vi...

poemeto

Tesoura cortando pano,
Me faz lembrar de você
Quando ainda tinha esse engano
De nossa vida viver.
Mas tudo foi simplesmente,
Mentira sem serventia,
Hoje sei, completamente,
Que foi tudo, fantasia.

poemeto

Rosa tenho tanto medo
De perder o teu perfume
Conhecendo teu segredo,
Sentindo esse teu lume;
Das rosas que conheci,
Nenhuma é assim tão bela,
É pena que te perdi
Rosa branca e amarela...

poemeto

A porca de tão pesada
Já não anda, meu senhor
A vida desconsolada,
Nada serve sem amor.
Quero o pó dessa estrada
Alimenta o sonhador
Na noite, na madrugada
E por onde quer que eu for...

poemeto

Vi meu rosto nesse espelho,
Reflexo revelador,
No outro lado, bem mais velho
Valha-me Nosso Senhor.
Mas o coração safado
Mesmo assim não toma jeito
Achando-se com direito
De pender para o teu lado...

poemeto

Vagamundo, vagabundo
Coração sem serventia,
Rasgando rasgo profundo
Morrendo um pouco por dia
Cada dia sem Maria
Sem magia e sem valor
Trazendo tanta folia
Transbordando esse calor
Coração, bem que podia,
Traduzir taquicardia
Noutra palavra, amor...

poemeto

Minha mão anda cansada
De tanto escrever teu nome
Pela noite, madrugada,
Em cada canto ou calçada
Vasculho toda cidade,
Não encontro nem metade
Do que fomos e mais nada,
Nada mais quero da vida,
Minha esperança perdida,
Não consigo disfarçar,
Procurando no luar
O que restou de meu mundo,
Nesse universo que inundo
Com meu canto sem sentido,
Por mais que tenha vivido
Tudo se perdeu, sentido
Nenhum tem mais essa vida,
Que antes tivesse perdida
Do que perder quem amei.
Preciso saber onde estás,
Se existes ou se partiste
Onde encontrar essa paz...

poemeto

Tantas são as esperanças
Que encontro nos olhos teus,
Me trazendo essas lembranças
Desses tempos mais ateus
Quando alegre, qual criança,
Neles encontrei meu Deus...

Do Terrorismo

A invasão do sul libanês por Israel é injustificável. Tal atitude de declaração de guerra a um país vizinho, sob a justificativa de retaliação contra um grupo terrorista, transforma Israel em um Estado Terrorista.
Não concordo com as ações do grupo terrorista Hizbollah, longe disto; já que tenho em mente que as soluções pacíficas são as melhores para qualquer tipo de conflito, mas não posso conceber a invasão de um país livre, sob qualquer argumento.
O risco de uma eclosão de violência na região é iminente, podendo transformar o conflito em uma guerra de proporções comparáveis a de 1973, com a geração de uma crise internacional de resultados imprevisíveis.
Paralelamente a isso, a invasão do território palestino pelo mesmo estado Israelita, me faz crer que a paz no Oriente Médio é utópica, puramente utópica.
A reação do Governo Norte americano era de se esperar, já que a interação entre os povos vem de longa data, sendo Israel, o principal aliado norte-americano no Oriente Médio.
Assim como a tímida reação da ONU, desmoralizada e desacreditada desde o início da Guerra do Iraque.
Sou favorável à autodeterminação dos povos, visceralmente favorável.
Acreditando que cada povo tem direito à sua pátria, tal qual o povo judeu tem, vítima por milhares de anos da discriminação e da escravização; mas um erro não justifica outro.
Aliás, a reação do Império Norte Americano neste caso, me remete a outras situações onde as operações dos yankees se mostraram totalmente desastrosa, como no Vietnã, na Coréia e no sudoeste asiático, levando alguns povos à beira da miséria, como no Camboja e no Laos.
A ação imperialista americana nos leva também a pensar na ação européia sobre a colonização africana, quando a divisão de países não respeitou diferenças nem de povos, nem de nações, assim como de idioma e cultura.
A África ainda é um continente com fronteiras a serem refeitas, assim como a própria Europa refez as suas até os dias de hoje, com a independência de Montenegro, por exemplo, e as guerras na Chechênia e em Kosovo, territórios ainda sob custódia e de futuro incerto.
Recordo-me das ações criminosas do Estado Terrorista de Israel sobre os povos que mantém sob domínio, tão imperialista quanto qualquer potência da história.
Assim como, nos últimos anos do milênio passado, a ação dos governos norte americanos sobre o Oriente Médio, levando às intervenções desastrosas no Afeganistão e no Iraque, culminando com a invasão desses países e a criação e fomento da guerrilha e do terror.
Não podemos nos esquecer, também, da ação intervencionista e criminosa dos EUA sobre o Panamá e a Nicarágua, isso sem falar sobre Cuba, Filipinas etc.
Temos também, na nossa História, a amarga e cruel invasão do Paraguai, com efeitos deletérios insuperáveis sobre o povo vizinho.
A exploração vergonhosa dos povos mais fragilizados pelas potências mundiais ou regionais é uma constante na História do Homem.
Os pontos de tensão, como no Tibet, não escolhem ideologia nem culturas; sendo inerente ao ser Humano, desde a origem da espécie, dividida em clãs rivais.
Nesse ponto, desde o início da civilização até os dias de hoje, muito pouco evoluímos, sendo necessária uma reavaliação do papel das Organizações Regionais, como a OEA, a OTAN e a ONU neste campo importantíssimo para a organização da Humanidade.
Temos que tentar nos reavaliar e perceber até que ponto nós mudamos, desde o início até hoje. E como e onde poderemos agir para mudar essa realidade.
Quem gerou a crise na Coréia do Norte foi quem criou a Coréia do Norte, ou seja, o imperialismo soviético e norte americano que hoje posa de “moralizador” sobre o mesmo monstro que gerou.
Os atos de terrorismo feitos pelo estado israelense e os feitos pelos governos norte americano, russo, chinês e outros se diferenciam em que dos atos feitos por grupos não governamentais, como as FALC, a Al Kaeda, Hizbollah, entre outros?
É muito engraçado o Presidente Norte Americano agir como terrorista, em nome do combate ao terrorismo...
Aliás, qual o nome que poderemos dar às ações da CIA na América Latina nas décadas de 60 e 70?
A necessidade de uma noção mais clara de civilização se faz imperativa.
O novo mundo que queremos, justo e igualitário passa, obrigatoriamente pela ruptura do homem com suas raízes imperialistas, escravagistas e belicosa.
A utopia da igualdade, liberdade e fraternidade, que nos remonta a cada 14 de julho, na revolução francesa, ainda está tão distante como sempre foi, apesar da famosa “globalização” que é mais uma palavra sem sentido, apenas e tão somente um termo virtual...

Tucanolândia - capítulo 12 - Vale o que está escrito

Uma das coisas que mais chamava a atenção no reinado de Fernando Henrique Caudaloso era o cumprimento da palavra dada, só comparável à máxima dos banqueiros do jogo do bicho: “vale o que está escrito”.
Todos sabem que, em Tucanolândia, uma das coisas mais honradas é o jogo do bicho. Se você ganhar a aposta, pode ter certeza de que ganhará o prêmio, nada mais certo que isso.
Falando em banqueiro, Fernando Henrique Caudaloso, inspirado nesse exemplo, fez um programa de salvação dos bancos, o famoso PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional).
Este programa, de total interesse nacional, já que as economias do povo do reinado, principalmente as pequenas economias dos mais pobrezinhos, iam para as cadernetas de poupança, aplicações comuns no reino, estavam todas no sistema financeiro do país.
Em um ato de total desprendimento e amor à pátria, com o sentimento verdadeiramente cristão, Dom Fernando Henrique Caudaloso primeiro, pensando no bem estar do povo, principalmente dos mais pobres, resolveu ajudar os pobres banqueiros que estavam tendo prejuízos enormes no reinado.
Os bancos das províncias, todos estatais, deveriam ser privatizados, já que, como sabemos, o povo do reinado não estava preparado para administrar os seus bens e, embora os políticos locais fossem de uma integridade ímpar, era melhor sanear as dívidas desses bancos antes de vendê-los, com altos lucros, para a iniciativa privada.
Pois bem, tal ato de heroísmo custou aos cofres públicos, segundo Fernando Henrique Caudaloso, somente cerca de dez bilhões de reais, embora para os presidentes do Banco Central de Tucanolândia tenha sido um pouquinho mais, cerca de trinta bilhões e para alguns economistas do Cepal, um outro tanto, cerca de cento onze bilhões, coisinha pouca, já que representam somente pouco mais de onze por cento de todas as riquezas nacionais.
Mas a palavra de honra é mais importante que tudo, e isso não tem preço.
A oposição ao Rei Fernando Henrique Caudaloso, essa oposição sem nenhum patriotismo e sem honradez, somente pelo fato de que um dos parentes do Rei ser casado com uma herdeira de um dos bancos ajudados, o Nacional, acusou o pobre rei de favorecimento.
Com essa ação, as pobres economias do povo de Tucanolândia, principalmente as Cadernetas de Poupança foram salvas, num heróico ato do Amado Rei...

Tucanolândia - capítulo 11 - eu assinei isso?


No reino da Tucanolândia, em 1998, a Presidência do Tribunal Regional do Trabalho do Estado de São Justo, achando que o prédio em que estava lotado era pequeno, resolveu construir um novo, grande e moderno.
Como se sabe, a justiça trabalhista sempre foi um dos maiores orgulhos do reino, com uma justiça ágil e competente.
O trabalho escravo, de há muito tinha sido erradicado do reinado, sendo extremamente raro um caso em que o trabalhador não tivesse as garantias trabalhistas.
O presidente do Tribunal, tinha tido a brilhante idéia de fazer essa mudança e, ao contrário do seu homônimo mais conhecido por Papai Noel, resolveu “cobrar” pelos direitos autorais, afinal ninguém é de ferro e uma obra de tamanha importância e relevo não era, assim corriqueira.
Pois bem, os royalties ficaram somente em cento e sessenta e nove milhões de reais, coisa bem pouca para um reino tão rico quanto o de Tucanolândia.
Claro que uma ação assim não seria isolada, teria que ter tido o apoio de outros cidadãos influentes no reinado.
Um deles, senador eleito pela capital do reinado, Tucanolandópolis, teve seu nome firmemente associado ao delito.
No escândalo que se deu, não houve jeito, cassaram o senador e prenderam o juiz.
Coisa rara àquela época, tivemos a punição dos dois.
O problema é que, a obra tinha sido analisada e condenada pelo Tribunal de Contas do Reinado.
E, para que fosse aprovada, tinha que passar pelo clivo do Rei Fernando Henrique Caudaloso Primeiro. Esse, como um dos maiores intelectuais do reino, surpreendentemente afirmou, num ato de auto crítica, que NÃO TINHA LIDO O QUE TINHA ASSINADO!
Depois, um dos analistas mais conhecidos do reino, justificando o fato, afirmou que era compreensível que um homem como aquele, doutor honoris causa de várias Universidades Européias e Nacionais, como a Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas de Piriri do Norte, uma província famosa de Tucanolândia, estava genialmente distraído...
Uma outra coisa interessante ocorreu no julgamento do Senador de Tucanópolis: havia um painel, aparentemente inviolável, de votação; mas, dois senadores curiosos e amigos da turma que programara, eletronicamente, o painel de votação, tiveram acesso à lista de votação, afirmando que sabiam quem votou contra ou a favor da cassação do Senador.
O interessante é que um deles, um baiano famoso, Toninho Bondadeza, disse que uma das maiores adversárias do Governo, uma senadora famosa da oposição, tinha votado CONTRA a cassação do senador.
Depois disso, ambos renunciaram para não serem cassados, coisa em que foram imitados anos depois por outros políticos.
Ah, em tempo, um dos maiores críticos da atitude desses parlamentares foi Patrick “Olha a faca”, neto de Toninho Bondadeza...

O umbigo na terra.

Seu moço, aqui é minha terra, meu torrão natal, meu e dos meus pais, dos meus irmãos e dos meus avós.
Aqui estão enterrados todos aqueles que amei, em cada palmo desse chão, está a história desse que vos fala.
Filho de Dona Zica e de Seu Lula, gente simples, trabalhadores, que a terra engoliu de velhice, velhice de sertanejo que começa depois dos trinta.
As rugas precoces e profundas me lembram a terra seca, profunda nas grotas e nas curvas do rio seco. O suor molha mais os sulcos que a chuva, coisa difícil por aqui.
Chuva que, quando vem, transforma a vida, vida boa, vida próspera nas colheitas de mandioca, feijão, milho; no leite gorduroso das cabras e da vaquinha, companheira fiel no arado e no alimento.
Mas, a cacimba da alma, tantas vezes aguada pela dor da morte, carpida e tristonha, das perdas da vida e das vidas, tem a água salobra, que prende na garganta, não desce, empanturra.
Meus irmãos, dos quinze que Deus deu, a seca, a fome, a desidratação e a surucucu levaram oito. Sete restaram, todos fortes e valentes, todos foram embora, menos eu.
Fiquei aqui, essa é minha terra seu doutor. Meu umbigo está grudado nesse chão.
O riacho, quando vivo, é tão bonito, mas, na seca, com seu leito cheio de areia e de pedra, leva as mães, como levava a minha, com a lata na cabeça, em busca da água barrenta no açude seco.
Nessa terra, moço rico tem água, fazendeiro rico tem gado, e tem os caboclos e jagunços.
Meu pai, pobre e lutador, morreu sem bala, sem tiro, sem morte matada, a não ser dos calangos e dos bichos da seca.
Gambás e cobras ajudavam a matar a fome, mitigada pela palma, disputada com o gado.
Somente o carcará, bicho danado, tinha pasto nas carnes dos bichos mortos pela queimada e pela seca.
Vaqueiro, sou vaqueiro com meu gibão e cravinote, pronto para a batalha, correndo entre os espinheiros dessa caatinga seca e sedenta.
Minha mãe, me recordo sempre, dizia, entre as orações de graças e de pedidos de perdão, pelo pecado cruel de existir, que onde o umbigo está, a vida continua, a distância traz a falta de paradeiro.
A pedra que não cria limo, é pedra rolando, inconstante e que, quem muito muda não cria limo.
Meu limo está entranhado nessa vaquinha, nesse arado, nesse chão.
Não vou embora não seu moço, fico aqui até o derradeiro dia.
Minha esperança é tão verde quanto meu sonho, quanto os olhos da amada, os olhos da terra que tento cultivar.
No cultivo da espera por outro tempo, um dia...
Os moços prometeram, vi na televisão, mas é tanta promessa que não tenho mais pressa, nem esperança.
Vou vivendo, às avessas, sem amanhã, na espreita do calango, na ponta da espingarda, com o rosto, a cada dia, formando as serras e os vales.
Vou ficando, quem sabe um dia, essa terra, minha terra, seja mais mansa e mais amiga.
Minha mãe e meu pai, meus irmãos, trago comigo, pesando o coração, deixando meu andar de banda, por estas bandas onde vivo, aonde vou também, um dia, me juntar com meu umbigo e alimentar esse chão.
Faminto de todo meu povo, matando a fome do sertão.
Meu sangue, regando a terra, para que, quem sabe, um dia, os homens desse país, pensem um pouco na gente.
Nós somos brasileiros, esse é o nosso país, mais que brasileiros, nordestinos, essa é nossa sina e mais que nordestinos sertanejos.
Aqui, nessa caatinga; aqui, nesse sertão, é nosso primeiro e derradeiro solo, o solo sem consolo, o solo sem apoio, no aboio do meu gado, da minha vaquinha Estrela, do meu boi Fubá, da estrela solar que esturrica, que seca e mata.
A terra, meu único bem, bem amado bem te vi, no mandacaru que, a cada florada, traz a esperança do milho, do feijão e da mandioca.
Por isso, seu doutor, não vou embora, nunca na minha vida.
Não deixo o meu Ceará, é aqui a seara onde será, meu sertão, a terra prometida, minha lida e minha sina, minha raiz.

Sábado, Julho 15, 2006

Nunca poderia te esquecer

Não poderia esquecer aquele dia, nuca mais poderia esquecer.
Ao te ver partindo, deixando um gosto amargo, o gosto da saudade, da solidão, senti o quanto te amava.
No começo de tudo, era um simples jogo, um brinquedo de conquista, uma fantasia criada sobre o nada.
Para te falar a verdade, naquele tempo não te queria, nem te desejava, foste simplesmente uma aventura, daquelas que a gente sabe que vai acabar e nem luta contra isso...
Bonita? Eu não te achava bonita não, até meio sem graça, com aquele vestido desengonçado e aquele jeito comum de menina comum, de tantas e tantas que atravessam cada esquina e se oferecem ao gosto e ao olhar, a cada dia, a cada semana, em cada bar.
Conhecera-te na infância, menina gordinha, sardenta, feia mesmo. E ao te reencontrar, na nossa adolescência, descobri que me desejavas. Gostei disso, e somente disso. O orgulho de ter sido querido e desejado por alguém, aliados da minha timidez, me permitiram te ter.
Mansa e serena, sempre presente, me acostumei contigo; é isso, me acostumei e nada mais que isso. Costume e rotina.
Ficamos juntos por quatro anos, que transcorreram na mansidão do rio sem cachoeiras, sem grandes cascatas, sem turbilhões nem redemoinhos.
Depois disso, vieste com essa história de “não te quero mais, foi bom, mas acabou”, essas desculpas comuns que se usa quando se quer terminar um relacionamento sem magoar.
Houve um tempo em que até desejei ouvir isso, mas, agora não; fiquei surpreso com a dor, com a angústia dessa notícia.
Para falar a verdade, chorei, surpreendentemente chorei.
Conseguiste penetrar em todos os recantos do meu sentimento, sem que eu percebesse...
Dominaste-me, sem tempestades e sem confusões, calmaria.
Amiga, é difícil dizer-te o quanto me fazes falta, é muito difícil para quem, egoisticamente, se achava teu dono, te achavas minha, minha, somente minha.
Mas, de coração, desejo tua felicidade, pode parecer estranho, mas quero que sejas feliz.
Distante de mim, longe, em outros braços, outra boca, outro homem...
É complicado, muitas vezes, eu conseguir entender isso, mas o que sei é que te desejo muitas felicidades.
E isso me dá a verdadeira dimensão do amor que tenho por ti, um amor longe de egoísmos, longe de possessão, o amor sublime de quem quer, acima de tudo, a alegria e a glória do objeto amado.
E, se um dia, tu te lembrares de mim, saiba que ninguém, ninguém nesse mundo te amará tanto e tão fielmente quanto, um dia, te amei...

Tucanolândia 10 - Disk denúncia – a grande sacada.

Disk denúncia – a grande sacada.

Além do que vimos no capítulo anterior, tivemos outra situação genialmente bolada pelo Ministro Joseph Mountain.
Como complemento á tática muito bem empreendida contra os Hospitais, Joseph resolveu achar mais um grande culpado pela situação em que se encontrava a saúde do reino.
Com o sucateamento da tabela do SUS, congelada por vários anos, para consultas e procedimentos médicos, o que obriga os profissionais de saúde a acumularem vários empregos para manterem um certo padrão de vida, já que o preço do procedimento profissional era de dois reais e quarenta centavos, Mountain resolveu investigar a vida dos profissionais, ladrões e facínoras em potencial, com a artimanha de mandar cartas aos pacientes e solicitando que estes denunciassem os “bandidos” da máfia de branco.
Realmente, um profissional que trabalha com uma arma terrível como o bisturi, e se aproveita de que a vítima está anestesiada para causar graves e profundas lesões corporais, além de se utilizar de drogas capazes de matar, é um bandido em potencial. O fato de exercer essas ações para tentar salvar vidas é de somenos importância, apenas um pequeno detalhe.
Pois bem, partindo do pressuposto que os médicos eram as verdadeiras sanguessugas do erário público, capazes de, qual fossem morcegos hematófagos, sangrarem a exaustão o tão bem protegido e cuidado, dinheiro público, vemos que tinha suas razoes.
Pena que a idéia não prosperou, imaginemos um disk denúncia para professores que não dessem a nota que os pais imaginassem que seus filhos merecessem, um disk denúncia para advogados que não conseguissem ganhar causas, para jogadores de futebol que perdessem pênaltis, para donas de casa que deixassem queimar o arroz, para policiais que não prendessem o ladrão.
De Ministros que não conseguissem resolver os problemas ligados à sua pasta, de juizes de futebol que “roubassem” do meu time, de prostitutas que não dessem o prazer prometido, de maridos e mulheres que não funcionassem a contento, e por aí adiante...
Agora, a idéia mais fantástica seria um disk denúncia para políticos que não cumprissem os compromissos de campanha ou que inaugurassem obras inacabadas, que desviassem dinheiro público, que praticassem nepotismo, que contratassem funcionários sem concurso, baseados simplesmente em fatores eleitoreiros.
Políticos que se utilizassem de influência para ganhar licitações, para conseguir tirar presos da cadeia, de utilizarem veículos públicos para proveito próprio, etc...
É, acho que, nesse caso, as linhas disponíveis para o disk denúncia político, teriam teias de aranha, de tão poucas denúncias haveria...

Tucanolândia capítulo 9 - de como não transferir verbas e transferir a culpa


No reinado da Tucanolândia, o sistema de saúde passava por um momento ímpar: com o plano real, um plano econômico muito bem feito pelo Rei Topete primeiro, a inflação estava quase que totalmente zerada.
Mas, o real que estava equivalendo-se, no início, ao dólar, teve uma desvalorização de mais de cinqüenta por cento, sendo que o salário mínimo tinha tido um crescimento parecido. Tudo em Tucanolândia aumentava de preço, menos a tabela do SUS.
Esta estava congelada desde o início do plano real, embora a inflação e os custos de manutenção dos hospitais aumentavam a cada dia.
Joseph Mountain, em uma brilhante jogada de mídia, ao invés de aumentar a remuneração, tanto de médicos quanto dos prestadores de serviço, teve uma brilhante idéia.
Esquivando-se da responsabilidade sobre a piora da situação da saúde pública, imaginou uma jogada genial:
Passou a ranquear os hospitais, conforme pesquisa feita com os pacientes.
Estes, longe da realidade que afligia os hospitais, passaram a ter a percepção de que, quem era responsável pela má qualidade não era o Ministério da Saúde que, na verdade, estrangulava economicamente os prestadores de serviço, mas sim estes, os estrangulados...
Com essa fantástica jogada de Marketing, vimos os profissionais de saúde expostos a uma cruel “realidade”.
Eram eles, e somente eles, os culpados pelos maus serviços prestados.
Em última análise, tivemos uma situação extremamente “confortável” para quem atuava, inclusive este que vos fala, na saúde pública ou credenciada.
A remuneração de uma consulta médica, passou de dois reais e quarenta centavo, num salário mínimo de sessenta e oito reais, para dois reais e quarenta centavos num salário de mais de cem.
Desta forma, extremamente inteligente, Joseph Mountain passou para a população que os médicos e hospitais eram os verdadeiros culpados de faltarem medicamentos, e condições de atendimento.
Essa foi mais uma genial jogada de marketing político de Joseph, idéia que nem os marqueteiros mais geniais poderiam sacar.
Em tempo, os hospitais mais ricos, aqueles que não dependiam do SUS, passaram a ter propaganda gratuita do Ministério da Saúde; já os mais pobres, cuja renda era quase estritamente oriunda do SUS, foram os verdadeiros vilões da má gerência da saúde pública.

Quinta-feira, Julho 13, 2006

Das cotas e das discriminações

Temos visto, nos últimos dias, um aprofundamento sobre os sistemas de cotas nas Universidades.
O aspecto que se discute é com relação à utilização do fator racial enquanto fator preponderante para essa cotização.
Discordo, profundamente, de tal parâmetro para se analisar o benéfico sistema.
Vivemos num país onde, historicamente, os negros foram alijados da participação a qual teriam direito tanto na colonização quanto na distribuição de terras e de benefícios, desde a abolição da escravatura.
Obviamente essa discriminação, chegada ao extremo de se colonizar as novas terras com imigrantes vitimizados por períodos de crises econômicas nos seus países de origem em detrimento da gigantesca população negra e mestiça que havia no Brasil, nessa época, é uma das maiores mazelas e dívidas do Brasil com a população negra.
Pior, muito pior é a situação dos descendentes dos indígenas, alijados e mortos em suas próprias nações.
Até aí, tudo bem, concordo plenamente que é importante e urgente se fazer tal resgate, mas há um aspecto que não podemos negar: a experiência feita nos Estados Unidos não cabe no Brasil, onde temos uma realidade muito diversa.
Partindo-se do pressuposto que lá havia uma política oficial de discriminação e segregação, a população negra enfrentava não somente das injustiças indiretamente relacionadas como, também, de uma segregação oficial e odiosa.
Se nos lembrarmos de Malcom X e Luther King, veremos que há grandes diferenças entre o momento histórico e as motivações entre esses e Ganga Zumba, por exemplo.
A escola pública foi sucateada e destruída pelas décadas de desgovernos e políticas elitistas com relação à educação, isso é inegável.
Sou de um tempo onde se havia uma escola pública não somente de bom nível, como também extremamente desejada pela classe média e, nas cidades pequenas, pela própria elite dominante, branca, mestiça ou negra.
O início de uma revolução com relação à qualidade do ensino público, é uma verdade alentadora, com a melhoria, tanto das condições físicas, quanto técnicas, a partir da implantação das Leis das Diretrizes Básicas do saudoso Darcy Ribeiro.
Obviamente, isso demandará tempo para que surta o efeito desejado.
E, nesse meio tempo, e tão somente nesse meio tempo, defendo exaustivamente a política de cotas para os ESTUDANTES DO ENSINO PÚBLICO, associados a uma análise sócio-econômica já que, nas cidades pequenas, em muitas delas, somente temos o ensino público, tanto para as elites quanto para o proletariado.
Até porque, temos a possibilidade de alguns cursarem a escola pública num período e, no outro, fazerem seus cursos pré-vestibulares particulares.
Não vejo a defesa dessa tese, como uma idéia racista ou não. Não consigo conceber que a raça, ainda mais num país onde temos tantos matizes e raças quanto possíveis, possa ser critério justo de seleção para preenchimento de cotas.
Outra coisa que me deixa preocupado é com relação aos critérios utilizados para se distinguir o que é negro ou afro descendente e o que não é; pelos critérios norte-americanos, a alva e loura cantora Mariah Carey é tida como negra, embora isso seja, fenotipicamente e geneticamente, de uma absurda heresia.
O branco, neto de negros ou de brancos é, pela genética, recessivo em todos os quatro genes que dão à tonalidade da pele.
Corremos o risco de criarmos os branco-negros, e os branco-brancos, coisa tão absurda quanto indecente.
Cursei a minha faculdade na UFRJ, uma das poucas em que poderia estudar, filho de professores de ensino médio e fundamental, já que não dispunha de dinheiro e o crédito educativo era uma figura de retórica no longínquo 1980.
Minha esposa, Rita de Cássia, filha de lavradores, branca na tez, trabalhava durante o dia numa Escola para, depois de viajar mais de cinqüenta quilômetros, cursar pedagogia em uma faculdade particular.
Isso não é o ideal, longe disso, mas sinto que, se mantivermos a cotização racial, exemplos como o de Rita terão que ser repetidos no dia a dia, sem a esperança da justiça que, somente ela, igualará os seres humanos.
Estudamos, eu e Rita, em escolas públicas, com dez anos de espaço entre a minha época e a dela, em realidades diversas, eu em Muriaé, cidade do interior de Minas, com seus cem mil habitantes, e ela num distrito de Ibitirama, Santa Martha, nos grotões capixabas.
Outra coisa que precisa ser avaliada é a infeliz idéia do Senador Paulo Paim, a da proibição de se matricular nas Universidades Federais quem tiver condições econômicas de pagar um curso superior.
Discriminação de um lado e do outro não levam a lugar nenhum.
Como, via de regra, as Universidades públicas são tidas como a excelência do ensino superior no país, essa atitude coibiria alguns dos melhores alunos, tanto pobres quanto ricos, de estudarem nestes centros.
Uma idéia que poderia ser analisada seria a de implantarmos centros de estímulo a crianças superdotadas, com o incentivo governamental para que essas, independente da origem social, tenham o desenvolvimento de suas genialidades estimuladas.
Tal experiência já existe em alguns países e, mesmo no Brasil, como as APAEs.
Qualquer atitude em relação à cotização deve ser analisada sob o parâmetro socioeconômico e por tempo determinado, o tempo necessário para se elevar a qualidade do ensino público.
Concordo com Cristovam Buarque quando afirma que esse deverá ser um compromisso entre todos os políticos brasileiros, pois a educação, assim como a saúde e a segurança pública são os bens primordiais de qualquer povo, assim como o alicerce para se formar uma nova sociedade mais justa.

De um caipira, de um peão, do brilho da esperança

Perdão minha Mãe, perdão...
Eu sou um ignorante, sou filho da vida difícil na roça, filho de peão, irmão de peão e pai de futuro peão.
A vida me deu pouco, meu pai foi embora no primeiro rodeio que passou na cidadezinha, meu pai, José, como tantos, um homem forte, mas distante, dele sei que tenho os olhos, os olhos de meu pai.
Tanto tempo distante de tudo, correndo atrás do meu ganha pão, ajudando minha mãe, Maria, Maria Aparecida.
Meus irmãos, filhos de outros pais, filhos da mesma Maria, triste sina.
Na vida, a enxada como caneta, a terra foi o meu caderno, e o suor, a tinta que me ensinou a ler e escrever na sina palavras simples e doídas, como solidão, medo e desesperança.
Aos dez anos, as mãos calejadas, os olhos tristes, olhos de José, o peão, tive vontade de sumir, fugir para outro lugar, longe de Maria, pobre Maria.
Não suportava mais as lágrimas esculpindo as rugas no rosto tão bonito de minha mãe.
Minha mãe, fugindo, percorrendo outras terras, de outros tantos coronéis e de outras serras e montanhas.
Filho de peão, peão sou, como meu pai, hábil peão, poucos me suplantaram na vida, poucos peões como eu, no enxadrezado da vida, dominando os cavalos, tentando dar xeq