Sexta-feira, Junho 30, 2006

Quem sabe faz a hora, e já!

O crescimento de Alckmin nas pesquisas era esperado. Durante o mês passado todo, Geraldo esteve na mídia, se apresentando como o “bom moço”, castelo de pés de barro facilmente destrutível, a partir da quantidade impar de CPIs arquivadas durante o seu período longo à frente do governo paulista.
Inegavelmente, a tentativa de demonstrar ao povo brasileiro, afetado pela mídia tendenciosa, que o insosso Picolé é uma alternativa “moral” a Lula, surtiu algum efeito.
Isso tudo foi muito bom para que os simpatizantes de Lula não se acomodem, evitando o clima de “já ganhou”, altamente prejudicial a qualquer um. Temos exemplos vários de candidaturas praticamente vitoriosas, serem esmagadas no final da campanha.
O próprio Fernando Henrique Cardoso perdeu uma eleição para Jânio Quadros nos últimos dias da campanha.
Da mesma forma que a candidatura de Lula foi atacada por fogo cerrado, não se pode desprezar a candidatura tucana e deve-se partir para o ataque.
Os telhados de vidro do candidato Alckmin são múltiplos e devem ser alvejados. Chumbo cruzado não dói e “pau que dá em Lula dá em Geraldo”.
Um ponto que deve ser visto por todos é a quem interessa a vitória de Alckmin.
Com certeza, para as camadas mais pobres da população é que não.
A associação de Alckmin ao governo Fernando Henrique é óbvia e deve ser demonstrada a cada momento. Afirmativas como as que Alckmin deu com relação à ALCA, também.
Os famosos escândalos da administração paulista devem ser todos bem explorados. A origem tucana do valérioduto, a lista de Furnas, o escândalo da Nossa Caixa, entre outros.
O PT está ainda muito quieto e muito omisso com relação a isso. Nossa militância é muito maior e mais aguerrida, mas está calada. Tomamos porrada o tempo inteiro sem reação.
Lula continua muito isolado, sem apoio real de seus aliados.
A quem interessa a derrota de Lula? A questão deve ser analisada e exposta, mesmo com a mídia adversa, temos que lutar.
Obviamente tivemos e temos ainda muitos problemas de ordem interna. Nossos erros e nossa auto flagelação chegou a extremos nunca vistos antes.
O PT ainda não se recuperou totalmente de todas as lambanças feitas por meia dúzia de três ou quatro imbecis.
Devemos reagir e com força. A nossa marca sempre foi à luta, a bandeira, a garra. Entretanto, estamos acoitados e medrosos.
Cadê as bandeiras e os botons, cadê nossa militância, nosso orgulho, nossa fibra?
Estamos ainda muito parados, esperando a banda passar, contando somente com a força de Lula que, a bem da verdade, se dependesse de nós estaria perdido.
Não temos que discutir com a corja tucana e pefelista sempre na defensiva. A hora é de atacar, de atingir os pontos fracos dessa turma. É importante para que possamos ficar mais forte, estamparmos nossa verdadeira face. Somos petistas, comunistas, socialistas e lulistas.
Com muita honra, somos sim e não apesar de...
Se analisarmos francamente, qual foi a nossa atitude quando Lula foi atingido em sua honra e moral? Onde estávamos quando um pilantra como esses pefelistas chamaram nosso presidente de ladrão, de bêbado, de pilantra? Onde estávamos quando o safado do ACM conclamou um golpe militar?
Ficamos quietos, deixando um Arthur Virgílio vociferar à vontade, sob o silêncio, passivo, quase conivente dos nossos parlamentares.
Nossa turma no Parlamento é fraca, muito fraca...
Estamos perdendo de goleada dos cães ladradores da oposição. E a cada pancada mal respondida ou permitida, eles crescem sim senhor.
Se chamam Lula de bêbado e não reagimos, estamos admitindo. Se chamam Lula de ladrão e não reagimos, somos coniventes.
É hora de atacar. Um time que fica na defensiva o tempo todo perde o jogo. Estamos deixando escorrer uma vitória tranqüila por entre nossos dedos, ao não reagirmos com veemência a uma turba de salafrários como os que citei.
É demonstrar a incompetência de um José Jorge sim senhor. É mostrar o caos administrativo de São Paulo sim senhor.
Não é poupar nada e ninguém. Enquanto ficamos justificando somente os erros do passado e não apontarmos os erros e canalhices do outro lado, vamos ficar, apesar de íntegros na nossa grande maioria, com a pecha de pilantras e petralhas.
É preciso um pouquinho de Stédile nas nossas veias, e muita garra para a luta.
Ficamos omissos, hoje o PSTU faz mais barulho que todos nós juntos.
O PT que conheci se aburguesou, e muito. Estamos mais para gentleman do que para guerreiros. Um dos raros momentos de garra que vi, foi quando Mercadante reagiu com indignação contra um verme inonimado numa dos vários ataques que sofremos no Senado Federal.
Um safado mato-grossense defendeu-se numa CPI de uma maneira exemplar, enquanto éramos atacados e nossos representantes ficaram omissos.
Cadê o PT, me respondam que eu não estou vendo. É preciso que Lula se defenda sozinho das pilantragens da Veja?
Tá na hora de arregaçarmos as mangas. Pau com pau pedra com pedra.
Senão vamos ficar a ver navios.
E, os grupos financeiros internacionais, a elite econômica, os grupos entreguistas do patrimônio público, os abutres eternos e as sanguessugas do nosso povo sofrido; ou seja, a quem interessa a vitória de Alckmin, correm o risco de ganharem as eleições e deixarem cada vez mais nosso povo a mingua.
Ergam os olhos e levantem a cabeça, estufem o peito e demonstrem, mais uma vez, o orgulho de sermos petistas.
Lula e os seus milhões de famintos e injustiçados agradecem!
A hora é agora e não podemos esperar acontecer!

Quinta-feira, Junho 29, 2006

Por que perdemos a Copa de 1982, por João Polino

Estamos no ano de 1982. A Seleção Brasileira de futebol parece ser imbatível.

Em Santa Martha, João Polino, um dos maiores conhecedores do nobre esporte bretão do sul capixaba está apreensivo.

Os primeiros jogos foram tranqüilos. As vitórias convincentes fizeram todo o povo brasileiro comemorar.

Menos João Polino. Este estava desconfiado e cabisbaixo.

Vieram as quartas de final. A Argentina, como sempre nossa principal rival iria jogar contra a Itália.

Lembremos de uma coisa. A Itália tinha sido segundo lugar no seu grupo, com três empates: contra Polônia, Peru e Camarões. Classificara-se por ter feito um gol a mais que a equipe camaronesa.

Argentina e Itália, o Brasil todo torcendo pela Argentina, menos João Polino.

Dois a um para a Itália e foguetório, agora era pegar a Argentina e partir com tudo contra a Itália, depois correr para o abraço.

Brasil e Argentina foi tranqüilo, três a um com direito a olé e tudo.

Que venham os italianos...

Naquela altura do campeonato, todos eufóricos. João Polino calado.

Vieram as apostas e, incrivelmente João Polino acertou o bolão. Sozinho...

Os três a dois da Itália foram, talvez, a maior zebra das Copas do Mundo, menos para João.

Perguntado sobre porque acertara o placar, contra todas as previsões, João Polino foi taxativo:

“Eu sabia. Desde o momento em que o Telê convocou a seleção eu sabia que não ia dar certo.”

Curiosos, perguntaram ao velho futebolista qual era o erro da convocação.

João respondeu, de bate pronto:

“Esse teimoso do Telê não convocou aquele menino”.

Ah. Realmente o Reinaldo fez muita falta.

Ao que João respondeu finalizando o assunto ;

“Que Reinaldo que nada, estou falando daquele menino, o Zagalo!”

O Eleitorado de Lula é formado por idiotas, analfabetos e imbecis

A atriz Luana Piovani, 29, levou seis meses para ler o clássico "Cem Anos de Solidão" (1967), do escritor colombiano Gabriel García Márquez, 77, Nobel de Literatura de 1982. Como o livro tem 384 páginas, isso significa que ela leu apenas duas páginas por dia, em média.
Em seu
blog, Piovani comenta a façanha com entusiasmo: "Terminei de ler meu último companheiro de 6 meses, meu fiel amigo de cabeceira, meu gorducho livro! Gabriel e eu realmente nos entendemos! Cem Anos de Solidão me fez viajar por lugares quentes, me apresentou mulheres loucas e admiráveis e ainda me descreveu uma cena de amor enfestada [sic, o correto é infestada] de borboletas amarelas."Considerando a média diária de duas páginas, a atriz vai levar quase quatro anos para ler os seis livros da série "Harry Potter", que possuem, em português, mais de 2.700 páginas. Em dois meses, ela consegue "matar" o novo sucesso de García Márquez, "Memória de Minhas Putas Tristes" (128 páginas).A descoberta da literatura clássica foi festejada por Piovani em seu blog: "Despedi-me dele feliz, cheia de histórias novas e com uma sensação boa de respeito por uma coisa tão simples, pequena e poderosa: o livro! Agora ele tá lá, na minha estante."

24/02/2006U4 Fui nos 2 shows... os 2 dias... ao todo 7 shows do U2, ao longo dos meus 29 anos... Amsterdam ainda é o número 1... o Bono com o Gil é 10, mas com o Lula é 0. Se o Bono soubesse... Miracle Drug for you... P.s. Usem camisinha e pelo amor de Deus, se beberem, NÃO DIRIJAM!! Bom Carnaval a todos.

Realmente eu concordo quando dizem que o eleitorado de Lula é burro, analfabeto e imbecil.
Temos tido exemplos como os acima, a cada dia.
Essa é uma típica eleitora anti-Lula. Inteligente e sagaz.
Valeu Luana...

Uma esmola a um pobre que é são. Por Átia Mandarino

Um total absurdo essa distribuição de dinheiro para a ralé. Quem tem competência que se estabeleça, quem não tem, fazer o quê?
Não agüento mais esse lero-lero pseudo esquerdista de “renda mínima”.
Quem mandou o sujeito não estudar? E, depois que estudar, vai fazer o que com o diploma?
Essa história de dar o peixe, está criando uma geração preguiçosa!
Podem apostar que, daqui a alguns anos vai ser muito difícil encontrar empregadas domésticas, lavradores, biscateiros, faxineiras, etc...
Essa plebe rude vai se achar capaz de alguma coisa e aí, já era...
Vamos ter que procurar mão de obra nos países mais pobres.
Ou vamos poder convencer uma advogada a trabalhar como doméstica?
Esse pessoal tá pensando o quê? Estão achando que vai haver melhor distribuição de renda?
Eu, francamente, tenho pena dos iludidos que vão pensar que poderão competir com os rapazes e moças criados a pão de ló. Na hora agá, desemprego ou subemprego.
Não se iludam não, vocês estão sendo enganados por esta corja ladra e escroque!
O que é do homem, o bicho não come! Filho de peixe, peixinho é...
Então, meus filhos, prestem atenção no que essa mulher vivida, educada nos melhores colégios do Rio e da Europa diz : NÃO SE ILUDAM COM O SAPO BARBUDO.
É melhor vocês ficarem aprendendo a costurar e cozinhar, lavar chão, e lavar banheiro, pois esse será o final de quem acreditar nesse “golpe do canudo”.
Quem nasceu para plebe nunca chega à majestade!
E, na verdade, todos esses programas “esmolares” que dizem, assistencialistas, me lembram aquela máxima:
“Seu doutor, uma esmola a um pobre que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.
Eu acuso Lula de estar transformando nosso povo em uma cambada de sem vergonhas e viciados...
E, depois quem vai fazer a faxina lá em casa?
E, quando meu sofá ou as roupas ficarem inutilizáveis, vou poder dar para quem?
Já estou vendo em quanto esse Operário Ladrão e Alcoólatra vai inflacionar a caridade...
Onde vou colocar os brinquedos quebrados dos meus netos?
Me respondam e pensem. Onde iremos parar com esses programas “sociais”?
Por último, como faz para pescar? Se alguém souber, quero aprender.
Pesque e pague é a última moda por aqui...

Odeio essa gentalha - Por Átia Mandarino

Odeio gentinha. Podem ter certeza de que não há coisa pior do que esse tipo de coisa abjeta chamada povinho.
Não quero ser preconceituosa, mas me dá nojo saber que tem gente que defende esse bando de cachaceiros.
Inclusive um presidente tão beberrão como esse que o povinho escolheu para governar esse paisinho de terceiro mundo.
Se o sujeito ainda bebesse vinho, cognac, uísque, ainda ia. Mas, francamente, bebedor de cachaça é duro.
Um camarada que não tem noção do que seja finesse, nem tem idéia do que seja escargot nem vitela. Acredito que esse sujeitinho de terceira deve achar que caviar é caca de barata.
Falar em ovas de esturjão, para esse tipo de gentinha deve parecer ofensa...
Cada asneira falada por esse boçal me dá mais tristezas por ter nascido nesses cantos de cá. Paiseco infeliz.
Aquela máxima tem tudo a haver com o que vocês chamam de “País do Futuro” – que povinho Deus mandou para cá.
Lembro-me dos bons tempos passados, dos tempos do Copacabana Palace, do Ibraim Sued...
Que delícia me recordar dos jantares no Hotel Glória, nas festas no Quitandinha, nos grandes saraus nas mansões de Botafogo...
Tínhamos orgulhos de sermos brasileiros.
Não éramos governados por essa caboclada inculta e sem classe.
Uma vez, num dos dias mais inesquecíveis da minha vida, Jorginho, o nosso playboy, namorou Grace Kelly!!
O Presidente da República tinha que, como diplomata maior da nação, falar no mínimo quatro ou cinco idiomas.
Não ser um ignaro energúmeno como esse que temos agora!!
Como podem ter dúvidas entre um MÉDICO e um operário preguiçoso que cortou o dedo para se aposentar?
Ah! Que saudades dos tempos onde tínhamos um Paulo Francis, um Guinle... Hoje o que restou? Respondam-me: O que sobrou disso tudo?
Nada, um povinho funkeiro, sambista (que nojo), coisa de favelado...
Me lembro daquelas noites quando dançávamos com Paul Mauriat, Severino Araújo, que delícia...
Depois que inventaram essa tal de “democracia”, isso tudo acabou.
Não que eu seja a favor da ditadura não, longe de mim, sou a favor da aristocracia; se possível, da monarquia.
Imaginem que maravilhoso termos um Rei, termos barões, duques, condes e viscondes...
Quanto teríamos de belo e maravilhoso na Corte, com seus palácios e requintes...
Mas juntou-se essa petralha ladra e roubou tudo, sonhos e dinheiro.
Pobre não pode ter oportunidade mesmo não, o meu amado Fernando Henrique está certo, pobre chegou perto de dinheiro, acabou...
Outra coisa, essa turma tem é que ir trabalhar, não é partido de trabalhador?
Não me venham falar em igualdade, nem em fraternidade, muito menos de solidariedade; isso é conversa para ganso dormir.
Ganso gordo, foie gras fabuloso.
Faisões, galetos a primo canto.
Camarões, lagostas, mas lula, lula não. Isso é coisa de polvo...

Lembo e Lula, cada dia mais próximos.

Olha só o que fez um dos principais aliados de Alckmin: o governador Cláudio Lembo convidou Lula para participar, amanhã, no Palácio dos Bandeirantes, da cerimônia de assinatura de convênios na área de reurbanização de favelas.

É a primeira vez desde 2002 que Lula irá a um evento na sede do governo paulista.

Alckmin deve estar feliz da vida com Lembo. "Blog do Noblat"


Mais um dos que traíram o nosso amado Geraldo Alckmin, vulgo Geraldo, futuro Gegê.
É um absurdo o que esse homem, sem Deus no coração, um traidor da nossa causa faz.
Depois de assumir o cargo de Governador, esse vicezinho de segunda categoria resolveu colocar as manguinhas de fora.
Em primeiro lugar, veio com aquele papo de “elites brancas”, coisa de racista e de preconceituoso estúpido. Eu queria ver a mídia como agiria, essa mídia vendida e vermelha, se ele tivesse dito “proletários negros. Iam cair de pau. Mas teve imbecil que elogiou o que esse tal de Lembo, Limbo ou Lombo, sei lá, disse.
Papo de comunista, isso é vergonhoso para a nossa casta impoluta e digna. Essa história cairia bem se fosse dita por um desses petralhas por aí. Ou por um desses puxa-sacos do Presidente Cachaceiro.
Tudo bem, a gente fingiu que não ouviu, melhor esquecer, pode ser ataque de arteriosclerose, como teve aquele alagoano, o Teotônio.
Poucos dias depois, lá vem de novo esse ser vil batendo de frente com o nosso querido e amado Antonio Carlos “Bondadeza” Magalhães.
Aí já estava passando dos limites.
Brigar com Padim Tonim é ter muita cara de pau. Coisa que somente o louco do Itamar “Vai piorar” Franco teve a audácia de fazer.
Mas o Itamar é doidim de pedra, o Lembo não. Era um homem cordato, ficou um tempão como vice, daqueles vices exemplares.
A gente vê um vice como o Alencar, que fica discutindo taxa de juros, essas coisas, e isso dá a impressão de que a qualquer momento vem confusão. Mas esse não, Lembo era o pacato vice. Inexistente vice. Vice ideal...
Pois bem, eu até entendo que o Geraldo não tenha respondido a ele quando houve aquelas confusõezinhas com o PCC. Ninguém é de ferro, o pessoal tava lá em Nova Iorque, pedindo provavelmente as bênçãos do padim Bush, ou respirando os ares reconfortantes de New York.
Como se sabe, tucano precisa de ares mais civilizados para pensar. O bicho ficou meio aculturado depois do FHC. Paris e New York são fontes de inspiração para o ninho. Assistir a uma peça na Broadway, passear em Manhattam, sentir aquele “cheirinho” de civilização é importante para quem vai ter que comer buchada de bode, comer acarajé, vestir roupa de couro, montar em jumento, ir à festa caipira, etc.
Se bem que esse negócio de festa junina os tucanos tiram de letra. Principalmente na hora da quadrilha...
Eu entendo, mas o Lembo não. Velho tem cada esquisitice. Podia bem quebrar o galho e assumir a culpa daquelas coisas lá em Sampa.
Mas não, o teimoso cismou em procurar quem? O Cachaceiro. Logo ele.
É claro que o pilantra cachaceiro propôs ajuda. É muita cara de pau desse tal de Lula.
Agora, o decrépito vem com uma dessas...
Convidar o pinguço para ir a uma cerimônia no Palácio dos Bandeirantes.
Ainda bem que é num negócio ligado a favelas, assunto que o alcoólatra conhece bem.
Pelo menos nesse ponto, o velho acertou. Geraldo entende é de gente bonita e bem vestida.
Ah se a festa fosse na Daslu, esse velho pilantra ia ter que se ver comigo.
Cada macaco no seu galho, ou melhor, cada tucano no seu galho, ou melhor, cada lula no seu galho, ou melhor, cada galho no seu galho, ou galho melhor que galho por último, e eu não quero ser quebra galho, ou que fique tudo em frangalhos...

Quarta-feira, Junho 28, 2006

Uma análise de texto. O segundo completa e explica o primeiro.

FHC diz que Lula ‘cacareja’ sobre ovos alheios

Apenas 24 horas depois de Lula ter dito, no primeiro discurso como candidato, que seu governo tem mais a mostrar que a administração do antecessor –“Fizemos em 42 meses mais do que eles em oito anos”— o tucano FHC decidiu cantar de galo.
Falando na convenção que homologou a candidatura de José Serra ao governo de São Paulo, o ex-presidente provocou: “Eles estão cacarejando sobre os ovos postos por outros. Não temo a comparação. Venham com qualquer tema. Chega de bazófia, de garganta. E esse presidente fala muito e, quando tem de fazer, deixa para os outros”.

A alcunha de falador foi uma das mais suaves que Fernando Henrique pespegou em Lula. Brindou o sucessor com adjetivos bem mais depreciativos: “corrupto” e “incompetente”, por exemplo (clica).

Lula tem dito que não pretende deslizar para a baixaria. Há poucos dias, chegou mesmo a dizer que responderá à ira dos adversários com carinho, amor e trabalho. A disposição do presidente será testada nesta segunda-feira. É preciso verificar como ele vai reagir quando for informado de que a conversa da campanha chegou ao galinheiro.

Para FHC, de fato, a gestão de Lula fez mais do que a sua em pelo menos dois pontos: "Eu quero a comparação (...) Teve coisas que eles fizeram mais do que nós: muita corrupção, os escândalos, aí ganharam. Também gastaram muito. É muita publicidade, é muita propaganda, é muita palavra para encobrir o nada. Aí, ganharam”.

FHC listou alguns dos “ovos” botados por seu governo e que agora estariam sendo “cacarejados” por Lula. Disse que foi na sua administração que o governo começou a conceder aos brasileiros mais pobres benefícios como o Bolsa Escola e o Vale-Gás. "Eles juntaram tudo isso e aumentaram", emendou, referindo-se ao Bolsa Família, carro-chefe da campanha de Lula na área social.

Ao falar sobre a gestão econômica, FHC tachou o governo Lula de “incompetente". Ele disse: "É uma vergonha que em um mundo nas condições de hoje, bem diferentes das do meu tempo, o Brasil não tenha aproveitado a onda para crescer mais. Falavam e ameaçavam. Mesma coisa: 2,6%. Eu, com quatro crises financeiras, e eles com um "boom" econômico no mundo todo. Incompetentes."


TUCANOS


São designadas por tucano as aves da família Ramphastidae que vivem nas florestas da América Central e América do Sul.
Possuem um bico grande e oco. A parte superior é constituída por trabéculas de sustentação e a parte inferior é de natureza óssea. Não é um bico forte, já que é muito comprido e a alavanca (maxilar) não é suficiente para conferir tal qualidade. Seu sistema digestivo é extremamente curto, o que explica sua base alimentar, já que as frutas são facilmente digeridas e absorvidas pelo trato gastrointestinal. Além de serem frugívoros (comerem fruta), necessitam de um certo nível protéico na dieta, o qual alcançam caçando alguns insetos, pequenas presas (como largarto, perereca, etc) e
mesmo ovos de outras aves. Possuem pés zigodáctilos (dois dedos direcionados para frente e dois para trás), típicos de animais que trepam em árvores.
São monogâmicos territorialistas (vivem e se reproduzem em casal isolado). Não há dimorfismo sexual e a sexagem é feita através de DNA. A fêmea e o macho trabalham no ninho, que é construído em ocos de árvores. A fêmea choca e o macho a alimenta. Fazem postura de 3 a 4 ovos, cujo período de incubação é de 18 dias.
O tucano ainda não é uma espécie ameaçada de extinção, entretanto tem sido capturado e traficado para outros países a fim de ser vendido em lojas de animais. Isto tem como conseqüência a diminuição de sua população nas florestas, pondo em risco a variabilidade genética, como também a morte de muitos animais durante o transporte.

Pesadelo

Sonhei um sonho sonhado
Desse tempo já passado
Por onde eu nunca passei.
Nem nunca mais encontrei,
O que perdi pela vida.
Nessa busca sem sentido,
Por essa noite perdida,
Pelo nunca mais ter tido.
Passava ruas estreitas,
Encruzilhadas sem rumo,
Tremendo pelas maleitas,
A vida perdendo o prumo.
Nesse sonho que sonhava
Percebi tantas senzalas
Mal percebia, acordava,
Voltava pras mesmas salas.
Os olhos podres sorriam,
Voavam sobre meu rosto,
Devoravam, renasciam
Formas, paladar e gosto.
Nos fraques que eles vestiam,
Um sorriso de bom moço,
No fundo todos sabiam,
Cardápios do mesmo almoço.
Nas bandejas, as cabeças,
Dos sonhos que tive outrora,
No meu sonho que às avessas,
No pesadelo d’agora.
Voltavam aves rapinas,
Tragando tudo de novo,
Destruindo essas campinas,
Sugando todo esse povo.
Forjavam outras correntes,
Acorrentando os mais frágeis,
Nos cantos, todos dementes,
Na carne, as unhas mais ágeis.
Expondo vísceras ocas
Dos trôpegos caminhantes,
Penetravam pelas bocas
Destruíam como dantes.
Numa dantesca folia,
Riam-se, tão delirantes,
Decepavam, maestria
Como fizeram bem antes.
Cuspiam todas as faces,
Ladravam nessas orgias,
Aproveitando os impasses,
Repetiam melodias
Cantadas nas tempestades,
Criadas sem fantasia,
Matavam as liberdades,
Anoiteciam o dia.
Nesse sonho já vivido,
Abandonado num canto
Crendo que estava perdido,
Renasceu, prá meu espanto,
Na noite, na madrugada,
Sem luz de lua a brilhar,
Sem vida, sem canto, nada
Que se possa festejar.
Meu Deus, afaste o tormento,
Não me deixe mais sonhar.
Quero viver o momento,
Quero essa vida a brilhar.
Não permita o pesadelo,
Não deixe mais retornar,
Corte o fio, esse novelo,
Não pode recomeçar.
Essas aves que cantaram,
Não deixe de novo, agora,
Pelos tantos que mataram,
Pelos corpos,que lá fora,
Apodrecem no quintal,
Esquecidos nas favelas,
Nas roças na capital,
Já não quero tantas velas.
Nem quero mais funeral,
Do nosso povo sofrido,
No grande canavial,
Pelo tanto destruído,
Pelo muito que roubado,
Esfacelando esse povo,
Pobre, sofrido, acoitado.
Não permita isso de novo!

Para Marcos Dimitri, pelo seu segundo aniversário.

Vieste, em favor divino
Para um velho sonhador,
Que de novo, vai menino
Vivendo esse novo amor.
Traz esperança bendita
Nos teus olhos, nesse brilho,
Tua mãe, tão doce Rita,
Agradeço-te esse filho.
Minha vida, entardecer,
Já não cabia esse dia,
Em ti, de novo viver,
Ressurgir a fantasia.
No cansaço dessa lida,
Outros cantos conceber
Vai, esvaindo-se a vida,
Outra vida faz viver...
Amar-te é doce demais.
É poder recuperar
Tudo que fora capaz,
Um dia poder sonhar.
Menino, meu mimo e ninho.
Teu canto, meu passarinho,
A mais bela melodia,
Traduzindo em alegria,
Os meus olhos outonais
Minha vida já sem vida,
Meu mundo tão sem paz,
A juventude perdida,
Os tempos não voltam mais.
Me trazes nova esperança,
De me sentir tão capaz,
De lutar por ti, criança,
Nesse mundo tão cruel,
Se puder trazer a lua,
Iluminando teu céu,
Cravejando tua rua,
Por onde irás caminhar,
Com pedrinhas de brilhante
Só pro meu amor passar...
Meu menino, meu gigante...

28 de Junho... discutindo futebol.

Hay dias que no sé ló que me pasa
Que abro meu Neruda e apago o sol,
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo futebol...



Pois é, nesse dia 28 de junho, véspera do segundo aniversário do meu querido Marcos Dimitri, não há muitas novidades nos horizontes políticos do país. Tirando o pedido de demissão do Ministro da Agricultura, não há muitas novidades no país do futebol.
Além do próprio, é claro.
O PSDB, obedecendo as ordens dadas por padim Tonim, baixou a crista e ficou com o rabo escondido sob as penas, na Bahia de São Malvadeza Durão.
Jefferson Perez, o Outro, vai ser vice do Buarque, o outro. Voltam ao Senado, os dois...
Em vários estados, a “Unidos venceremos” prepara a gororoba intragável. Tenta primeiro convencer os aliados que vale a pena lutar, para depois convencer o povo. Se, no primeiro tempo o jogo tá difícil, mais difícil ainda vai ser convencer que Geraldo não tem nada a haver com FHC, ou que FHC fez um bom governo.
A defesa do Sociólogo é o Real, mas a estabilização econômica é filhote do Itamar, ou será que estou errado?
O PC do B vem com Lula, e esse é o caminho mais acertado; tanto histórica quanto coerentemente.
Geraldo quer Orestes junto com ele, mas Orestes não quer Geraldo, que ama José “Apagão” Jorge, que ama Tasso, que ama Agripino, que ama Arruda, que ama Antero Paes, que ama “Arcanjo” Efrain, que ama Aécio e Serra que fingem amar Geraldo, que submete-se a ACM, que junto com César maia, não amam ninguém. (Inspirado em Quadrilha... do Drumond).
Por falar nisso, Geraldo outro dia afirmou que a culpa da crise do final do Governo passado foi do “medo do Lula”, inclusive as “pernas abertas” para que mais de cem bilhões de dólares saíssem do país, via contas C5.
A confusão na “Unidos Venceremos” também é reflexo do “medo do Lula”. Confere?
Mais uma coisa deve ser acrescentada a esse dia 28 de junho. O frio, aqui fez um frio de lascar.
Mas, voltando ao futebol, estou torcendo pela Argentina ganhar da Alemanha. Time de casa não perde Copa do Mundo fácil não. E a torcida alemã vai torcer contra quem eliminar a sua seleção.
A italiana, como sempre, vai aos trancos e barrancos. Sem um Paolo Rossi da vida, fica mais complicado.
Ucrânia é a maior zebra, mas Croácia e Turquia ficaram em terceiro lugar nas últimas Copas.
Prefiro a Inglaterra que esse Portugal à la Scolari. É osso duro de roer...
Agora, o Brasil, apesar de ter a dupla Cafu Dida acho que tá indo bem.
Dimitri, papai te ama.
De resto, tudo segue na mais perfeita ordem, conforme os governistas ou num verdadeiro caos, conforme os oposicionistas.
Ah, esqueci de uma coisa: Geraldinos e Arquibaldos votam, em sua imensa maioria, no Lula. Ou no Nuna na na, conforme o meu russinho...

Terça-feira, Junho 27, 2006

SOBRE A CRISE DE IDENTIDADE DE UMA COLIGAÇÃO POLÍTICA

SOBRE A CRISE DE IDENTIDADE DE UMA COLIGAÇÃO POLÍTICA

ACM ameaça retirar apoio a Alckmin na Bahia
As relações entre PSDB e PFL estão prestes a azedar na Bahia, Estado em que a coligação parecia mais bem resolvida. Irritado com a decisão do tucanato baiano de lançar o vereador José Carlos Fernandes para o governo baiano, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) ameaça:

“Se eles querem prejudicar o Geraldo Alckmin, podemos até ajudar. Se a direção nacional do PSDB, o meu amigo fraternal Tasso Jereissati e o próprio Alckmin ficarem de braços cruzados, nós também vamos cruzar os braços. E eles vão ter na Bahia uma derrota pior do que a do Ceará”, disse ACM ao blog.

A menção ao Ceará, Estado de Jereissati, presidente nacional do PSDB não pingou dos lábios de ACM de graça. Assim como na terra de Jereissati, Lula prevalece sobre Alckmin na Bahia por larga margem de votos. As pesquisas atribuem ao candidato tucano percentuais que variam entre 15% e 17% das intenções de votos dos eleitores baianos. Lula oscila entre 55% e 60%.

ACM prossegue: “Esse ódio dele só tira votos. Eu passei a ser maior do que o avô dele (Juracy Magalhães), passei a ser maior do que o pai dele (Jutahy Magalhães). Depois, meu filho Luiz Eduardo foi maior do que ele. E agora o ACM Neto é maior do que ele. Eles querem levar o Alckmin para o mesmo caminho que leva à perda de votos aqui na Bahia. Se isso é feito com as bênçãos da direção do PSDB, nós vamos dar o troco”.

O cacique do PFL baiano afirma que se Alckmin der atenção a Jutahy e ao grupo dele nas visitas que fizer à Bahia, será ignorado pelo PFL. “Quero que o Alckmin chegue aqui e não veja nem o Jutahy nem esse candidato laranja que eles lançaram. Do contrário, ele não vai me ver”.

ACM deve chega a Brasília na noite desta terça-feira. Pretende reunir-se nas próximas horas com Tasso Jereissati. Condiciona a manutenção do apoio a Alckmin na Bahia ao resultado desse encontro.




Aqui temos um retrato absolutamente real do que é a política. Um dos maiores senhores feudais do país, por causa de outro feudalista de estirpe idêntica, se rebela contra uma estrutura tão arcaica quanto cartorial.
A divisão de poder e a luta por esse fazem com que um dos principais baluartes da candidatura de Geraldo ameace se retirar se Geraldo, do PSDB apoiar o candidato do PSDB. Não é incrível?
Esse é mais um aspecto da coligação “Unidos venceremos”, entre tantos outros.
Alguns analistas políticos criticam e vêem fragilidades no fato do Presidente não ter apoio formal de alguns partidos que, historicamente, estiveram formalmente ao seu lado.
Convenhamos, o não apoio formal do PSB é muito menos deletério do que o FORMAL DO PFL.
Parece que os tucanos, após oito anos de convívio durante a administração FHC, ainda não sabem como lidar e conviver com os “filhotes da ditadura” pefelistas.
Hora é César Maia, hora é ACM, hora é o Adolf Jorge, hora o José Jorge, o Agripino, entre outros.
A coligação dos tucanos com os hematófagos de sempre beira ao auto flagelação com aspectos de autofagia.
Não será necessário nem o ataque nem o revide, apenas o açodamento das diferenças eternas e profundas entre o roto e o esfarrapado para que a crise interna da candidatura se faça mais evidente.
O grupo trabalha, na desunião, unido para a derrocada em outubro.
A cada dia, eles mesmos nos dão motivos para não acreditar nem na seriedade nem na consistência da candidatura de Geraldo.
As eleições caminham, a passos largos para uma disputa entre “Unidos Venceremos” e nulo. Com grandes chances do nulo ultrapassar o candidato tucano...

Eu também tenho um "pé na cozinha"...

Certo dia, naquele pequeno reino beira mar, havia um homem muito sábio.
Vivendo sempre perto do riacho que atravessava todo o território do minúsculo reinado, sem nunca ter saído dali, conhecia a vida de todos os moradores.
A resposta a cada pergunta feita vinha pelo vento, trazida pelas águas ou no canto dos passarinhos.
E sempre havia uma notícia nova, a toda hora, transitando pelas ondas que captava, no seu silêncio e na sua mansidão.
Como já estava ali há mais de oitenta verões, conhecera todos os reis e súditos, a todos, desde o nascimento até a morte.
O rei atual era filho da lavadeira, pobre lavadeira que vivera limpando as manchas das roupas dos ricos. Da mesma forma que seu filho queria, a todo custo, limpar as manchas deixadas no reino pelos antigos soberanos.
Esses eram todos pertencentes a nobreza do local, filhos dos barões e dos condes, príncipes e princesas que , como a maioria dos reis, viviam do trabalho dos súditos.
Houvera um rei poliglota, famoso por ter aprendido vários idiomas, menos o dialeto usado pelos súditos.
Isso não era novidade, já que os reis anteriores também não sabiam falar aquela língua pobre, bem diferente do idioma oficial do reino.
Termos como liberdade, fraternidade, solidariedade, tinham sido extirpados do idioma real, por alguns reis antigos que por lá apareceram, principalmente Ernesto I e Emílio I, acusados de terem mandado matar e desaparecer com alguns rebeldes.
Após a intervenção de alguns nobres idealistas, como um tal de Odisseu. Aristocratas, sabedores de seu poder escravizador e contando com a ignorância mantida estrategicamente, dos súditos, finalmente aceitaram fazer eleições.
No começo tudo deu certo, os súditos fragilizados e famintos, mantiveram os aristocratas no poder, como era de se esperar...
Um representante dos súditos, o filho da lavadeira citado acima, tentara, sob o escárnio dos aristocratas, várias vezes chegar ao reinado.
Um dia, por descuido dos aristocratas, ou quem sabe pela falta de qualidade dos candidatos destes, comprovando o ditado que diz que “água mole em pedra dura...”, o filho da lavadeira ganhou a eleição.
O rei Henrique I e II, famoso no mundo inteiro por sua capacidade de falar sobre tudo e não dizer sobre nada, irado e tentando boicotar de todas as formas o seu sucessor, principiou a vender todos os bens do reino, permitindo que todos os aristocratas que quisessem, por meio do Banco do Estado Real, retirar tudo o que quisessem.
A fome começou a se espalhar no reino, e o preço dos alimentos disparou.
Para surpresa de todos, o filho da lavadeira, que falava melhor o dialeto do que o próprio idioma real, começou a recolocar no dicionário, as palavras solidariedade, dignidade, igualdade e liberdade.
Enquanto isso, o sábio da beira do rio, ouvia tudo e nada falava, somente pensava nas ironias da vida...
Como conhecia todos os moradores do reino, sabia muito bem que os súditos, que nunca foram ouvidos pelos reis antigos, agora só falava no dialeto desconhecido por estes...
Por conta disto, os aristocratas estavam falando, falando, ofendendo o rei, tentando aprender a falar o dialeto dos pobres.
O sotaque demonstrava que ainda não tinham aprendido, quem sabe um dia?
O sábio do rio assistia a tudo e se ria, sabedor de que nada mais engraçado que um lorde tentando demonstrar que tem “um pé na cozinha”...

Hijas de la luna

Puro sabor de mulher,
Delícia de paladar,
Melindroso delírio
Num raio desse luar
Que brilha por que quer,
Transforma dor em lírio.

Se quero ter teu sim,
Nunca me negues o não
Meu principal defeito
Não te concebo verão
Não quero teu carmim
Não teria esse direito...

Meu karma é não te ter
Nem preciso imaginar,
Beija flor sem paradeiro
Me é Bastante te encontrar,
Imaginado, por inteiro,
O que não pude viver.

Necessito toda a vida
Procurando traduzir
Esse meu sonho impossível.
Que nada vai permitir,
Fazendo crível d’ incrível,
Início na despedida.

Te quis por todos os séculos
Desse eterno nunca ser
Seguindo o rastro da lua,
Onde pretendo caber
Te vendo assim, toda nua,
Lançar aos céus meus tentáculos...

Num dia, poder tocar,
E penetrar teus segredos,
Fecundando essas entranhas,
No sonho te engravidar,
Perdendo todos os medos,
Beijando tuas montanhas.

Invadir teus vales, trilhas...
Tomando-te por amante,
Nesse sonho e fantasia,
Penetrando, delirante,
A toda hora e todo dia,
Concebendo nossas filhas...

Os olhos da cobra verde...

Olhando bem pros teus olhos.
Comecei a perceber
O quanto que dói a vida,
Essa vida por viver.
Tens a magia que encanta
E traduzes muita dor
Nos olhos teus tanto brilho,
Refletem o meu amor.
Tenho medo, e isso é tudo,
Não consigo mais fugir,
Do visgo que me prendeste
Nada mais vai impedir...
Olhando para teus olhos,
Reconheci o luar
O sol que emitem, transfere,
Brilho que morre no mar.
Quero a verdade da vida
Contida no teu olhar,
Esperando a despedida,
Com ganas de te encontrar.
Me enfeitiças e me tragas,
Traz prazer e solidão.
Eu quero sempre o teu sim,
Embora escute só não.
Na fúria dos meus desejos
Nunca encontro o teu reflexo.
A cada dia, em teus beijos,
Despertando todo sexo.
Mas, vadias, olhos tontos
Me deixas ir sem sentido
Melhor morrer, pois então
Melhor não ter conhecido,
Nunca ter visto afinal
Os olhos que arreparei,
Pois se eu já soubesse disso,
Não amava a quem amei...

Ao meu querido e inesquecível Fernando Henrique Cardoso, com aplausos!

FHC diz que Lula ‘cacareja’ sobre ovos alheios
Apenas 24 horas depois de Lula ter dito, no primeiro discurso como candidato, que seu governo tem mais a mostrar que a administração do antecessor –“Fizemos em 42 meses mais do que eles em oito anos”— o tucano FHC decidiu cantar de galo.
Falando na convenção que homologou a candidatura de José Serra ao governo de São Paulo, o ex-presidente provocou: “Eles estão cacarejando sobre os ovos postos por outros. Não temo a comparação. Venham com qualquer tema. Chega de bazófia, de garganta. E esse presidente fala muito e, quando tem de fazer, deixa para os outros”.

A alcunha de falador foi uma das mais suaves que Fernando Henrique pespegou em Lula. Brindou o sucessor com adjetivos bem mais depreciativos: “corrupto” e “incompetente”, por exemplo.

Lula tem dito que não pretende deslizar para a baixaria. Há poucos dias, chegou mesmo a dizer que responderá à ira dos adversários com carinho, amor e trabalho. A disposição do presidente será testada nesta segunda-feira. É preciso verificar como ele vai reagir quando for informado de que a conversa da campanha chegou ao galinheiro.

Para FHC, de fato, a gestão de Lula fez mais do que a sua em pelo menos dois pontos: "Eu quero a comparação (...) Teve coisas que eles fizeram mais do que nós: muita corrupção, os escândalos, aí ganharam. Também gastaram muito. É muita publicidade, é muita propaganda, é muita palavra para encobrir o nada. Aí, ganharam”.
FHC listou alguns dos “ovos” botados por seu governo e que agora estariam sendo “cacarejados” por Lula. Disse que foi na sua administração que o governo começou a conceder aos brasileiros mais pobres benefícios como o Bolsa Escola e o Vale-Gás. "Eles juntaram tudo isso e aumentaram", emendou, referindo-se ao Bolsa Família, carro-chefe da campanha de Lula na área social.

Ao falar sobre a gestão econômica, FHC tachou o governo Lula de “incompetente". Ele disse: "É uma vergonha que em um mundo nas condições de hoje, bem diferentes das do meu tempo, o Brasil não tenha aproveitado a onda para crescer mais. Falavam e ameaçavam. Mesma coisa: 2,6%. Eu, com quatro crises financeiras, e eles com um "boom" econômico no mundo todo. Incompetentes."


É isso aí, meu querido e competente FHC, coloque os pingos nos iis.
Basta desse pessoal do Governo atual querer ficar tentando enganar o povo!
Pode ter certeza de que a maioria absoluta da população brasileira sente muitas saudades do tempo em que o Senhor Doutor era nosso presidente!
Que saudades dos tempos em que a gente era feliz e não sabia.
Tínhamos um país melhor, com emprego pleno, todas as casas iluminadas, um país bem cuidado, um chuchuzinho de tão bonito!
Todos nós sabemos o quanto que o senhor contribuiu para a melhora da qualidade de vida do nosso povo, quem não se lembra vamos rememorar:
1- O senhor nos ajudou a livrar a nação brasileira dessas estatais que só serviam para desfalcar o erário brasileiro, um verdadeiro cabide de empregos. Quem não aplaude a venda da Vale do Rio Doce? A nossa telefonia agora é das melhores do mundo, quase que ninguém reclama, funcionando maravilhosamente com competência ímpar.
2- Quem pode se esquecer da energia farta, colocando o Brasil entre as grandes potências energéticas do mundo? Graças a Deus o vice do Geraldo é o competentíssimo ministro das Minas e Energias do nosso fantástico Fernando Henrique Cardoso.
3- Imagina se tivéssemos privatizado a Petrobrás então? Seriamos a maior potência energética do mundo. Concordo com o senhor que o brasileiro não tem competência para administrar uma empresa como aquela. Afinal, não foi esse povinho estúpido que elegeu esse incompetente ladrão alcoólatra?
4- Esse pessoal está com a mania de pagar dívidas. Bem falou o Geraldo, pagar dívida é coisa de pobre. O chique é PEGAR dinheiro emprestado, se não fosse assim as grandes fortunas do mundo não teriam acontecido. Pobre é quem paga contas e impostos. Rico usufrui...
5- Nada mais insolente que um analfabeto tentar governar um povo. A democracia é simples figura de linguagem, na verdade é da elite, para as elites, pelo povo. Povo só serve para pagar o pato. Comer? Nem as patinhas...
6- Esse pessoal comedor de arroz e feijão reclama do preço da comida. Isso também é coisa de pobre. Rico não reclama de preço de comida. O preço das diárias dos hotéis de luxo em Punta e em Jacarta não aumentaram não, isso é o que importa.
7- Outra coisa, fica esse “nordestino aculturado” falando de educação, esse tal de PROUNI, coisa mais sem nexo. Analfabeto não pode ter noção do que seja isso. O senhor, como sociólogo de alto nível, assim como o nosso querido e renomado doutor Geraldo é que têm todo o direito de representar o que há de bom e o que é necessário em relação à saúde e educação!
8- Muito me espanta também esse pessoal falar sobre Bolsa Família. Para que tanto dinheiro gasto com essa turma de vagabundos e desempregados, cachaceiros e prostitutas. Bastava os quinze reais da bolsa escola, e olhe lá.
9- Também não podemos nos esquecer que na época do Senhor, fizemos uma festa inesquecível para comemorar os nossos quinhentos anos. Aquela festa vai ficar guardada para sempre na nossa memória.
10-Vendo o Parreira hoje, me recordo do senhor. Como é bom a gente ter um homem culto no comando. Falar inglês, isso sim é coisa de um presidente. Nada de ficar arranhando um português tão ruim como esse que o Chocador faz... A não ser quando se precisar ser bem entendido, como no caso em que o senhor, com muita propriedade chamou essa corja de aposentados de vagabundos. Foi lindo de se ouvir!

Isso sem falarmos da corrupção, invenção sem igual desse governo safado que se arvorava de ser honesto.
Vejam só a que ponto essa canalha chegou. Tiveram a perspicácia de roubar com tal intensidade que o dinheiro, magicamente, sumiu.
Os trilhões de dólares roubados, simplesmente escafederam-se. Inventaram a tática OVNI de roubo, ninguém viu, mas todos nós sabemos que existe. Aliás, como o senhor disse, brilhantemente, no Jô Soares, pobre não pode ter poder, senão rouba. Outra coisa, rouba tá seu analfabeto, róba e coisa de burro.
Por último, essa corja não tem nem a capacidade de chocar ovos alheios. Nessa matéria o senhor é mestre!
O plano real foi feito no seu governo né moço!? O senhor é meu ídolo, embora o Itamar e o Ciro não gostem muito do senhor, por causa de um certo ovo que fugiu pro seu ninho...

Segunda-feira, Junho 26, 2006

Ex-secretária de Valério agora pede voto


O PMDB paulista confirmou no último sábado o nome de Fernanda Karina Somaggio como candidata a deputada federal.

Fernanda Karina Somaggio, só para lembrar, é ex-secretária do empresário Marcos Valério. Em depoimento à CPI dos Correios e ao Conselho de Ética da Câmara no ano passado, ela contou detalhes dos encontros entre Valério e políticos envolvidos no esquema do mensalão.

Agora, desempregada, resolveu ser candidata.



Realmente, a candidatura de Fernanda Karina me faz pensar em algumas coisas que julgo relevantes.
Em primeiro lugar, tivemos a tentativa frustrada de posar para uma revista masculina, pela quantia,nunca confirmada de dois milhões de reais; fato esse alardeado pela top model valeriana.
Depois de um período de ostracismo, a excelente e ética secretária entra com tudo numa nova aventura. Ser política.
Apóio francamente e inteiramente tal candidatura.
A começar pela fantástica profissional que essa moça demonstrou ser; creio que onze em cada dez empresários adorariam tê-la como secretária; já que a mesma pode ser vista como exemplar para sua classe profissional.
Além do que, a forma com que a mesma fez questão de anotar e não se esquecer de nenhum detalhe dos encontros e desencontros de seu chefe, demonstrando uma memória fantástica, quase que fotográfica.
Outra coisa que chama a atenção no profissionalismo de uma secretária de tal padrão, é a discrição.
Sabemos que os funcionários que privam de nossa intimidade podem ter nessa heroína nacional, um exemplo de conduta e de norte profissional.
Quem de nós não gostaria de ter nossa intimidade exposta a todo tipo de mídia?
Uma funcionária deste naipe é certeza de primeira página nos jornais e nas revistas. Imaginem uma secretária do lar com tal padrão profissional?
E um porteiro de boate? E um porteiro de motel? Seriam exemplares para toda uma sorte de servidores domésticos e afins.
Imaginemos pois, um médico ou um padre com tal padrão ético?
Como não seriam agradáveis de se ler as manchetes jornalísticas?
A privacidade é coisa do passado neste mundo globalizado. A OAB deveria servir como cabo eleitoral dessa menina. Mineira com muito orgulho.
Enfim Minas de Drumond, de Tiradentes, de Pelé, de Guimarães Rosa, de Santos Dumont, deve se orgulhar de também ser Minas de Fernanda Karina.
A eleição deste excelente exemplo para o nosso povo, dessa doce pessoa, ética e moralmente perfeita, também deve nos trazer mais um aspecto.
Aconselho os nossos deputados, consolidada a eleição, com oitenta a cem mil votos, segundo previsão da moça, de elegê-la como membro efetiva do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
A julgar-se pela Ética apresentada nas votações para as cassações dos participantes dos escândalos, a cadeira dessa menina deve ser cativa.
Fernanda – Orgulho de Minas – Karina, te desejo boa sorte. Melhor sorte do que nas negociações com a famosa revista supra citada. Embora eu ache que a visão nua e crua do âmago impoluto dessa nobre senhora, seria de melhor tom para podermos avaliar a profundidade de sua capacidade como representante da moral e da ética nacionais.
Desse seu admirador, Marcos Loures...

Domingo, Junho 25, 2006

Sobre o orgulho de ser brasileiro

Se analisarmos friamente, veremos que em todas as sociedades, por mais que nos pareçam justas ou injustas; ocorrem diversas formas de opressão e de prostituição, exploração sexual, entre outros aspectos que denigrem a espécie humana.

Voltando a um passado recente, veremos a exploração sexual das eslavas, tanto quanto foram exploradas as francesas e as italianas no pós-guerra imediato, bastando ler Alberto Moravia para entendermos isso.

Nunca um povo foi tão humilhado na Europa quanto o russo pré revolução de 1917, sendo o último povo a acabar com a escravidão, dentro da “civilização européia”.

A imagem que temos dos EEUU, a partir das vísceras expostas após o furacão Katrina é asquerosa. Tanto quanto a que tínhamos de um povo que destruiu todos os indígenas para roubar suas terras e sua riqueza.

O que não dizer dos ingleses, opressores e destruidores com crimes contra a raça humana sem par dentro da história moderna.

Os maiores consumidores de prostituição de todas as idades e de drogas são aqueles mesmos que se dizem “civilizados”.

A venda de corpos não é mais indigna que a compra.

Dentre os países orientais, com suas culturas milenares, temos casos de canibalismo em países como a China, além de humilhações sofridas pelas mulheres em alguns países africanos e islâmicos.

Quando se analisa a História da Humanidade, temos que observar que toda evolução é feita a partir de sangue e de miséria, dos lamentos de um povo que, após ser prostituído, escravizado, destruído em seus princípios éticos e morais, tem a oportunidade de ressurgir.

Cuba, antes da revolução era o prostíbulo americano, tanto quanto o é hoje, Porto Rico e Jamaica. Somente uma revolução educacional e de dignificação permitiu uma melhora da auto-estima de um povo.

As gueixas japonesas, antigas prostitutas somente há pouco tempo deixaram de ser o símbolo do país.

As prostitutas francesas e eslavas são famosas.

A carne vendida em todos os pontos do planeta, principalmente no lado ocidental é tão vergonhosa quanto a discriminação contra a mulher em sociedades mais arcaicas.

Quando um europeu vem ao Brasil, ao Vietnã, à Tailândia, entre outros, em busca de prostitutas infantis, ele é tão ou mais criminoso do que os desgovernos e as injustiças desses países, ou estou errado?

O consumidor de drogas permite o tráfico e o mantêm.

A partir do momento em que os maiores consumidores, tanto da prostituição infantil e das drogas são oriundos do mundo “civilizado”, poderemos concluir que deve-se recriminar e coibir tanto os consumidores quanto os que ofertam e produzem.

Não me envergonho de ser da raça humana, pelo contrário.

Meu principal orgulho decorre do fato de estarmos em um país em construção, ou seja, sem os vícios e os hábitos que transformaram as “civilizações” nesta podridão com que deparamos hoje.

O mundo “civilizado”, vítima das mesmas injustiças que padecemos hoje, continuaram a gerar as mesmas, em seu próprio ou em outro país.

A minha esperança é que o Brasil aprenda com os erros dos “ditos cidadãos civilizados” e possibilite uma sociedade melhor do que esta que está aí.

Com nossas mulatas, com as Cicciolinas italianas, com as prostitutas eslavas e escandinavas, com as prostitutas orientais ou com as submissas e escravas afro-islâmicas, ou por que não dizer, com os famintos americanos de Nova Orleans.

É um equívoco ficar comparando o passado", diz Alckmin



São Paulo paga o 2º pior salário para delegado
LUÍSA BRITOda Folha de S.PauloO Estado de São Paulo paga o segundo menor salário do país para um delegado em início de carreira. Apesar de ser a maior economia do Brasil, o Estado fica à frente apenas da Paraíba no valor da remuneração.Para se ter uma idéia, o Orçamento paulista para este ano é de R$ 81,292 bilhões. Já o da Paraíba é de R$ 3,987 bilhões.Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado, o salário inicial bruto paulista é de R$ 3.000 para um delegado que trabalha em um município com menos de 50 mil habitantes. A Paraíba paga R$ 2.865,80 em todas as cidades.Em cidades com mais de 500 mil moradores, o salário é de R$ 3.483,35. O valor é inferior ao que ganha um agente de terceira classe (a mais baixa) do Distrito Federal, R$ 5.062,17.A Folha fez um levantamento do salário inicial dos delegados em todos os Estados. O maior é o de Mato Grosso, R$ 8.552,32. Segundo a associação de delegados de polícia do Estado, o salário é melhor porque eles conseguiram equiparação com os procuradores estaduais.A função atrai pessoas de todo o país. "No último concurso para delegado, mais da metade dos inscritos era de outros Estados", disse o presidente da associação, Nilton Teixeira, ex-investigador em São Paulo.


Quando Geraldo Alckmin afirmou que Lula não deveria falar em passado, sua afirmativa não foi bem entendida; já que as comparações administrativas entre o Governo Popular de Luis Inácio e o Governo Fernando Henrique são gigantescamente prejudiciais ao ex-presidente tucano. Dono de uma das piores performances a frente do poder executivo, no Brasil, sendo que isso se torna mais evidente a cada dia.
Porém, o que não se pode negar é que, a partir desses dados acima, associados com dados relativos aos salários da Polícia Militar paulista, passo a entender melhor a afirmativa do ex-Governador paulista.
Quando diz que Lula não deveria, entenda-se “Não precisa”, já que o próprio Geraldo demonstra as causas e os efeitos da insegurança e desmandos que tomaram conta de São Paulo durante o seu governo!
Um estado como o de São Paulo, com o maior custo de vida no país, paga um dos piores salários aos delegados, e isso dá a dimensão de como a segurança pública é “prestigiada” pelo Executivo paulista.
Um dos motivos pelos quais o ÚNICO ESTADO BRASILEIRO ONDE AS FEBENS NÃO FORAM CONTROLADAS, é São Paulo.
Afirmar-se que haveria relações entre o PCC e algumas alas do PT, é uma afirmativa imbecil, e tenta ofuscar a real situação: O PCC foi fomentado pelo Governo Paulista, mesmo que de forma indireta, ou seja por omissão ou seja por incompetência.
Quero, ainda crer na boa índole do Dr. Geraldo, reafirmo AINDA CRER, embora seja difícil entender até que ponto a ineficiência administrativa, aliada a uma sensação tão grande de egoísmo ou desconhecimento das diferentes classes sociais, permita que haja tal depreciação de um dos pilares da Segurança Pública, tanto em nível de polícia militar, como civil.
Ainda prefiro crer que Alckmin seja um total alienado da realidade do estado em que vive, principalmente das camadas sociais mais humildes. Já que para quem é dasluniano, as dificuldades da periferia são conhecidas somente pelas manchetes de jornais populares ou programas de tevê sensacionalistas.
Caro Geraldo, conhecer a população não significa ir com segurança máxima aos morros e favelas nos dias de eleição.
É preciso contato com a realidade, e isso não possuis; e, se possuis, não percebestes.
Obviamente, os salários baixos e desmoralizantes, geram a corrupção e a corrupção gera os “domingos de maio” da vida.
Pergunte ao sociólogo que desgovernou esse país há alguns anos. Pensando bem, não pergunte nada. Ele também não entenderia isso...
Para quem chamou aposentado de vagabundo, qualquer trabalhador mais simples é um “aprendiz de vagabundo”.
Doutor, bem sei que foste um grande anestesista, famoso até. Do mesmo naipe profissional de um Antonio Carlos Magalhães da vida.
Bem mais do que o de um Inocêncio de Oliveira, por exemplo.
Bem sei que tens a mesma visão do ACM sobre a vida, já que durante vastos anos, vocês andaram juntos.
Mas, conselho de quem vive em outro estado, coincidentemente arrasado pelo mesmo PSDB ao qual o senhor pertence – O Espírito Santo – não ameace o país com o seu “choque de gestão” nem com a sua competência administrativa. Pelo que vimos e temos conhecimento dela, o Brasil não merece isso não.
Basta o PCC e o Gratz com sua gang.
Por favor, basta!

Considerações sobre Aparecida

Em 1717, na cidade de Guaratinguetá, Estado de São Paulo, Brasil, após várias horas pescando sem resultados, três pescadores retiraram do rio Paraíba o corpo de uma imagem sem cabeça.
Em seguida, lançada a rede novamente, encontraram a cabeça da imagem. Surpresos, lançaram a rede pela terceira vez e a pescaria foi tanta que puderam encher suas canoas.
Esses três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, limparam a imagem apanhada no rio e notaram que se tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura.



Uma das coisas que me chama a atenção na história do encontro dessa bela escultura, se traduz em algo relacionado ao país onde foi e a época em que foi feita e encontrada.
Recordemos que nosso país, colônia portuguesa na época, era uma terra escravagista e não somente isso, era , por ser colônia, um local extremamente distante do sentido de liberdade.
À época, na Europa, estávamos no auge do movimento Iluminista, onde tínhamos uma efervescência cultural, com a tentativa da valorização do ser humano e o renascer das idéias científicas com afastamento da explicação religiosa cristão-judaica para a formação do universo e da humanidade.
Maria, mãe de Cristo, uma figura ímpar do Cristianismo, apresentava-se já como uma presença constante na formação religiosa na época.
A imagem de Nossa Senhora da Conceição desde o ano de 1646, era padroeira do Reino de Portugal, portanto extremamente conhecida pelos religiosos e pelo povo brasileiro naquela época.
O que nos faz supor que, por ser conhecida e ter uma “face” popular tanto em Portugal quanto na colônia brasileira, inspirava os católicos de ambos os povos em suas orações e promessas.
Num simbolismo extremamente condizente com a época em que foi encontrada, temos a imagem de uma Maria Negra, ou melhor, de uma Nossa Senhora da Conceição negra.
Isso me permite imaginar que o genial escultor, a tenha feito propositadamente como uma forma de protestar contra a escravidão absurda e violentamente contrária aos ideais humanistas e iluministas, assim como contrário ao conservadorismo da Igreja Católica naquele período da história.
Podemos imaginar também que, no interior de uma província como São Paulo, distante da capital colonial e basicamente rural, a descoberta de tal escultura seria equivalente a condenação à morte.
A destruição e a “eliminação” das provas, ou seja da escultura seriam a única alternativa para que o escultor não fosse condenado à morte, pela Inquisição Católica por heresia, e pelo Reino de Portugal.
Os fatos que decorrem disto, demonstram que, realmente a Igreja Católica passou a fazer do “limão, a limonada”; ou seja, utilizou-se do encontro da maravilhosa estátua, no seu sentido representativo de liberdade e de igualdade, para torná-la em “abençoada”.
Tempos depois, um compositor se utilizou da imagem dos “Anjos negros” para fazer um protesto equivalente.
O que podemos dizer é que, a Estátua de Nossa Senhora da Conceição Negra, traduz uma fantástica expressão de protesto contra o Conservadorismo Católico e a favor da igualdade entre os povos.
E, demonstra como um escultor ou melhor, um corajoso e anônimo libertário, escapou da morte e teve transformada, pela própria Igreja que criticava, sua obra em PADROEIRA DO FUTURO PAÍS QUE NASCIA, perto dali, nas margens do Ipiranga...

DE MARCOS COUTINHO LOURES -SONETO COM ESTRAMBOTE – PARA CARMITA LOURES.


Ela é flor da doçura e tão singela
Que, nada pede e não lhe falta nada!
Por ser assim, tão pura e recatada,
Dentre todas as santas, é a mais bela!

Se sofre, ninguém sabe pois, em cada
Momento de tristeza, sempre dela
Aflora uma oração e então, ao vê-la
Recolhida em seu canto, delicada,

Conversando com Deus (assim presumo)
Ela irradia a paz, só conhecida
De quem, da vida, sabe o exato rumo!

Esta mulher, enfim, é tão querida
Que, no seu nome, sinto que resumo
A mais santa mulher que vi na vida!

Seu nome,
Só podia ser Maria!
Maria, paz infinita,
Maria, também DO CARMO!
Do Carmo, também CARMITA!


RIO, 15/05/88

Sábado, Junho 24, 2006

É LULA PRA PRESIDENTE!

Minha gente estou contente,

Estou contente de fato,

Vou contente, minha gente

A gente tem candidato.

Nada mudou na verdade,

É candidato de novo,

Pelo campo e na cidade,

É o candidato do povo.

Se quatro anos foi pouco,

Outros quatro eu quero ter.

De gritar, ficando rouco,

Louco pra gente vencer.

A pobreza brasileira,

Precisa desse operário,

Nossa nação verdadeira,

Não quer mais um salafrário.

Não queremos apagão

Nem tampouco esse tucano

A luz chegou no sertão,

Eu, de novo não me engano.

Meu filho na faculdade

Tá bonito como quê,

Transpira felicidade,

De novo, vamos vencer!

A roça tá controlada

Os juros posso pagar,

Tá linda minha boiada

Tudo está no seu lugar.

A comida tá barata

Emprego tá aumentando,

Meu bolso tem bem mais prata,

As coisas tá melhorando...

Pode contar com meu voto,

O meu e da minha filha,

Aliás, vê nessa foto,

Vota junta essa família.

Que é gente trabalhadora

Que trabalha com afinco,

Sabe que como a lavoura,

Esse país tá um brinco...

Bem sei das dificuldades

De governar a nação,

Conheço essas crueldades

Dessa tal oposição.

Tiveram por muito tempo,

Com as mãos nesse timão,

Criaram foi contratempo,

Pra impedir a evolução.

Chamaram ele de burro,

Cachaceiro e vagabundo,

Bem sei o quanto que é duro,

Saber que em todo esse mundo,

O nordestino valente

É respeitado demais.

Essa gente tá doente,

Tá perdendo até a paz,

Partiram pra estupidez

Xingando o pobre coitado

Ora só, vejam vocês.

Eles ‘tão descontrolado...

Num adianta chorar

Nem querer ameaçar

Vocês têm que aturar,

De novo vamos ganhar.

Pro bem do povo carente

Da nossa gente mais pobre,

A nossa gente contente

Que não cheira a ouro e a cobre...

Veja essa luz lá no fundo,

Não há mais bela que assente,

Vou contar pra todo mundo:

É LULA PRA PRESIDENTE!

Da peleja do diabo com o dono do céu...

Tenho visto e ouvido muita coisa do que resolveram chamar “gospel”.
Realmente, algumas músicas que recebem a alcunha de “hinos” têm alguns aspectos interessantes, porém a maior parte é intragável.
Alguns cantores de segunda e terceira classe, vendo que a carreira estava já totalmente acabada, reencontraram nesse vasto mercado uma tábua de salvação.
O interessante é vermos que, segundo alguns religiosos mais xiitas, tudo aquilo que não for “hino” não pertence a Deus e, portanto não deve ser ouvido. Uma música de altíssima qualidade, como uma Rosa de Hiroshima, bela homenagem à paz, deve ser colocada de lado, enquanto hinos fantasmagóricos são cantados com todo o fervor.
Um dos temas mais freqüentes dessas cançonetas é a eterna guerra do bem contra o mal.
Os cantores se colocam à disposição de Deus num imaginário duelo, composto de lanças e dardos contra os temíveis tridentes diabólicos.
Tal qual um cavaleiro andante quixotesco, os “heróis” se unem para vencer os “moinhos de vento” demoníacos.
As letras, de baixíssima qualidade tanto poética quanto de louvor, demonstram o caráter belicoso que é dado pela maior parte das Igrejas a religião.
As centenas de demônios que habitam as cabeças mais influenciáveis dessa turma, permite-me uma visão medieval da vida.
A luta interna que temos, a cada momento, nas escolhas da vida, entre as opções que poderemos seguir, passa a ser vista como uma terrível peleja entre o diabo e o dono do céu.
A visão cristã de pacificidade e perdão passa a dar lugar a uma visão judaica de luta entre um povo escravizado e suas lendas de heroísmo utópico e não comprovado, praticamente lendário.
O “heroísmo” judaico tão propalado e nunca comprovado historicamente, passa a ser visto pelos visionários dessa “nova era medieval” como verdade absoluta e inconteste.
Temos nas canções aberrantes e berrantes, muitas das vezes, histórias que remontam a idade das trevas.
Como se Jesus, ameaçado, preso e torturado até a morte pelos romanos e pelos judeus não tivesse pedido perdão por esses. Como se Ele tivesse conclamado algum exército sobre ou supranatural para defendê-Lo.
Ora bolas, tal deturpação do que seja cristianismo seria cômica, se não fosse trágica.
A criação destes dragões nas cabeças despreparadas e incultas, pode levar à formação de milhares de São Jorges radicais e tresloucados.
Pode-se imaginar até na possibilidade da conclamação a um exército de radicais cristãos, tão medonhamente assustador quanto o islâmico ou de qualquer outra religião.
A educação, somente esta, levada a sério, e com características de formação de personalidades mais livres e pensantes, é o antídoto natural contra qualquer tipo de desvio incoerente do pensamento e da filosofia.
A cantoria dos tempos do feudalismo, podem gerar distorções graves que devem ser evitadas e, acima de tudo, condenadas.
O risco existe e deve ser tratado com alguma seriedade, senão poderemos ter uma repetição dos desvarios islâmicos e japoneses. Os kamikazes cristãos não são somente figura de retórica. Atentai...

Do Deus Aspirina ou das Sanguessugas de Cristo

Uma das coisas que tem me chamado a atenção nos programas religiosos que abundam e invadem a maior parte dos canais abertos de televisão, além dos canais pertencentes a Igrejas, inclusive a católica, é a existência de “milagres”, constantes e diários.
Os ditos milagres ocorrem a todo momento , com extraordinária freqüência. Em alguns programas evangélicos e católicos a existência deles chega a cifras recordes.
E esses milagres são das mais variadas espécies. Temos para todos os gostos e preferências.
Há milagres relacionados à vida financeira, inclusive com casos de recuperação econômica ou ganho nas loterias que, de demoníacas, passam a ser operadoras sob os auspícios dos mais diferentes “santos”.
Há os milagres de ordem familiar, em que a “impactação” divina leva a alcoólatras pararem de beber, prostitutas deixarem de se prostituir, drogados pararem de se drogar; como se para que tais fatos ocorrerem, ser necessário somente o auxílio direto dos deuses.
Um sem par de demônios invade cada templo ou Igreja, sendo raros nos locais onde poderiam ser mais comuns, como nos prostíbulos, nos bares, nas casas de comércio, de câmbio ou até mesmo no Congresso Nacional.
Quem quiser ver um demônio de perto, é só freqüentar algumas de nossas igrejas que, por certo, lá encontrará demônios, capetas, “inimigos” em profusão.
Creio que algumas denominações colocam a palavra “Deus” na porta dos seus templos, para que o visitante tenha certeza de que aquela é uma casa de Deus, embora a quantidade de vezes que se fala em “diabos”, leve o incauto a pensar exatamente ao contrário.
Num dos programas mais conhecidos de televisão, repetidos diariamente em vários canais, além do canal pertencente à Igreja em questão, tenho constatado a presença do “Deus Aspirina”.
Pouco antes de pedir dinheiro, situação em que o pastor em questão é mestre, o dito cujo inicia uma sessão de “milagres” no mínimo estranha.
Após “ordenar” que os demônios das doenças abandonem “os corpos” dos doentes, em nome de Deus (embora pareça que Deus seja nada mais nada menos que um empregado ou serviçal de tal pastor), ele pergunta quem se “curou”.
Aí se inicia um tal de curas de dor no ombro, dor no braço, dor na coluna, dor de cabeça, dor... Ou seja, nada mais nada menos do que os “milagres” realizáveis pela Aspirina ou por outro analgésico qualquer.
Sinceramente, nos meus vinte anos de medicina, não presenciei nada que não possa ser explicável pela Ciência. Isso não quer dizer que não existam milagres, mas não os vi.
Obviamente alguns irão me dizer: “A culpa é sua, porque não tens fé bastante para vê-los”.
O problema é que se eu não obtiver o resultado esperado com um tratamento científico, não caberá tal desculpa.
A falta de fé é a justificativa para o fracasso. Bela e confortável desculpa...
Pois bem, após a sessão de milagres aspirínicos, tal pastor “passa a sacolinha”, cobrando muito mais caro pelas “curas” do que um médico recebe do SUS pelo mesmo serviço, isso incluindo o analgésico.
Tenho observado, com temor e indignação, muitos pacientes abandonarem o tratamento por causa desses “milagreiros” de meia tigela. Recordo-me de uma criança diabética, insulino dependente que um bem intencionado imbecil, semi-analfabeto, mas treinado por uma ala da Igreja Católica, na arte de “passar um ferrinho” e diagnosticar, tratando em nome de uma tal “medicina natural”, quase matou quando suspendeu a insulina e passou a mandar a menina tomar chá de “pata de vaca!”
Se não fosse a intervenção rápida e eficaz de um pediatra, a menina teria morrido, graças ao estímulo de setores da Igreja Católica a um tipo de “pais de santo” e raizeiros e benzedeiras tão maléficos quanto irresponsáveis.
Aliás, há uma cultura disseminada de que: Pai de santo cura, pastor cura, padre cura, e médico mata.
O pior é que esses facínoras travestidos de religiosos não têm responsabilidade legal pelos seus absurdos crimes, todos “bem intencionados”. O que me permite afirmar que de boas intenções, o inferno está cheio.
Aproveitando-se do baixo nível cultural do nosso povo, aliado à esperança tresloucada dos desesperados, milhares de entidades e estelionatários se enriquecem, enquanto a saúde pública vai ficando, cada vez mais pobre.
É necessária uma atitude firme e contínua contra esse tipo de charlatanismo que impera nos nossos meios de comunicação. As televisões são concessões públicas, e não podem ser utilizadas desta forma que, além de desinformar, ainda coloca a saúde do povo em risco.
Setores da imprensa colaboram para que isso ocorra, por omissão e medo, já que, dentre as principais redes de televisão e rádio nacionais, têm, na sua base de patrocínio e de “sublocação” da concessão pública, várias Igrejas e “pastores”.
Essa vergonhosa agressão ao povo mais humilde e sofrido, roubado duas vezes, tanto na negativa do poder público de repassar os impostos pagos em ações mais amplas de saúde, quanto na exploração criminosa, através das “dádivas”, “contribuições”, etc. que suplantam, em muito, os dízimos devidos a cada Igreja.
Tudo bem que isso ocorre em todas as camadas sociais, mas estelionatário que explora a pobreza e a miséria é um tipo de criminoso asqueroso e não terá perdão nenhum, nem aqui nem no Céu, pois esses exploradores do corpo sofrido de Jesus e vendilhões das casas de Deus fazem parte de um dos piores tipos de criminosos que pode haver, os sanguessugas de Cristo.

Sexta-feira, Junho 23, 2006

Calça de veludo ou bunda de fora

Carta aberta ao senador Arthur Virgílio

Vi com perplexidade o depoimento de V.Exa. na tribuna do Senado na noite de ontem. Mais uma vez utilizando-se de bravatas e agora numa atitude de chantagem explícita, o senhor desafia o Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a derrubar o laudo da Polícia Federal que atesta a autenticidade da "lista de Furnas" num prazo de 24 horas, caso contrário "ele vai ver o que é bom prá tosse". Fica clara a tentativa do senador em tentar evitar a apuração das denúncias de caixa dois tucano nas eleições de 2002.
Desde o aparecimento das cópias da famosa lista, V,Exa. e vários outros tucanos de alta plumagem, tentam desqualificá-la, assim como tentaram fazer com a lista de Cláudio Mourão, que além de demonstrar o imenso caixa dois na campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo, mostrou a utilização na mesma de recursos públicos oriundos de empresas estatais e o nascedouro do valerioduto. A tática foi a mesma utilizada agora: desqualificar o denunciante, falar em falsificação e, quando da comprovação da autenticidade da assinatura e de que não houve montagem, tentar se passarem por vítimas de perseguição da Polícia Federal.
O senhor senador que ameaçou até bater no presidente, me processar, dar prazo de 24 horas para o ministro dizer que a lista é falsa, não mostra a mesma valentia contra o autor da lista. Se, como diz V.Exa. a lista é falsa, a responsabilidade é somente dele, afinal o laudo comprova ser verdadeira a sua assinatura e também não haver montagem. Porque então não processa o Sr. Dimas Toledo? Estaria o senador com medo da verdade?
A bravata e a chantagem de V.Exa., na tentativa de intimidar e sufocar a apuração, pode acabar sendo um tiro no pé. Que Furnas, através de Dimas Toledo, sempre foi utilizada como fonte de arrecadação para as campanhas tucanas, todos aqui em Minas já sabiam, embora até então não fosse ainda comprovado. Era um verdadeiro segredo de polichinelo. Resta agora à PF tornar público o laudo e avançar nas investigações. O ministro é um homem honrado e a Polícia Federal tem atuado com total isenção e liberdade. Nunca se apurou tantos crimes como agora, coisa impossível de acontecer em governos tucanos, que se especializaram em varrer a sujeira para debaixo do tapete..
Por fim, é bom se lembrar que Nilton Monteiro falou que além do original da "lista de Furnas", já apresentado e periciado como verdadeiro, ele possui recibos assinados pelos beneficiados pelo esquema. E é bom não duvidar pois, foi através de suas denuncias, que se desbaratou o grande esquema de corrupção do então governador capixaba (também tucano) José Ignácio e se mostraram mentirosas as versões de Cláudio Mourão, Eduardo Azeredo e agora Dimas Toledo. A verdade virá à tona!
Rogério Correia Deputado estadual

Observa-se, como sempre, a tentativa desesperada de se evitar, a qualquer custo, o aprofundamento das investigações sobre a Lista de Furnas pois, comprovando-se a veracidade desta, temos um fato extremamente grave, similar ao que foi criado pelo deputado-escroque “Comendador” Bob Jefferson; coincidentemente partícipe dos dois “esquemas”.
O agravante desse escândalo ligado à estatal é o fato de, além de termos nomes de muito maior penetração que os chamados mensaleiros petistas, termos também o envolvimento de uma Estatal nesse caixa dois.
Demonstrando, portanto, a participação de dinheiro público em tal esquema.
A comprovação da veracidade da lista nos trás uma interessante observação a ser feita. Um dos argumentos usados contra a veracidade da mesma é de que inclui o nome do filho de Dimas Toledo nela.
Argumentava-se ser, essa inserção, uma evidência de falsificação, pois nenhum pai colocaria o nome do filho em tal listagem.
Portanto, confirmando-se a veracidade desta lista, temos o efeito contrário. Realmente, partindo do pressuposto de que Dimas Toledo não é louco nem quereria comprometer, aleatoriamente, seu filho, temos que a lista demonstra REALMENTE quem recebeu dinheiro de caixa dois.
INCLUSIVE O FILHO DO PRÓPRIO DIMAS.
Os recibos, aliados a esse fato e à confissão do “Comendador” Bob, nos dão a real dimensão da veracidade de tudo.
Agora o que mais irá se ouvir é o famoso: “Eu não sabia”, já iniciado por Eduardo Azeredo.
Isso não justifica nenhum erro, nem serve de consolo, apenas serve para que todos, inclusive os homens de bem do governo e da oposição, lutem veementemente para a reforma política.
Senão, nada disso terá servido para algo produtivo.
Quem nasceu primeiro não interessa, o fato é que temos em todos os partidos, inclusive no “santificado” PPS das propagandas eleitorais gratuitas, a maldição do caixa dois de campanha.
Ou calça de veludo ou bunda de fora.
Reforma política ampla e uma luta pela ética na política. Urgente e sem falsos moralismos.
Não cabe defender nossos erros, somente não podemos deixar que pareça à sociedade que somos os únicos errados.
A demonstração da trava no olho de outrem não justifica a nossa, mas precisamos colocar os pingos nos iis para que não sejamos crucificados pelos erros de todos.
Inclusive e principalmente pelos neo-virgens, pois nenhuma cirurgia plástica irá restituir a integridade de um ACM da vida, nem de um Arthur Virgílio.
O que temos é que exigir, enquanto democratas, um novo código ético e moral na política brasileira, sob pena de termos de que agüentar o “porco falando do toucinho”, degradando cada vez mais a poluída imagem que os políticos nos oferecem.

Suco de Jabuticaba...

Em Espera Feliz, tenho um grande amigo, um dos melhores fisioterapeutas que conheci, sujeito íntegro, honesto, de uma serenidade invejável.
Já quase cinquetão, toda semana faz uma via crucis, de Espera Feliz até o interior do Estado do Rio, onde moram sua filha e sua esposa.
A opção sacrificante pela melhor qualidade de estudo e de base financeira para a filha, segue-se há mais de dez anos; mas o meu querido amigo não reclama, fazendo semanalmente o percurso sem nem ao menos demonstrar cansaço.
Pertencente a uma Igreja evangélica extremamente rigorosa com relação a hábitos como o de beber, de fumar ou de comer carne de porco, nosso amigo é um dos missionários mais assíduos e respeitados dessa Igreja.
Pois bem, um belo dia, ainda no período em que sua esposa morava em Espera Feliz, me recordo de um convite que eles me fizeram para visitar a casa nova que haviam alugado.
Convite regado a um delicioso churrasco e a refrigerantes, aos quais, como abstêmio, não fiz nenhum reparo.
Mas, lá pelas tantas, animado com uma receita de “suco” de jabuticaba que obtivera de um conhecido cafeicultor da região, fui convidado a tomar um copo de tal maravilha.
Realmente estava muito gostoso, supimpa mesmo.
Conversa vai, conversa vem, suco pra cá, suco pra lá, a cabeça começando a girar, a música ficando mais alta, a animação também, resolvi perguntar ao meu amigo como se fazia tal delícia.
A resposta veio rápida e elucidativa:
“Marcos, pegue dez litros de jabuticaba, coloque dez quilos de açúcar, deixe em uma vasilha grande por vinte dias, depois é só coar, deixar na geladeira e beber”.
Realmente, tinha descoberto uma receita maravilhosa para se fazer um licor de jabuticaba.
Não devia, nem podia, mas esclareci ao meu amigo dos poderes maravilhosos da alcoólica bebida.
Espantado, a partir daquele dia, o suco de jabuticaba continuou freqüentando sua geladeira, mas sem os fundamentais vinte dias de fermentação...

Ao muriaense de fibra, em todos os sentidos.

Lula anuncia Alencar como vice
De Lisandra Paraguassu na Agência Estado:
"Embora não tenha anunciado formalmente a sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de confirmar, em Chapecó (SC) que o vice-presidente José Alencar é o seu candidato a vice na chapa que disputará em outubro. Lula disse que aprendeu com o futebol que em time que está ganhando não se mexe. Ao ser perguntado se já teria conversado com Alencar sobre o assunto, Lula disse que nem precisava, porque Alencar já é vice dele, "um grande empresário e grande companheiro".


A escolha de Jose Alencar para repetir a chapa vencedora em 2002 não é nada mais nada menos do que a configuração de um ato de justiça e de bom senso.
José Alencar tem se demonstrado um companheiro fiel e amigo, em todos os momentos, mesmos nos mais difíceis.
Sua importância como maior empresário de Minas, dá o lastro que Lula necessita para continuar sendo visto sossegadamente pelos empresários nacionais e estrangeiros, inclusive os verdadeiros investidores que trazem capital não especulativo para o Brasil.
José Alencar, mineiro de Muriaé, meu conterrâneo, portanto, tem uma história muito parecida com a de Lula.
De origem humilde, na pequena Rosário de Limeira, hoje município, mas à época pequeno distrito de Muriaé, começou como balconista de loja, tendo sua biografia descrita desta forma:
“José Alencar Gomes da Silva nasceu num povoado às margens da pequena Muriaé, Minas Gerais, em 17 de outubro de 1931. O décimo primeiro filho de um total de 15 descendentes do casal Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva.
O trabalho veio cedo e já aos sete anos, José Alencar estava atrás do balcão da loja do pai. Em 1946, aos 15 anos, Alencar deixou a casa dos pais e foi para cidade trabalhar como balconista na loja de tecidos "A Sedutora". A vida na cidade não era fácil já que o pouco que ganhava não era suficiente para pagar um quarto.
Dois anos depois, em maio de 1948, José Alencar muda-se para Caratinga. Consegue seu segundo emprego na "Casa Bonfim" e, em pouco tempo, é considerado o melhor vendedor da loja, título que já havia recebido em sua primeira experiência em Caratinga.
Quando completou 18 anos, seu irmão mais velho, Geraldo Gomes da Silva, lhe emprestou 15 mil cruzeiros para que ele pudesse abrir seu próprio negócio. Foi então que em 31 de março de 1950, José Alencar abriu sua primeira empresa, "A Queimadeira", situada na Avenida Olegário Maciel, 520, no Barro Branco, em Caratinga.
Morar na própria loja, "atrás da prateleira", e comer marmita fazia parte do esforço para baixar os custos e tornar competitiva a lojinha que vendia quase tudo: tecidos, calçados, chapéus, guarda-chuvas, e sombrinhas. Sempre contando com o apoio dos irmãos, José Alencar manteve sua loja até 1953, quando decidiu vendê-la e mudar de ramo.
José Alencar inicia seu segundo negócio na área de cereais por atacado, ainda em Caratinga. Logo em seguida participou - em sociedade com José Carlos de Oliveira, Wantuil Teixeira de Paula e seu irmão Antônio Gomes da Silva Filho - de uma fábrica de macarrão. Era a Fábrica de Macarrão Santa Cruz.
Ao fim de 1959, morre Geraldo, seu irmão. José Alencar assume, então, os negócios deixados por Geraldo na empresa União dos Cometas. Em homenagem ao irmão, a razão social foi alterada para Geraldo Gomes da Silva, Tecidos S.A.
Em 1963, José Alencar construiu a Cia. Industrial de Roupas União dos Cometas, que mais tarde passaria a se chamar, Wembley Roupas S.A.
Em 1967, em parceria com o empresário e Deputado Luiz de Paula Ferreira, Alencar fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Em 1975, José Alencar inaugurava a mais moderna fábrica de fiação e tecidos que o país já conheceu.
A Coteminas cresceu e hoje são 11 unidades que fabricam e distribuem os produtos. São fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis para o mercado interno, para os Estados Unidos, Europa e Mercosul.
Na vida política, José Alencar foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, presidente da FIEMG (SESI, SENAI, IEL, CASFAM) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Candidatou-se às eleições para o Governo de Minas em 1994 e, em 1998, disputou uma vaga no Senado Federal, elegendo-se senador por Minas Gerais com quase três milhões de votos.
No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura - CI, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.”
Os paralelismos entre esta biografia e a de Lula, demonstram o quão acertada foi a escolha deste mineiro de origem humilde, quase nordestina, para a vice-presidência. Tanto da primeira quanto desta vez.
Num momento em que o empresariado brasileiro, em sua grande maioria, fugia da candidatura socialista de Lula, Alencar se aproximou a ponto de querer se filiar ao PT, fato esse inibido pelo próprio Lula, que buscava com Alencar, aumentar a participação no horário político.
Hoje, quatro anos após, temos em Alencar um dos mais fiéis companheiros, bem mais digno da participação do poder ao lado de Lula do que “companheiros” antigos que se retiraram do barco, acreditando que a canoa estava furada.
A dignidade de José Alencar, homem para quem a política não muda em nada nem seu patrimônio nem sua imagem de homem vitorioso, é uma coisa que merece registro.
Além do mais, a presença de um mineiro no poder é de vital importância para o equilíbrio político do país, fato já detectado por outros mineiros ilustres, como Itamar e Aécio Neves.
A garantia de um governo com maior participação dos empresários que geram empregos, assim como Alencar, é uma garantia a mais não somente da governabilidade, mas também do desenvolvimento e do crescimento do país, tanto economicamente como socialmente, se nos atentarmos para o fato de que temos, tanto o presidente quanto o vice, de origem proletária.
Aliás, para quem conhece Muriaé e suas oligarquias, sabe o que significa para o povo dessa região, o orgulho de ter um vice-presidente da república, distante das oligarquias dos Canedo, Varela, entre outras...
Resta ao povo muriaense, homenagear seu mais ilustre conterrâneo com uma votação expressiva nessa eleição que se avizinha.
Meus parabéns José, mais um José brasileiro, cuja biografia enche de orgulho a todos os que lutam e batalham por um Brasil melhor.

Meus tempos de criança - de um filé de peixe inesquecível.

Uma vez, quando estávamos em Muriaé, num desses dias de verão insuportáveis, o corpo suando em bicas e ventiladores ligados pela casa afora, num janeiro interminável e intenso, chegou à minha casa, o “seu” Valter, amigo do meu pai.
Trazia uma porção de cascudo, deliciosamente perfumada e com um aspecto agradabilíssimo.
Junto com o peixe, trazia a recomendação do meu pai para que ninguém comesse antes dele chegar, fato que se daria lá pelas cinco ou seis horas da tarde.
Para quem não conhece cascudo é um dos mais saborosos peixes de água doce, quase sem espinhos, tendo um paladar único e macio.
O filé de cascudo é uma das iguarias que mais apreciei e aprecio, sendo de um paladar melhor do que o das trutas e salmões que conheci bem mais tarde.
Estávamos sentados a mesa do almoço, eu, minha mãe, minha irmã e minha prima, Patrícia, hoje renomada odontóloga de Muriaé.
Aquele cheirinho, aquele filezinho olhando para a cara da gente, quem iria resistir? Nem você nem nós.
Com arroz branco, começamos a devorar aquele peixe levemente apimentado com sua carne macia e apetitosa.
Recordo-me de minha irmã, Andréa Cristina, palitando os dentes com aquele espinho diferente, não tão achatado quanto o do cascudo, meio que afilado, detalhe imperceptível diante da maravilha que degustávamos.
Meu pai, ao chegar, percebera que sobraram somente dois pedaços, dos vários que “seu” Valter trouxera.
Para nosso deleite, ao ver o que restara, afirmou que estava meio sem apetite e que comêssemos o restante, sem problema.
Minha irmã ficou com um pedaço e eu com o outro.
Fomos dormir, depois disso, satisfeitos como dois paxás.
Mal amanhecera o dia, o pau quebrou entre meu pai e minha mãe.
Essa, com a voz elevada, reclamava e praguejava a torto e a direito.
Ao se esclarecer a situação, soubemos o motivo de tal ira.
Seu Valter, como bom espírita, não comia carne vermelha e havia dito ao meu pai das delícias da carne de cobra, avisando-o que, assim que matasse uma jararaca, iria pedir para sua esposa para fazer uma porção.
Meu pai, temeroso de que minha mãe jogasse prato com cobra e tudo fora, avisou ao amigo que levasse, mas não se esquecesse de dizer que era cascudo e que solicitasse para que não comêssemos antes de sua chegada, a fim de esclarecer e impedir que a gente degustasse tal iguaria.
Ao chegar em casa e ver que não sobrara quase mais nada da refeição, alegara mal estar e deixou para quem quisesse os últimos nacos do “cascudo”.
Esperara o dia amanhecer para explicar à Dona Osília o que acontecera.
O pior de tudo foi que, algumas semanas depois, “Seu” Valter, sabedor do sucesso feito pela jararaca, resolveu trazer uma posta de sucuri, devidamente rechaçada por minha mãe e pela sua secretária, sob a ameaça da mesma de “pedir demissão e nunca mais trabalhar naquela casa de loucos”.

Meus tempos de criança - da madeira de dar em doido

Meu avô era proprietário de uma serraria, em Mirai, Minas Gerais, terra de Carmita Loures e de Ataulfo Alves.
Eu me recordo que, quando criança, adorava brincar com a serragem a qual chamávamos de pó de serra. Era uma delícia pular sobre aqueles montes que se formavam, quando se serrava uma tora de madeira.
A coceira que vinha depois, resultado de tais brincadeiras, nem de longe incomodava.
Eu era feliz e nem sabia.
Mas, um dia, para espanto de minha mãe, sempre zelosa com a limpeza, entranhou-se um odor insuportável na casa.
Por mais que ela varresse e lavasse a casa, a inhaca de esgoto não se dissipava.
Dona Osília, minha mãe, como toda mãe mineira era extremamente zelosa e cuidadosa com a casa.
Qualquer sujeira perdida em um canto da casa era motivo de apreensão e irritação. Recordo-me que, aos sete anos de idade, ao escrever sobre a mãe, no dia dedicado a elas, descrevi-a como uma “barata tonta”; o dia inteiro envolvida com as aulas no colégio, onde lecionava História, e a casa, onde refazia boa parte do trabalho que fora executado pela secretária da época.
Pois bem, a limpeza já se repetia várias vezes, quando percebi meu pai sorrindo, matreiramente, no canto da sala.
Aquele sorriso denunciava o mal feito. Meu pai era extremamente brincalhão e alguma ele tinha aprontado.
Passaram-se uma, duas, três horas e o cheiro continuava, para apreensão de minha mãe, justificando um olhar maroto do meu pai.
Depois da janta, fomos dormir.
De repente, acordei com a minha mãe reclamando em altos brados.
Perguntei o que tinha acontecido e a resposta veio rápida.
Naquele dia, tinham cortado na serraria, uma madeira chamada de canela. Mas não era uma canela comum, dessas parecidas com a Gabriela de Jorge Amado não.
A canela em discussão, era uma madeira que tinha uma característica única.
O odor exalado pela madeira, ao ser cortada, era profundamente desagradável e justificava o nome popular da dita madeira.
Meu pai, depois de cansar de ver minha mãe exasperada, resolvera, enfim, explicar a origem da inhaca insuportável e inexterminável.
“Osília, a tora que foi cortada hoje, é a de canela-bosta.”

De vinganças e vinganças

Um dos maiores parasitas que existem é o conhecido “colunista social”. Escravo e bobo da corte, é vitima e o carrasco das conhecidas “socialites”.
A maior parte das vezes é convidado para as festas da high society, tendo como característica marcante, o olhar ferino e agressivo contra alguma pessoas, principalmente aquelas que não lhe satisfazem os desejos de fama, poder ou simplesmente narcisistas.
Em contrapartida, as que cedem aos seus caprichos são tratadas a pão de ló, tendo o rosto estampado com legendas elogiosas a cada semana ou a cada evento em que estas personalidades estejam.
Mauricio Flavio era um dos mais conhecidos colunistas sociais da cidade de Pintassilgos, no interior mineiro.
Tendo em Amaury Jr, seu principal ídolo, tentava ser simpático com a maior parte dos ricaços do local, sendo cruel com aqueles que não tinham “origem” na tradicional família pintassilguense.
Os novos-ricos, então eram vítimas de sua língua ferina, mesmo nos elogios, não se esquecia dos pequenos detalhes que, invariavelmente, demonstravam a origem camponesa ou proletária da personagem escolhida por Mauricio Flavio para ser esculachada.
Marieta herdara de seus tios uma propriedade rural de fazer inveja a quem quer que seja. Nos seu quase mil alqueires de terra, desfilavam mais de mil cabeças de gado, além da produção de café, uma das maiores do sul de Minas.
Não que fosse uma nova rica típica, isso não. Mas, sua filha, no auge da adolescência e deslumbramento, resolveu fazer uma festa de quinze anos.
A mãe, que tinha mudado para a cidade fazia pouco tempo, relutou em fazer a tal festa mas, sob a influência das companheiras de salão e das amigas de sempre, rendeu-se aos apelos da menina.
A festa fora um esplendor de fartura para todos os gostos, inclusive para a língua afiada de Mauricio Flavio.
Entre os convidados, obviamente, vieram os parentes de marie ta, todos oriundos da zona rural. As misturas de estilos se tornaram evidentes.
Como não poderia deixar de ser, Mauricio Flavio estava entre os meio convidados meio penetras que vieram na carona de alguns amigos da filha da dona da casa.
Marieta não lia as colunas sociais, isso nunca. Mas, como a festa da filha fora anunciada como uma das atrações da maldita coluna, teve o desprazer de perder seu tempo lendo as matérias publicadas pelo “dengoso” mauricinho.
A festa foi desancada do começo ao fim, com críticas vorazes e ferozes contra a “Família Buscapé”, tendo como máxima , a falta de gosto e de estilo da dona da casa e de sua filhota, “exemplo de como não se deve portar a juventude cocoteira e baladeira”. Entre outras coisas, a decoração da casa foi tema de agressivos e preconceituosos comentários do colunista.
O calor começou a subir às ventas de Marieta que, no auge da ira, planejou sua vingança.
Sabendo da sede de poder do adamado colunista, mandou flores para este em agradecimento aos comentários postados no jornaleco.
Este cuja megalomania não permitia discernir nada, agradeceu e encantou-se com tal atitude.
Passaram a trocar correspondências e telefonemas.
Depois de uns três meses de intensas intimidades, Marieta preparou-lhe a arapuca.
Convidou a toda a cidade para uma festa em homenagem a Mauricio Flavio.
Orgasmos múltiplos não dariam a dimensão exata do prazer proporcionado a este pela notícia.
Esquecera, a muito, das críticas impostas a sua nova amiga.
Enquanto essa estava se firmando como uma das maiores fortunas da região, Mauricio a cada dia se encantava mais com Marieta.
No dia da festa, um luxo só. A casa fora toda preparada para a recepção, inclusive com música ao vivo, cantor famoso, em fim de carreira, mas conhecido.
Aquilo tudo estava fantástico. O nosso colunista estava em lágrimas, verdadeiras lágrimas de emoção e felicidade.
Lá pelas tantas, Marieta, pediu a palavra e em tom de agressividade, para surpresa de todos começou a desfiar :
-Esse imbecil que se chama Mauricio Flavio, puxa saco dos ricos, achou que eu ia me esquecer do que ele fez com a minha filha. Convidei vocês para que saibam o quanto esse vagabundo sanguessuga vive das fofocas e intrigas, muitas das quais ele mesmo inventa para extorquir dinheiro ou vantagens pessoais.
Eu não preciso desse tipo de gente, dessa bichinha safada que vive fingindo que tem namorada, somente para esconder o fato de estar saindo com o meu meeiro, Zé Trindade; ou você pensa que eu não sei disso?
Aliás, eu não preciso de seus elogios ou críticas, eu posso e faço o que eu quiser, não quero você, sua lombriga asmática nem aqui em casa e nem no meu jornal.
Pois é seu babaca, acabei de comprar o jornaleco onde você trabalhava e, para que todos saibam você está demitido desta casa e do jornal. Suma!
Ao que, o choroso colunista, meio de banda, humilhado mas com a cabeça incrivelmente erguida responde:
-Caipira, caipira, caipira! E ainda por cima, GORDA!

Quarta-feira, Junho 21, 2006

Quanto custa um mecenas...

Francisco Caçapa era uma das figuras mais conhecidas de Muriaé. Tido como extremamente culto, seus conhecimentos não ultrapassavam as sinopses, as manchetes de jornal, as orelhas dos livros e os comentários sobre esses.
A partir de tal conhecimento, intervinha em todos os assuntos que, porventura, alguém colocava em debate.
Como todo bom farsante, freqüentava com assiduidade ímpar, os botecos da cidade.
Casara com Leonor, dona de rara beleza, quando essa estava aflorando os seus quinze anos, menina pobre, ludibriada pela boa conversa do falsário.
Com o tempo, e a continuidade dos estudos, começara a perceber que entrara realmente em uma canoa mais do que furada, arrombada.
Terminando a faculdade de História, começara a lecionar nos colégios da cidade, inclusive no Estadual, onde conseguira, via concurso público, um cargo efetivo.
Paralelamente a isso, Francisco, percebendo que a esposa era auto suficiente economicamente, deu maior vazão à sua vocação natural.
“Intelectual que se preza, vive para aprofundar seus conhecimentos, e o trabalho formal é incompatível com essa árdua missão de penetrar nos mistérios da humanidade”; dizia, citando um pobre coitado que escolhera para fonte de suas máximas.
Além de tudo, Francisco era um admirador dos generais que governavam esse país, citando como exemplo de dignidade uma meia dúzia de pessoas ligadas ao poder.
Arenista de primeira hora, nacionalista como poucos, achava realmente que o país estava num momento mágico. Odiava, portanto qualquer coisa que cheirasse a esquerda, xingando a quem não gostava de ofensas como “comunista de meada”, “subversivo”, essas coisas...
Uma de suas principais vítimas era Eduardo, professor de Geografia, colega de Leonor.
Rapaz franzino, oriundo do “morro da rádio”, bairro proletário de Muriaé, estudara com muitas dificuldades, formando-se em Itaperuna, cidade próxima.
Francisco, como todo bom vagabundo falaz, resolveu se candidatar à vereança local.
Filiado à Arena 1, contava a eleição como certa, acreditando na “amizade” de seus pares e na admiração dos mais humildes.
Em primeiro lugar, os que ele achava que eram seus iguais, simplesmente se divertiam às suas custas, observando o pensamento obtuso e inconseqüente.
Os mais simples odiavam a conduta pernóstica e o narcisismo.
A fama de vagabundo suplantara, há muito a de “intelectual”.
Nessa mesma eleição, Eduardo, movido pelo sentimento de mudança e pelo sonho libertário da juventude, resolveu se filiar ao MDB e se candidatar também.
Leonor, já há um tempo, mantinha encontros escondidos com Edu. Sendo que tinham uma casa em Itaperuna, especialmente montada para esses encontros.
O divórcio ainda não havia e a situação de uma mulher “separada” perante a hipócrita sociedade tradicionalista de Muriaé impedia-na de agir com mais firmeza.
A situação dela, perante a candidatura do marido e do amante, ficara um tanto quanto difícil.
No dia da eleição, uma surpresa.
Nenhum dos dois se elegeu, mas, para surpresa de Francisco, a seção eleitoral onde ele e sua esposa votaram só contabilizou um voto para ele.
Pediu recontagem e bradou aos quatro cantos que a eleição fora fraudada.
Nada adiantou o voto solitário não encontrou par na recontagem.
Ameaçou, bradou, xingou indo quase às vias de fato com Leonor.
Mas, conformou-se.
A partir daquele dia, encerrou sua carreira política.
Leonor, cada vez mais abertamente, começou a freqüentar Itaperuna todas as semanas.
Francisco começou a perceber o preço que cobra um Mecenas.

Vampeta

Em convenção morna, o PFL homologou nesta quarta-feira a coligação com o PSDB. O nome do senador José Jorge (PFL-PE) foi aprovado por aclamação para compor a chapa do tucano Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente.
Afora a atmosfera tépida, a convenção da pefelândia foi marcada pelos ataques a Lula. Alckmin disse que o governo Lula é uma "mentira política". José Roberto Arruda, candidato do PFL ao governo de Brasília, insinuou que Lula bebe demais. Antonio Carlos Magalhães chamou o presidente de ladrão. E José Jorge tachou-o de traidor do Nordeste.
Alckmin subiu à tribuna ao som do tema da vitória, aquela musiquinha que era tocada nas transmissões da Rede Globo sempre que Ayrton Senna vencia uma corrida de Fórmula 1. Além de tachar a gestão Lula de "mentira política", criticou a fúria inauguratória do adversário: "Agora se inaugura pedra fundamental até no final de governo".
Nesta quarta-feira, o vice de Alckmin preferiu tentar desqualificar Lula de outro modo. Nordestino como o presidente, o senador disse que Lula “traiu” a sua gente. Tornou-se, segundo as suas palavras, "um conterrâneo mal aculturado" no Sul.
"Não sou um nordestino desnaturado como Lula, que nem ao menos respeita sua extraordinária saga de emigrante, recheada de tragédias", afirmou José Jorge. As referências regionais do senador não nasceram do nada. É no Nordeste que Lula prevalece sobre Alckmin de maneira mais acachapante. O presidente desponta na região com uma média de 70% da preferência do eleitorado.
Coube a ACM proferir o ataque mais incisivo contra o presidente. "Hoje, o Palácio do Planalto tem que ser higienizado...”, disse ele. “Temos que mostrar o verdadeiro Lula. Não o Lula que paga publicidade para a imprensa e para televisão, mas o Lula ladrão".
Embora as sondagens eleitorais o acomodem em posição de franca desvantagem em relação a Lula, Alckmin tentou ostentar em seu discurso um timbre triunfante. Convidou os presentes a subirem com ele a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2007. Agora só falta convencer os eleitores.


Coisa linda de se ver é o desespero absoluto nesta tragicomédia que se anuncia na chapa “UNIDOS VENCEREMOS”.
As palavras doces e suaves de uma pessoa com a competência administrativa e gerencial de José Jorge, coronel nordestino que sempre teve uma ação pródiga em defesa desse povo que representou, a vida inteira com dignidade e bravura, demonstram o quanto poderemos esperar de tão amável criatura.
O fato de ter ocorrido o apagão, enquanto este estava à frente do Ministério das Minas e Energias foi só uma coincidência, veja que maldade fizeram com o pobrezinho: “José Jorge foi ministro das Minas e Energia de Fernando Henrique na época da crise energética e ficou conhecido como o “ministro do apagão”“.
Isso é coisa desse pessoal petista que, além de criarem o maior esquema de corrupção deste país, adoram fazer intrigas com os nossos amados e dignos representantes.
O fato de Antonio Carlos Magalhães ter chamado Lula de ladrão, deve ser verídico, pois desse assunto ACM entende muito bem.
Aliás acho que isso é revanchismo puro, pois o safado do Lula não deve ter feito agrados para Toninho Bondade, como é conhecido esse amado senador.
Temos que analisar também que o querido José Jorge, sabendo que seu povo nordestino é constituído, na sua maioria por masoquistas, tem todo o direito de explicar essa traição do presidente que redundou em maioria absoluta nas pesquisas.
O povo nordestino adora sofrer, não é mesmo?
Muito me causa estranheza, o fato de Lula ter esse alto nível de aceitação no Nordeste, me levando a crer que a traição impera naquela região. O povo se esqueceu das benesses dos coronéis. Povinho hipócrita esse...
Realmente, outra coisa que me faz pensar é a proposta de higienização feita por Antonio Carlos Magalhães no Palácio do Planalto.
Neste assunto, o amado senador é mestre. Como um excelente médico, conhecido por sua competência no meio científico nacional, com diversos trabalhos publicados, tem conhecimento de causa. Tanto que na Bahia governada muitos anos por sua equipe, temos um dos menores índices de mortalidade infantil e um estado exemplo no quesito “sanidade pública”.
Num outro momento, vemos a análise perfeita do velho doutor; quando diagnostica, incontestavelmente, o apoio da imprensa ao Presidente da República.
A publicidade também é vergonhosa. Sendo que esse “ladrão”, fica toda hora lembrando que a Petrobrás atingiu a auto-suficiência, que a diferença entre pobres e ricos no país diminuiu, que o salário mínimo ultrapassa, em muito os cem dólares prometidos pelo outro governo; que a fome diminuiu no país, que o número de estudantes pobres que fazem a faculdade aumenta a cada dia, que a inflação está sob controle, que as exportações estão batendo recordes, que o risco país é quase dez vezes menor do que quando assumiu, que a geração de empregos aumentou exorbitantemente, que o Brasil investe em alternativas energéticas, apresentando o biodiesel, que o empréstimo consignado permitiu o pagamento de dívidas e a aquisição de bens de consumo pelas classes mais pobres, que a venda de automóveis aumentou muito nesses anos, etc.
Não se pode e nem deve fazer propaganda sobre isso! Isso é um absurdo! Concordo plenamente com Toninho Bondade, isso é anticristão, pois “que a sua mão direita não saiba o que a esquerda faz”.
A não ser nos casos onde a curiosidade humana, fato perdoável, impere.
Isso de criticar alguém somente pelo fato de violar um painelzinho de votações e sair sorrateiramente, para não se cassado e, depois, mandar grampear o telefone da amante é coisa de menor importância.
Espero, ansioso a chegada deste homem de bens, Alckmin na rampa do Planalto, vai ser mais emocionante que as cambalhotas do Vampeta.
Aliás, vampeta é mistura de vampiro com capeta, você sabia?

Recordar é viver - lembranças de José Jorge

Porque eu não vou economizar energia elétrica

Porque, diferentemente da corja do Planalto, nunca tive energia de graça.
Somente a quadrilha de plantão, que nunca pagou nada de seu próprio bolso,
poderia vir agora culpar, ameaçar, aterrorizar e levar a loucura os patos
dos consumidores, que sempre pagaram suas contas em dia.
Vide a insanidade das pessoas comprando velas, lampiões e quanta bugiganga
existe para melhor causar um incêndio.

E os bombeiros, vão ter aumento de salário ou de trabalho?

Porque eu não vou economizar energia elétrica.

Porque enquanto eu abria minha geladeira, controladamente, o Príncipe,
durante 6 anos, viajava por este mundo afora, como porca magra, e nem se
dignava ouvir o que os entendidos no assunto trombeteavam. E ele mesmo,
entre tantas mentiras, disse em 1994: "Em setores como energia e
comunicação, estamos próximos do estrangulamento, e o colapso só não
ocorreu devido ao menor ritmo de crescimento econômico da última década."

Agora tem a cara de pau de dizer que não sabia?

Porque não vou economizar energia elétrica.

Porque enquanto eu trocava as lâmpadas de minha casa, por lâmpadas muito
mais caras e que, nem de longe, iluminam o que prometem, as raposas do Banco
Central davam, de graça, ao Cacciolla aquela imensa quantia de dólares que
de tanto zero nem cabe nesta página. Eu economizei para que o Cacciola
pudesse assistir o Guga jogar na Itália. Alguém foi preso?

Porque eu não vou economizar energia elétrica

Porque enquanto eu amontoava as roupas para passar de uma só vez, o
Príncipe, que nos chamou de caipiras, neobobos e fracassomaníacos, que
montou na cabeça de um nordestino, como se ele fosse um jegue, usava o
dinheiro, que eu e você economizamos, para comprar votos no corrupto
Congresso que temos. Ele, de fato, não poderia saber o que estava
acontecendo com as geradoras de energia. Em seis anos tinha coisas mais
inteligentes para fazer como: abafar a CPI da corrupção; comprar, com verbas
públicas, os 500 ou mais corruptos do Congresso; falar com chineses para
pedir que não mandassem os USA, coitadinhos, pros quinto dos infernos;
mandar o Exército proteger propriedades privadas; fazer discursos em mais
línguas do que falava o boquirroto Collor; elogiar o ex-ditador Fujimori,
que fugiu com o rabo entre as pernas e com milhões de dólares, como o maior
estadista do mundo; ir a banquetes com ex-ditadores para discutir como ser
uma, duas, três, quatro vezes reeleito, sob aparência de democracia.

Porque eu não vou economizar energia elétrica

Porque enquanto eu desligava minha TV, meu rádio, meu mísero gravador e meu
ínfimo computador, o Judiciário fingia não ver a dinheirama que o bandido do
Lalau e outros juízes do mesmo naipe, enfiavam, não na obra, mas nas contas
lá na distante Suíça. Outros queriam o dinheiro mais perto e colocaram nas
Ilhas Caimã. Eu economizei porque não poderia deixar o Lalau sem esses
confortos. Por acaso está preso (está mesmo?), e agora vou ter que
economizar mais ainda para mantê-lo bem confortável na cadeia. Vou ter que
economizar para pagar o salário do ACM, do choroso Arruda e da
desonestamente ética Regininha ACM Prodasen.

Porque eu não vou economizar energia elétrica

Porque enquanto eu me sentia culpado de usar o liquidificador mais de duas
vezes no dia, a ABIN, que custa uma enormidade a nossos bolso (olhe a verba
para essa agência de arapongagem) não fazia o seu trabalho que era de
informar ao Príncipe desinformado sobre a situação da energia, nesta merda
de republiqueta, onde, até ontem, os ministros fisiológicos, sem exceção, o
Congresso corrupto (quase todo) e o Judiciário troncho, manco e vesgo
negavam as ameaças no corte de energia. Presidente, vá ser distraído assim
na .... Sorbonne.

Porque eu não vou economizar energia elétrica

Porque enquanto, como louca e demente, economizava energia, na mixórdia de
aparelhos que tenho em casa, os empresários brasileiros, que agora estão com
os rabos entre as pernas e olham para os lados e assoviam como se não
tivessem nada a ver com o peixe podre, pegavam e ainda pegam dinheiro da
SUDAM, e gastavam a gosto, com a conivência de todos os órgãos
investigativos (sic). Não existem fiscais, procuradores, delegados, nesta
merda de terra?

Vocês já perceberam, como os publicitários, que são pagos para nos enganar e
nos mentir, fazem as campanhas só culpando as donas de casas e as pessoas
pobres? Tiveram a coragem de, com dinheiro público, criar a figura de um
pombo nojento, hipócrita, preconceituoso, que só vê desperdícios feitos por
donas de casas, empregadas, aposentados, meninos pobres e mocinhas da
periferia. Deve ter ganho um monte de prêmio o augusto criador do tal pombo
panaca.

Não vou economizar energia elétrica, porque como todos os assalariados
nessa bosta de Pátria já faço isso, obrigada, a muitos anos. Porque pago
por ela todo mês: se não pagasse não a teria. E só da cabeça de gente
escrota, podre, bandida, que sempre viveu das tetas do governo, pode sair
tal verborragia fecal e culpar a população por tamanho descaso,
incompetência, incúria, safadeza e falta total de senso de ridículo.

Senhor Presidente, Ministros, Juízes, Deputados, Senadores, Prefeitos,
Vereadores - 90% dos quais não merecem um décimo do salário que ganham:
safadeza não tem cura e, se tem, pouco dura.

Meu amigos, meus inimigos (parafraseando Manuel Bandeira e Carlos Scliar):
salvemos o que resta deste país! Vamos começar a dizer NÃO!

Ziraldo
um brasileiro de saco cheio

Dize-me com quem tu andas e dir-te-ei quem és

Arruda compara Lula a um piloto bêbado
Chamado de última hora para discursar na convenção que o PFL faz hoje para oficializar José Jorge (PE) como vice de Geraldo Alckmin (PSDB), o deputado José Roberto Arruda, candidato do PFL ao governo do Distrito Federal, chutou o balde. E comparou Lula a um piloto de avião bêbado:
- Não estamos aqui para escolher uma pessoa engraçada que faça metáforas futebolísticas e divida um copo de cerveja. O Brasil é um avião. E não gostaria de encontrar nesse avião chamado Brasil um homem companheiro de boteco.
Arruda só falou porque levou alguns correligionários para a convenção.
Uma convenção, aliás, esvaziada, que animava só quando alguém citava o nome de Arruda e do senador Paulo Octávio (PFL), vice dele.
Até agora discursaram lideranças do PFL, o prefeito do Rio, César Maia, e o governador da Bahia, Paulo Souto. Discursa agora o vice de Alckmin, José Jorge.
Alckmin falará logo depois.


Em primeiro lugar, vamos refrescar nossa memória. O José Roberto Arruda, para quem não se recorda, é aquele amiguinho bisbilhoteiro do ACM que violou o segredo do painel do senado, na votação pela cassação de Luiz Otávio.
Realmente é uma pessoa extremamente ética, um cidadão acima de qualquer suspeita.
Esse tipo de gente, que age da forma com que esse crápula agiu, duplamente “digno”, tanto na violação de segredo quanto na “fuga” com o rabo entre as pernas, deve ter autoridade moral para falar de alguém.
Quando tenta atingir a moral do presidente, o faz de maneira totalmente inescrupulosa e indigna.
Se observarmos a afirmação preconceituosa sobre o uso ou não de bebida alcoólica por uma pessoa, este debiloide tenta atingir a toda uma sociedade.
Não vou ficar aqui retrucando qualquer afirmação desse tipo de político, pois o mesmo somente está aí por uma falha da constituição e do regimento do Congresso que permite com que pessoas desse nível, fujam ao julgamento de seus pares, pela porta dos fundos, para retornarem depois, como se nada tivesse acontecido.
O Brasil, com esse piloto bêbado ou não, está em situação econômica e social muito melhor do que quando estava sob o governo dessa corja sóbria na hora de fazer as suas falcatruas, e embriagada pelo poder na hora de fazer as orgias que fizeram com o bem público.
Aliás, se não quer ser governado por esse piloto bêbado, me faça o favor de vazar fora, não só do Congresso, com as calças arriadas, pelos fundos, mas também da vida pública e, se possível, até do próprio país.
A população de Brasília e do Brasil agradeceria imensamente e, com certeza, o país não sentiria a menor falta...

Terça-feira, Junho 20, 2006

vejo a vida se escoando

Vejo a vida se escoando entre meus dedos; meus medos e sentidos.
Se de nada duvido, anseio. Percorro os temores do passado nas angústias do futuro, angu de caroço, ossos e ócio expostos.
Na poeira dessa estrada que traz o nada, leva o perdão e carrega o segredo da vida, percebo o sebo do lamento. Meu tormento atormenta a menta aumenta o sentir medo o sentimento, meu momento em vão.
Na raiva, à deriva, derivada das promessas negadas, negras as nuvens, o convés e a conversa entre amigos. Os perigos dessa curva e a turva água do rio.
Curió cantando solto, muito tempo não ouço, seu moço. Cadê?
No meio deste sertão, incerto segue o coração.
Coragem, moço coragem
É preciso na viagem
Que não me traz solução.
Tragando todo o sertão
Nos olhos dessa saudade
Brilhando pela cidade,
Trazendo essa ansiedade.
Mas nada mais teria, nem queria nem poderia. Urgia mesmo a mudança de rumo. A criança toma prumo e vira essa curva.
Transfere toda culpa, escapa e de volta revolta e atrapalha a arapuca da sorte. Minha morte não necessita de luz nem lua, de rua ou de obus.
De busca e de persistência, existência sem nexo...
Nas palavras que procuro
Escrevendo pelo muro
Que limita minha vida
Vou tragando essa perdida
Ilusão de te encontrar,
Nas ondas desse teu mar
Sem esperanças, lutar.
Nessa inconstante mutante tempestade, na claridade de um não sei por que, sentindo que morrer, é o melhor caminho. Sozinho, vou passarinho, passaredos e segredos, meus medos e complexos.
No teu sexo meu mergulho, meu orgulho e meus incêndios.
Meus compêndios de anatomia, na orgia desta melodia que procede
De quem nunca cede nem concede, falta me convencer a receber teu não.
Tua gula e tua bula, me engula e me exponha.
Ponha tua boca amada
Na minha tão transtornada
Procurando pela tua,
Ilumina-me, ó lua
Me faça feliz, ao menos
Me dando dos teus venenos
Canto meus amores plenos...
Plenos de meus sentidos, sentindo o final de tudo, inundado e invadido pelo canto mais bonito que pudesse escutar.
O meu amor pulando o muro, absurdo e surdo, nem ouve o não, segreda felicidade e tempera ansiedade na tapera onde se escondeu...

POR PAULA EVILÁSIA - TOME VERGONHA BOB

O próprio Freire reconhece sua condição. Ontem, ao declarar o apoio informal do PPS à candidatura tucana, disse que não sabe “qual a contribuição em termos de voto” poderá dar ao candidato tucano. “Já a credibilidade do PPS, não tenho dúvida, será uma grande colaboração”, disse. E prosseguiu afirmando que “temos mais de 80 anos de história na política brasileira e não estaremos ao lado do governo Lula pela indecência que ele significa. Ele foi uma fraude do ponto de vista da perspectiva de mudança...” Parece que de fraude, Roberto Freire realmente entende, a começar pelo embuste de tentar carregar para o PPS a trajetória do velho PCB, cujos ideais, símbolos e história Roberto Freire e seus comparsas já tinham rasgado e jogado no lixo em 1992.

Não admito em hipótese alguma que esse canalha use o nome do PCB que ele tentou assassinar em 1992.

O passado do partidão, de lutas e de dignidade não pode ser utilizado por um cidadão que, por total falta de caráter e com uma visão programática e ideológica totalmente diversa da legenda fundada pelo grande Luis Carlos Prestes, vomita esta impropriedade.

O final de carreira melancólico desse cidadão, demonstra a que ponto a megalomania e o narcisismo podem chegar.

O PCB não morreu e nem morrerá, já o PPS, aborto mal feito e baseado no delírio deste pseudo moralista e intelectualóide de terceira classe tentou impor à sociedade brasileira.

No começo de minha vida universitária, nutria uma grande atração pelo partidão, tanto que votei em João Saldanha para vice prefeito do Rio, em uma chapa composta com Marcelo Cerqueira.

Falando em João Saldanha, a sua morte é uma sorte para esse freire de batinas largas e expostas agora, para que ACM e o coronelato usufrua à vontade.

O nome do partidão deve ser tratado com respeito e não pode ser execrado na boca de qualquer pulha de terceira classe.

TOME VERGONHA NA CARA SEU PILANTRA!

NÃO FALE EM VÃO O NOME DE UM PARTIDO FEITO DE SANGUE E DE LUTA.

O SEU PARTIDECO TEM 14 ANOS DE PROSTITUIÇÃO POLÍTICA.

A César o que é de César ou o samba do tucano doido.

"PSDB acha que sabe tudo"

diz que o PSDB "acha que sabe tudo"."Parece que o PSDB não leu direito o resultado da eleição de 2004. Retirando SP, ou seja nos 78% restantes do eleitorado, ganhou o PMDB, com alguma folga, em segundo, empatados, PFL e PT, e em quarto lugar, lá atrás, o PSDB. O PFL sempre elege uma bancada federal maior que a do PSDB, pois tem muito mais capilaridade. Mas o PSDB acha que sabe tudo. E não sabe

Elegeu o presidente em 1994 a custa da desistência de Antônio Brito -escolhido pelo presidente Itamar- e do plano real. Em 1998 o populismo cambial -pós-crise asiática- custou à eleição, 60 bilhões de dólares.

E o mais grave: sem interação não há motivação. Sem motivação não há participação. Sem participação não há mobilização e multiplicação.

O texto acima que parece postado por César Maia demonstra que a situação está feia entre os aliados da composição “Unidos Venceremos”.

Desde há muito tempo, o fogo amigo espalha brasa para todo lado, causando mais e mais estragos no Titanic tucano-pefelista.

Temos visto, durante esses dias, uma série de ataques entre os componentes desta coligação.

Volta e meia um ataca o outro, quando o ataque não vem diretamente dentro do próprio partido.

Mesmo o candidato, Geraldo, até a pouco cordato, educado e sem sal; por osmose política, começou a uivar contra todos e contra tudo.

A vítima de agora foi o seu ex-companheiro de partido, Henrique Meirelles:

“O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, elevou mais uma vez o tom de suas críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, e qualificou de "burrice" o pagamento da dívida de US$ 15 bilhões com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Ele também chamou de "covarde" o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por não aumentar o ritmo de queda dos juros básicos do país.

“O Brasil perdeu oportunidade, pois o PT não tem credibilidade. Passou 25 anos dizendo uma coisa e foi obrigado a fazer outra ao chegar ao governo", disse ele, durante entrevista à rádio CBN, reproduzida no site do PSDB.

Para Alckmin, Meirelles foi "covarde" ao não aproveitar um momento favorável da economia internacional para reduzir ainda mais a taxa de juros do país, hoje em 15,25% ao ano.

O ex-governador de São Paulo também criticou o pagamento da dívida do FMI, defendida pelo presidente Lula como uma forma de reduzir a vulnerabilidade externa do país. Alckmin disse que foi "burrice" porque o governo preferiu encerrar uma dívida que pagava juros mais baixos que os pagos pela dívida interna do governo, que remonta a quase R$ 1 trilhão.”

Realmente, juros baixos e liquidação de dívidas são características básicas dos governos tucanos de FHC.

Cara de pau pouca é bobagem.

Essas afirmações vindas de quem participou de um governo que teve juros de mais de 40 por cento e aumentou as dívidas interna e externa até a estratosfera, são uma preciosidade, verdadeiros ícones do cinismo e da hipocrisia.

As aulas tomadas por Alckmin com a turma pefelista estão transformando-o profundamente.

Até o final da campanha teremos um novo Geraldo, isso se não pirar antes.

Afinal de contas, contra-senso em excesso pode levar a tal nível de desequilíbrio que poderemos ter um caso exemplar do “Samba do Tucano Doido”.

Aprendendo a uivar com sotaque de chuchu, está errando o alvo e a mira não é das melhores.

Ao tentar falar sobre taxas de juros baixos demonstra que está ouvindo mais o PSOL do que o PSDB.

Quanto a criticar quem está pagando a conta das orgias e/ou desmandos feitos com dinheiro e/ou patrimônio público, isso não é bom exemplo não, doutor.

O pessoal da Opus não vai gostar disso não, a César o que é de César.

Pagar as contas é dever de qualquer cidadão. Criticar quem paga as contas é mais ou menos conclamar a todo mundo a não pagar seus débitos nem impostos.

Pegando a onda da declaração do Geraldo, sugiro aos contribuintes mineiros e paulistas a não pagar os seus tributos.

“Desobediência fiscal já!”

Conclama o candidato tucano.

Essa declaração sem pé nem cabeça se associa a outras feitas, como aquela que disse que seria necessário punir os 40 “ladrões”, inclusive os companheiros Eduardo Azeredo, Césio Andrade e Roberto Brant.

Aliás, parodiando José Jorge: “Esse Geraldo ou tá bebendo muito ou andou fumando um cigarrinho do capeta...”

Vespa fabricando mel

No meu paraíso miraiense, uma das coisas que mais me incomodavam eram os marimbondos.
Quem foi picado por esse inseto, nunca mais se esquece. Dói, mas dói mesmo.
A dor vinha acompanhada por uma mistura indefectível de álcool com fumo de rolo.
Alivia na hora.
Entre as espécies de marimbondo, no quintal de minha avó havia duas que me recordo bem, uma era o chumbinho. Pequeno e vivendo em colméias grandes, fabricam mel. Realmente produzem um mel de paladar agradável.
A outra espécie era o marimbondo cavalo. Como o próprio nome diz, era grande e sua picada era extremamente dolorida.
Na ida para o quintal, volta e meia eu era atacado por um pequeno enxame de marimbondos chumbinho. Era passar perto da mangueira, esbarrar num galho e lá vinham as vespas atacando, zunindo e picando.
Então era correr para casa e ter o alívio no fumo de rolo e no álcool.
Um belo dia, cansado de tantas picadas, e pelo fato de ser “muito grande” nos meus cinco anos, resolvi acabar com o problema.
Localizando a colméia das vespas e percebendo que, se eu subisse em um caixote de madeira, conseguiria colocá-la a uma altura que me permitiria alcançar o meu objeto de vingança, tomei uma atitude.
Drástica e dolorosa atitude, mas radical.
Com a mão esquerda apoiada no tronco da mangueira, a direita foi em direção a colméia e executou rapidamente o que tinha planejado.
Segurando a pequena colméia na mão, esmaguei-a, entre feliz e irado.
A reação foi imediata; várias vespas me atacaram ao mesmo tempo.
Zunidos e picadas, picadas e zunidos.
Dor muita, mas felicidade também.
Naquele momento aprendi que a liberdade tem seu preço. E passei a ir para o quintal sem a ameaça daqueles insetos.
Um litro de álcool e um bom naco de fumo de rolo livraram a dor do corpo.
As mangas deliciosas que pude colher recompensaram.
Agora, a alma lavada, sem dor, podia correr livre pelo meu reino; o quintal de minha avó.

Sapo na Gaiola. Cuma é o nome dele?

Tem algumas coisas na vida que não nos esquecemos. A infância é uma etapa maravilhosa da vida, onde a malícia é palavra desconhecida.
Quando eu tinha meus cinco ou seis anos de idade, na casa de minha vó, na bucólica Miraí, era uma criança livre, feliz e sem medos.
No rádio e na televisão, tocava-se muito aquela música de Dercy Gonçalves, a da perereca na gaiola, quem não conhece?
Pois bem, havia chovido muito na véspera e a terra extremamente úmida atraíra um daqueles sapos, comuns nos brejos e nas pequenas cidades.
Não tive dúvidas, peguei o batráquio e, me aproveitando de uma gaiola vazia que tinha sido abandonada perto do tanque de roupas, resolvi colocar o bichinho dentro de sua nova casa.
Acredito que ele não tenha gostado muito daquela residência que eu tinha reservado para poder aprisioná-lo.
Sapo na gaiola, gaiola na mão, sai feliz da vida a mostrar para todo mundo meu novo bichinho de estimação.
Minha mãe colocou as mãos sobre a cabeça, minha vó recriminando minha escolha, mas eu estava feliz e isso me bastava.
Meu pai tinha saído para pescar e não se encontrava em casa no momento em que fiz a estranha opção.
Durante o dia todo, fiquei tentando adivinhar de que se alimentaria o anfíbio.
Tentei pegar folhas e nada, tentei colocar um pedaço de carne, neca de pitibiriba.
O pobre animal estava assustadíssimo, pulando toda hora e batendo de encontro a grade da gaiola, inutilmente tentando fugir.
Quando meu pai retornou da pescaria, ao contrário da bronca que eu esperava, teve uma reação diferente.
Sorrindo, me perguntou qual seria o nome do bicho.
Eu não tinha imaginado ainda, parei e pensei, repensei até que ele me deu a sugestão:
“Xoxota”.
Prontamente aceitei o nome, e o eu sapo recém batizado, continuou, mesmo deixando de ser pagão, não gostando da brincadeira.
Mas, para mim aquilo era o êxtase.
Saí pelas ruas de Miraí mostrando a todo mundo o meu sapo Xoxota.
Para todos que passavam, eu perguntava se conhecia o meu Xoxota.
Minha irmã, dona da gaiola, invejando tal sucesso do bichinho resolveu intervir.
“Se a gaiola é minha, quem mora nela também, portanto, Xoxota também!”
Ao ver que o troço ia feder gaiola, Xoxota e a confusão armada, meu pai interveio:
“A partir de agora, para evitar a confusão, vou soltar Xoxota”.
Xoxota livre saiu pulando em direção ao quintal, feliz da vida...

De graça, até caipirinha do Carlos Alberto.

Espera Feliz tem uma das mais animadas feiras agropecuárias da região.

Todos os anos, grande parte da população da cidade e dos municípios vizinho se reúnem para assistir a shows musicais; as crianças se animam para irem ao Parque de Diversões. Há corridas de motocross, etc.

Como o frio impera no julho caparonense, com os termômetros tendendo a zero grau de temperatura, há a venda de bebidas para aquecer esta friagem.

Carlos Alberto, sabendo disso, resolveu ganhar uns trocados com a venda de sua caipirinha, famosa entre os amigos.

Fez quase um galão da bebida e foi vender na festa.

Sem perceber, colocou sua barraca próximo a um camarada que vendia pinga com mel. Este era um antigo barraqueiro que todos os anos ia até a pequena cidade para “fazer a festa”.

Com o começo da festa, nosso amigo Carlos Alberto iniciou a venda de sua caipirinha.

“Caipirinha a um real, somente um real...”.

Ao que o vendedor de pinga com mel reagiu: “Pinga com mel a setenta e cinco centavos”.

Logo depois, a reação de Beto foi cruel: “Caipirinha a cinqüenta centavos...”.

O frio aumentando, Beto vendendo uma bebendo outra, esquentando o frio e ficando tonto. Cada vez mais quente e mais tonto.

Nessas alturas do campeonato, percebendo que não poderia concorrer com Beto, o barraqueiro já estava se retirando.

Quando, Beto percebeu isso, foi inexorável:

“Caipirinha de graça, só pra terminar o estoque, vamos nessa...!”

Obviamente, acabou tudo em pouco tempo. Beto, mais bêbado que tudo, foi para o meio da festa e ficou até de madrugada.

Dia seguinte, plantão no Hospital, Beto meio de ressaca, chegou para trabalhar.

De repente, começaram a aparecer vários pacientes com uma queixa comum: diarréia e vômitos.

Havia algo de podre no reino da Dinamarca. Nessas alturas, Beto se escondeu na Sala de Raios-X, sob o pretexto de que estava cansado...

Sebastião, outro funcionário, deu a resposta para o mistério.

“Beto, sua caipirinha estava até gostosa, mas não entendi aquele cheiro estranho e também não estou entendendo essa dor de barriga que está dando em todo mundo, inclusive em mim.”

Beto, na maior cara de pau esclareceu com um sorriso meio maroto:

“O problema não foi da caipirinha não, o que aconteceu foi que, depois de ter feito a mistura toda, é que eu reparei que tinha feito numa lata de querosene, dessas de cinco litros, que estava no quintal lá de casa”.

O primeiro a dar uns tapas no pé da orelha de Beto foi Sebastião.

Ainda bem que a maior parte dos que tiveram a diarréia não se lembraram da caipirinha dada por “cortesia” pelo nosso amigo...

Foi a estréia e despedida de Carlos Alberto na promissora vida de barraqueiro; para agradecimento de todos, inclusive o meu. Plantão como aquele eu não esperava ter tão cedo.

Segunda-feira, Junho 19, 2006

De Comendas e Comendadores

Naquela pequena cidade do interior, a cada ano se escolhiam, entre as personalidades do município, as que mais se destacavam.
Eram condecoradas com a comenda Dr. Nauseabundo Souza.
Esse fora um grande fazendeiro da região que trouxera a riqueza para o município, sendo um dos primeiros colonizadores do povoado que crescera às margens do Rio Sapo Cururu.
Ao iniciar esta colonização, habitavam índios da tribo puri e o Coronel Souza, com a ajuda de muitos jagunços, exterminaram esses primeiros habitantes da região.
Com a grilagem das terras e a exploração de pequenas quantidades de ouro que havia, pouco a pouco foram chegando outros aventureiros e com eles o gado e o café.
O desmatamento daquela área de Mata Atlântica fora total, não sobrando mais nada.
Ultimamente, o eucalipto começara a tomar o lugar dos pastos. Já o café, se limitara a pequenas propriedades, onde empregava a mão de obra sazonal costumeira.
Devemos nos recordar que, após o distrito ter-se tornado município, o crescimento e desenvolvimento estava a cada dia maior, o que atraía gente de todos os lugares.
No meio desse povo que migrara para lá, tínhamos um pequeno agricultor, de nome José, oriundo de Espera Feliz, cidade mais ou menos distante dali.
A riqueza traz todo tipo de gente, desde trabalhadores até aventureiros.
Dentre esses aventureiros, veio um grupo de paupérrimos moradores da periferia do Rio de Janeiro.
A chegada destes, trouxe para a população mais conservadora, o medo de que fossem bandidos ou traficantes, num infeliz preconceito que ainda habita as sociedades mais arcaicas e atrasadas do interior do Brasil.
Peterson era um dos homens mais violentos daquela cidade. Tinha, há muito, um programa numa estação de rádio local, cujo mote era “Bandido bom é bandido sepultado”.
Muito popular entre as camadas mais simples do local, este programa garantia ao radialista, a reeleição eterna à Câmara Municipal.
Não somente a ele, mas também à sua filha, Claudia, que seguia os passos do pai na política e no “jornalismo”.
Com o passar dos meses, os cariocas começaram a aparecer mortos, a cada mês aparecia um novo cadáver abandonado próximo aos bairros mais distantes da cidade.
Curiosamente, todos eles tinham uma marca estranha feita a canivete nas costas, uma caveira e duas tíbias cruzadas, à moda dos piratas.
A cada assassinato, Peterson, em seu programa de rádio, louvava a morte de mais um bandido, agradecendo ao executor misterioso, o favor de ter livrado a sociedade local de um facínora. Acrescentando à notícia, um monte de crimes imputados ao defunto.
Um grupo de estudantes que tinha ido estudar em Juiz de Fora, começou a perceber que essas coisas estavam se tornando repetitivas e fundaram uma associação de defesa dos direitos do cidadão.
Obviamente, Peterson começou a atacar esta associação, chamando seus membros de “defensores de bandidos”, de “turma de maconheiros sem vergonha”, etc.
Neste meio termo; José conheceu sua esposa, Maria. Começaram a namorar e, em pouco tempo se casaram.
Do casamento vieram três meninos, “as esperanças de José”, conforme dizia para todos os que conhecia.
Numa tarde do mês de maio, houve um incêndio na rua onde morava Jose.
Heroicamente, sem ter medo do que poderia acontecer e, na ausência de um Corpo de Bombeiros, José se meteu no meio do fogo e salvou uma criança recém nascida que dormia no berço, próximo à cama de sua desesperada mãe que assistiu a salvação emocionada.
Tal fato espalhou-se pela região, sendo noticiado até na televisão, num canal de Belo Horizonte, sendo José transformado, rapidamente, em herói.
José era muito bem relacionado e tinha, entre seus amigos, o Carioca.
Carioca era muito brincalhão, sujeito bom e honesto. Amigo do peito de José. Várias vezes tinha emprestado dinheiro, na época das vacas magras. Era pau pra toda obra.
Um dia, Carioca saiu para trabalhar e se despediu de José, carinhosamente.
Foi a última vez que Jose o viu vivo.
O corpo, encontrado na beira da estrada, crivado de balas e com aquela marca já descrita, feita a canivete nas costas do amigo.
No rádio, Peterson disse o que sempre dizia, que Carioca era um criminoso procurado pela polícia do Rio, envolvido com tráfico, essas coisas...
Essa notícia revoltou sobremaneira nosso amigo que, indignado disse a si mesmo e à esposa que nunca mais iria assistir àquele mentiroso, já que conhecia muito bem seu amigo e sabia-o incapaz de ter feito alguma coisa errada.
No final do ano, à época da escolha das personalidades do município, José foi lembrado pelo vereador do bairro onde morava.
Festejou muito; um humilde lavrador ser homenageado pela Câmara dos Vereadores!
Isso era motivo de comemoração e muito orgulho. Com toda a alegria do mundo, comunicou à esposa que se arrumasse para que no final do mês, na festa da cidade, fosse com ele receber a Comenda Dr. Nauseabundo Souza.
Comendador! Poderia agora, voltar a Espera Feliz com a cabeça erguida, ostentando no peito a comenda de que tanto se orgulharia.
Mas, por um desses acasos da vida, ao ir para o trabalho deparou com uma cena que chamou sua atenção.
Um homem enorme, com quase duzentos quilos, estava na beira do rio, pescando.
Até aí nada demais, mas ao se aproximar do cidadão, empalideceu.
Nas costas desnudas do pescador, deparou com aquela marca que vira desenhada a canivete nas costas do seu amigo Carioca.
A marca tatuada não deixava enganar. Era mesmo aquela.
O susto se tornou maior quando reconheceu Peterson, o radialista.
Era então isso, aquele homem estava ligado à morte de seu amigo.
Afastou-se calado e foi para o trabalho.
Passaram-se alguns dias, até que chegou o ansiado dia da condecoração.
Arrumou-se, se perfumou, vestiu sua mais bonita vestimenta e foi à Câmara receber sua comenda.
Para surpresa sua, entre os condecorados estava Peterson, que teve seu nome indicado pela filha.
A surpresa se transformou em ódio. E esse dominou todo o seu rosto empalidecendo-o.
Começou a tremer e, quase sem ouvir seu nome, levantou-se.
Ao ver Peterson com a comenda no peito, não se conteve.
Mal pegou a sua comenda, cuspiu sobre a mesma e atirou-a na cara do radialista, gritando:
“Essa é em homenagem ao Carioca, Comendador, aquele bandido que foi assassinado no mês passado, esse mesmo, aquele traficante que vocês anunciaram no seu programa de rádio. Vocês merecem essa comenda, vocês todos. Bandido bom é aquele que carrega essa homenagem no peito, vocês merecem!”
Para susto de todos, retirou-se, mas antes de sair, cuspiu no chão daquela digna “Casa do Povo”. Nunca mais ninguém teve notícias dele.
O corpo encontrado no dia seguinte nas proximidades da cidade, tinha o rosto deformado por ácido.
A marca da caveira e das tíbias estava feita nas costas.
Mas, desta vez, o radialista nada comentou...

Domingo, Junho 18, 2006

Redondilhas

Quando o brilho dessa lua
Clareia todo sertão
A verdade surge nua
Em forma de assombração.
Correndo pelas estradas
Acompanhando o luar
No meio das madrugadas
Num grito de apavorar,
Ao longe se ouve distante
O latido doloroso
Esse ladrar inconstante
Assustando, pavoroso
Quem cruzasse no caminho
Quem tentasse andar sozinho
Pelas trilhas dessa terra,
Travando sempre essa guerra,
Entre vivente e defunto
Nessa luta, tudo junto
Se confunde na batalha,
Mesmo que você atalha
Por outro rumo ou estrada
Não adiantará de nada
Você não pode escapar.
Se não vier lobisomem
Outro poderá chegar
Meio bicho meio homem.
Nessa mata sem ninguém
Mula sem cabeça vem
Procurando devorar
A quem puder encontrar.
Mas, me contam e acredito
No meio de tanto maldito
Outra coisa perigosa
É gente cheia de prosa,
No meio desses fordunços
Trabalha prá coronel
Sem pena, manda pro céu.
Essa turma de jagunços.
O povo do meu sertão
Vive toda ameaçada
Bastar dizer um só não
Ou então precisa nada.
Na ponta de uma peixeira
Ou na mira de um fuzil,
De sangue, mancham a bandeira
Envergonham o Brasil.

Sugestão sobre a campanha de Alckmin

Alckmin é vaiado em festa e questiona caráter do presidente da Agência Folha, em AmericanaO candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, foi vaiado na noite de sexta-feira durante discurso na 20ª Festa do Peão de Americana (128 km à noroeste da capital). Depois, em entrevista, questionou o caráter do presidente Lula e insinuou que ele seria o "chefe de uma quadrilha de 40 ladrões". "Sobre caráter, eu acho difícil que o presidente Lula possa discorrer sobre esse tema. Porque o procurador da República disse que, entre ministros, assessores diretos e nos altos escalões, havia uma quadrilha de 40 ladrões, e a população pergunta quem é o chefe dessa quadrilha. É isso que ele precisa responder", disse. Alckmin chegou à festa do peão, em Americana, por volta das 21h. Conversou com os organizadores e, por eles, foi levado à arena (que comporta cerca de 5.000 pessoas), acompanhado de políticos locais. Após as lideranças locais discursarem, foi a vez do candidato tucano falar. Nesse momento, começaram as vaias generalizadas. Alckmin discursou por cerca de um minuto, falando sobre a importância do evento, que, segundo a organização, reuniu cerca de 30 mil pessoas. Depois, passeou pela festa, cumprimentou pessoas e tirou dezenas de fotos.


Não consigo entender até que ponto a equipe responsável pela campanha de Alckmin ainda não entendeu o recado dado pela população.
Essa história de agressão verbal não cola e, pior, demonstra o desespero de quem não conseguiu decolar a candidatura.
Se durante mais de um ano não se lia ou ouvia outra coisa que não fosse o ataque pessoal ao Presidente da República, indo até a tentativa de impedimento do mesmo e isso não surtiu efeito, agora então...
Persistir nesse tema é, além de estrategicamente errado, pode dar a dimensão catastrófica do desespero.
Em linguagem futebolística, quando o time está irremediavelmente derrotado, começa a dar pontapés a torto e a direito. Essa imagem me vem a cada ataque, os mesmos ataques, sob os mesmos argumentos.
A tática de campanha se for nesse tom, vai se tornar além de chata, extremamente inócua, podendo agir com um efeito bumerangue devastador.
Se os candidatos a Governador embarcarem nessa, e duvido que façam, podem receber estilhaços desta lambança toda.
Lula conseguiu escapar ileso de toda esta crise, isso é ponto passivo. O fato dos números de aprovação de seu governo retornarem aos tempos pré-mensalão dão a exata dimensão disto.
Nas campanhas anteriores, houve aspectos inerentes a cada uma delas.
Contra Collor, a armação criminosa envolvendo Mirian Cordeiro, comprovadamente paga para mentir e criar uma imagem falsa sobre Lula, decidiu a eleição.
Na segunda campanha, contra FHC, o Plano Real modificou tudo.
Agora, com o poder na mão, muito dificilmente Lula deixará de se reeleger.
Mas, há uma chance para a oposição.
Sugiro que os articuladores da campanha de Alckmin convençam FHC de apoiar Lula. Isso poderá ter um efeito tsunami na candidatura do Presidente.
Esse apoio nefasto retiraria de Lula pelo menos vinte por cento dos votos.
Se vier acompanhado do apoio de alguns menos votados, quem sabe do próprio Alckmin, não sobrará pedra sobre pedra.

Cachucha e Zeca Pistola

Fifa faz holandeses assistirem jogo sem calças

A Fifa, a entidade que controla o futebol mundial, explicou neste sábado porque quase mil torcedores holandeses foram obrigados pela entidade a assistirem uma partida da Copa do Mundo sem calças.


Os torcedores chegaram para o jogo contra a Costa do Marfim, na sexta-feira, usando suas tradicionais calças laranja-claro, mas com o logotipo e o nome de uma cervejaria holandesa.

Como a Fifa já havia advertido que não permitiria nenhuma "campanha publicitária não autorizada", forçou os torcedores a deixar as calças na porta do estádio, para proteger os interesses da cervejaria que patrocina a Copa. Caso contrário não seria liberada a entrada desses torcedores. Eles então tiraram suas calças e acompanharam toda a partida usando apenas cuecas.

Quinze grandes companhias pagaram até US$ 50 milhões cada uma pelo direito de ser um dos patrocinadores oficiais da Copa do Mundo.

A empresa americana Anheuser Busch, fabricante da cerveja Budweiser, pagou pelo direito exclusivo de promover e vender sua bebida nos estádios e em outros locais oficiais da Copa. A concessão de uma das cotas de patrocínio a uma cervejaria americana provocou um forte ressentimento na Alemanha, um país que se orgulha pela qualidade de sua cerveja e que tem leis rígidas para controlar sua composição.



Esse fato me faz recordar um dos mais comentados episódios da história do futebol santamartense.
Jogo final do campeonato municipal entre Santa Martha e São José do Caparaó.
Jogo difícil, o time de São José contava com alguns dos maiores craques da região, importados a peso de ouro pelo mecenas do time.
Entre eles o mais temido era Cachucha. Centro avante de fama até fora do estado, tendo tido uma passagem profissional pelo Ipiranga de Manhuaçu.
Reserva, é claro, mas profissional.
Tínhamos o conhecido João Polino, ex-técnico do Santa Martha, como Conselheiro do time.
Bom conselheiro de conselhos tortos para momentos difíceis.
Ao perceber que seria muito difícil vencer a partida, João Polino resolveu montar uma armadilha para o ataque da equipe adversária.
João armou o seguinte esquema defensivo para tentar salvar a equipe:
Havia uma jovem não muito bonita, mas com pernas muito bem torneadas e coxas fantasticamente roliças, muito conhecida como namoradeira lá pras bandas de Santa Martha, estendendo sua fama até aos municípios próximos.
Por causa daquelas coxas, muitos cabras já tinham trocado tapas, pescoções e até tiros.
Conta-se que algumas cicatrizes escancaradas nos rostos de alguns cidadãos daquelas bandas, tinham a assinatura das coxas de Malú, apelido da jovem senhorita.
Pois bem, João posicionou estrategicamente a moçoila por trás do gol do time de Santa Martha; com uma minissaia exuberantemente curta.
Segundo a determinação do conselheiro Polino, a cada ataque do adversário, principalmente se Cachucha estivesse com a bola, Malú, simplesmente abria um pouco as pernas e, com a visão paradisíaca, o resultado seria óbvio.
Encerrado o primeiro tempo, o resultado de tal estratégia não surtira nenhum efeito, o jogo já estava quatro a zero para São José e com todos os gols feitos por Cachucha.
Terminado o jogo, e o placar de sete a dois para o time visitante, João resolveu tirar a história a limpo.
Ao entrar no vestiário do time adversário, com a desculpa de parabenizar a outra equipe pela vitória, obteve a resposta esperada.
Ao flagrar Cachucha semi-nu, entre beijos e abraços, agarrado no pescoço do beque central do time, Zeca Pistola, percebeu o motivo delicado do apelido do centro avante.
O pior de tudo foi, segundo João Polino, o espanto causado pela justificativa do apelido do zagueiro...

Decomposição.

Havia, na pequena Santa Martha de João Polino, uma velha senhora que, mais por vício do que por necessidade, mendigava pelas estreitas ruas de terra do distrito.
Já sexagenária, tinha a mania de dar cantadas em todos os jovens que encontrasse pelo caminho e, por incrível que pareça, muitas vezes obtinha sucesso em tais investidas.
Volta e meia era encontrada nos matos e quintais das casas, semi-nua e adormecida. Com aquele sorriso de quem obtivera muito prazer nas noites geladas do lugarejo.
Quando não obtinha êxito, era comum encontrá-la no celeiro de um sitiante qualquer, muitas vezes embriagada.
Tal mulher colecionava na embaraçada cabeleira vários tipos e espécies de parasitas. Muitas vezes os bernes se desenvolviam e completavam as etapas evolutivas do espécime, até voarem para nova reprodução, provavelmente encontrando ali, novo campo para o desenvolvimento, do ovo à mosca adulta.
Quando falo que não tinha necessidade de mendigar, me remeto ao fato da mesma ter aposentadoria e casa própria.
Essa casa era raramente usada pela velha senhora, se tornando mais um depósito de seus garimpos pelas vielas do local, onde catava tudo quanto se pode imaginar e seqüestrava , transformando restos de latas, vidros, sofás destruídos, pedaços de pano rotos, garrafas de vidro ou plásticas; tudo, enfim, em preciosidades guardadas dentro da casa.
O mau cheiro denunciava a decomposição dos guardados orgânicos, como os restos de comida que se acumulavam num cômodo especialmente separado para isso.
Um dia, mais revoltados que penalizados, alguns vizinhos, cansados de denunciarem à saúde pública o estado em que se encontrava tal pardieiro, resolveram agir.
A ação foi de uma violência ímpar. Invadiram a casa da pobre demente e começaram a arrastar tudo o que encontravam pela frente.
Na sala, vários “monumentos” feitos com pedaços de diversos materiais demonstravam a todos a que ponto a loucura chegara.
Várias esculturas de formas lembrando vagamente crianças estavam espalhadas entre restos de madeira, de lata e de vidros jogados pelos quatro cantos.
Ao simples toque as esculturas se desfizeram, revelando a fragilidade com que foram feitas; sem nenhum material que aderisse os diversos “tijolos”.
Porém, ao entrarem no quarto onde, teoricamente, dormiria a pobre senhora, tiveram uma surpresa.
Pelo quarto, espalhados, vários esqueletos de crianças de, no máximo um ano de idade, em diversas posições, sentados, deitados, em pé, estavam espalhados pelo cômodo, e os alimentos decompostos servidos em pratos, como se fossem para alimentar aos pequenos infantes.
E, deitado no chão, um cachorro morto, em estado de decomposição avançado, observava os pequenos cadáveres famintos...

As aventuras de Gilberto na cidade Grande 3 - conosco

Gilberto, muito simpático e simplório, fora visitar um primo de sua mãe na cidade de Niterói em sua primeira passagem pela cidade Maravilhosa.
Esse primo era uma pessoa muito culta, contador aposentado que tinha na leitura seu maior hobby. Fora muito respeitado como contador em Icaraí, nos bons tempos da juventude.
Escrevera um livro de poemas, poesia clássica com sonetos em alexandrinos e decassílabos heróicos e sáficos.
Fazia questão de falar um português perfeito, tomando cuidado com os acentos e vírgulas, bem pausadas em cada intervenção que fizesse.
Após os bom dias e como vai de praxe; Gilberto com a timidez inicial estava se sentindo como um peixe fora d’água perante tantos rapapés e delicadezas do primo.
A casa, com seus bustos em miniaturas espalhados pela mesa de centro, com seus quadros expostos na parede e sua biblioteca ostentada como a mostrar que naquela casa morava um erudito, inibia mais ainda nosso herói.
Mas, dentro daquela puerilidade típica dos simples, Gilberto foi se soltando pouco a pouco.
Já estava mais à vontade, dando notícias da família, que mamãe estava bem, que os meus irmãos estavam fortes, que os pés de quiabo do seu João estavam produzindo muito, que a Ritinha estava estudando, aquelas coisas de família...
Seu primo, educadamente solicitou à esposa para que preparasse uma mesa com quitutes para que fizessem um lanche rápido, conhecedor da fama de bom prato do nosso amigo.
Este, querendo demonstrar educação, prometera a si mesmo ser menos pródigo nas refeições, aconselhado que fora sobre o fato de que, na cidade grande, ao contrário do que ocorre nas pequenas cidades, o fato de se repetir à exaustão os pratos não significava exemplo de boas maneiras.
No interior, se você não repetir a refeição a dona da casa pode se sentir ofendida, acreditando que a comida não tenha sido do agrado do visitante. Se você quiser agradar, repita, pelo menos uma vez. Isso demonstrará a todos o quanto você gostou da comida.
Pois bem, quando o erudito senhor chamou-o, Betinho causou surpresa a todos que observavam a cena.
“Gilberto, você quer tomar um café e comer conosco?”
A resposta veio rápida e esclarecedora:
“Primo, o café até que eu não quero não, mas um conosquinho cairia bem agora!”

soneto em redondilha

Na fumaça do cigarro
Subindo nas espirais
Em cada trago me agarro
Neles todos tu te vais

Quando dirijo meu carro
Pelas ruas caço um cais.
Onde quer que me amarro,
Procuro, mas não estás.

Tanto tempo nesta busca
Sigo, sem ter resultado.
A noite tanto me ofusca;

Procurando todo lado
Nessa vida tão patusca,
Coração desesperado...

soneto em redondilha

Tateio na noite vaga
Procurando por você
Eu me lembro vida amarga,
Quanto doeu lhe perder.

Minha voz, então se embarga,
Fico a perguntar por quê
Cravando no peito a adaga
A vontade de morrer...

Amanhã, pouco me importa.
Se virá e o que me traz,
Destino fechando a porta

Tudo ficando pra trás
Minha vida segue torta
Anda morta a minha paz...

Sábado, Junho 17, 2006

Eleição no Reino Animal

Havia eleição no reino animal. De um lado tínhamos o grupo marinho e do outro o grupo terrestre.
No grupo terrestre, a situação estava muito complicada, com brigas entre os representantes de cada um dos participantes da tríplice aliança.
Os “Trogloditas”, grupo agressivo e acostumados a atacar quem quer que seja, se acreditando sempre protegidos pelos Gorilas que comandavam o reino, num passado cada vez mais distante, tinham como características o agredir sempre, a tudo e a todos.
Estavam acostumados a explorar o trabalho dos animais mais indefesos. E, como bons hematófagos, viviam do sangue desses pequenos e frágeis animais.
Por outro lado, contumazes subservientes aos Gorilas, viviam se arrastando perante esses antigos comandantes do reino.
Mas, com a saída desses do poder, os Trogloditas começaram a ver a situação se modificando.
Os pequenos animais, começaram a perceber que serviam de alimento para esses Poderosos, e as migalhas que eram entregues não eram nada mais que “iscas” usadas pra que os Hematófagos Trogloditas sugassem quase todo o sangue, deixando o bastante para que sobrevivessem e realimentassem a cadeia alimentar.
Nesse ecossistema viveram por mais de quarenta anos. Mas isso se tornava cada vez mais coisa do passado...
Um outro grupo, os dos Miméticos, também conhecidos como camaleões, tinham como característica principal, o de utilizar-se da cor que mais aprouvesse.
No varejo eram menos deletérios que os Trogloditas, mas no atacado eram terríveis. Venderam quase tudo que havia no reino, em nome de uma estranha “economia” que não era nada mais nada menos que um auto reconhecimento da incapacidade de administrar.
Os Miméticos começaram a aparecer de uma cor mais avermelhada mas, com a aproximação histórica com os Trogloditas, começaram a ter cada vez mais a cara destes...
O terceiro e menor grupo era formado por um grupo de migrantes do reino marinho, verdadeiros anfíbios. Começaram na água e se entregaram de braços abertos ao reino terrestre.
Esse grupo merece um comentário: No começo eram ferrenhos e radicais defensores dos pequenos animais entregues à fúria dos Trogloditas. Mas, agora estavam submissos a esses.
As táticas utilizadas para tentar desestabilizar o grupo marinho eram as mais diversas. Tentaram, desde o começo, usar a maneira Troglodita de atacar, usando as maiores desculpas para atacar.
Desde ilações as mais diversas até fofocas de caráter pessoal.
Para tentarem alcançar o maior número de votos, lançaram um vegetal como candidato, oriundo do grupo dos Miméticos, obviamente.
Péssima escolha, o vegetal fazia questão de ser insosso, e o número de herbívoros que poderia engolir tal coisa era bem menor do que se imaginava.
Além de tudo, os animais do reino estavam cansados de ficar pastando.
Numa última tentativa, os Miméticos acataram o que os Trogloditas sugeriram.
Partiram para a agressão pessoal, de ofensas de baixíssimo nível, a esmo.
Chamaram o líder marinho de alcoólatra, ladrão, vagabundo, analfabeto...
Só não tentaram envolver, novamente, a filha do mesmo, embora quisessem atacar o filho desta vez; porque os Trogloditas já tinham usado isso.
Mas, como tal tática foi desmascarada há tempos, evitaram reinventar tal fato.
Neste reino, havia um sábio.
Este sábio, como bom observador, ria-se de toda esta história.
Sabia muito bem que nada adiantaria.
Pelo simples fato do POLVO pertencer ao Reino Marinho...

Anarquistas, Graças a Deus

Recordo-me, no final dos anos 80, quando morava no Rio de Janeiro e havia a efervescência política no país, de um jornal que começava a circular.
Como leitor do Pasquim e sentindo uma atração por todos os jornais e revistas de humor que pululavam na época, este me chamou a atenção.
O nome do jornal (Planeta Diário) com manchetes bem chamativas e de duplo sentido, me atraiu de imediato.
Era um humor diferente, político, mas de uma forma original, anárquico.
Enquanto o Pasquim demonstrava uma atuação política mais orientada, com franca discussão e reportagens mais engajadas, esse jornal era totalmente irreverente, apresentando coisas como “Histórias de Fodas e da varinha de Condom”.
Essa anarquia era hilária, não poupando nem governo nem oposição.
Entre os editores do jornal, um me chamava a atenção, principalmente pelo nome, usado em uma piada clássica, Bussunda.
Pouco tempo depois, encontrei na mesma banca uma revista : A Casseta Popular.
Uma das capas desta revista foi épica. Um homem com a bunda exposta e com a cara do Collor – O CAÇADOR DE MARACUJÁS.
Durante a campanha eleitoral, enquanto havia a guerra entre a grande imprensa e os jornais de esquerda, A casseta popular e o Planeta Diário apresentavam uma alternativa a essa tensão.
Passada a eleição, tivemos depois o lançamento do “Macaco Tião” à prefeitura do Rio, idéia dos mesmos anarquistas.
Depois, na Globo, apesar das limitações impostas pelo “Sistema” Globo de “qualidade”, ou seja, censura, no “Casseta e Planeta”, nome alusivo ao início dos anárquicos humoristas, continuaram a dar uma bela opção ao humor tradicional.
Houve na época, uma resistência gigantesca a esse tipo de humor, me lembro de que Chico Anísio criticava muito o anárquico representado pela turma.
Lembro-me de ter atendido, num Hospital onde trabalhava num bairro de classe média carioca, um tal Cláudio Basserman, com asma brônquica. Quando o vi, logo reconheci no Basserman, o Bussunda que começava a aparecer na televisão.
O bom humor sempre acompanhando quem fazia do trabalho uma grande brincadeira, com direito aos “jacaré no seco anda”, “em caminho de paca, tatu caminha dentro”, entre outras coisas que habitavam e habitam o humor popular do país.
A morte prematura de Cláudio nos faz pensar neste país mal humorado, onde as velhas brincadeiras foram trocadas por agressões, onde o humor carioca foi substituído pelas guerras de quadrilhas de traficantes.
Onde as piadas que corriam entre os adversários políticos foram trocadas por ofensas pessoais.
Onde o convívio entre as diferenças se torna, a cada dia, mais difícil e sectária.
Essa morte, por enfarte, nos faz pensar até que ponto vale a pena o desgaste das relações inter-humanas.
A boa política da vizinhança, com direito a “implicâncias” e “gozações” está sendo trocada por agressões verbais sem sentido.
Se quisermos homenagear Bussunda e seus pares, precisamos fazer uma auto análise e vermos a que ponto poderemos ir com as trocas de ofensas, pura e simplesmente.
O Brasil está descambando para uma difícil política, a das agressões e da baixaria.
No âmbito político, tenho saudades de Brizola com sua irreverência, o “Sapo Barbudo” ou o “Filhote da ditadura” foi trocado por “Bêbado, Analfabeto, Ladrão”...
O riso está se transformando em ofensa e mágoa.
Tá na hora de pararmos e pensarmos até que ponto vale a pena isso tudo.
A velha sacanagem de chamar flamenguista de “urubu” e vascaíno de “bacalhau” corre o risco de enveredar para a loucura e a criminalidade dos “grupos” armados das torcidas organizadas paulistas.
É hora de mudarmos o tom, sob o risco de não termos nada a comemorar com a política nacional e com a democracia.
Que a anarquia, linda anarquia, deliciosa anarquia, se limite aos programas humorísticos...

Sexta-feira, Junho 16, 2006

À Juventude...

Na eternidade desse momento, onde invento novo tempo que não sei se habitarei. Nos versos vermelhos verdadeiros, verdes, verifico as vertentes que tentam minha alma, a calma que não acalma nem conclama.
A chama que esfumaça, me embaça e embaraça no abraço onde tento e me contento, conter todo o universo.
Vou de banda, vou inverso, contra tempo, contra peso sem contra ataque.
Sou perdido estou perdão.
Tento o ido, encontro o vão.
Vou vago, cego sigo, gago engulo a gula e me engano.
Tenho traquejo pra sofrimento, queijo podre, invejo o coldre e o revólver.
Revolver cada momento, onde minto e me omito; portanto consinto.
E sinto o amargo gosto torpe. Fui facínora quando ignorava o aval de cada vala aberta e infecta.
Fui cruel, tendo o céu e o senão, tendo o sim e o talvez. Minha vez de ter voz foi passado. Ultra passado, ultrapassando todos os meus passos, passeios em seios e belas pernas. Apenas as penas de tantas santas e putas.
Prostrado no estrado dessa cama, que chama e inflama, queima e mata.
Calado nesse mesmo tormento, meu manto e meu mento, mormaço e aço, sofreguidão.
No guidão dessa engrenagem que caio e caiado fico, calado sigo, submisso.
Amei-te, liberdade, foste minha cidade e meu mundo. Hoje imundo, inundado e abismado, sinto o absinto que pressinto e necessito.
No abuso do uso confuso de cafuso beijo. No desejo desta pele, que me compele e me repele.
No sentido levrógeno, no medo do amor, na gênese do átomo, no hiato no iate, na parte que nunca me coube, onde soube que estarias.
Nas estrias da alma malsã, nas colinas distantes as mesmas salinas de antes, as mesmas lágrimas salgadas, as algas, as águas, o nada...
Tua boca, rouca voz. Tua louca, franca mente. Aérea, etérea, venerada e venérea.
Mercúrio sem alas, Atena sem nexo, Vênus sem sexo, complexos amores...
Querida, a ferida fertiliza os sonhos. Meus medos são medonhos, teus olhos, meus guias. Maravilhas e partos. Compotas e portas abertas, as mesmas a esmo, o sentido sem tino, sem tato, sem tanto, entretanto sobrevivo.
Meus filhos perdidos nos trilhos da vida. A mão delicada da mãe que, distante. O instante somente onde tudo cometo, onde nada prometo, me meto no espaço.
Professo esperança, dança e circulo vago.
Círculos vagos ao âmago amargo e amigo, onde prossigo, sem nada mais pra lutar.
Trago a morte e a sorte amarradas, atadas e nada me faz descansar.
Quero o inverno da vida, quem sabe verá primavera. Primeira e única verdade. A vera cruz, a luz de Vera, verão os meus olhos...
Deveras deverá o verão solar, o sol o ar, o solar onde moravas, amada primária, primeira e eterna. É terna a mão, armas mansas, nos remansos onde dançavas nua.
Amada juventude, onde, qual a amplitude de tudo o que trazias e, hoje não trazes. As fases da lua, tantas vezes vistas, as luzes e frases, as visitas ao amanhã, prometidas e esquecidas, ocultadas pelos fios prateados e raros, de meus ralos cabelos. Novelos onde se perderam os veios de onde veio e vieram os meus dias de luz. Lucidez chegou e com ela a morte.
A sorte está lançada na lança armada do tempo. Veneno e alimento.
Amada juventude, onde estás, que há de... Tende piedade, de mim...

Frorianópolis

Ele estava tranqüilo, o serviço fora muito bem feito.
Serviço profissional, desde o roubo do carro até as falsificações dos documentos. Não era a primeira vez que passava por isso, afinal, vivia disso.
O comprador do carro já esperava, especialista em recepção. Dali ao Paraguai era um pulo. Passar a fronteira, moleza...
Já contava com o dinheiro no bolso, grana alta. O carro importado tinha venda certa.
Recordava do começo de sua vida, os pequenos furtos, os pequenos golpes...
Olhava para os lados e se sentia imbatível. Era fera, cobra criada...
Passara por duas guaritas da Polícia Federal, sem nenhum incômodo.
Atravessar a fronteira entre Santa Catarina e Paraná foi moleza.
Agora era ir até Foz, atravessar a fronteira e serviço terminado.
Mais um dia, mais um carro; rotina...
Mas um carrão daquele valia um passeio, afinal o tanque estava cheio e deu vontade de visitar a tia que morava em Maringá.
Aquela sua priminha era deliciosa. Lourinha dos olhos esverdeados, verdes da cor do carrão.
Ainda podia tirar uma onda com os parentes. O menino pobre ficou rico!
E poderia zoar o primo babaca, professorzinho de merda, metido a inteligente; trabalhando o dia todo para ganhar aquele salariozinho...
Estrada bonita, um friozinho maravilhosamente agradável, poder aquecer-se nos braços da prima...
A fome estava começando a incomodar. Sabia daquele restaurante na beira da estrada, comida caseira, suculenta...
Parou, estacionando o carrão bem na porta do restaurante, orgulhoso do belo automóvel.
Chegou cantando marra : “Me dá o que você tem de melhor, o melhor vinho, a melhor mesa, o melhor melhor...”
Comendo tranquilamente, degustando aquele vinho importado, chileno, fantástico.
Era feliz e sabia, muito feliz...
Porém, de repente, sentiu uma mão sobre o ombro.
Quando ia se virar para tirar satisfação com aquele estranho, um susto.
O que estava fazendo esse cara fardado aqui?
“O que deseja meu senhor?”
A voz de prisão o assustou. Preso por quê?
“Roubo de carro...”
Como? Roubo de carro? Meus documentos e os do carro estão aqui, e estão em dia...
Piorou mais ainda a situação.
O carro era de “FRORIANÓPOLIS”.
E daí? Capital de Santa Catarina, ora bolas!
Depois, em cana, ao chamar um advogado, é que percebera a lambança.
Naquele momento, ficou morrendo de inveja do primo professor.
Pela primeira vez na vida começou a perceber o quanto a educação faz falta...

E agora José...

Lista de Furnas é autêntica, diz PF
De Rubens Valente na Folha de S. Paulo, hoje:

"A Polícia Federal confirmou ontem a autenticidade da chamada "lista de Furnas", documento de cinco páginas que registra supostas contribuições de campanha, num esquema de caixa dois, a 156 políticos durante a disputa eleitoral de 2002. No total, eles teriam recebido R$ 40 milhões.
Segundo a assessoria da direção geral da PF, em Brasília, perícia do INC (Instituto Nacional de Criminalística) concluiu que a lista não foi montada e que é autêntica a assinatura que aparece no documento, de Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas, empresa estatal de energia elétrica.

A PF informou, contudo, que não tem como atestar a veracidade do conteúdo da lista. Os papéis citam empresas que teriam colaborado para um caixa dois administrado por Dimas Toledo."


E José, a festa acabou...
Com a comprovação de que esta Lista é autêntica, temos duas opções:
Ou Dimas Toledo é louco, totalmente imbecil, canalha ao ponto de colocar seu filho entre os que receberam DINHEIRO PÚBLICO DE ESTATAL; ou tudo isso é verdade e canalhas são todos os envolvidos.agora
Como creio na sanidade mental do mesmo, a segunda hipótese me parece ser a mais crível.
O envolvimento de Geraldo neste caso, assim como o de Serra dão a dimensão da gravidade deste fato.
Os ataques desvairados do PFL e do PSDB à candidatura popular são evidências do desespero do tucano pego com o rabo de fora, o bico serve para disfarçar o evidente delito.
Muito sintomático isso tudo.
É hora de se fazer coro ao que dita a sociedade brasileira, PUNIÇÃO PARA TODOS OS ENVOLVIDOS EM ATOS DE CORRUPÇAO COM DINHEIRO PÚBLICO, OU SEJA, TODOS AQUELES QUE MAMARAM DINHEIRO DE FURNAS PARA UTILIZAREM EM CAMPANHA POLÍTICA, A COMEÇAR PELO GERALDO ALCKMIN E PELO SERRA.
INEGELIBILIDADE JÁ E CADEIA PARA ESSA CORJA.
É O QUE EXIGE O NOSSO POVO!
O crime cometido com o dinheiro público não pode passar impune.

Quinta-feira, Junho 15, 2006

Me Engana que Eu Gosto

Nos últimos dias tem ocorrido uma tentativa espúria de transformação de um vegetal em um animal.
Havia um legume, sem paladar, que habitava o interior paulista. Essa leguminosa, durante muitos anos aprendeu a conviver com os outros vegetais da feirinha.
Porém, a partir do contato desse legume com uma matilha de lobos velhos e pilantras, começaram a perceber que esse vegetal não iria muito longe com sua insossa atuação.
Haveria necessidade de “apimentar” o legume para ser mais tragável.
Mas, como todos sabem, lobo não come lobo e os velhos caninos convidaram essa leguminosa para tentar aprender alguns macetes como criar e mostrar os dentes.
Antes que houvesse essa tentativa de transformação, a matilha teve que se reunir para definir qual seria o lobo que acompanharia o legume na viagem.
Obviamente, esse encontro foi marcado por muitos latidos e uivado, com mordidas desferidas a esmo, até que se escolheu um lobo velho, aparentemente sem dentes, mas com a inerente agressividade da espécie.
Os lobos daquela floresta eram especialmente agressivos e tinham como característica principal o de pilharem qualquer outra espécie animal que aparecesse por perto, inclusive outros lobos de matilhas que não aquela.
Durante muito tempo se associaram aos Gorilas da Floresta para poderem obter benefícios e facilidades.
Após a expulsão dos gorilas, os lobos se uniram a outros tipos de espécies tanto animais quanto vegetais para manterem o poder sobre a floresta.
Pois bem, após terem quase que entregues toda a floresta para animais de outras bandas, perderam o poder.
Mas, agora, tentavam de todas as formas voltarem a mandar e desmandar.
Um lobo, pilantra antigo de guerra, de índole bisbilhoteira e entreguista, ameaçou convidar os Gorilas da Floresta, entregando os filhotes dos outros animais e as pequenas plantas indefesas de novo às garras dos Gorilas sob os auspícios dos Lobos.
A tentativa de transfundir ao legume as características principais desta matilha, fez com que, o antes inofensivo legume, passasse a ladrar a esmo.
Latia e latia, mas todos sabiam que ele, no fundo, continuava a ser o legume de sempre.
O lobo velho, a cada latido da leguminosa semitonava junto, dando o aspecto híbrido que não convencia mais ninguém.
Acreditando que estava fazendo sucesso, o pobre vegetal se orgulhava a cada latido mais alto, até chegou a aprender a uivar, mas o sotaque não enganava ninguém.
Quem nasceu para legume nunca vai chegar a lobo, o máximo que vai conseguir é emitir um “uivado” ridículo e a esmo.
A claque aplaude o pobre vegetal mas isso parece muito com aquela máxima: “Me engana que eu gosto”...

Chegou a turma do funil...Nós é que bebemos e eles que ficam de porre...

Lula não trabalha, só viaja e bebe muito, diz vice de Alckmin
O senador pefelista José Jorge também afirmou que o governo se caracteriza pela incompetência
Denise Madueño

BRASÍLIA - A campanha tucana à Presidência da República subiu o tom de agressividade nesta quinta-feira durante convenção do PFL em Brasília e atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O suposto uso exagerado de bebida alcoólica por Lula foi explorado publicamente pela primeira vez. Em discurso, o candidato a vice na chapa tucana, o senador pefelista José Jorge (PE), disse que Lula bebe.
"É um governo que se caracteriza pela incompetência, pela falta de trabalho. Hoje temos um presidente que não trabalha, só viaja e bebe muito, como dizem por aí. Para ser presidente é preciso ser honesto, ser competente. Precisamos do governo da verdade e não da mentira", afirmou José Jorge, para uma platéia estimada pela Polícia Militar em 30 mil pessoas.
O candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, aos brados, afirmou que vai acabar com a "roubalheira e tratar de governar", em um de seus momentos mais inflamados durante a campanha. Os dois procuraram associar Lula à falta de trabalho.


Esse é o nível que a oposição tenta imprimir à campanha visando a Presidência da República.
Aliás, este é o nível desta campanha há um ano. Os imbecis não percebem que a cada ataque irão fortalecer o presidente Lula. Está mais do que provado, somente esses energúmenos não perceberam que quanto mais partirem para ofensas pessoais e se afastarem de discussões programáticas, mais irão afastar-se do povo.
Essa coalizão, durante oito anos, praticamente levou o país à miséria, com endividamento recorde, com inflação ascendente, juros escrachantes e, pior que tudo, a entrega do patrimônio público.
A recuperação econômica brasileira foi fantástica nesse período de três anos e meios após a bancarrota imprimida por PSDB/PFL. Então quando Alckmin e José Jorge (quem?) afirmam que eles irão trabalhar, conforme o que fez o trabalhador FHC, treme meio mundo. O trabalho dessa corja quase quebrou o país.
Outra coisa, um ser insignificante como esse José Jorge (quem?) falar que o presidente bebe muito, me faz lembrar as beatas da TFP.
Se Lula bebe muito, graças ao seu Governo, o brasileiro está bebendo e comendo mais.
Coisa que nos desgovernos anteriores estava proibitiva para a maioria do povo brasileiro.
Aliás se bebe ou se não bebe ninguém tem nada com isso, ainda mais as “beatas furadas” acostumadas a beberem o sangue e o suor dos trabalhadores.
A dupla de vampiros que se arvora a querer acabar de vez com o povo brasileiro vítima de uma sangria vergonhosa quando esses ascaris estiveram no poder.
Outra coisa é a dita incompetência. Quais são as credenciais dessa turma nesse assunto?
Os catastróficos anos em que estiveram no poder, tanto os oito do PSDB quanto os 40 do PFL não são exemplo de competência para ninguém.
A não ser que o nascimento do PCC e a falta de competência do Picolé sejam exemplos...

Uma aliança que combina PSDB e PFL pode falar de roubalheira? Onde? Com quem? A lambança do PT começou no PSDB mineiro e contou com o PFL para seu desenvolvimento, né, Roberto Brant? Né ,Eduardo Azeredo?
AGORA PELO AMOR DE DEUS, NÃO NOS AMEACE COM O QUE VOCÊS CONSIDERAM “GOVERNO” E NEM VENHAM COM ESSA DE “TRABALHAR”. O POVO BRASILEIRO AGRADECE E AVISA: VÃO CANTAR NOUTRA FREGUESIA SUAS AVES AGOURENTAS!!

Quarta-feira, Junho 14, 2006

Ode Às Mães de Maio

Penso no maio das mães,
Com seus filhos massacrados
Pior que fossem mil cães
Nos gritos desesperados
De quem tombou na batalha
Os mortos pela navalha

D’incompetência d’estado
Deixando esse povo refém
Do grito desesperado
Respondido por ninguém
Desse povo abandonado
Tratado qual fosse gado.

Penso nas camas vazias
Nos olhos sem amanhã
Nas teresas e marias
Vivendo a vida malsã
Esperando por seus filhos
Perdidos, fora dos trilhos.

As mães dos soldados mortos
Sem perdão e sem por que
Na visão dos homens tortos
Tentando sobreviver...
As mães que sempre sofreram
Que as esperanças perderam.

Sem poder nem apontar
Os olhos para os culpados
Que vivem para ocultar
Os desmandos desgraçados
Que tentam sempre esconder
Teimando no negar ver

Que os erros mais singulares
Cometeram, sem perdão.
Assassinando seus pares
Provocando a reação
De todos quantos conhecem
As dores que elas padecem.

As mães desses inocentes
Quatrocentos que tombaram
Nas ruas, pelas serpentes.
Que no fundo assassinaram
A todos sem exceção
Por terrível omissão.

Penso no pranto sofrido
Dessas mulheres perdidas
No terror tão desmedido
Que carregou tantas vidas
Me diga meu Deus por que
Tanta dor pra se viver...

Nos uniformes vazios
Dos soldados e operários
Nos olhos, trágicos fios.
Que ligam aos mandatários
Dos criminosos cretinos
De todos os assassinos.

Dos Pilatos que, omissos.
Permitiram tal chacina
Com seus olhos tão mortiços.
Trouxeram lá da Argentina
A visão das mães da praça
Nessa dor que não disfarça.

Nossas pobres mães paulistas
Também carregam seu fardo.
Procurando pelas listas
Onde esteja assinalado
O nome de seu rebento
Carregado pelo vento...

Se, nesse dois mil e seis,
Teceram essa mortalha;
Última, seja essa vez.
Que não repita a batalha
que nossas mães brasileiras
não merecem tais bandeiras.

soneto em redondilha

Meus companhero perdoa
As minha lamentação
Se falo não é à toa
Vem vindo do coração

Na boca o gosto da broa
Da vida nesse sertão
Meu pensamento mais voa
Dexando a lamentação

Pros que perfere a sodade
Eu perfiro nem dizê
Na vida, sinceridade

É perciso pra vivê
Mas cum amô e bondade
Mió pra mim e procê !

soneto em redondilha

Esperanças conjugar
Os verbos desta canção
Que permitem cravejar
Com amores e perdão

O brilho deste luar
Maltratando o coração
De quem quisesse sonhar
Anunciando o verão

Nas matas tantas promessas
Das flores em profusão
Tentando ser às avessas

Do que fora escravidão
Nestas luzes que professas
Profetizas compaixão!

soneto em redondilha

Quando me lembro de ti
Nas noites mais solitárias
Me recordo que vivi
Nessa vida, vidas várias.

Tantas coisas que perdi
Minhas dores vivem párias
Nos teus braços tanto li
Teus olhos por luminárias

Quero saber da saudade
Que maltrata, sem perdão.
Por tanto quanto que invade

Tragando-me em teu pendão
Ofuscando a claridade
Que vem do meu coração.

soneto em redondilha

Meus olhos na despedida
Do que tão pouco queria
O amor rasgando essa vida
Num tempo que não viria...

Tempo de tanta partida
Que nunca mais saberia
Poder encontrar saída
Vida que não viveria

Amores sempre são nada
Para quem, na madrugada,
Espera pela manhã.

De tanta vida malsã
Já traz velha alma cansada
Sem conhecer amanhã!

DOS PECADOS DE JUDAS E DE MADALENA

Por indicação de Geraldo Alckmin, o advogado Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça na gestão de Fernando Henrique Cardoso, vai integrar o comitê tripartite que cuidará das finanças da campanha presidencial do PSDB. Os outros dois nomes podem ser indicados pelo PFL.


Lembram-se da homenagem feita na OAB ao, no mínimo escroque caseiro?
Pois é, o homenageante era esse camarada que agora demonstra por que fez aquele ato, no mínimo antiético.
Uma homenagem ao traidor, ao dedo duro, ao fofoqueiro que, sem apresentar provas não fez denúncias relacionadas à corrupção, que não foi comprovada e nem relacionadas ao que se pode afirmar como improbidade administrativa o que também não foi confirmado.
Fez simplesmente uma fofoca, dizendo ter visto o ex-ministro em festas onde haveria prostitutas.
Quem homenageia esse tipo de gente consegue ser, moralmente e eticamente mais frágil do que o fofoqueiro.
Nada contra as denúncias que possam vir acompanhadas de provas ou mesmo de suspeitas sobre atos que lesem o povo brasileiro.
Mas não podemos nos tornar reféns de pessoas que, em busca de fama ou de dinheiro, ferindo a ética social, mercê de suas atividades, venham a público “denunciar” fatos de foro pessoal de outrem.
Não quero admitir que isso seja perdoável, quanto mais louvável.
Os donos e donas de bordéis ou prostíbulos têm uma noção de moral e de ética bem superior a quem age desta forma.
As camas e saunas dos motéis de todo o mundo guardam segredos que não podem e não devem sair deles.
As traições do dia a dia não podem ser louváveis, mas a utilização destas como armas política é INDECENTE, muito pior do que o próprio adultério.
O PECADO DE JUDAS É MUITO MAIS GRAVE DO QUE O DE MADALENA, OU ALGUÉM DUVIDA DISSO?
Não estou discutindo se o caseiro recebeu ou não dinheiro de quem quer que seja; afirmo que suas atitudes foram hipócritas e canalhas.
E se isso foi louvado, quem louvou não merece melhores adjetivos.
Quem de nós não cometeu pequenos pecados que, no íntimo, nos envergonhamos e que tentamos manter sob o sigilo, socialmente aceito e necessariamente aceito; posto que podem, inutilmente, gerar crises existenciais e desestabilizar a própria família tão citada pelos “moralistas”?
Ah se meu fusca falasse!
O que pode-se dizer de alguém que age desta forma?
E quem aplaude isso?
Vejamos que, a CPI dos Bingos termina sem nenhuma PROVA contundente da participação de Palocci em nenhum ato lesivo ao país.
Contudo, a crise econômica que poderia ser desencadeada com esta palhaçada toda, seria extremamente lesiva ao povo mais pobre e humilde.
As atitudes irresponsáveis de quem “denunciou” as possíveis trepanagens do ministro e de quem as aplaudiu como ato de heroísmo mostra do que será capaz essa turma no poder.
Desfio a quem quer que seja que me mostre alguma prova contra Palocci que envolva dinheiro público, a não ser que dinheiro público tenha sido gasto para financiar o caseiro.
Um dos melhores presidentes americanos há pouco tempo, quase caiu por causa de um felatio.
Palocci caiu, por uma denúncia feita sem comprovação, por atos sem comprovação, e sob aplausos de quem comprovadamente permitiu as lambanças feitas com dinheiro público no Espírito Santo, à época de José Inácio e Gratz. Sob os auspícios de FHC. Quem não se lembra?

Lírica Dimitri

Brincando quieto na sala
Se não grita ou se não fala
Se fica muito calado
Já me deixa preocupado.
Arteiro, muito levado.
Quieto, lá vem novidade.
Dimitri muito parado
Sempre causa ansiedade.
Tá com o nariz melequento
Mamãe já fica ansiosa
Se em lá um pé de vento...
Mais também fica bem prosa
Com cada palavra nova
Olhando, contente aprova.
As “novidades” do moço
Se come bem no almoço,
Mamãe agradece tanto
Fica feliz com o fato
Mas quietinho no seu canto
Tá rasgando seu retrato...
Correndo lá pro quintal
Mexendo na terra suja
“Vai ficar “passando” mal”
E doente de lambuja
Pensa mamãe preocupada
Mas no final dá em nada.
Dimitri é muito sapeca
Levado para chuchu
Quando coloca a cueca
Depressa já fica nu
Arranca logo a calçola
“Menino, cê vai pra escola!”
Vô Jão Polino bem sabe
Das artimanhas do neto
Na casa ele já não cabe
De tanto amor e afeto
Diz com muita precisão
“Manda no meu coração!”
Vovó Rita fica rindo
Feliz com esse arteirinho
“Como é lindo esse meu neto!”
Por ele tenho carinho
Mas quando fica doente
Preocupa, toda a gente...
Tia Virginia também
Sabe que ele é novideiro
Não tem mais para ninguém
Só presse menino arteiro
Que reina aqui nessa casa
Que vive mandando brasa.
Tio Betinho coitado
Sofre com as armações
Desse garoto levado
Que vale por dez leões
Mas é feliz de verdade
Nessa bela flor da idade...

REDONDILHAS

Quando falo de saudade

Logo me vem tua imagem

Percorrendo esta cidade

A cada rosto miragem

Vejo essa boca pequena

Em cada curva da estrada

Minha vida, de serena.

Transformou-se revoltada

Numa grande tempestade

Que não tem mais paradeiro

Dolorosa de verdade

Te procuro o tempo inteiro

Quando acordo tão sozinho

Vou procurando te ver

Já não tenho meu caminho

Já não consigo viver

Quero te ter bem comigo

Pra me dar alento e amor

Pois sem ti eu não consigo

Encontrar mais o calor

Do que foi feita essa vida

Vida minha em tua feita

Minha vida vai perdida

Sem a tua nessa espreita

Nem espero mais ter vida

Se não tiveres por mim

Vida minha triste lida

Sem tua boca, carmim.

Quero o sol da madrugada

Quero a lua desta tarde

Vou morrendo sem ter nada

Vou vivendo de saudade.

Terça-feira, Junho 13, 2006

Ser Gauche na Vida

A batalha foi muito mais difícil do que poderíamos imaginar. Do outro lado, uma multidão de consoantes misturadas com raras vogais, mantinham a tradição da Iugoslávia de Tito, titânica.
Nossos guerreiros, abençoados desde sempre pelos deuses do futebol, sempre favoritos em qualquer competição, começaram arrasadores.
Mas, do outro lado, tínhamos um formidável adversário. Nessa batalha entre dois titãs, a camisa amarela combatendo o tabuleiro de xadrez croata.
Num dia onde tivemos dois ronaldos, dois semideuses em fases opostas, o moleque em plena ascensão rumo ao Olimpo, onde somente raros como Pelé, Garrincha e Maradona têm assento e o fenomenal artilheiro em fase crepuscular da carreira.
Claro que o gênio, mesmo decadente, tem seu lugar demarcado e assegurado; mesmo que não seja insubstituível durante uma batalha, o é durante a guerra.
Obeso ou forte, lento ou omisso, abatido. Isso, abatido.
O gigante abatido pode e deverá reagir, e tal fato será fundamental.
Nessa luta, nesse embate entre os reis da habilidade e os enxadristas eslavos, o equilíbrio se fazia presente.
Mas, ao se findar a primeira metade do jogo, o imponderável e improvável aconteceu.
Da mesma forma que o K é letra obscura para a nossa flor do Lácio, o pé esquerdo do menino-deus também o é.
Quando estávamos esperando um empate coroando este equilibrado primeiro tempo, um fato estranho e raro aconteceu.
O menino-deus acertou, com uma precisão de uma tacada de golfe, com a improvável canhota, o ângulo direito do gol croata.
Kaká, destro, direito, bom menino, íntegro, inteligente e bem coordenado tanto intelecto quando moralmente.
Menino bom, “droite”, teve seu genial momento de “gauche”. Genial gauche.
E, em meio a tantos e tantos gênios; o “direito” menino deus brasileiro, foi magistralmente gauche.
O jogo intelectual, bem armado e habilidoso dos eslavos cedeu a surpresa desse surpreendente futebol brasileiro.
O Olimpo futebolístico, aguarda os outros guerreiros, cada um ao seu tempo, e a cada nova batalha, nessa guerra entre os cinco continentes, pela glória da supremacia deste que é, o Esporte maior da Terra.
No maior espetáculo esportivo do planeta, os deuses brasileiros vitoriosos nessa primeira batalha, escalam o primeiro degrau rumo à eternidade.

As aventuras de Betinho na cidade grande 02

Nos primeiros dias de Rio, Betinho até que não aprontou muito não.
Depois do vexame em Copacabana, resolveu, mineiramente, ficar na dele.
Por mais que a gente esperasse que Beto cometesse alguma gafe, nada ocorria. Espertamente, ele passou a repetir tudo o que fazíamos, se portando muito bem.
Mas, um dia, naquele calor e areias escaldantes do Rio de Janeiro em pleno verão, resolvemos tomar um chope num barzinho da orla.
Delicioso chope, com aquele refrescar que dá água na boca só de se lembrar.
E desce um, e desce dois, e desce mais, o calor, o chope, o chope, o calor e depois de uns quinze chopes a cabeça rodando, Beto foi se soltando.
Mentiroso de fama ímpar na região do Caparaó, foi desfiando seu rosário de “causos”, vindo a relembrar dos tempos de infância e de adolescência.
Recordou, sem brigar, a história dos bombons e de Pedro Gambá, lamentando o gênio exageradamente irascível, que abortou sua promissora carreira de ponta esquerda.
Lembrava de suas pescarias onde conseguira uma fórmula mágica de pescar cascudos com anzol, além de ter pegado vários e vários bagres e, incríveis lambaris diurnos, nas suas pescarias noturnas.
Mas isso é outra história e dela iremos nos ocupar depois.
Estávamos nos divertindo com as mentiras do nosso querido amigo. Nesse meio tempo, encontramos com um amigo nosso a quem não víamos há bastante tempo e nos distraímos com relação a Beto.
Esse não se fez de rogado e continuou a beber.
Lá pelas tantas, nosso convidado, querendo atrair Beto para a conversa, resolveu perguntar a esse se estava gostando.
A resposta veio rápida : “O chope tá uma delícia, mas mais gostosos são esses biscoitinhos”.
Biscoitinhos? Que biscoitinhos eram esses se não tínhamos pedido tira gostos?
Para nossa surpresa, Beto degustava com prazer inaudito, os marcadores de chope, colocando generosas pitadas de sal...
ERAM OS FAMOSOS “BISCOITINHOS”...

Aventuras de Beto na cidade Grande 1

Betinho, nosso famoso ponta esquerda ibitiramense, era um rapaz muito simples. Embora fosse muito forte, era de uma comovente ingenuidade.
Me recordo que, nos idos da década passada, numa inesquecível viagem fomos ao Rio de Janeiro.
Entre nós, havia um amigo extremamente gozador e, sabendo tanto da ingenuidade quanto do “pavio curto” do nosso gigantesco herói, resolveu aprontar algumas com ele.
Capixaba da divisa com Minas no Rio, tem como obsessão ir até o mar, tão longínquo quanto apaixonante.
Ainda mais nas praias cariocas, famosas por suas belezas e pelas belezas suadas que passeiam próximo ao mar.
Betinho ficou encantado com tanta beleza e, assustado com tamanha quantidade de pessoas, e com o marzão grande, repetiu aquela famosa frase dos caipiras que vêm o mar na primeira vez; soltando um gostoso: “Eta marzão besta, meu Deus”.
Renato, o nosso amigo brincalhão, não perdeu a chance:
“Você tá achando que isso aqui tudo é de graça?”
Ao que Beto respondeu: “E não é não?”
“Claro que não, tem que pagar para entrar na água.”
“Uai, onde a gente paga?”
“Você quer entrar na água?”
“Claro, quero saber se ela é salgada mesmo sô!”
Apontando para o Posto de Salvamento, senão me engano o Posto 5, lá na Copacabana, princesinha do mar, Renato foi incisivo: “É lá que se vende o Ingresso”.
Não deu outra; Betinho, sem pestanejar se dirigiu ao Posto e, perguntando ao Salva Vida onde compraria o ingresso para entrar, e quanto custava, diante da gargalhada deste, saiu indignado:
“Depois esse pessoal reclama, a gente quer ser honesto e o pessoal nem aí, vou ser obrigado a dar um “tombo” (calote na gíria da nossa região) e entrar sem pagar...”
E, bebendo muita água, tomou seu primeiro caldo em águas salgadas...

POR ESSAS E OUTRAS QUE SOU LULA

Estava assistindo há pouco, na Globo News uma entrevista de Lula e, próximo a mim estava Marcos Dimitri, meu caçula, que completa 2 anos dia 29 agora.
Perguntei a ele quem era aquele "moço", a resposta foi imediata: "Nuna na na na", e ao perguntar de quem ele era amigo, Dimitri foi incisivo: "Do Dimiti"...

LULA SABIA, COM CERTEZA SABIA DE TUDO, OU QUASE

Realmente, conforme todos os oposicionistas dizem, Lula sabia. E falo mais, não somente sabia como sabe.
Como também a maior parte da população lúcida deste país sabia das dificuldades que o Governo encontraria, após tanto tempo de desgoverno e entreguismo, feitos sob a desculpa de “enxugar a máquina” administrativa.
Tivemos nos oito anos de FHC tal avalanche de atitudes contrárias aos interesses da população brasileira que, o resultado de tal política governamental foi catastrófico. O aumento das dívidas interna e externa, e a perda do controle estatal de grande parte do maquinário estatal, entregue a preço de banana para o capital privado.
Outra coisa que Lula, com certeza sabia é a gigantesca desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres, fruto de uma política escravagista onde o povo sempre foi vitimizado pelos mesmos desgovernos anteriores, preocupados em manter as benesses das elites econômicas mantendo um salário mínimo absurdamente pequeno e com o crescimento do nível de empregos ínfimo.
Mais uma coisa que Lula sabia era da necessidade de reformas importantíssimas para o crescimento do país, como um todo.
Lula sabia, como todos nós também, que o potencial deste país é gigantesco e que somente com o investimento no seu povo poderemos ter uma sociedade mais justa.
Lula também sabia que somente com a educação poderemos ter uma melhoria da qualidade de vida do proletariado, por isso temos o PROUNI, o FIES, o FUNDEB, os investimentos nas escolas técnicas federais e o aumento de vagas nas universidades federais, além da criação de novos estabelecimentos e cursos.
Lula com certeza sabia que o novo milênio terá como grande problema, o problema energético, portanto os investimentos nessa área foram flagrantemente maiores e mais bem sucedidos do que nos desgovernos anteriores; inclusive com o incremento do biodiesel, entre outras soluções.
Lula sempre soube que a miséria de um povo se mitiga, primeiramente com melhor alimentação e, ao transformar o fome zero ou bolsa família num programa mais eficiente, conseguiu alimentar mais dignamente 95 por cento das crianças desse país.
Lula por certo sabia que somente com melhoria de salário e de estrutura dos professores e das escolas públicas, teremos uma melhor qualificação dos alunos e, por conseguinte maiores horizontes.
Dá-me a certeza desse fato de que Lula sempre soube que somente o povo poderá mudar os destinos deste país, e por isso este foi priorizado; todos os dados sociais deste governo são positivos.
Agora, sobre o dito “mensalão”, me desculpem, isso merece uma análise mais coerente e lúcida.
Em primeiro lugar, quando o próprio denunciante isentava Lula do fato deste ser participe da confecção desta “arapuca”, isso é explicito.
Outra coisa, as investigações sobre o “mensalão”, demonstram claramente que o caixa 2 dos partidos aliados é a única alternativa plausível; ou querem me fazer crer que aliado compra aliado.
Essa forma de atuação seria inédita e estúpida, tão estúpida quanto à afirmativa insensata de que isso seria possível.
Compra-se adversário, ora Bolas!
Mais um detalhe que chama a atenção é a ausência do ineditismo do esquema, utilizado anteriormente pelo Caixa 2 tucano e mineiro.
Roberto Brant e Eduardo Azeredo, fazem parte dos “40 ladrões” indiciados pela CPI dos correios, além do Clesio Andrade.
Confere?
Então, quando Geraldo fala sobre isso chama o ex-presidente e senador do seu partido de ladrão, além do ex-ministro de FHC, Roberto; sem falar do vice-governador de Minas, aliado de Aécio Neves.
Mais uma coisa que me chama a atenção é o fato de que se imputarmos a Lula o conhecimento de um esquema de caixa 2, devemos imputar a FHC o conhecimento do mesmo esquema com relação a Eduardo Azeredo, estendendo tal fato ao Governador Alckmin, enfim a todos os políticos que fizeram campanha nas eleições de 1998 pelo PSDB e pelo PFL.
O esquema do “mensalão” foi sepultado na Câmara dos Deputados na absolvição da quase totalidade dos deputados envolvidos neste esquema.
PORTANTO, SOBRE O QUE INTERESSA AO PAÍS, LULA COM CERTEZA SABIA DE TUDO, AGORA COM RELAÇÃO AO CAIXA 2 OU MENSALÃO SE OS APEDEUTAS PREFERIREM, NUNCA NINGUÉM IRÁ COMPROVAR SE SABIA OU NÃO SABIA, TANTO QUANTO FHC A QUEM ACUSO, A PARTIR DE AGORA, DE SABER DO “MENSALÃO” MINEIRO DE 1998.

Segunda-feira, Junho 12, 2006

Cavalo dado não se olha os dentes

Fracasso de audiência
De O Globo, hoje:

"Ao contrário do que a cúpula do PSDB esperava, a oficialização da candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência não conseguiu entusiasmar a militância do partido na festa preparada pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves. O auditório da ExpoMinas, com capacidade para 4.500 pessoas, em nenhum momento ficou lotado e durante o discurso de 19 páginas lido por Alckmin o público presente ficou reduzido quase que à fila do gargarejo".

A maioria das pessoas que empunhavam bandeiras de Geraldo Alckmin na convenção admitiu ter ouvido o nome do candidato tucano à Presidência pela primeira vez. Levadas a Belo Horizonte de ônibus, disseram que a viagem foi motivada pelas promessas de lanche grátis e de emprego na campanha.



No meio da platéia, estava dona Jurema, uma senhora que acabou de adentrar a bela casa dos setenta anos.
Politiqueira desde a juventude, daquelas que adora portar a bandeira de um candidato, levando com fé e afinco a “profissão” de cabo eleitoral.
Participara, nos bons tempos, da campanha de Juscelino ao Governo de Minas e depois à presidência da república.
Lembrava-se de Tancredo, Magalhães Pinto e isso a deixava arrepiada só de pensar.
Trabalhara na campanha de Israel Pinheiro e depois tivera certa amizade com Rondon Pacheco; sendo amiga íntima de Itamar Franco e de Aécio Neves.
E é por isso que fora para essa festa além, é claro, da possibilidade de “ganhar uns trocados” como experiente “caçadora de votos”.
Mineiramente, se aproximou de um conhecido e perguntou quem era o moço que ela devia apoiar.
Esse também não sabia; mas, seu Juca, velho companheiro de comícios e de carreatas, mostrou o candidato.
Era um careca narigudo, de óculos, parecido com aquele repórter da televisão que trabalha com aquela moça loura, grandona...
“Mas esse moço não tem cara de político não, seu Juca. Como é o nome dele?”
“Geraldo”. Respondeu o companheiro.
“Nunca ouvi falar. Ele fez o que?”
“Foi Governador de São Paulo”.
“Mas não era o Maluf?” perguntou dona Jurema.
“Isso faz tempo, esse é o atual.”
Olhando bem para a cara do sujeito, dona Jurema, desconfiada, ficou quieta.
Esperar ele falar primeiro para depois julgar, quem vê cara não vê coração.
Depois que o moço começou a falar, pausadamente, com aquele jeito de quem está cansado; dona Jurema, que era uma das primeiras da fila, foi se afastando, disfarçadamente.
O cachorro quente com ki-suco que deram para o pessoal comer, não caiu bem, e a sonolenta fala do candidato, foram dando um sono tão profundo na velha senhora que, sem que ninguém percebesse, ela resolveu voltar para o ônibus e começou a dormir.
Começou a se lembrar dos discursos inflamados de Juscelino que ouvira na juventude, foi dando uma saudade doida.
E dormiu, e sonhou, e sonhou e dormiu.
Quando acordou, duas horas depois, ficou preocupada. Será que o moço ainda estava falando?
Olhou para o lado e viu que várias pessoas tinham seguido seu exemplo e voltado para o ônibus.
Resolveu, então, voltar para o auditório a tempo de ouvir as últimas palavras do candidato.
Profissionalmente, assim como quase todos que estavam ali, aplaudiu e cantou as hip hurras de praxe.
Mas desta vez, ao contrário de tantas outras, saiu com a mesma impressão com a qual chegou.
Aquele moço disse muito, falou muito e não disse nada.
“Aecinho, você me paga, colocar a gente numa furada dessas!” Pensou a setuagenária senhora.
Mas, como o cachorro quente e o ki-suco, além da camiseta e do emprego estavam garantidos, nada falou.
Afinal cavalo dado, não se olha os dentes, mesmo que o cavalo seja banguela!

DA DIREITA RAIVOSA OU DE IDIOTAS, IMBECIS E CRETINOS

Uma das máximas de Voltaire dizia que, “embora não concorde com nada do que dizes, lutarei até a morte pelo direito de dizê-las”.
Essa é uma das mais belas traduções de democracia que temos. Porém, o que vejo, espantado, surgir nesses tempos é a figura da “direita raivosa”.
As reações, geralmente anônimas, a qualquer afirmativa que contrarie os “ideais” dessa turma são de baixíssimo nível, de uma agressividade comparável a de uma “esquerda raivosa” do passado.
Qualquer afirmativa que seja de apoio ao governo atual significa para a anencéfala turba que quem a faz é ladrão, corrupto, sem vergonha, canalha. Como se defender os desmandos dos desgovernos anteriores fosse indício de honradez.
As postagens feitas sem nenhuma argumentação lógica, são torpes e inúteis.
Ainda mais quando anônimas, pois de anônimo não tem dono.
Essa tentativa cômica de tentar inibir os pensamentos contrários é infantil e demonstra a imaturidade tanto de argumentos quanto da capacidade de exercer corretamente a cidadania.
Me recordam as “argumentações” feitas nos programas cults como os que envolvem os famosos “testes de DNA”. Isso é de um primarismo relevante.
Mas, pior que isso é, quando do lançamento da candidatura do Dr.Geraldo, esse ter sido o tom dos discursos.
Se for essa a tônica predominante da campanha eleitoral, a situação pode descambar para o ridículo, a ponto de termos que assistir uma inepta luta sobre o nada, com tantas intervenções do TSE, que corremos o risco de termos os horários gratuitos completamente tomados pelos “direitos de defesa”.
Cabe lembrar que, se formos denunciar cada CPI arquivada pelo governo tucano, teremos mais de uma por dia. Vai faltar horário para tanta denúncia.
O livre pensar é só pensar; já as ofensas sem pé nem cabeça, principalmente a quem não conhecemos e com quem não convivemos, escondidas sobre pseudônimos ou mesmo inonimadas são inválidas e atestam a incapacidade de conviver com o diverso.
Resumindo, demonstra a intolerância típica dos imbecis ou dos autistas.
Antes que se sintam ofendidos, procurem a definição médica de imbecilidade e de idiotia, ou mesmo de cretinice.
Acredito ser de bom tom uma melhor avaliação das relações interpessoais e do respeito à opinião alheia.
Aceitar as críticas é conviver, quanto às ofensas é perdoar.
“Perdoe-os, meu Pai, eles não sabem o que fazem”.
Quanto à direita raivosa, meus parabéns, vocês aprenderam com a esquerda tão raivosa e imbecil quanto.
Por isso, é bom repetir o provérbio árabe: “Os cães ladram e a Caravana passa”.

Domingo, Junho 11, 2006

LATINO AMERICA

Na fumaça do cigarro
Que se queima entre meus dedos
Nessa penumbra me agarro
Vou fugindo de meus medos
Quero a sensação perfeita
De poder seguir em frente
A felicidade é feita
Do sangue e carne de gente.
Como a liberdade é flor
Quer precisa pra brotar
De suor sangue e terror,
Pois senão ela não dá.
Meu canto de liberdade
Tem mais lágrimas que riso
Atravessando a cidade
Traz muito pouco sorriso,
Reflete a melancolia
Que se fez neste país
Trazendo pouca alegria
Quase morrendo por triz;
A vida essa fantasia
Essa pobre meretriz
Que tampouco poderia
Sonhar em ser mais feliz.
Não podendo mais arcar
Com essa dor que apavora
Nessa luta por lutar
Bem antes e mais agora.
Nossa luta é tão constante
Vem de tanto tempo atrás
Transformando esse gigante
Que aprende a ser tão capaz
Quanto os velhos continentes.
Trazendo nas mãos cansadas
Sonhos de seres contentes
Pela lua, iluminadas.
As marcas de todos nós.
Caminhamos de viés,
Trazendo essa dor atroz
Cortados, sangram os pés.
Nossa luta mais certeira
Da guerra que não engana
Essa batalha altaneira
Da latino americana
Vida, como essa bandeira,
Que carregamos sem jeito
De todas és a primeira,
Pesando forte no peito.
Terra de tantas batalhas
Das antigas injustiças
Trazes nos olhos mortalha
Vítima dessas cobiças
Que sangraram os teus sonhos
Em troca de prata e ouro
Transformaram em medonhos
Tua carne, pele e couro.
Estropiaram teu povo
Exterminaram teus cantos
Extorquiram-te de novo
Tenazes foram teus prantos.
Agora, que tentas ser,
De novo esse amanhecer
Um amanhecer mais justo,
Mãe que acalanta no busto
Teus filhos mais sofredores
Buscam todos teus amores
Procuram beijo da paz
Lutam pra serem bem mais
Que simples melancolia
Quiçá nesse novo dia
Nessa brisa que acalenta
Nesse canto que se assenta
Sobre tuas mãos feridas
Possamos nós teus meninos
Esquecer das despedidas
Cantando de novo esse hino,
Um hino de amor a ti
Terra onde sempre vivi
Onde nasceram meus filhos
Por onde seguem meus trilhos
Iluminados ao sol
Que traduz tua esperança
De ser de novo a criança
Dona do teu arrebol.
Brincando nas cordilheiras
Nas tuas florestas tantas
Fazer dessas brincadeiras
Ungindo tuas mãos santas.
Surgindo de novo a vida
Onde sangraste, ferida.
América mãe de todos
Que Deus ouça nossos rogos
E te permita viver
Sem ter que filhos vender
Sem ter que, prostituída,
Expor-se tão nua em vida.
América, nosso lar,
Nossa casa verdadeira.
Que o brilho do teu luar
Ilumine a terra inteira.
Que nunca mais te maltrate
Nem nunca mais te destrate
Quem nunca te conheceu
Quem jamais te concebeu
Povo de terra estrangeira
Que suga tanto teu sangue
Atolando-te no mangue
Te escarrando por inteira.

DO BESTEIROL E DA GRANDE IMPRENSA

Ronaldo ataca imprensa e anseia jogos por "fim das besteiras"

"Para mim, até agora, não existiu nenhuma polêmica. Vocês [jornalistas] criaram polêmicas. Independentemente disso tudo, eu me preparei para estar bem e espero corresponder dentro de campo"


Essa afirmativa de Ronaldo, o Fenômeno, mostra bem o mal que assola a imprensa brasileira.
A fofoca, o disse me disse, o tititi tomou conta da grande imprensa em todos os níveis.
Muito mais importante que a notícia e análise desta é a manchete, muitas vezes sem pé nem cabeça.
Uma opinião dada por alguém sobre assunto que não interessa, na verdade, a ninguém a não ser às comadres fuxiqueiras tão ridicularizadas no passado e agora figuras constantes na Imprensa dita séria desse país.
Temos, portanto, o beisteirol midiatico. Isso é ridículo e temerário.
A apuração dos escândalos de corrupção descambou para um disse me disse, onde até historietas de bordel tomaram assento.
Fatos como o da cozinheira ter ouvido planejamentos de crimes feitos, obviamente, na mesa de café, para quem quiser ouvir sem nenhum cuidado, às claras; malas de dinheiro circulando entre serviçais e motoristas, sendo que estes sabiam até a quantidade e o tipo de moeda; são de uma criatividade que nem a carochinha poderia imaginar.
O bom senso se afastou da grande imprensa e, ouso dizer que a própria inteligência também.
Perdoem-me os jornalistas, mas acho que, além de relação de nexo entre causa e efeito, falta cérebro, massa encefálica mesmo para a maioria dos profissionais da área.
O jornalismo brasileiro está de tal forma deturpado e sem moral que eu votaria, sem nenhuma dúvida do programa “De olho nas estrelas” do Leão Lobo ou no TV fama, de Nelson Rubens numa eleição que perguntasse qual o melhor perfil do jornalismo no Brasil.
A transferência desse tipo de programa para as áreas de comentários políticos demonstra o nível cultural de quem se diz “formador de opinião!”.
São incapazes de enxergar além de quem matou ou deixou de matar Salomão Ayala.
Em nenhum momento eu vi algum jornal ter uma linha qualquer de raciocínio seletivo sobre o que interessa ou não interessa ao País e seu povo.
As preocupações do povo são bem mais amplas do que quem comeu quem ou com quem fulano ou sicrano conversou ou se o caseiro estava certo ou mentindo. De qualquer forma ninguém disse que o simples fato de aparecer alguém coparticipante da intimidade de um Ministro ter denunciado fato que não importa a ninguém, a não ser ao próprio e sua família, demonstra que esse denunciante é per si MAU CARÁTER.
Ou o porteiro de um Motel ou de um prostíbulo tem o direito de vir a público e sair espinafrando quem quer que seja?
Por essa visão hipócrita e crápula, aconselho a todo mundo que evitem motéis, boates, prostíbulos ou mesmo bares e restaurantes de qualquer cidade desse país. Essa moral torpe e canalha criada por essa imprensa absurdamente inepta e formada, já que incompetente e analfabeta, pelas “Candinhas metidas a besta” que pululam nos jornais e revistas.
Ronaldo está certo em afirmar que está de saco cheio. Todos estamos.
O fato de se ler um jornal ou uma revista, que sempre foram o diferencial entre quem pensa ou quem capta somente, hoje se deturpou tanto que, o que simplesmente se omite está mais bem informado do que o idiota que comprou o jornal ou a revista.
Está na hora de se dar um basta nisto, nós não somos bestas e nem devemos ser tratados pelos “reis do besteirol”, os jornalistas “sérios” do País.

TE QUERO, NEM SEI SE QUERO...

Te quis tanto, cada canto meu era teu, teu encanto meu alento. Meu conforto e serventia. Tanto te queria que não seria fantasia simples alegoria de um coração sem alegria.
Tua boca, fonte e porto, açoite e voracidade. Na saudade de tua distância tão aconchegante, cada galante verso, inverso e amante.
Quero o perverso e complexo abraço, no cansaço deste traço que ameaço, com o compasso da vida.
Marina cheia, salina pele, delícia de sol, arrebol, mas armadilha.
Na ilha de tuas pernas, mina de tanta riqueza, aurífera beleza de fera holandesa.
te quero tanto, não temo nem teimo. Apenas queimo.
Ardendo e me devorando, me decoro com tuas penas. Tanto penar e tanto mar. Mar e maré, mundo sem fé, seca e sorvete, solvente me dissolve e corrói e como dói.
Um vasto pasto da alma, sem calma nem chama, me chama e nem percebo.
Te concebo e te traço, contrastes e tentativas. Preto e branco, o retrato na parede é tão antigo. Contigo nada mais, nada a mais que a mais voraz saudade.
Saudade do que nem há de, nunca guerreando, sempre andando, adiando para sempre o que nunca foi nem seria.
A cada dia a voracidade, a espera sem esperança, a espreita, caçador.
Com trato e com tato, sem tempo para ser. Nunca seria sério, seria?
Se ria se ris, nada diz e nem pretendo, mesmo tendo o porquê sugerir, sugere ir para o jamais.
Já mais antiga que a própria vida. Sem sentido, sortido, e talvez sórdido; sempre ardido, urdido e esquecido.
Nunca viveria o que viver seria se pudesse te ter.
Talvez seja por isso que esqueci de te chamar, clamar, esperando o momento inevitável do que nunca viria ou se vier, não sei mais o que faria.
Agora o tempo vai embora e, embora te quero, sinceramente, a mentira mais sincera é essa. Depressa que a vida passa e não cansa de passar.
Mas pra que te ter se nem te quero? Ou quero, mas não venero, nem espero nem espreito mais. Meu defeito talvez seja o de te amar demais...

redondilha

Quero teu corpo querida
Desfrutando toda a vida
Que ele poderia dar
No céu, luz e luar
Na vida sem ter parada
No sentido dessa estrada
Que no final dá em nada
Sentir tua madrugada
Nos braços de minha amada
Na canção desesperada
No tão ser e nem ser nada
Nem tentar te conhecer.
Quero muito de tão pouco
Querida, teu grito rouco
Muita grana e pouco troco
Sangrando após cada soco
Morrendo sem poder ter
Nem podendo mais conter
O que já fora veia ver
Nessa centelha viver
E em cada instante morrer
Morrer sem ter você.

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

Observando a maneira como a oposição de hoje atua, tenho saudades dos tempos em que eu era oposição. O discurso é muito parecido. As ofensas de hoje me lembram as do passado.

Só falta aparecer algum pefelista gritando: “Arroz, feijão, saúde e educação” ou” O povo unido, jamais será vencido”.

A diferença é que, por mais que a gente chamasse a turma do poder de corrupta, safada, ladra, eles não se abalavam, mantinham trancados a sete chaves os cofres da informação e da investigação.

Essa é a diferença crucial.

A permissão de se fazer CPIs, investigações e a exposição de tudo ao público é a grande novidade. Grande e benfazeja, pois nos permite partir do pressuposto de que há mais transparência hoje, e isso é bom.

Agora, a forma de agredir é basicamente a mesma.

Adoro quando escrevo e aparece alguém ou me ofendendo ou ofendendo o governo que defendo. Isso me traz muita saudade.

Essa observação se faz pertinaz ao momento em que vivemos por alguns aspectos muito interessantes sobre o comportamento humano, em seu âmbito pessoal e social.

Obviamente, nem tanto o governo passado foi feito somente por coisas espúrias e nem tanto o atual é perfeito.

Mas, toda essa balbúrdia é de vital importância para o amadurecimento da democracia.

O PSDB e o PFL estão tendo seu momento de “oposição raivosa” e improdutiva, da mesma forma que fomos acusados no passado.

A tática de trancar a pauta do Congresso, ter que obrigar o Governo a vetar projetos irrealizáveis, bloquear a aprovação do Orçamento da União, vociferar a qualquer preço contra qualquer coisa, me lembra algum lugar do passado.

E é bom aprendermos a lidar com isso, fomos um pouco assim, assim como eles também tiveram seus tempos de sufoco, como os que passamos.

Ver o Picolé de Chuchu, mais para poodle, tentar imitar PITBULL também é extremamente cômico. O Dr. Geraldo não tem o menor cacoete para parecer agressivo. A voz pausada e em tom mais baixo, com a falta de carisma que determina sua personalidade, o faz parecer totalmente mentiroso quando tenta agredir.

Até por que, pelo que me consta, a relação pessoal entre ele e os petistas paulistas nunca foi de inimizade.

O fato de parecer que está forçando a “barra”, demonstrado pela, digamos, mansidão no falar não coaduna com as palavras ditas.

Parodiando a velha máxima, não basta falar que está indignado, é necessário parecer estar.

E, nisso, a realidade parece bem distante do que pretende ser demonstrado.

Ser chamado de petralha, de corruPTo é tão bucólico quanto chamá-los de tucanalha. Isso tudo faz parte dessa coisa maravilhosa que juntos, petistas e tucanos, além dos comunistas, socialistas e peemedebistas lutaram: O ESTADO DE DIREITO E A DEMOCRACIA!

Por isso, afirmações estúpidas e canalhas como as dadas por Antonio Carlos Magalhães devem ser repudiadas por todos, sem exceção.

Aí já ultrapassa todos os limites do bom senso, a única coisa que é pior do que qualquer estado democrático, por mais frágil que seja, é a ditadura.

Ditadura de qualquer tonalidade ou “ideologia”. O amor ao próximo e a igualdade de direitos são totalmente incompatíveis com os estados de exceção.

DO DIA EM QUE MOBUTO QUASE FOI PARAR NO FLUMINENSE

Nesta época de Copa do Mundo, me lembro da copa de 1974. O futebol mundial estava encantado com a seleção holandesa e a seleção Brasileira que vinha de um excelente time em 1970, acomodara-se e, com excesso de auto-suficiência não se preparou muito bem para enfrentar os europeus, principalmente os holandeses e os poloneses.
Na primeira fase, tivemos dois jogos muito ruins contra a Iugoslávia e a Escócia, devidamente empatados com placar oxo, como dizia um comentarista paulistano à época.
No Brasil, vivíamos uma das mais difíceis fases da ditadura militar, sob o governo do “pastor alemão” Geisel.
E, como a Copa de 74 foi a primeira com transmissão totalmente colorida, íamos ver os jogos na casa do meu tio Celso, um dos poucos proprietários de televisão a cores. Produto extremamente raro e caro naqueles tempos de exceção.
Um dos adversários do Brasil era o Zaire, país famoso pela ditadura violenta e tão ou mais cruel do que a nossa.
O Brasil teria que ganhar com mais de dois gols de diferença, o que conseguiu graças a um gol “espírita” de Valdomiro, ponta direita do Internacional de Porto Alegre.
Recordo-me de meu pai conversando com o meu tio, após o jogo, sobre a situação política do ex – Congo Belga, e sobre seu ditador, Mobuto.
Sanguinário e cruel era sinônimo de despotismo e de desrespeito aos direitos humanos.
Francisco Malhado era um “pseudo intelectual”, tão comum naqueles tempos quanto hoje. Militarista ao extremo, acreditava que meu pai fosse subversivo e, portanto, persona non grata ao país e à sociedade.
Ao se aproximar dos palestrantes, Francisco sutilmente silenciou-se e, ouvidos atentos quis captar sobre o que falavam.
A conversa girava sobre política internacional, como dito, e comparavam ambas as ditaduras, a brasileira e a do Zaire.
Porém Francisco chegou na hora exata em que criticavam Mobuto, do Zaire.
Ao que Francisco, prontamente reagiu:
- Não concordo com vocês não, esse tal de Mobuto ainda é o que se salva nesse time, pra falar a verdade eu bem queria que ele fosse o lateral esquerdo do meu amado Fluminense!

DO DERBY IBITIRAMENSE

Final de campeonato, jogo duro entre Pedra Roxa e Santa Marta. No gol do time de Santa Marta, o reabilitado Pedro Gambá.
No time de Santa Marta, Betinho, o nosso craque da ponta esquerda, recém contratado ao Pedra Roxa.
Betinho estava ansioso para poder mostrar ao ex-time que fora injustiçado; craque que era, ao ser retirado do time.
O apelido de “Cagão” fora incorporado ao nome. Era conhecido como Betinho Cagão e isso o deixava extremamente irritado.
Todo mundo estava consciente disso, do ódio que tinha ao apelido e, se alguém quisesse briga com ele, era só o chamar pelo apelido que tinha.
Como Betinho tinha quase dois metros de altura de ignorância pura e fama de bom de briga, nem a torcida adversária ousava provocá-lo.
Contam que já tinha feito muito cabra valentão virar sócio de dentista por conta disso.
Voltemos então ao jogo. Dessa vez, por precaução, Betinho não procurou ninguém, nem dona Filinha nem ninguém mais.
Pedro Gambá, como todos sabem, era um excelente goleiro, afilhado de João Polino, ex-técnico do time; famoso pelo tiro que deu na bola, impedindo a maior goleada da história entre os dois times.
Os tempos eram outros, Pedro parara de beber e, todos dizem, se fosse mais jovem teria ido para o Rio, defender um time grande.
O jogo transcorria tranqüilo, o time de Santa Marta estava ganhando de um a zero, num golaço de Zeca Aipim, centro avante que viera do Rio passar umas férias e, por conta do futebol, acabara ficando em Santa Marta.
Quando, aos trinta minutos do segundo tempo, num lance estranho, Leozinho Patada, ao bater uma falta, a bola milagrosamente bateu na trave e depois nas costas do goleiro e, na bunda de Betinho, saindo milagrosamente pela linha de fundo.
O goleiro Pedro Gambá, ao comemorar a ajuda do ponta esquerda e sorte salvadora deste, caiu na besteira de fazer o seguinte comentário:
-Ainda bem que você é muito cagão, Betinho.
Antes não tivesse feito. O sangue ferveu e Betinho, sem perceber o que estava fazendo partiu para a agressão contra o pobre goleiro.
Um soco só e o pobre infeliz estava desmaiado, com a boca estourada e os dentes, os pouco restantes, espalhados pelo gramado.
Os dois expulsos, um preso e outro no Hospital.
O jogo terminou para desespero de João Polino em três a um para Pedra Roxa.
A partir daquele dia, realmente Betinho, espera um pouco preu ver se ele não está perto, Cagão teve que encerrar sua carreira.

A CARREIRA RELÂMPAGO DE UM PONTA ESQUERDA

Durante praticamente toda a sua carreira como jogador de futebol Betinho sempre deu muito azar.
Reserva do melhor jogador do time de Pedra Roxa, o famoso Léozinho “patada”, por ter o chute mais poderoso do Sul do Espírito Santo, esperava ansioso pela oportunidade de poder mostrar o seu talento, ou em busca da posição de titular ou, quem sabe, poder ser visto por outro clube e se transferir.
Betinho era um canhoto muito habilidoso e tão supersticioso quanto.
Nos seus tempos de menino, sonhava sempre com a camisa 11 da seleção brasileira, mirando sua carreira na de Zé Sergio, famoso ponta esquerda do São Paulo e da Seleção Brasileira.
Dormia e acordava pensando em futebol, sua paixão pelo Vasco da Gama tinha lhe dado muitas alegrias, principalmente quando o Flamengo perdia.
Aí se realizava totalmente, ficava a semana inteira sorrindo, mais feliz até do que quando o vascão lograva ganhar.
No infantil e no juvenil, a carreira ia de vento em popa até que, numa hora maldita, o tal do Leozinho, camarada nascido lá em Caiana, Minas, se mudou para Pedra Roxa.
Daí em diante, somente decepções.
Mas, como o sol nasce para todos, um belo dia apareceu a oportunidade que Betinho tanto esperava.
Leozinho que quase nunca se machucava teve um estiramento muscular, não foi um estiramento comum, havendo até ruptura muscular e logo da coxa esquerda, a da “patada”.
Betinho, com toda a superstição desse mundo, resolveu procurar uma mãe de santo para poder se aconselhar como poderia aproveitar melhor aquela chance.
A mãe de Santo foi inexorável – teria que colocar dois bombons caseiros dentro da sunga e jogar com os bombons, sem poder retirá – los.
Esses “bombons” santificados pela dona Filinha eram a chave do sucesso.
Betinho, muito crédulo, assim o fez.
O jogo era contra Limo Verde, clássico intermunicipal; sempre envolto em muitas confusões, principalmente se o jogo fosse ao campo do Limo Verde e esse era o caso.
Como o uniforme do Limo Verde era obviamente verde, o Pedra Roxa resolveu jogar com o seu uniforme reserva; totalmente branco.
O dia estava muito quente e o sol estava escaldando, mais de trinta graus à sombra.
Betinho, empolgado com a oportunidade, obviamente não se esqueceu dos bombons.
O jogo começou muito corrido, e com o calor e a transpiração, os bombons começaram a derreter.
Bombom dentro de sunga branca em calção branco, derretido; imagem como ficou.
O técnico ao ver a cena nem pestanejou: “esse menino não tem condições de jogar no meu time” e, imediatamente sacou-o do jogo.
Assim, nesse mal entendido, mas nem tão mal cheiroso, a carreira promissora do nosso ponta esquerda, acabou.
Ao sair de campo, foi direto à casa de dona Filinha, que disse o seguinte:
-Mas vancê é munto burro mesmo, pru não feiz com os bombons com chocolate branco?

Sábado, Junho 10, 2006

ROTINA E DESESPERANÇA

Aquele dia não seria diferente dos outros, a vida vai em ondas como o mar. Vai e volta, ondula e, embora não se repita, sempre retorna para o local de onde veio. Da terra, da água, dos elementos todos, continente e conteúdo.
A mão cansada de tantas escritas, de tantas labutas, da força bruta e da esperança curta.
Capaz de fazer sol ou talvez de chover.
Chuva na alma é lágrima na certa. Mas é bom que limpa os olhos para poder ver melhor o novo dia.
Fantasias e ilusões se despedem da realidade, mas logo essa vem e desabam-se todos os castelos. A areia volta a ficar disforme e repete-se o mecanismo intrincado que leva do nada ao nada.
Dia comum, homem comum, com um sonho comum, como um outro qualquer.
Qual quer que seja a causa, os percalços cansam os pés descalços e machucam. Resultado: calçar de novo a bota. Embotam os pensamentos, mas nada mudaria.
Nada mudará.
A rotina que a retina absorve, conserva viva toda espreita, toda espera, mas nada.
Mais nada poderia transtornar mais do que a ausência. Nem a presença.
Ele agora tinha certeza de que ela fora embora. Embora a cama desfeita denunciasse a companhia.
Entre saudade e alívio, a opção era dupla, ou tripla, tripas expostas do relacionamento que se partira, extirpado, estripado, expulso de maneira comum, portanto sórdida.
Sabia que ela não o amava mais. Nem ele, tampouco. Nem a ela e nem a ele mesmo. A mesmice, mumificara o que ficara dos murmúrios de amor.
A meia idade, a meia luz, a meia vida, a meia esperança, as meias soltas ao lado da cama. Meio de vida de pobre, classe média, média com pão e manteiga. Vida pingada como o pingado do boteco, no teco-teco que nunca decola.
De cola firme, colada ao peito, calada no peito, na calada da noite.
O te quero nem mais nem tento, invento, no mesmo intento.
Preferia o tento a contento no mesmo canto sem encanto, desencanto.
Destilando o destino, ir embora.
Mas nada adiantaria, ele bem sabia que nada adiantaria.
O porto aberto, meia garrafa, o porto distante, a porta escancarada, aportando e portando a mesma sensação.
O vazio, o vão, o chão da casa, e o não repetido.
Vestiu a camisa, a brisa esfria e provoca a tosse. Nas troças da vida, as trocas e traças, estraçalhando os traços pretensos.
Na parede, um olhar sem sentido, o mesmo olhar perdido, denunciava que, realmente, aquela vida não seria diferente das outras, quanto mais o dia...

AMA SECA

Nunca gostei de cães, nunca. Sempre tive certa ojeriza a esses animais barulhentos, com suas manias absurdas, como arranhar a casa toda, sujar todos os ambientes, essas coisas...
Todos os cachorrinhos do mundo, em contrapartida, eram adotados por minha irmã, Andréa Cristina.
Deveria se chamar Francisca, tal a mania de trazer filhotes de animais para casa.
Lembro-me de pelo menos uns dez cães e outros tantos gatos. À noite, durante um belo par de noites, ninguém conseguia dormir direito com a sinfonia dos filhotes .
Andréa era cuidadosa e isso fazia com que a maioria sobrevivesse aos primeiros dias, crescendo amamentados pelas mãos carinhosas e meigas de Andréa.
Mãos cristinas, verdadeiramente cristinas.
Porém, depois de alguns dias, quando já estavam aptos à sobrevivência, misteriosamente desapareciam.
As “fugas” noturnas só nos foram esclarecidas depois de muito tempo, quando meu pai confessou ser o misterioso alforriador dos bichinhos.
Mas um dia, em Mirai, quando estávamos visitando nossa amada avó, fato que se repetia nas férias escolares ou nos feriados prolongados, Andréa abusou.
Àquela época, lá pelo final dos anos sessenta, ainda não havia essa conscientização com relação aos animais silvestres, portanto o estilingue ou atiradeira, era um dos brinquedos mais usados pelas crianças, além da espingarda de chumbinho.
Os ovos e pintinhos da casa da minha avó estavam desaparecendo, deixando marcas indeléveis da presença de algum “nefasto” visitante noturno.
O diagnóstico foi firmado e confirmado – Gambá.
Para quem não sabe, esse bichinho, além do hábito de comer ovo e pequenos pintinhos e frangos, tem a incontrolável obsessão por cachaça.
Gosta e gosta muito, bebe até cair e, depois disso, ali fica, rindo e satisfeito.
Feito isso, é só dar uma paulada na cabeça e a ninhada agradece.
Um belo dia, após terem sido executadas, com êxito absoluto, as táticas de guerra, meu tio anunciou a morte do fedorento animal.
Passados alguns instantes, eis que surge a minha irmã com uns cinco ou seis pequenos animais rosados nas mãos.
Não era gambá, era gamboa. E estava com uma ninhada dentro da bolsa.
O marsupial deixa o filhote na bolsa até completar o crescimento desses.
E, por sorte dos filhotinhos, isso estava para acontecer a qualquer momento quando houve a execução.
Pois bem, a franciscana Andréa, para assombro de todos e repugnância de alguns, menos do meu pai, resolveu adotar os bichinhos.
Esses cresceram e, desta vez, sem ajuda do abolicionista Marcos Coutinho Loures, deram vazão a seus instintos selvagem e fugiram, deixando minha irmã extremamente tristonha.
Ama-seca de gambá, primeira e última de que tenho notícia.

MENOSPREZO E TRAIÇÃO

O dia estava lindo, um sol maravilhoso num céu de brigadeiro.
O rio convidava a nadar e, como sempre fazia desde menina, ela resolveu ir até a prainha que se formava numa curva do rio, em sua fazenda.
Colocou seu biquíni e foi, aproveitando as férias escolares que se iniciavam naquele dezembro abrasador.
Sabia que, naquela hora, os meeiros e campeiros estavam trabalhando e, filha de coronel, ninguém ousaria perturbar o seu banho de sol.
Bastava uma palavra para que o pai resolvesse o problema do bisbilhoteiro.
Deliciosamente deitada, com aquela preguiça salutar e reconfortante, olhava a esmo, como que namorando a interminável corrente que trazia e levava as águas do rio, nesse suave escoar...
Lembrara-se de seu aniversário, maioridade atingida, agora era dona do nariz.
Aliás, sempre fora. Amazona aos doze anos, cavalgava maravilhosamente bem, com os lindos cabelos louros soltos, montada a pelo sobre o seu cavalo manga-larga. Bela cena que a memória do vilarejo fez questão de registrar no único foto da vila.
Dezoito anos, faculdade próxima, ano que vem vestibular. Medicina era o sonho, poderia fazer, o pai garantiria tudo.
Vida boa, liberdade.
Quando, ao longe, na estradinha de lavoura que cortava o morro mais próximo, sentiu um movimento estranho no bambuzal.
Reparando bem, percebeu que o movimento se repetira algumas vezes.
Pegou o binóculo e, para sua surpresa, reparara nos vultos de uns meninos, adolescentes e quase crianças lá no alto.
Pensou logo que estavam observando-a, presa da curiosidade e da sensualidade que aflora na adolescência.
Isso era o cúmulo. Ia dar o flagra nos meninos e entregá-los ao pai e que se danassem estes pestinhas.
Silenciosamente, se levantou e como se fora nadar, mergulhou no rio.
Exímia nadadora, sabia como fazer para surpreender os moleques.
Após ter nadado uns cem metros e sumido do campo visual dos meninos, voltou à margem e, subindo célere o morro, se preparava para repreender os safados.
Qual o quê, para sua surpresa não era nada do que imaginava.
Parada, quieta submissa, uma mulinha estava na estradinha.
Passiva, recebia os “carinhos” de um moleque de mais ou menos treze anos.
E, depois dele, uma fila se formara.
Cada um aguardando a sua vez...
Ao ver tal cena, sua ira redobrou e, tomando um pedaço de pau na mão, começou a espancar a esmo, todos os meninos, aleatoriamente.
Pior do que ser observada e desejada pelo bando dos moleques, era isso.
Quando viu os meninos desejando a mulinha, sentiu um enorme vazio no peito e uma terrível sensação de menosprezo e de traição!

PICOLÉ E PÉ FRIO

CASCAVEL - O pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, passou por um grande susto na madrugada deste sábado, no final do "Entrevista Coletiva", programa da TV Tarobá, em Cascavel. O motivo foi um incêndio num estúdio próximo onde ele estava, a transmissão foi interrompida antes do final. Ninguém ficou ferido, apesar do tumulto.
O incêndio começou no estúdio 21 e não atingiu as dependências onde Alckmin estava. A causa ainda não foi apurada. A energia foi cortada e houve um corre-corre das pessoas que queriam deixar rapidamente o prédio da televisão.
O pré-candidato saiu e foi levado para o aeroporto, partindo para São Paulo por volta da 1 hora da madrugada. O retorno já estava marcado antecipadamente para esse horário.
O único pedido que se ouvia no meio da confusão era o de calma. Mas todos que estavam no estúdio queriam sair o mais rápido possível. Caminhões do Corpo de Bombeiros foram chamados e o incêndio controlado depois que Alckmin já tinha ido embora.


Quando as coisas não dão certo, tudo parece contribuir para isso.
Logo agora que o candidato tucano disse que precisaria colocar lenha na fogueira para tentar incendiar a eleição, acontece isso.
Alckmin, depois de ter sido barrado no forró, agora incendeia literalmente os estúdios de um canal de televisão.
E olha que seu apelido é picolé de chuchu, algo bastante gélido para ter efeito tão devastador.
Além do que, pelo desenrolar dos últimos acontecimentos, já se espalha sua fama de pé-frio.
Imaginando a cena, tento transcrever para o papel, embora saiba o quanto que isso é difícil. Vamos a ela:
Repórter – Estamos aqui, direto de Cascavel com o candidato à Presidência da Republica, senhor Geraldo Alckmin. E aí Dr. Geraldo, o Sr. acha que as Copa do Mundo pode esfriar um pouco o calor da disputa eleitoral?
Candidato – Caros telespectadores acredito que se o Brasil não for campeão, a culpa deve ser investigada e, garanto que o fato do Presidente Cínico ter chamado o Ronaldo de gordo, pode ter um aspecto bastante negativo, podendo gerar uma insatisfação no elenco, o que pode causar a perda do Hexa, e isso será por culpa do Lula.
Repórter – O que o senhor achou da invasão do MLST ao Congresso?
Candidato – Isso mostra a ineficiência do Governo Federal e o clima de desgoverno criado pela impunidade, a partir do mensalão que demonstra o grau de corrupção desse Governo, o maior da história do Brasil.
Repórter – E sobre o PCC?
Candidato – Não sei do que o senhor está falando. Pergunte isso ao Lembo, afinal ele está lá para isso.
Repórter – É verdade que o senhor foi avisado de que haveria uma revolta e esse massacre do dia das mães?
Candidato – Eu não sei de nada, não vi, não ouvi, não sei de nada!
Repórter – E a respeito do desvio de dinheiro da Nossa Caixa para deputados da base aliada.
Candidato – O quê que eu tenho com isso? Isso é coisa do Palocci.
Repórter – Não, Governador, eu não estou falando da Caixa Econômica não, falo da Nossa Caixa de São Paulo.
Candidato – Ué, eu não sabia que São Paulo tem esse banco não, se desviaram é coisa do Maluf...
Repórter – E as roupas da dona LU?
Candidato – Isso é mentira da oposição! O que eu sei é que apareceram lá em casa uns trapos, que a mulher estava doando para um grupo de costureiras para fazer uma colcha de retalhos. Daí a dizer que eram roupa de costureiro caro, eu não sei. A moda muda a cada dia...
Repórter – E o fato do senhor ter sido barrado no baile?
Essa foi demais, a cabeça inchada, quente, já começando a se exasperar Alckmin responde;
- Me recuso a responder. Eu não tenho culpa do segurança ser analfabeto?
Nessas alturas do campeonato, o repórter anuncia preocupado.
- Não fique tão nervoso, Sr. Geraldo, estou sentindo um cheiro de alguma coisa queimando, e não é cheiro de chuchu cozido não.
Irritado, Alckmin ameaça encerrar a entrevista, quando se ouve o corre corre.
Gente gritando para todos os lados e a fumaça espalhando no estúdio.
Nesse momento, a assessoria do candidato invade a cena e retira-o, mesmo sob os protestos do próprio candidato.
Afinal picolé e pé frio não precisa temer incêndio não. E, afinal, tucano voa, mesmo que não seja nas pesquisas, voa...

DA LUA VERMELHA E DA LUZ ESVERDEADA

Na noite fria, o vento passando pelas gretas da porta, assoviando como a tosse da mãe, dolorosa tosse.

A morte rondando a cidade, à bala e à fome, armas constantes apontadas sobre o morro.

Os irmãos, todos os nove, dormem abraçados e seminus. O cobertor não dá para todos, os menores sofrem mais, descobertos.

A irmã mais velha, barriga grande, esperando mais um para completar a dezena, mas desta vez outra geração será inaugurada.

Nova geração, miséria antiga, fome constante.

A garrafa de cachaça pela metade denuncia que o pai está em casa. Ainda bem.

O pai em casa, coisa rara, é sinal de comida amanhã.

O arroz e o feijão no prato, minguado prato do dia-a-dia, poderia com certeza estar acompanhado de algo mais, quem sabe um naco de carne ou de frango.

Vida dura, durando muito para quem mais teima que vive.

Barriga d’água, cheia das lombrigas de sempre, os cabelos amarelados pela fome, contrastando com as pernas finas, perebentas.

O cheiro podre de vala e de suor, misturados no único cômodo do barraco.

A porta parcialmente trancada, a tramela não adiantava mais.

A polícia, na última vez que viera nada encontrara, mas a porta não resistira.

Os pontapés assustaram, ninguém sabia dizer por que tinha que ser assim.

A mãe tuberculosa, a cada dia ia minguando. Remédio até que tomava, mas a comida pouca; amor de mãe é fogo, das parcas colheres, nada colhia. Alimentar os meninos.

A morte talvez resolvesse os problemas. Mas a luta era diária e o medo maior que tudo. Agora ia ser avó, precocemente envelhecida, os trinta anos batendo na porta. A filha de treze agora era duas.

A magreza dos meninos assustava.

Os meninos, ao revirar o lixo, muitas vezes se saciavam com as podres delícias.

Um dia, o mais velho encontrara um lote de iogurte vencido. Delicioso, coisa de rico.

Como poderia esperar algo, além disso?

Invejara, muitas vezes, os urubus. Esses tinham colheita certa e comida abundante.

Num local onde a morte é lugar comum; fartura de alimento somente para eles.

O rosto dos meninos, sem direção, sem nexo nem sentido, denunciava a luta voraz destes para chegar o dia seguinte, e assim por diante.

Ano passado, quase que o Mariozinho morreu. Não fossem as rezas da vizinha, adeus!

Comida, saúde, escola, essas coisas que todo mundo promete, ilusão.

A fome é cruel, muito cruel. Não se pode falar de fome se não a conhecer.

Não é essa fome de madame querendo emagrecer ou a ocasional, a de um dia, não.

A fome de uma vida, de uma vida após outra vida, nessa semi-morte que arrasta a todos para o lixão.

Outro dia, sem que ninguém soubesse por que, o dono do morro pediu a casa “emprestada” para esconder uns camaradas que vieram de outra favela. Fazer o quê?

Levaram o rádio de pilha e a televisão, últimos contatos com a vida no asfalto.

É difícil essa vida entre o bem e o mal, entre a polícia que quebra a porta e o traficante que leva a televisão.

Fazer o quê?

Voltar para Minas, uma boa idéia, mas cadê Minas?

A fome na roça também era terrível. Aqui pelo menos tem o lixão. A comida é mais farta, embora rala.

Sua mãe tivera quinze, sobraram quatro. Dos quatro era a mais velha.

Pelo que soube dos outros três, um estava preso, a menina caiu na vida e o outro enlouquecera, o sortudo.

A mãe morreu ano passado. Da velhice que carrega aos 50 depois de ter morado mais de 20 nas costas do cidadão.

Marido bom até que era, batia pouco, bebia muito.

De vez em quando sumia. Falam que tem outra, a velhice precoce a tornara feia.

A outra deveria ter a carne ainda dura, os peitos mais rijos e os dentes na boca.

Além de tudo, não devia estar tísica. Danada dessa tosse, dessa febre, o sangue espalhara no colchão tantas vezes que colorira de vermelho o amarelado do mijo das crianças.

Emagrecendo e se esvaindo, o frio daquela noite estava de lascar.

A tosse de Joãozinho estava denunciando que a tísica estava criando raízes no barracão.

Levar para o médico, marcar ficha, mês que vem se ainda estiver vivo ou se não tiver curado.

Curado?! Doce ilusão, mais fácil ter morrido que se curar.

Joãozinho, menino sempre foi fraco dos peitos, ao contrário da mais velha, peitos grandes para os treze anos. Agorinha mesmo mais um. Depois outro, outro... contagem mórbida, triste...

O silêncio da noite é interrompido pelas balas, balas e mais balas.

As balas de confeito estão nos sonhos dos meninos, a de aço perfura as paredes de zinco e de compensado. Barraco todo furado, chuva traz lama e goteiras. Vida complicada.

O marido está sobre ela, as pernas confundidas depois de uma noite de sexo. Coisa que foi boa, hoje suplício. É melhor que ele fique com a outra.

As costas doem muito e o prazer é impossível. Tem que fazer preventivo.

As doenças do mundo estão brigando por espaço pra poderem crescer no corpo miúdo. A mãe do corpo está toda sangrante, numa eterna regra.

De repente, percebe que as balas estão mais fortes que sempre.

Um barulho arromba a porta. O namorado da filha, menino ainda, entra na casa.

Transtornado pela cocaína e pelo álcool.

As balas se aproximam e procuram lugar macio. Barriga grávida, local macio. Fácil de entrar, penetram, abortando o futuro e o presente. De uma vez só.

Quem sabe foi melhor assim?

O companheiro se levanta e xingando o namorado da menina morta, empurra-o para a saída. Saída do barraco. Saída da vida, saída.

Mal sabe ele que não há mais saída.

Mas a teimosia, logo o dia nasce, o corpo sepultado, a teimosia sobrevive.

No céu, uma lua avermelhada a tudo assiste, e comovida abraça todo o barraco, inundando o barraco, a favela, a cidade e o país com uma estranha luz esverdeada e avermelhada.

Quem sabe essa seja a saída?

Uma lua vermelha, uma luz esverdeada e um brilho descomunal sobre tudo e sobre todos...

Sexta-feira, Junho 09, 2006

Sobre José de Paiva Loures

Uma das lembranças que tenho de meu pai é do apego que ele tinha pelas flores. Os espaços mais nobres do imenso quintal de nossa casa eram ocupados pelas mais diferentes espécies de roas, dálias, lírios, zínias, palmas, copos-de-leite, margaridas e outras, compondo um imenso jardim.
Todos os sábados, pela manhã, lá estava em nossa casa o sacristão da Igreja Matriz, recolhendo braçadas de flores para enfeitar o Altar do Senhor.
Naquele sábado em que meu pai desceu ao túmulo, o longo dia foi uma interminável sucessão de lamentos, até que a noite chuvosa se abateu sobre nossa dor e nosso cansaço...
Inúmeros parentes, vindos de muito longe, buscavam melhor acomodação, espalhados pelos quartos, salas e corredores de nossa casa.
Já era madrugada quando uma das minhas irmãs se levantou, queixando-se de forte dor de cabeça, provocada pelo perfume dos lírios que atravessava as venezianas e invadia o ambiente.
Uma a uma, as pessoas foram acordando e pudemos sentir, em plenitude, aquele perfume e, para aumentar a ventilação interna, apesar da chuva, abrimos as janelas. Tal fato mereceu de minha mãe, um comentário:
-“Que bom! Assim, quando amanhecer, poderemos levar muitas flores para ele!”
Assim, com as janelas entreabertas e suportando os respingos da chuva intermitente, voltamos a dormir.
Mal a claridade de um novo dia ia surgindo, minha mãe já estava na cozinha, preparando o café e, ao se lembrar do ocorrido pela madrugada, ela abriu a porta do quintal e foi procurar os lírios que deveriam estar enfeitando os canteiros.
Instantes depois, ela voltou e pediu que fôssemos também procurar as flores no quintal, ainda molhado pela chuva da madrugada.
Qual não foi nossa surpresa quando, ao vasculhar cada canto do imenso quintal, não encontramos uma flor sequer! Todas, absolutamente todas, haviam sido colhidas pelo fiel sacristão, no dia anterior...
Sem dúvida, para se despedir, meu pai havia deixado entre nós, o suave perfume de sua boníssima alma...

De Marcos Coutinho Loures, sobre José de Paiva Loures

DAS CAMPANHAS POLÍTICAS - COMO SE ABORTA UM SONHO

Jovem e apaixonado pela política, Fernando era um dos principais talentos de oratória do MDB muriaense e, disso muito se orgulhavam seus pais e parentes.

Aos 22 anos, era candidato à Câmara dos Vereadores e, com um discurso eloqüente conquistava, a cada dia, mais respeito e maior número de eleitores.

Seus discursos inflamados empolgavam a todos, levando muita gente ás lágrimas.

A sua verve política era de assombrar mesmo os mais antigos e experientes políticos.

Porém, um fato insólito, marcou sua estréia como político.

Muriaé, como uma cidade que vivia da Rio - Bahia e era freqüentada por muitos caminhoneiros, tinha uma das maiores e mais variadas Zonas Boêmias da região.

Famosa pelo tamanho, quantidade e qualidade de opções tinha, apesar de se localizar no centro da cidade, algumas características iguais a todos os bairros proletários desse país.

A polícia visitava bem mais a região do que a prefeitura. O sistema de saneamento básico era um horror. A iluminação pública, um descaso total, assim como a saúde dos moradores, abandonados.

Água potável? Nem pensar. Água de mina, se tanto.

Fernando, como bom e honesto ideólogo, tentava reverter esse quadro.

Pois bem, seu trabalho de dia a dia era um dos mais admiráveis, sempre em presença do Padre Jonas, velho “comunista” para o Governo, mas um excelente e coerente cristão.

Às vésperas da eleição, no seu último discurso, Fernando escolhera justamente essa região para fazer um comício.

Centenas de pessoas se aglomeravam para poder ouvi-lo.

Estava bonito de se ver, aquelas bandeirinhas do antigo MDB desfraldadas naquela região abandonada por todos.

Ao começar o seu discurso, Fernando fez uma comparação entre sua candidatura e outras, da famigerada Arena.

- Márcio, filho do dono da Fábrica de Tecidos o que é?

-Candidato dos empresários!

Os aplausos corriam à solta. Entre hurras e foguetes.

-Antonico, o fazendeiro mais rico da região é o quê?

- Candidato dos latifundiários.

Mais aplausos e mais foguetes.

Mas aí, aconteceu a tragédia!

-Eu, que nasci aqui no meio de vocês o que sou?

Aí um gaiato, mais que depressa deu a resposta que selou a candidatura fracassada do jovem Fernando:

- FILHO DA PUTA!!!!!

DA UPC E DO CONSERVADORISMO


A ditadura militar deixou sobre muitos brasileiros uma sensação de medo que, muitas vezes, se aproximava de um pavor incontrolável.

Dentre essas pessoas vitimizadas pelo pânico aparentemente sem motivação algum, estava Átila que, apesar do nome, era um dos mais medrosos dentre tantos iguais, na cidade de Ubá.

Ubá, cidade de mais ou menos cem mil habitantes na zona da Mata Mineira, é um dos principais pólos da indústria de móveis de Minas e, como toda cidade mineira que se preza, tinha na TFP uma de suas mais eficientes e castradoras entidades.

Nos idos dos anos 80, o ar que se respirava, para horror de Átila, trazia o prenúncio de liberdade.

O escravo adora e teme o chicote e, como não poderia fugir à regra, nosso amigo era um fervoroso defensor da ditadura militar, o que trazia, embutido, seu ódio contra tudo que “cheirasse” a manifestações contra o Estado Ditatorial.

Foi candidato, derrotado, à Câmara Municipal pela Arena, obviamente.

Quando soube das greves no interior paulista, amaldiçoou aquele “barbudo agitador”.

Expressava sua revolta para quem quisesse e tivesse paciência de ouvi-lo.

Quando houve a ANISTIA, exasperou-se ao ver o “temível” Leonel Brizola descer no Aeroporto do Rio e ser, cúmulo dos cúmulos, aplaudido por uma multidão.

É, esse país estava virando uma anarquia. Que saudades dos tempos de Médice e de Geisel. Aqueles homens é que eram de bem.

Um borra botas fujão como esse Leonel ser aplaudido, isso o revoltava sobremaneira.

Ao ver uma foto de Fernando Gabeira portando uma tanguinha de crochê, e sendo apontado como o “Muso do verão”, ficou exacerbado : “Como pode um comunista safado como esse, depois de ter matado muita gente no Araguaia aparecer agora com essa coisa de crochê? Isso é muita falta de vergonha! Isso é coisa de um homem usar?”

As eleições para Governador o assustaram mais ainda. Ao saber que o “fujão” se elegera Governador do Rio, quase teve um colapso.

Tancredo Neves, ainda vai lá, mas esse tal de Brizola não. Nunca.

Entre seus amigos, as discussões políticas sempre terminavam com suas máximas tipo : “Brasil, ame-o ou deixe-o”, entre outras cositas más.

Pois bem, com isso, seu círculo de amizades foi ficando restrito e quase que se resumia a Pedro Paulo.

Companheiro de sinuca e de “visitas às escondidas” à famosa casa da red light, ou da luz vermelha, se preferires.

Mas aquilo que vira naquele fatídico dia no BANCO DO BRASIL, logo num banco estatal, o deixou extremamente chateado.

Ao entrar no banco, lera UPC, a famosa Unidade Padrão de Capital que, para gáudio dos que assistiram a cena, transformou-se sob uma voz revoltadíssima na seguinte afirmativa:

“Esse é o cúmulo do absurdo, a que ponto chegamos, em pleno Banco do Brasil, fazer uma propaganda dessas; repare bem no que está escrito:

UPC – União dos Partidos Comunistas”...

DE ARAÚJOS - em homenagem a Hélio Valentim

Francisco, já apresentado aqui anteriormente, perpetuava-se no poder na pequena cidade mineira e ainda não tinha tido o prazer de voar de avião. E essa era uma das suas maiores frustrações.

Sabendo desse desejo, um de seus filhos resolveu presenteá-lo com uma viagem para São Paulo, num avião que sairia do Aeroporto Pio Canedo, fretado por alguns empresários locais, entre eles o filho de Francisco.

Toninho, esse era o nome do rebento amado, era dono de uma empresa de locação de automóveis em Muriaé para onde, segundo as más línguas, teria ido boa parte do dinheiro da saúde do pequeno município.

O Aeroporto de Muriaé, ainda se chamava Pio Canedo, sendo depois modificado para outro nome, segundo dizem, por causa de “favores” de um deputado federal a um conhecido Governador mineiro, por emprestar uns aviões, coisas assim.

Mas isso não interessa, pelo menos nessa história.

Voltemos a ela.

O Comandante Araújo, aposentado pela aviação comercial onde fora um dos mais brilhantes pilotos da CRUZEIRO DO SUL, já morta a essa época, estava em um dia muito especial.

Sua esposa tinha-o abandonado na véspera e, como a dor era muita, aquele vôo daria a ele uma espécie de consolo.

Velho comandante do ar, Araújo tinha por hábito, tentar conhecer seus passageiros.

Ao ver aquele senhor sexagenário sentado com outro amigo, no bar do Aeroporto, resolveu entabular conversa com o estranho.

Ao vê-lo, teve uma surpresa enorme quando foi chamado pelo nome.

-Araújo, como está você?

Ao que respondeu que tudo bem, etc e tal.

-O vôo vai ser tranqüilo né?

Claro que sim, e o papo evoluía.

Regado a uma garrafa de cachaça que se esvaziava rapidamente, consumida pelo senhor distinto que reconhecera Araújo.

Como a gente, nessa vida, muitas vezes conhece pessoas e a memória nos trai, nada mais natural que o cidadão ter reconhecido o velho aeronauta.

O tempo passava e a conversa extremamente agradável com aquele caipira bom de papo já se alongara muito quando Araújo a encerrou, avisando que iria decolar em pouco e que, o velho conhecido deveria parar de beber.

Fora muito boa a conversa e isso aliviara um pouco o peito sofrido do nosso amigo.

Voltemos a Francisco.

Assim que chegou, acompanhado de seu testa de ferro de sempre, Francisco estava extremamente tenso.

Ao perguntar o porquê, o seu acompanhante foi informado que aquela seria a primeira viagem de avião do político experiente.

Resolveram sentar no bar e tomar umas caninhas para “aliviar” a tensão.

Ao perceber que aquele senhor estava indo em direção ao bar e que esse portava uniforme sugestivo de que seria um Comandante; Francisco, prontamente, convidou-o para sentar.

Daí em diante se deu o diálogo que captamos no bar do aeroporto.

Ao ver tamanha “intimidade” entre Francisco e o Comandante, seu amigo o interrogou:

- “Seu” Francisco, mas o senhor é muito gozador mesmo hein!? Como o senhor me fala que nunca voou e tem tamanha intimidade com o Comandante?

-Que intimidade o quê! Nunca vi mais gordo!

- Como o senhor sabia do nome dele?

- Não sabia não, e esse não é o nome dele não seu burro!

-Como assim?

- O imbecil, se o homem que trabalha no mar é marujo, quem trabalha no ar é araújo, entendeu?

Para o Velho Lobo, nesse ano onde brilham as estrelas

Velho Lobo me surpreendeste.

Sei de teu amor pelo Botafogo, e isso me fez te admirar bastante, hoje ao saber de tua afirmação de que o 13 do PT é de bom pressagio, passo a te admirar mais ainda.

Pelo que significa essas duas estrelas tento, com humildade, te homenagear.




Nas alegrias do povo

Desse povo sofredor,

Ao nascer de um dia novo,

Onde prevaleça amor.

Nas esperanças de glória,

Na liberdade do sonho,

Em meus olhos, onde ponho

O brilho de nossa história.

De todos meus sentimentos,

Trago os meus pensamentos

Na procura de esperança,

São poucas essas lembranças

Que me trazem tão à vida

Das tristezas, despedida

Da vitória mais curtida

São poucas, vida sofrida

De um povo cuja memória,.

Muitas vezes se esfacela

Acostumado a uma cela

Sem ter por que sonhar.

Povo cujo maior grito

Sempre foi esse bendito

De tentar comemorar,

Em cada gol de verdade,

Traduzir dignidade

Em cada jogo de novo,

No que é o pio do povo;

Com sua simplicidade

Dentre tantos, de verdade,

És o único que ostenta

Esse orgulho de ser penta.

E por conhecer de estrelas,

E Mais que nenhum sabê-las,

Consegues bem demonstrar

De maneira bem concisa

Que nosso povo precisa

Algo além para orgulhar.

Da estrela botafoguense,

Bem sei que sempre que vence

Teu coração se convence

De que vale a pena lutar.

E nesse dois mil e seis,

Isso se fez repetir,

Trazendo belo porvir

Para estrelas no Brasil,

Pra esse povo varonil

Valoroso brasileiro,

Que possa, esse mundo inteiro

De novo nos conhecer

Povo feito pra vencer

Na chama dessa batalha

Que Deus, de novo nos valha

Em campos dessa Alemanha

Onde a estrela que se ganha,

Sexta, na constelação

Que pulsa com coração

No brilho de luz tamanha,

Capaz do mundo ofuscar

De tão forte esse brilhar.

Outra estrela que avermelha,

Tem também essa centelha

Com certeza brilhará.

Eu bem sei que trará sorte,

Para todos bem mais forte

Que o ocaso de outras paragens

Que desconhecem as vantagens;

Constelação popular

Que jamais irá parar

Que representa essa raça,

Em todos campos ou praça

Que tem cheiro de cachaça

Que traduz calor e graça;

Conquistando esse planeta

Mais uma estrela, um cometa

Estrela tão benfazeja

Que nossa terra já beija

Não desiste da peleja

Tanto luta, tanto almeja

Não teme nem dor nem morte

Estrela de grande porte

Tem o número da sorte!

Quinta-feira, Junho 08, 2006

DE AMORES BUCÓLICOS DA DÉCADA DE 80, NO INTERIOR MINEIRO

Uma vez, nos idos dos anos 80, na minha Muriaé, um amigo meu, desses amigos que a infância traz e a maturidade esparsa passou por uma situação um tanto quanto vexatória.
A adolescência traz seus desejos, nem sempre saciados e, quando isso ocorre, muitas vezes a noite traz opções para suprir essa ausência de prazer.
Pois bem, esse meu amigo estava namorando uma menina evangélica e daquelas bem radicais para quem o sexo era uma coisa sagrada após o casamento e demoníaca antes desse.
Os dois, com seus dezoito anos de idade tinham visões diferentes da vida; ela ambicionava o casamento mais precoce possível, de preferência com um rapaz “honesto e trabalhador”; já esse meu amigo estava no primeiro período de Engenharia e a sua opção era por primeiro formar-se, depois se solidificar no mercado de trabalho para, depois, poder constituir família.
Essas disparidades levavam o romance a uma situação extremamente comum e antagônica. Beijos e carinhos até as dez horas da noite, depois namorada em casa e fim de noite com as meninas mais liberais ou, na ausência destas, o prostíbulo mais próximo ou mais acessível.
Meu amigo, como todo estudante, estava com pouco dinheiro e fizera tudo para não gastar nenhum centavo naquela noite de quinta feira.
Conseguira poupar todo o dinheiro à custa de uma “dor de garganta” improvisada que o impedira de tomar, ao menos um refrigerante.
Dez da noite, namorada entregue em casa, tudo certinho , como mandava o figurino...
Morava na direção destra da rua e o prostíbulo era na canhota. Parodiando Drummond, foi ser “gauche” na vida.
Péssima escolha, veremos mais tarde.
Mas, hormônios são hormônios e o sexo estava a toda tomando conta da cara espinhenta e dos delírios noturnos.
Ao adentrar o prostíbulo, encontrara a mais bela morena que poderia imaginar em tal local.
Conversa vai, conversa nem vem e cama!
Noite deliciosa, com uma bela morena do lado, foi o mais demorado possível para um jovem em tal situação.
Quinze minutos de delícias inesquecíveis.
“Ah amor, gostou?
Amei querida...
Quanto foi?
Vinte reais...”
Até que não fora caro não, a menina merecia bem mais e, pensando em quanto daria de “gorjeta” para a bela garota, teve uma surpresa...
Procura daqui, procura dali, e cadê o dinheiro?
Não é que, ao pegar a calça jeans azul, se confundira e vestira a blues jeans?
E agora? Inteiramente nu, sem dinheiro nenhum e essa situação crítica.
Ao argumentar com a “donzela”, essa lhe mostrou a outra face, ao invés da doçura inicial, o rosto se modificou. De repente, surge uma peixeira de mais ou menos dois palmos de comprimento e fio exemplar.
“Você vai, mas a roupa fica!”
E essa agora; “posso pegar a cueca?”
“Sem cueca. A roupa só depois de eu receber a grana!”
O que fazer? À distância para sua casa não era muita, mas teria que passar no centro da cidade e ainda eram onze horas da noite.
Pelado e sem bolso pra colocar as mãos, não teve outra escolha.
Para o cúmulo do azar, Pepeu, um cãozinho pequinês que pertencia a sua namorada estava acordado.
E bem acordado. Nunca maltrate os animais, isso, além de ser de uma maldade absurda, pode causar contratempos terríveis.
Durante uns dias, com raiva da namorada, por causa de uns dá não deu que o deixavam agoniado, resolveu descobrar sua frustração no pobre animal. Não é isso que você está pensando não, ouviu? Ele deu foi umas pauladas de “leve” no focinho do pobre cão que, ao perceber sua presença, resolveu latir a toda a fim de demonstrar sua indignação.
Indignada ficou a namorada que, ao abrir a janela, se deparou com um homem nu correndo , mas a tatuagem enorme nas costas denunciara o fujão.
Maldita tatuagem!
Ao chegar em casa, sua mãe o esperava sentada, fingindo assistir a um programa de televisão.
Ao ver o seu “pimpolho” com a cabeça do “pimpolho” exposta, deu um grito, acordando a casa toda, inclusive a irmã caçula, para seu azar. Foi motivos de intermináveis gozações de sua amada irmãzinha.
Explicações eram necessárias, mas o resgate se impunha mais urgente.
Pegou a calça com os vinte reais, e foi de retorno ao prostíbulo.
Mas, para sua surpresa, ao entrar na ante-sala, dá de cara com o sogro, à espera da mesma morena mas, creio que com condições para pagar o serviço executado.
Conversa vai, conversa vem; eis que, como do nada, aparece a namorada e a sogra, devidamente armadas com todos os argumentos para esculachar o pobre estudante.
Circo armado, a morena, ao ver tamanha balbúrdia, abre a porta e, com a peixeira já conhecida, ameaça a todos.
Meu amigo, aproveitando-se da confusão, entra no quarto da morena, pega a roupa e sai correndo em meio ao tumulto.
Resultado da confusão – um casamento e um namoro desfeito mas, mineiramente falando, pelo menos os vinte reais não foram gastos.
É, pensando bem, o prejuízo não foi tanto...

Da necessidade da formação de Partidos Políticos no Brasil

Uma coisa que me chama a atenção e muitas vezes é esquecida e a cada dia se observa de forma cabal, se relaciona com a ausência de partidos políticos no Brasil.
A nossa estrutura partidária é uma das piores e mais frágeis do mundo, com situações absurdas que irão se repetir nas próximas eleições.
Sou Botafoguense e me orgulho disto, embora o Botafogo tenha me trazidos raras alegrias e muitas tristezas. Mas sou botafoguense e dane-se o resto.
Sou católico por formação, mas sou católico e isso é problema meu, mesmo com os erros e acertos da Igreja católica, sou católico.
Em relação a isso, mais de noventa por cento dos brasileiros têm suas convicções que são praticamente imutáveis.
O norte americano ou é republicano ou conservador. O argentino ou é peronista ou anti-peronista; o uruguaio é colorado ou anti-colorado.
O inglês ou é conservador ou trabalhista; e por aí vai...
Sou Lulista e petista, mais Lulista que petista, tanto que não votarei no PT para o Senado e, talvez vote no PCdoB para a Assembléia Legislativa.
Estou falando de uma pessoa que gosta de participar e tem princípios ideológicos e políticos, militando há mais de 30 anos, direta ou indiretamente.
Nossas estruturas partidárias são totalmente incipientes, excetuando-se o PT e alas do PMDB, além dos partidos mais à esquerda como o PSTU, são pouquíssimos os que se podem dizer que PERTENCEM A TAL PARTIDO, afirmativa trocada por SOU FILIADO A TAL PARTIDO.
A filiação conota uma diferença muito grande com relação ao fato de PERTENCER, essa palavra demonstra uma interação e integração absoluta; mesmo na derrota ou nas fases de baixa, o que PERTENCE, normalmente está entranhado e o Filiado, desfilia, vai para outro partido e dane-se o resto.
Todo esse emaranhado causado pela verticalização e esse absoluto non sense de partidos de esquerda apoiando ou sendo apoiados pelos de direita, a luta de socialistas contra socialistas, apoiados ambos por neo liberais, gera o samba do político doido.
A guinada de Roberto Freire para a aliança entre a Usp e o Coronelismo demonstra que: ou o Bob Freire pirou de vez ou ele não entendeu nada ou nunca teve convicção política ou é mau caráter.
A base partidária é fundamental por ser visceral, o fato de termos um aumento na base petista é extremamente sugestiva de que, o partido é mais importante que os homens, assim como o Botafogo me é muito mais caro que qualquer jogador que tenha passado por lá, de Cremilson a Garrincha.
As cores partidárias no Brasil variam a cada eleição, causadas por uma espécie de político quase que exclusive do nosso país e inaceitável na maioria das democracias do universo: O político PROFISSIONAL.
Entender-se que Ronaldinho Gaúcho saia do Grêmio para o PSG e, depois, para o Barcelona é fácil. Mas compreender um paladino da Esquerda se associar ao Antonio Carlos Magalhães é dose para elefante!
Não vou deixar de falar dos políticos petistas; muitos decepcionaram o seu eleitorado; porém a militância petista não, essa continua firme com o partido, a exemplo dos conservadores americanos que “aturam” Bush ou mesmo dos católicos conscientes que “suportam” o Padre Antonio Maria.
O que ocorre nesta eleição é de uma limpidez e transparência que chega a ofuscar a visão dos que não querem ver e, por isso , muitas vezes pode instigar alguns.
Lula tem, entre petistas e lulistas, cerca de trinta por cento do eleitorado. Eleitorado fiel em todas as participações deste como candidato à Presidência da República, isso é ponto pacífico. Da mesma forma tem 30 por cento de rejeição, de pessoas que NUNCA VOTARAM E NEM VOTARIAM nele.
Assim como temos flamenguistas, temos antiflamenguistas ou anticorintianos. Isso denota a existência de um grupo que rejeita outro, normalmente com características mais definidas.
Os anti-lulistas têm várias facetas; desde a ultra esquerda ata a UDR reacionária.
O maior problema que vejo, não é somente o fato de Lula ter tido uma aceitação percentual praticamente igual a que o elegeu no segundo turno da eleição passada, estando dentro do percentual dos que acreditaram que ele era a esperança. Fato esse, estatisticamente confirmado como concretizado.
Além desse fato, temos a total inapetência e a falta de identidade dos anti-lula ou anti-petistas com nenhum candidato apresentado como alternativa a Luis Ignácio.
Geraldo Alckmin, me perdoem os paulistas, não ganha eleição para prefeito de Espera Feliz, tal a falta de atrativos que não tem e nem adianta tentar ter, isso é inerente.
Picolé de chuchu é um achado histórico de José Simão.
Cristovam Buarque é um arremedo de político, como político é um excelente professor e reitor; como reitor não tem o menor cacoete para a política.
Heloisa Helena é um caso à parte, pode acertar no atacado mas se perde no varejo; eu não conheço muitos homens que quereriam desfrutar de uma companhia como HH, isso sem ser machista.
É absurdamente chata com seus ataques histéricos em resposta a qualquer assunto que queira polemizar.
Agressividade excessiva é tão perniciosa quanto à apatia.
Um misto de Alckmin e HH talvez fosse algo, politicamente, tragável, mas isso são hipóteses.
Além disso, a falta de estrutura partidária no Brasil, na essência visceral da opção feita pelo eleitor, PERTENCENTE e não somente filiado a um determinado grupo, tal qual um torcedor de futebol, impede a formalização e a avaliação de uma realidade política brasileira.
O personalismo na política é danoso e isso se apresenta claro em quase todos os países onde ocorre. Mas essa herança advinda do profissionalismo e da falta de identidade partidária dos nossos políticos, inclusive com a falta de fidelidade partidária, mais cruel e deletéria para a política do que a falta de fidelidade nas relações amorosas; por ser extremamente danosa e imoral para com o eleitor; que tem todo o direito de se sentir traído, essa herança poderá ser modificada.
Poderá não, deverá; ao custo de não termos evoluído para a verdadeira democracia.
Se olharmos para os clubes de futebol, iremos aprender que, se um atleta contratado pelo Palmeiras, em pleno campeonato se transferir para o Corinthians, ainda mais de graça, será considerado, a vida toda como um traidor.
Mas, os políticos, inclusive os da esquerda , absurdamente em nome de uma “dignidade” que desconhecem, fazem a mesma coisa. E acreditam ficar impunes.
O descrédito que se abate sobre toda a classe política nacional tem, nesses imbecis, um dos grandes culpados.
Os outros são os interesses econômicos, os grupelhos políticos de um só senhor, sem ideologia; afora os partidos de “aluguel”; mas, nesse caso, estamos lidando com outro tipo de coisa : PROSTITUIÇÃO, e da pior espécie, a PROSTITUIÇÃO DAS CONSCIÊNCIAS.